Hoje em dia, ainda é comum vermos pais e professores sentirem um “frio na barriga” ao ouvirem uma criança “misturar” o português com outro idioma no dia a dia. Também é comum ouvir que alternar entre duas línguas significa que não se conhece bem nenhuma delas. Embora se tenha acreditado que isso causava confusão ou atraso, pesquisas científicas recentes mostram que o bilinguismo é um recurso valioso para o desenvolvimento infantil. Para fomentar esse potencial, é preciso entender que intercalar entre sistemas linguísticos é natural e criativo. Incentivar o uso de uma língua materna em casa traz benefícios sociais e afetivos para toda a vida.
A professora e pesquisadora Isabella Mozzillo explica que o aprendiz bilíngue entende desde muito cedo que uma mesma coisa pode ter nomes diferentes, o que pode desenvolver uma capacidade maior de atenção às línguas e de assimilação do funcionamento dos idiomas. Quando a criança mistura palavras, ela não está confusa, mas está usando a sua criatividade para conseguir transmitir a sua mensagem, já tendo consciência de que possui dois repertórios diferentes e sabendo com quem deve/pode usar cada um.
Usar em casa um código diferente da língua do ambiente externo ensina, desde a infância, a transitar entre duas culturas. Enquanto o idioma da rua predomina na escola e nas brincadeiras, a herança linguística de casa precisa de mais cuidado. A especialista em bilinguismo Cristina Flores alerta que, sem a prática diária da comunicação familiar, o cérebro tende a enfraquecer o aprendizado acumulado. Por isso, se a escola ou os pais desencorajam esse uso, o falante pode ter vergonha de sua origem e perder um vínculo afetivo com sua língua e cultura.
Para que esse ensinamento continue vivo, os momentos simples do dia a dia são fundamentais para criar um ambiente acolhedor e motivador, permitindo que a criança se sinta segura e motivada para usar a língua de casa. As educadoras Ivian Destro Boruchowski e Ana Lúcia Lico orientam que não basta apenas “ouvir” o idioma, é preciso também oferecer incentivos práticos, como contar histórias, falar rimas e ditos populares, cantar e narrar brincadeiras, participando, assim, de interações reais que dão sentido àquela prática linguística.
Foto da família de Maren Bergmann, que transmite pomerano, língua de herança, ao menino Vicente em casa. Fonte: Arquivo pessoal da autora.
No fim das contas, ao contrário do que sugerem os mitos, o uso da fala familiar não atrapalha a aprendizagem escolar e, além de manter o carinho com as raízes, ainda treina o cérebro. Quando essa diversidade é abraçada, pais e professores ajudam a construir um futuro em que cada jovem se sinta orgulhoso de sua história e se perceba capaz de usar suas habilidades para aprender novos saberes e vencer desafios com mais facilidade.
Autora: Maren Camile Rutz Bergmann, falante de pomerano de Canguçu (RS), mestranda em Letras pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Declaração de uso de IA: Conforme a Portaria 2664/2026, Política de Integridade na Atividade Científica do CNPq, de 6 de março de 2026, declara-se o uso de inteligência artificial gerativa neste trabalho. Este texto foi revisado gramaticalmente com o auxílio de Inteligência Artificial (NotebookLM, versão de julho de 2026), sob supervisão da autora.
Neste momento, já não há dúvidas de que o Brasil se tornou um grande mercado consumidor de cultura sul-coreana. A quantidade de atores sul-coreanos e de grupos de k-pop que recentemente inseriram o Brasil como ponto de passagem obrigatório em turnês comprova a força do Brasil no consumo de produtos culturais do país.
É interessante notar que, nesse processo, há o contato com aspectos da cultura coreana, como o idioma. O espaço globalizado e multicultural da internet nos permite observar a influência da língua coreana no português brasileiro, em que percebemos, por exemplo, o uso de termos de tratamento e de referência.
As formas de tratamento na cultura coreana consideram aspectos, como a idade, a senioridade, a profissão e a hierarquia, bem como as relações sociais estabelecidas, que indicam diferentes níveis de intimidade. Termos de parentesco são usados para se dirigir a pessoas mais velhas, como harabeoji (할아버지/avô), halmeoni (할머니/avó), ajeossi (아저씨/tio), ajumeoni (아주머니/tia), mesmo que não sejam parentes dos falantes, como explica a autora Jae Jung Song.
No quadro abaixo, adaptado de Haejin Elizabeth Koh, apresentam-se alguns termos de tratamento e de referência da língua coreana.
