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Cresce o desemprego no Brasil no último trimestre da PNAD contínua (dez-jan-fev 2020)

Segundo o IBGE, o desemprego no Brasil cresceu no trimestre de dezembro-janeiro-fevereiro de 2020, último trimestre investigado, em relação ao trimestre que vai de setembro a novembro de 2019, conforme os resultados publicados pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua Mensal (PNADC-M). Vale ressaltar que esse resultados segue tendências sazonais de elevação do desemprego no início do ano e de redução ao longo do ano. Também é importante registrar que esses dados antecedem à atual crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Segundo a PNADC-M, foram contabilizadas mais 480 mil pessoas desocupadas no Brasil nesse período, o número total passando de 11,863 para 12,343 milhões de pessoas nessa condição. A taxa de desocupação passou de 11,2%, no trimestre de setembro a novembro de 2019, para 11,6%, no trimestre de dezembro a fevereiro de 2020.

Esse aumento do desemprego deve-se principalmente à queda do número de pessoas ocupadas que caiu em 706 mil pessoas. O total da população ocupada, nas diversas formas de trabalho, passou de 94,416 para 93,710 milhões de pessoas. Essa redução do número de ocupados ocorreu em quase todas as categorias como empregados sem carteira de trabalho assinada (-168 mil pessoas), empregados no setor público (-316 mil pessoas), trabalhadores domésticos (-147 mil pessoas), trabalhadores por conta própria (-120 mil pessoas), empregadores (-72 mil pessoas) e trabalhadores familiares (-88 mil pessoas). Apenas os empregados com carteira de trabalho assinada tiveram saldo positivo nesse período, com o aumento de 204 mil pessoas nessa condição.

Essa queda no nível de ocupação é acompanhada também de uma redução do total de pessoas ativas no mercado de trabalho (-227 mil pessoas) que se retiraram da atividade econômica, o que amenizou o desemprego, pois estas pessoas passam a compor a parcela da população inativa economicamente. Logo, esse contingente de inativos cresceu em 815 mil pessoas nesse trimestre.

Vale ressaltar, ainda, que a população subutilizada, que é a soma dos desempregados com os subocupados por insuficiência de horas e das pessoas que estão fora da força de trabalho, mas gostariam de participar da mesma (desalentados que pararam de procurar emprego e pessoas que procuraram emprego mas estavam indisponíveis na semana de referência da pesquisa) se manteve praticamente estável nesse período, passando de 26,6 para 26,8 milhões de pessoas. A taxa composta de subutilização passou de 23,3%, no trimestre de set-out-nov de 2019, para 23,5%, no trimestre de dez-jan-fev de 2020.

A conjuntura anual do emprego no Brasil

Apesar desse desempenho negativo do mercado de trabalho brasileiro na passagem de um trimestre para outro, os indicadores anuais mostram-se positivos quando se compara o último trimestre investigado (dez-jan-fev-2020) com o mesmo trimestre do ano anterior (dez-jan-fev-2019). Nesse caso, observa-se uma redução do número de pessoas desocupadas (-710 mil pessoas), a taxa de desemprego passando de 12,4% para 11,6%.

Nesse período de um ano, a população ocupada cresceu em 1,830 milhões de pessoas, aumentando significativamente a população ativa (+1,119 milhões de pessoas) e de forma menos acentuada a população inativa (+476 mil pessoas). Isto é, a redução da taxa de desemprego deveu-se, principalmente, a um importante crescimento do número de pessoas ocupadas. A maior parte dessas ocupações criadas, porém, é informal, carecendo dos direitos e proteções sociais. Assim, do total do crescimento de pessoas ocupadas, 569 mil eram pessoas com emprego sem carteira de trabalho assinada, e outras 766 mil pessoas eram trabalhadores por conta própria, a grande maioria na informalidade. Durante esse período, contabilizaram-se também mais 645 mil empregados com carteira de trabalho assinada (apenas 35,2% do total de ocupados a mais no período), além de 91 mil empregados a mais do setor público.

Também se observa uma redução da subutilização ao longo desse período de um ano. O número de pessoas subutilizadas caiu de 27,8 para 26,8 milhões de pessoas, quase um milhão a menos, a taxa de subutilização passando de 24,6% para 23,5%. Trata-se, no entanto, de uma queda que não altera a elevada dimensão da subutilização e da precariedade no mercado de trabalho brasileiro.

Equipe do Observatório Social do Trabalho (IFISP/UFPel)

 

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