A língua espanhola é muito rica, pois é falada em muitos países. Segundo o Ethnologue, é a quarta língua mais falada no mundo, considerando o número total de falantes.
Em La Paz, Bolívia, expressões como “Nunca no me ha escuchado” ou “Sabe jugar futbol los domingos” podem chamar a atenção de um falante nativo de espanhol de outro lugar ou de um aprendiz da língua pela sua estranheza ou peculiaridade. Essas construções sintáticas são próprias de um dialeto do espanhol: o espanhol andino ou espanhol motoso, predominante nas regiões que compõem a Cordilheira dos Andes (ROSA, 2012). Esse dialeto nasce da influência que exerce o aimará e o quechua (em menor medida) na produção oral e escrita do espanhol. Neste curto texto, são apresentadas algumas características deste dialeto, tendo como foco o espanhol falado na cidade de Chuquiago Marka, ou La Paz, como é comumente conhecida.
Algumas das particularidades são mantidas desde a época do Vice-Reino do Peru (século XVI). Prova disso são os registros escritos que se tem de três ilustres personalidades da época: Guamán Poma, Santa Cruz Pachacuti y Tito Yupanqui (MENDOZA, 2012). De textos deles foram retirados alguns exemplos que cabem apresentar pela sua vigência:
– Uso de artigos definidos com nomes próprios: al San Francesco;
– Sequência pronominal me lo com valor de cortesia: me lo diesse mano;
– Uso da preposição en com verbos de movimento: lo lleve en casa de los pentores.
Nos textos de Aguilar, Huet e Pérez (2014), Mendoza (2012), Rivanedeira (2014, 2016a, 2016b) e Rosa (2012), encontramos outras propriedades deste dialeto que a qualquer paceño, habitante de La Paz, serão familiares, pela sua abundância num contexto informal de fala:
– Uso particular de posposições: Dámelo nomás pues pero.
– Dupla negativa: Nunca no me ha escuchado.
– Alteração da ordem da frase, uso de duplo possessivo e uso da preposição en mais locativo: De mi mamá en su tienda estoy yendo.
– Uso da preposição de ao invés de por: Ha llovido, de eso se ha mojado.
– Uso do verbo saber com sentido de hábito: Sabe jugar fútbol los domingos.
Esperamos que este breve resumo das características do espanhol andino tenha sido de utilidade ao leitor, expandindo seu conhecimento sobre Bolívia e sua cultura.
Fonte: Max Glaser (Google Earth).
REFERÊNCIAS:
AGUILAR, M. J.; HUET, M.; PÉREZ, S. Diccionario ejemplificado e ilustrado de bolivianismos, DEIB. In: XVII CONGRESO INTERNACIONAL ASOCIACION DE LINGUISTICA Y FILOLOGIA DE AMERICA LATINA (ALFAL), João Pessoa, 2014, p. 2209-2219.
MENDOZA, J. Antecedentes lingüísticos para una fisonomía del castellano de Bolivia. Discurso de ingreso a la ABL, Centro Cultural de España, 2012.
RIVADENEIRA, R. Bolivianismos en el dicionário de la lengua espanola. 23. ed. La Paz – Bolivia: Plural, 2014.
RIVADENEIRA, R. El castellano hablado en La Paz. Khana, La Paz – Bolivia, p. 1 – 4, 2016.
RIVADENEIRA, R. Registros lingüísticos. Academia boliviana de la lengua, La Paz – Bolivia, 2016.
ROSA, J. M. Diatelogia do español. Natal – Brasil: IFRN Editora, 2012.
Autora: Camila Alejandra Loayza Villena
Graduada em Letras – Português e Espanhol pela Universidade Federal de Pelotas (2019). Atualmente é aluna especial do mestrado em Letras na linha de pesquisa Aquisição, variação e ensino.
Além disso, logicamente, o ranking se torna desatualizado com o passar dos anos. Considerando o número total de falantes (nativos e estrangeiros), atualmente (30/03/2020), estas são as línguas mais faladas no mundo:
Há quem diga que o que identifica falantes de uma mesma língua é a mútua compreensão. Ou seja, sei que eu e meu interlocutor falamos a mesma língua porque nos compreendemos um ao outro. Mas há problemas nessa definição. Por exemplo, falantes de português e espanhol frequentemente conseguem manter uma conversa sem muita dificuldade, cada um falando o seu idioma. Por outro lado, não é incomum pessoas do Brasil e de Portugal ambas dizerem que falam português e serem incapazes de se compreender. Seriam, então, espanhol e português a mesma língua, e o português brasileiro e o europeu línguas diferentes?





o da série de reportagens mostra que em plena cidade de São Paulo existe uma aldeia que mantém viva a língua guarani, que dá origem a muitas palavras do português brasileiro. Nessa aldeia, ensina-se a língua para as crianças, com o objetivo de que a tribo e, principalmente o guarani, não se estingam. O segundo vídeo mostra a realidade de Assunção, no Paraguai, onde a língua guarani tem status de língua oficial juntamente com o espanhol e, por isso, mais respeito e valorização. O próximo vídeo conta que em Mato Grosso, na UNEMAT, estudantes indígenas cursam pedagogia para indígenas – Pedagogia em Licenciatura Intercultural. O objetivo é que eles retornem às aldeias, para darem aula de sua língua materna para seu povo (Aruak ou Nabimkwara). Por fim, o último vídeo mostra pesquisadores/linguistas visitando e convivendo com indígenas para gravar, digitalizar e transcrever a sua fala, uma riqueza no que se refere à diversidade linguística indígena. Isso ocorreu na Região Amazônica, mais precisamente nos estados do Pará e Rondônia.