Categoria
Termo
Como é usado na língua coreana
Em que contextos são usados
Exemplos de uso
Títulos honoríficos
-ssi (씨)
Pode ser usado de três formas diferentes: ¹anexado ao sobrenome + primeiro nome; ² anexado apenas ao sobrenome; ou ³anexado apenas ao primeiro nome
Sufixo usado para pessoas da mesma idade ou mesmo nível hierárquico
¹Koh Haejin ssi
²Kim ssi
³Hyunsoo ssi
Termos de parentesco entre irmãos*
oppa (오빠)
Usado depois do primeiro nome ou sozinho
Termo usado para uma mulher se referir ao seu irmão mais velho
Hyunsoo oppa
eonni (언니)
Usado depois do primeiro nome ou sozinho
Termo usado para uma mulher se referir à irmã mais velha
Haejin eonni
hyeong (형)
Usado depois do primeiro nome ou sozinho
Termo usado para um homem se referir ao irmão mais velho
Hyunsoo hyeong
nuna (누나)
Usado depois do primeiro nome ou sozinho
Termo usado para um homem se referir à irmã mais velha
Haejin nuna
Vocativo de intimidade
-a/-ya (- 아/-야)
Anexados ao primeiro nome: -a depois de uma consoante; -ya depois de uma vogal
Sufixo usado para se referir aos mais novos ou com quem se tem bastante intimidade, como amigos
Haejin-a
Hyunsoo-ya
*Os termos de parentesco entre irmãos podem ser usados não apenas para irmãos e irmãs mais velhos(as), mas também para amigos(as) e namorados(as) mais velhos(as).
O uso do sufixo honorífico -ssi (씨) por falantes do português brasileiro segue, em parte, as regras da língua coreana, sendo adicionado predominantemente após o primeiro nome, como se observa nos exemplos apresentados: Jin-ssi; Seungmin-ssi; e Eunkyung-ssi. No entanto, esse uso não ocorre, nesses casos, em razão da idade ou da posição social dos falantes em relação à pessoa a quem se referem.
Nesse sentido, por que esses falantes usam o sufixo -ssi (씨)? A motivação ainda pode estar relacionada ao respeito, mas parece estar mais ligada à demonstração de afeto. O emprego de -ssi (씨) pode ser uma maneira do falante comprovar sua identidade de fã e seu pertencimento a uma comunidade, já que conhecer e usar essa expressão atesta que o falante consome e acompanha os conteúdos produzidos pelos seus artistas favoritos.
Vocativo de intimidade: proximidade em nova função
As partículas –a/-ya (-아/-야) são usadas como no coreano, anexadas ao primeiro nome, seguindo a regra da terminação em vogal ou consoante. No entanto, percebe-se uma diferença de uso. Falantes nativos as empregam como vocativos, ou seja, como um chamamento, uma forma de se dirigir diretamente a alguém, como ocorre no primeiro e no terceiro exemplo da figura abaixo: Jiminah e Eunwoo-ya, respectivamente. Já no segundo exemplo (jiminah), a partícula não é empregada na função de vocativo, mas como uma maneira de se referir a alguém, de falar sobre essa pessoa.
Essas partículas, quando usadas no coreano, indicam intimidade com quem se fala e/ou status social igual ou superior do falante em relação ao interlocutor. No contexto do português brasileiro, elas podem ser empregadas conscientemente para refletir uma percepção de proximidade, já que os falantes, pelo tempo que acompanham e pela quantidade de conteúdo que consomem, podem se sentir próximos dos seus artistas preferidos e desejam expressar isso por meio da linguagem. Ao mesmo tempo, o uso dessas estruturas não necessariamente parece levar em consideração esse aspecto da cultura coreana que envolve as relações sociais e hierárquicas, uma vez que passam a desempenhar uma nova função.
Esse novo emprego dos vocativos de intimidade do coreano por falantes do português brasileiro também pode ser explicado, assim como o uso de -ssi (씨), como uma replicação da maneira de falar dos artistas que acompanham.
Afeto, proximidade e pertencimento
A partir dos exemplos apresentados, percebe-se que, embora no contexto brasileiro, diferentemente da Coreia do Sul, não haja uma necessidade social de marcar linguisticamente relações sociais e hierárquicas, essas estruturas são usadas por falantes do português brasileiro.
No entanto, ao serem usados em contexto sociocultural diferente, os termos de tratamento e de referência recebem novos usos e funções. O que, para falantes nativos, é empregado para indicar relações sociais específicas passa a ser usado para demonstrar afeto pelos artistas que os admiram e para criar uma sensação de proximidade com eles. Além disso, são usados como meio de indicar pertencimento a uma comunidade, sinalizando familiaridade com práticas discursivas associadas à cultura coreana.
Referências KOH, Haejin Elizabeth. Usage of Korean Address and Reference Terms. In: SOHN, Homin (ed.). Korean Language in Culture and Society. Honolulu: University of Hawai’i Press, 2006. p. 146-154. SONG, Jae Jung. The Korean language: structure, use and context. London and New York: Routledge, 2005.
