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Observatório Social do Trabalho publica Relatório Semestral de movimentação do emprego formal em Pelotas

O Observatório Social do Trabalho, com o intuito de estimular o conhecimento da realidade social local e contribuir para qualificar as políticas públicas, está publicando o Relatório Semestral de Pelotas, relativo à movimentação do emprego formal celetista no 1º semestre de 2020. Através da análise dos dados do Novo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) é possível identificar o impacto da pandemia da Covid-19 sobre o emprego formal nesse município.

Assim, conforme o Relatório, a movimentação do emprego formal, regido pela CLT, em Pelotas, apresentou um saldo negativo de 3.046 vínculos no primeiro semestre de 2020. Nesse período de janeiro a junho, ocorreram 8.973 admissões e 12.019 desligamentos. A taxa de variação do emprego, nesse período, foi de -4,98%, pior que a taxa média do Brasil (-3,09%) e do Estado do Rio Grande do Sul (-3,76%) no mesmo período. Constata-se, também, que o estoque de empregos formais celetistas passou de 61.185 vínculos, em 1º de janeiro de 2020, para 58.139 vínculos, em junho.

Para acessar a íntegra do Relatório Semestral, clique no link abaixo:

O Mercado de Trabalho de Pelotas – Relatório Semestral (1º Semestre de 2020)

 

A movimentação mensal do emprego

Quando se analisa a movimentação mensal do emprego, conforme o Relatório, constata-se que as perdas se intensificaram com o avanço da pandemia da Covid-19 no Brasil, a partir de março, observando-se o ápice dessas perdas no mês de abril e saldos sempre negativos de março a junho. Nesse período, a partir de março, observa-se uma perda acumulada de -2.436 vínculos formais de emprego. Comparando-se o desempenho desses meses após a chegada da pandemia com o ano anterior, observa-se, de fato, que o impacto da pandemia foi significativo, os saldos negativos sendo bem mais elevados que em 2019.

 

A movimentação setorial do emprego

Analisando-se o saldo da movimentação setorial do emprego, constata-se que as perdas se concentraram nos setores de comércio (-1.522 vínculos) e serviços (-811 vínculos). Esses setores são responsáveis por 50% e 26,6%, respectivamente, da perda total de empregos nesse período. Considerando-se que o comércio representa cerca de 30% do estoque total de empregos celetistas em Pelotas, sua participação nas perdas mostra-se bastante elevada. Já o setor de serviços, com quase metade do estoque total de empregos do município, apresenta uma participação proporcionalmente menor nas perdas, mesmo que o volume de empregos perdidos seja bastante significativo. A indústria (-650 vínculos) também apresenta uma participação importante nas perdas de emprego, de 21,3%, apesar de sua menor participação no estoque total de empregos (13,9%).

 

O impacto das perdas de emprego no perfil dos empregados

Analisando-se os saldos de movimentação do emprego celetista segundo o sexo, a faixa etária e a escolaridade dos empregados, constata-se que as mulheres, os trabalhadores adultos e os mais idosos, bem como aqueles que apresentam escolaridade média foram os mais afetados pela crise que se verificou neste primeiro semestre. As mulheres (-1.722 vínculos) representam 56,5% das perdas e têm uma participação de apenas 43,5% no estoque total de empregos celetistas. Ocorre exatamente o contrário com os homens.

Os trabalhadores adultos de 30 a 49 anos de idade têm uma elevada participação absoluta (-1.507 vínculos) e relativa (49,5%) nas perdas, a participação dessa categoria no estoque total de empregos (50,2%) também sendo elevada. A participação das categorias mais idosas nas perdas, nas faixas de 50 a 64 anos e de 65 anos ou mais, somadas (-939 vínculos), é ainda mais acentuada em termos relativos, pois representam 30,8% das perdas e 20% de participação no estoque.  Já a participação dos jovens de 18 a 29 anos de idade (-699 vínculos) nas perdas (22,9%) é bem mais baixa que sua participação no estoque, que é de 29,1%. Os menores até 17 anos de idade é a única categoria que teve saldo positivo no período, com +99 vínculos.

Finalmente, analisando-se os saldos de movimentação do emprego segundo a escolaridade dos trabalhadores, constata-se que os empregados com nível médio completo (-1.415 vínculos) foram os mais afetados pela crise, tendo uma participação de 46,5% das perdas totais nesse período. Porém, a participação dessa categoria no estoque é muito alta, de 49,1%. Proporcionalmente, a participação das categorias de mais baixa escolaridade nas perdas, somadas (-1.396 vínculos), é mais alta, de 45,8%, considerando-se sua participação no estoque total de empregos, de apenas 32,1%. As categorias com ensino superior, somadas (-225 vínculos), representam apenas 7,4% das perdas de emprego no primeiro semestre, ao passo que representam 18,9% do estoque total de empregos celetistas.

 

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