Autora: Ellen Andreza P. de Melo Lima, graduada em Letras – Português pela UFRN e especialista em Docência da Língua Portuguesa para Estrangeiros, atua como professora de Língua Portuguesa nos anos finais do ensino fundamental. Motivada por seus interesses, tem se dedicado a pesquisar como o consumo de produtos culturais coreanos influencia o português brasileiro.
Você já tentou mudar seu sotaque para ser mais bem compreendido ou aceito? Esse processo é comum em contextos de migração; eu mesmo já passei por isso. Cresci na região das Missões (RS), onde dizemos “leite quente” com a vogal final bem marcada, sem a elevação do som de “e”, o que resulta em “leiti”. Na minha adolescência, ao me mudar para a região metropolitana de Porto Alegre, onde vivo até hoje, percebi que passei a falar como as pessoas ao meu redor. Houve um processo de acomodação linguística, conceito descrito por Howard Giles e Tania Ogay como o ajuste do estilo de fala para se aproximar das outras pessoas. Para fazer parte do grupo, passei por um processo de imitação de um sotaque que tinha mais prestígio do que o meu, o que é bastante comum. Na época, essa mudança me trouxe um senso de pertencimento ao novo lugar, mas meu sotaque original ainda era a marca que narrava minha origem missioneira.
Mudei meu sotaque de forma mais ou menos natural, mas nem sempre esse processo é indolor. Recentemente, o relato de uma aluna do Norte do país me motivou a escrever este texto. Ela relatou sofrer tanto preconceito que passou a considerar ajuda fonoaudiológica para “perder” o sotaque. Esse relato me fez refletir: por que o falar de alguém incomoda o outro? Quando ouvi o relato dela, fiquei sensibilizado e comecei a conversar com ela, mas depois me dei conta de que já passei por isso também – em menor grau. O nosso sotaque reflete, portanto, a nossa história pessoal.
Para a Linguística, o sotaque tem relação com as variações na pronúncia. Como explica David Crystal, o sotaque é composto por características individuais, pois pessoas que falam o mesmo dialeto podem ter sotaques diferentes. O sotaque sinaliza nossa identidade social e regional. Ele mostra a nossa história! No podcast Desteoriza, Leonardo Lopes reforça que sotaque não é “vício de linguagem”, mas sim uma marca própria. Todos temos sotaques, independentemente da região, e a decisão de manter ou adaptar esses traços deveria ser uma escolha de identidade, não uma fuga da discriminação.
O linguista William Labov mostrou no clássico estudo em lojas de departamentos em Nova Iorque que, pela forma como falamos, transmitimos quem somos ou quem desejamos ser. Já Marcos Bagno, em sua obra seminal Preconceito Linguístico (confira o nosso texto sobre o tema), defende que não existem sotaques superiores. O português brasileiro é um “balaio de gatos” repleto de diversidade. Como mostra a série documental Línguas da nossa língua, existem várias línguas dentro da nossa.
A mídia, algumas regiões e certas instituições tentam impor um “sotaque padrão”, chamando os outros sotaques de erro, impondo um padrão de mundo. A ciência da linguagem afirma: isso não é possível nem desejável. O que existe é uma norma de prestígio, um registro formal que deve ser acessível a todos para garantir ascensão social, mas que jamais deveria exigir o apagamento dos outros sotaques.
Imagem criada no Gemini – versão 3
Não podemos perder nem esconder o nosso sotaque, porque ele é uma marca da nossa história e identidade. Não tenha medo de falar inglês ou outra língua estrangeira com sotaque do português, como a Fernanda Torres ou o Wagner Moura, pois você nunca vai ser nativo se não cresceu no país estrangeiro. Não tenha medo de mostrar como fala português em qualquer lugar, assim como a Brenda Suerda e o Ariano Suassuna. Não podemos apagar a nossa história, o nosso RG, tampouco os nossos sotaques. Portanto, o esforço deliberado para “perder” o sotaque fere a nossa própria identidade. Quando escolhemos preservar traços de fala ou nos adaptamos por desejo de conexão, estamos exercendo nosso direito à identidade. Que todos nós – a aluna, eu e muitas outras pessoas – transformemos o sotaque em orgulho e que possamos entender que a riqueza da língua não está na uniformidade, mas na pluralidade de vozes que contam quem somos.
Agradeço ao colega Lucas Löff Machado pela leitura atenta e crítica deste texto.
Referências BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. 49ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007. GILES, Howard; OGAY, Tania. Communication Accommodation Theory. In: WHALEY, B. B.; SAMTER, W. (orgs.) Explaining communication: Contemporary theory and exemplars. Mahwah: Lawrence Erlbaum. p. 293-310. LABOV, William. The Social Stratification of English in New York City. Washington, DC: Center for Applied Linguistics, 1966.
Autor: Bernardo Kolling Limberger. Professor de Pós-Graduação na Universidade Federal de Pelotas e de Graduação na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Coordenador do Laboratório de Psicolinguística, Línguas Minoritárias e Multilinguismo – Laplimm.
Uma das principais dificuldades ao implementar um projeto bilíngue em uma escola, conforme os pesquisadores Helena Kieling e Rafael Vetromille-Castro (2022), é a própria barreira com a língua adicional, que até então ocupava uma aula semanal. Nessas aulas, não havia qualquer envolvimento ou integração com outros componentes curriculares e professores da língua materna ou de outras línguas.
Na escola bilíngue, é importante adotar uma visão heteroglóssica de língua, que significa reconhecer que, no dia a dia, os estudantes fazem conexões e mobilizam todo o seu repertório linguístico (todo o conhecimento das línguas que os estudantes possuem e utilizam) para entender o mundo, se comunicarem e participarem das situações sociais.
Fonte: Criação pela autora no ChatGPT
A pesquisadora Ofelia García (2009) defende que, em vez de tratar as línguas como caixas separadas, a escola precisa reconhecer que os alunos usam tudo o que sabem de linguagem de maneira integrada. Para ela, não faz sentido imaginar que a criança se torne duas pessoas monolíngues, uma para cada língua. Um exemplo dessa exigência é quando, em uma situação de sala de aula, uma professora diz: “Ah, agora não pode usar o inglês/alemão porque eu não entendo!” Separar as línguas rigidamente não corresponde à forma real como as crianças aprendem e se expressam.
Em projetos de educação bilíngue, é essencial que a escola compreenda que os estudantes trazem experiências linguísticas diversas; assim, cria-se um ambiente mais acolhedor e propício à aprendizagem. A criança não precisa “esquecer” ou “desligar” uma língua para aprender outra; ao contrário, ela pode usar tudo o que já sabe para compreender, se expressar e avançar.
Essa perspectiva torna o currículo mais significativo. Professores podem e devem incentivar os alunos a fazerem conexões entre as línguas, a compararem formas de dizer, a explorarem sentidos e a usarem a comunicação de maneira natural, como acontece fora da escola. Quando valorizamos essa pluralidade, a aprendizagem se torna mais autêntica, e os estudantes desenvolvem maior confiança e competência em ambas as línguas.
Autora: Helena dos Santos Kieling, Doutora em Letras – Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Pelotas e Especialista em Educação Bilíngue e Cognição (IENH).
Num sábado de 2025, eu estava na praça com minha família. Meu filho, de um ano e meio na época, brincava com um menino da mesma idade, enquanto nós, os adultos, conversávamos sobre parentalidade. De repente, surgiu uma pergunta sobre a língua que eu falava com ele. A tia do menino, ao saber que eu estava falando alemão, perguntou: “Mas por quê?”
Fonte: ChatGPT
Naquele momento, não consegui dar uma resposta completa. A mãe do menino se antecipou e respondeu: “Eles são professores de alemão.” E eu apenas complementei: “É, ele já é bilíngue.” Poderia ter explicado com mais detalhes, mas preferi deixar o assunto seguir. Depois, fiquei pensando nos dois aspectos por trás daquela pergunta: o bilinguismo e a língua alemã.
A pergunta dela foi um pouco vaga, então, não se sabe exatamente se ela estava se referindo à língua alemã em si ou ao bilinguismo. Isso me instigou a escrever um pouco sobre os dois aspectos.
O alemão é uma língua diversa, falada tanto em comunidades minoritárias em diversos países, inclusive no Brasil, quanto como língua oficial em cinco países: Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein e Luxemburgo. Estima-se que cerca de 100 milhões de pessoas falem alemão como língua materna. O Instituto Goethe estima que 15,5 milhões de pessoas aprendam alemão em mais de 99 países.
No Brasil, a língua alemã está mais próxima do que imaginamos: é ensinada em escolas, cursos livres e universidades, como apresenta o site Falemão. Além disso, a língua aparece por meio de marcas (por exemplo, Schmidt, Schneider, Gerdau, Volkswagen, Knorr, Bosch). A língua também está presente no português em palavras como, por exemplo, kombi, blitz, Wanderlust e Alzheimer. Além disso, alemão e inglês compartilham inúmeras semelhanças entre si (por exemplo, Wind – wind, Freund – friend, gut – good, trinken – drink) e com o português (por exemplo, Information, telefonieren, interessant, Computer). Como afirma a pesquisadora Jasone Cenoz (2013), saber uma língua aparentada pode facilitar a aprendizagem da outra. Então, uma criança que sabe alemão pode utilizá-lo como ponte para a aprendizagem de inglês, por exemplo.
A aprendizagem de alemão pode abrir portas profissionais e acadêmicas. Há multinacionais, como T-Systems e SAP, que priorizam a língua para admissão. Em cidades brasileiras fundadas por alemães ou seus descendentes, o recrutamento de trabalhadores para o comércio privilegia, em algumas lojas, pessoas que falam alemão. O conhecimento da língua também pode ser útil para conseguir uma bolsa para estudar na Alemanha, Áustria ou Suíça. O DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e a Fundação Alexander von Humboldt, por exemplo, mantêm programas de intercâmbio e pesquisa na Alemanha — programas dos quais já participei. Outra possibilidade é trabalhar nesses países. Muitas pessoas “se viram” lá com a língua que receberam de herança da família.
Quando uma criança aprende alemão (ou qualquer outra língua) em casa, como língua de herança, ela se beneficia de algo que muitos pais pagam caro para proporcionar: o bilinguismo precoce. E isso não tem a ver com ensinar a língua como se fosse um professor, mas de transmiti-la em práticas cotidianas como algo natural. Mais do que uma língua, a criança herda uma cultura, valores, tradições, narrativas e uma maneira afetiva de se comunicar com as gerações anteriores e, com isso, fortalece seu senso de pertencimento familiar. A linguista belga Annick de Houwer (2009) defende que o contato precoce e contínuo com duas línguas dentro da família amplia as oportunidades de interação e favorece o desenvolvimento de repertórios comunicativos e culturais diversificados.
Transmitir uma língua minoritária é também um ato de resistência, que contraria a pressão pela assimilação ao português e pelo monolinguismo no Brasil. Essa pressão é um dos fatores que diminui o número de falantes da língua e fomenta o preconceito. Ensinar e valorizar a transmissão de línguas de herança é uma forma de preservar um patrimônio imaterial e promover diversidade. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconhece, entre outras línguas, o hunsriqueano e o pomerano como parte do patrimônio cultural imaterial do Brasil.
A outra forma de interpretar a pergunta da tia do menino tem relação com o bilinguismo precoce e simultâneo. Como explicam os pesquisadores Krista Byers-Heinlein e Casey Lew-Williams, em publicação de 2013, de modo geral, crianças nascem prontas para aprender a língua ou as línguas do seu ambiente sem confusão ou atraso. Ensinar duas línguas em casa desde cedo para a criança é um presente que os pais podem dar, em vários sentidos – tanto faz qual língua. Apesar de não ser isenta de desafios, é uma tarefa tão gostosa que se torna gratificante e divertida.
O bilinguismo infantil pode trazer inúmeros benefícios:
estimula habilidades cognitivas, como discutido pelos autores Krista Byers-Heinlein e Casey Lew-Williams em uma publicação de 2013;
desenvolve a consciência linguística, conforme demonstrado no livro de Ellen Bialystok, publicado em 2001;
facilita a aprendizagem de outras línguas, como mostrado por Jasone Cenoz (2013);
pode aprimorar a compreensão sobre os estados mentais dos outros, segundo a revisão de Chi-Lin Yu, Ioulia Kovelman e Henry Wellman, publicada em 2021;
funciona como uma ponte entre gerações, além de valorizar a identidade cultural e expandir as possibilidades de comunicação, como destaca Annick de Houwer (2021);
pode favorecer o desenvolvimento da capacidade de compreender diferentes pontos de vista, algo essencial para uma boa comunicação, como sugerido por um estudo conduzido por Samantha Fan e colegas (2015);
abre duas (ou mais) janelas para o mundo, como defendem Krista Byers-Heinlein e Casey Lew-Williams (2013).
O entusiasmo diante dos possíveis benefícios é compreensível, mas é bom lembrar que essas hipóteses ainda não foram suficientemente testadas em países do Sul Global, como o Brasil. Porém, se elas não se aplicarem a algum contexto, é importante salientar que o bilinguismo não faz mal e tem o peso afetivo como valor. São inúmeros os fatores que podem influenciar o bilinguismo, e as populações são muito diferentes entre si.
Por tudo isso, tanto o uso de línguas de herança quanto o bilinguismo merecem respeito como uma forma natural de uso das línguas. Não apenas o bilinguismo de elite (português-inglês), de escola bilíngue, tem valor social. As escolhas linguísticas são um direito das famílias e refletem laços de identidade, afeto e pertencimento. Afinal, uma língua é muito mais do que um meio de comunicação: é uma forma de estar no mundo.
As escolhas linguísticas devem ser interpretadas sem julgamento como um direito da família. Se alguma família quisesse inventar uma língua e falar com a criança, isso não deveria ser interpretado como algo estranho. Uma língua é muito mais do que um instrumento, representa a pessoa. Duas línguas, também.
Agradeço à colega Isabella Mozzillo, pela leitura atenta e crítica deste texto.
Autor: Bernardo Kolling Limberger. Pai do Davi. Professor de Pós-Graduação na Universidade Federal de Pelotas e de Graduação na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Coordenador do Laboratório de Psicolinguística, Línguas Minoritárias e Multilinguismo – Laplimm.
Você conhece algum poliglota? O termo “poliglota” é frequentemente usado no cotidiano por pessoas leigas em Linguística. Podemos remontar a origem da palavra “poliglota” a duas palavras do grego: polu- (πολύ) e glotta (γλώσσα), que significam “muitas línguas”. O Dicionário de Aprendizes de Oxford para o Inglês define “poliglota” como “saber, usar e escrever em mais de uma língua”. Todavia, há debate sobre o número de línguas que um poliglota deve dominar com proficiência plena: quatro, cinco ou mais línguas? A mesma fonte ainda sugere “multilíngue” como sinônimo.
Mas você sabia que esse conceito já foi superado pela Linguística? Atualmente, esse termo é considerado obsoleto, visto que passou a representar um falante idealizado de línguas estrangeiras altamente proficiente em todas ou na maioria das línguas que domina. Esse perfil corresponde a um número muito limitado de pessoas.
Fonte: Canva
Em contraposição, como explica o professor Bernardo Limberger (2018), o termo multilinguismo vem sendo utilizado na Psicolinguística e na área de Aquisição de Terceira Língua para designar o uso de três ou mais línguas. O falante multilíngue pode apresentar comportamentos linguísticos ainda mais complexos que aqueles observados em contextos de bilinguismo, caracterizado pelo uso de duas línguas. As pesquisadoras Britta Hufeisen e Ulrike Jessner (2019) mencionam que o multilinguismo é um fenômeno social e individual complexo, que envolve processos de aquisição, manutenção, atrito (perda gradual de habilidades linguísticas) e perda de línguas.
Todavia, de acordo com o professor Cléo Altenhofen (2013), em estudos de caráter mais social, o multilinguismo é abordado de forma distinta, sendo usado em referência à diversidade linguística presente nas sociedades. Nessa mesma conjuntura, ele define outro conceito: o de plurilinguismo, entendido como uma habilidade individual que engloba a pluralidade linguística e cultural e que emerge no multilinguismo. Para os pesquisadores Tej Bhatia e William Ritchie (2013), o conceito de plurilinguismo pode ser também utilizado com termo abrangente com referência ao indivíduo que usa várias línguas.
Portanto, é importante definir de qual perspectiva você parte — se da Sociolinguística ou da Psicolinguística/Aquisição de Terceira Língua. É fundamental destacar que, independentemente disso, as pessoas que usam várias línguas no seu cotidiano não são poliglotas, mas sim multilíngues ou plurilíngues. Esses conceitos englobam uma diversidade de características pessoais e coletivas relacionadas à aprendizagem e à aquisição de línguas. Ao caracterizarmos o falante dessa forma, não se idealiza a sua proficiência, não se questionam habilidades linguísticas nem se isolam questões sociais, psicológicas e linguísticas que influenciam o uso das línguas.
Autora: Giovana Canez Valerão, graduada em Letras – Português e Espanhol pela Universidade Federal de Pelotas, mestranda em Letras no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da mesma universidade, é responsável pela página @hallyucoreanoemultilinguismo no Instagram.
Muitas pessoas ainda se questionam se o aprendizado da Libras (Língua Brasileira de Sinais) poderia prejudicar, de alguma forma, o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita em língua portuguesa pelas pessoas surdas. Em 2014, um grupo de estudiosos da área da educação de surdos publicou um documento que deve servir de base para a construção de uma série de orientações para o ensino de pessoas surdas. Já em muitas escolas se está tentando trabalhar nessa linha de pensamento: Libras como a língua em que o aluno irá interagir durante as aulas e português como a língua da leitura e da escrita, pois é a língua oficial do Brasil. Veja algumas das instituições gaúchas, por exemplo, a Escola Bilíngue Professor Alfredo Dub, em Pelotas, e a Escola Bilíngue Profª Carmen Regina Teixeira Baldino, em Rio Grande.
Além disso, a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carina Cruz, fez uma pesquisa sobre a possibilidade da consciência fonológica em línguas de sinais ser uma grande aliada na leitura em uma língua oral escrita. A fonologia é uma área da linguística que estuda as pequenas partes de uma palavra ou de um sinal que tem significado. Na pesquisa publicada pela professora, temos estudos feitos em outros países e no Brasil que mostram que os surdos, mesmo crianças, já conhecem essas pequenas partes e as usam para relacionar ou construir novos significados. Isso poderia auxiliar na sua reflexão sobre a escrita da língua oral na qual escrevem e leem.
A pesquisa de Carina Cruz mostra estudos feitos na Suíça e nos Estados Unidos. A maioria comprovou que aqueles surdos que tiveram contato com a língua de sinais de seu país na tenra idade são os mesmos que conseguiram perceber a sua fonologia e que têm maior habilidade na leitura da língua oral escrita. Um outro estudo dos EUA mostrou que alguns professores de surdos já estão usando essa relação como estratégia de ensino da leitura e escrita do inglês. No Brasil, a professora destacou trabalhos que trazem essa consciência fonológica em surdos que começaram a aprender a Libras antes dos quatro anos. Seguindo o que aconteceu nos outros países, eles poderiam ter maior facilidade no desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita da língua portuguesa, graças ao seu conhecimento da Libras! Libras e português, uma relação que dá certo!
Autora: Joseane Maciel Viana, graduada em Licenciatura em Letras – Português e Inglês, com Mestrado em Letras, pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente, é aluna do Doutorado em Aquisição, Variação e Ensino, na mesma universidade.
Recentemente, tem se disseminado a crença de que o bilinguismo seria uma forma de prevenir o Alzheimer. No entanto, essa afirmação está baseada em um mito. Para começar a questioná-lo, é importante ressaltar que tanto pessoas que falam uma língua quanto pessoas que usam duas línguas podem sofrer de Alzheimer, embora de maneiras diferentes.
O Alzheimer é uma doença que afeta as células cerebrais e provoca uma perda progressiva da memória. Esse declínio afeta a comunicação, o comportamento e a capacidade de raciocínio dos pacientes.
No caso dos bilíngues, além desses sintomas, observam-se outros. Para ilustrar, imaginemos um paciente que fala português e inglês e vive no Brasil. Ao falar, ele poderia misturar, de maneira não intencional, as duas línguas, usando palavras ou frases em inglês enquanto fala português. Além disso, ele poderia se dirigir aos seus familiares brasileiros em inglês, acreditando que está falando português. Como podemos ver, a comunicação com pacientes bilíngues traz desafios específicos.
Então, se qualquer pessoa pode desenvolver Alzheimer, existe alguma vantagem em falar várias línguas, como sugere o mito? Sim, pode ser que seja o tempo. Segundo os pesquisadores McLoddy Kadyamusuma, Eve Higby e Loraine Obler, há uma tendência na pesquisa que mostra que os bilíngues são diagnosticados com Alzheimer de 4 a 5 anos mais tarde do que os monolíngues, e os sintomas tendem a demorar mais a aparecer.
Esses benefícios do bilinguismo são resultado do que se conhece como “reserva cognitiva“, mudanças na constituição do cérebro que o tornam mais capaz de resistir a danos ou doenças. Aprender mais de uma língua pode contribuir para o desenvolvimento dessa reserva cognitiva. No entanto, é importante ter em mente que os bilíngues que obtêm maiores benefícios cognitivos costumam ser migrantes que utilizam as duas línguas em sua vida diária.
Fonte: http://bit.ly/42ZJMh4
Porém, não é necessário começar a aprender idiomas de forma compulsiva; outros fatores, como a educação, o estilo de vida saudável, leitura, atividade física e as relações sociais, também desempenham um papel fundamental na reserva cognitiva. Por isso, recomendo desafiar as capacidades mentais e físicas, encontrar prazer nas atividades e, claro, aprender uma nova língua.
Referência KADYAMUSUMA, McLoddy; HIGBY, Eve; OBLER, Loraine. The neurolinguistics of Multilingualism. In: SINGLETON, David; ARONIN, Larissa (ed.) Twelve Lectures on Multilingualism. Bristol: Multilingual Matters Limited, 2019. p. 271-298.
Autora: Camila Alejandra Loayza Villena. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPel. Professora de espanhol para adultos.
Você já deve ter ouvido falar em transferências (chamadas atualmente de influências translinguísticas por muitos pesquisadores) no processo de aquisição/aprendizagem de línguas estrangeiras. Em 1989, o pesquisador norte-americano Terence Odlin definiu a transferência como a influência de uma língua sobre o uso de outra, e esse conceito segue sendo usado na atualidade pelos professores e pesquisadores.
Fonte: imagem gerada pelo site https://br.freepik.com/
É importante salientar que os estudos em Linguística demonstram que uma língua influencia a outra não só no início da aquisição, mas durante toda a vida. Afinal, as transferências são um recurso comum quando falamos de pessoas bilíngues (que usam duas línguas) ou multilíngues (que usam três ou mais línguas), pois todas as línguas estão conectadas na mente e não divididas em “caixinhas” como se acreditava até alguns anos atrás.
Em 2021, a pesquisadora brasileira Raphaela de Freitas realizou um trabalho sobre as influências translinguísticas na produção oral em espanhol de brasileiros falantes de português, espanhol e inglês. Nesse estudo, é possível observar as transferências do português nas produções em espanhol, como, por exemplo, a utilização das palavras “logo” e “fonte” da língua portuguesa na fala em língua espanhola sendo usadas no lugar de “luego” e “fuente”: “logo viene dos otras personas: un chico y una chica” e “primero veo a un señor llegar a una acercarse a una fonte”. Isso ocorre, sobretudo, devido às semelhanças entre as duas línguas, o que motiva as influências, neste caso, na oralidade.
Além disso, as influências translinguísticas não ocorrem apenas no âmbito das palavras, como nos exemplos citados anteriormente, mas também em outros aspectos da língua, como na gramática e na pronúncia. O estudo das transferências, portanto, abrange uma variedade de fatores que moldam o uso das línguas por bilíngues e multilíngues em diferentes contextos comunicativos.
Em resumo, as influências translinguísticas desempenham um papel fundamental na aquisição e no uso de línguas ao longo da vida. Esse fenômeno ocorre tanto em bilíngues quanto em multilíngues e não se limita apenas ao início da aprendizagem, mas permanece em diferentes níveis de proficiência linguística e manifesta-se na escrita e na oralidade. Assim sendo, entender as transferências é crucial para compreender a dinâmica da aprendizagem de línguas e o impacto da interação entre elas.
Referências FREITAS, Raphaela Palombo Bica de. Influências translinguísticas lexicais na produção oral em espanhol por brasileiros adultos imigrantes falantes de português, espanhol e inglês. 2021. Dissertação (Mestrado em Letras) – Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal de Pelotas.
ODLIN, Terence. Language Transfer: Cross-Linguistic Influence in Language Learning. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.
Autor: Lucas Röpke da Silva – Professor de espanhol e português como línguas estrangeiras. Atualmente, realiza o curso de mestrado acadêmico em Letras na Universidade Federal de Pelotas na linha de pesquisa Aquisição, Variação e Ensino.
Siga o autor: @lucas.ropke
Code-switching é um termo em inglês utilizado para se referir à alternância linguística, ou seja, a troca de um idioma para outro em uma interação. Se você usa mais de uma língua no seu dia a dia, provavelmente, já fez isso, porque é uma prática comum para quem é bilíngue.
Conforme discutido pela professora Isabella Mozzillo, o code-switching mostra a flexibilidade do nosso cérebro. Todas as informações sobre as palavras de uma língua são armazenadas no léxico mental, ou seja, uma base de dados dentro da nossa memória. Como essa informação está sempre disponível para nós, ao alternar de um idioma para outro, mobilizamos o nosso conhecimento sobre a língua que desejamos usar naquela situação. Ao fazer isso, a nossa mente precisa ignorar o que sabemos sobre a língua que não está sendo usada. Logo, só alternamos entre idiomas porque temos essa capacidade de controlar qual língua usar em cada momento.
As pesquisadoras Louise Dabène e Danièle Moore explicam que o code-switching pode acontecer em momentos diferentes. Ao interagir com alguém, eu posso: alternar de um idioma para o outro em uma mesma frase, trocando uma única palavra ou uma sequência de palavras, como em 1, na figura abaixo; trocar o idioma entre uma frase e outra, como em 2; e/ou dizer várias frases em um idioma e, após um tempo, mudar para outro, como em 3.
Essas mudanças não são aleatórias, pois dependem do interlocutor, do contexto social e da intenção comunicativa. Um falante de português e inglês, por exemplo, só fará essa troca com alguém que conheça as mesmas línguas. Então, se essa pessoa interagir com um falante de português e espanhol, a interação será apenas em português, já que eles não compartilham o outro idioma que conhecem.
Além disso, é importante saber que o code-switching, além de ser uma estratégia para auxiliar a comunicação, pode ser motivado por diferentes razões: a falta de um vocabulário específico, a necessidade de expressar uma emoção ou de marcar uma identidade, a vontade de mudar de assunto etc. Logo, podemos alternar entre idiomas tanto para comunicar uma ideia quanto para expressar a nossa identidade. Para exemplificar isso, pode-se observar situações que ocorreram nas Olimpíadas de Paris (2024). Durante os jogos, alguns brasileiros criaram cartazes comparando comidas tradicionais do Brasil e dos países rivais. Comidas típicas brasileiras foram escritas em português e o restante da frase em inglês. Essa foi uma forma de usar o code-switching para marcar a identidade brasileira e, ao mesmo tempo, provocar o time rival.
Portanto, podemos alternar entre línguas quando apenas um idioma não é o suficiente para comunicar tudo o que queremos dizer.
Referências DABÈNE, Loiuse; MOORE, Danièle. Bilingual speech of migrant people. In: MILROY, Lesley; MUYSKEN, Peter. (org). One speaker, two languages: cross-disciplinary perspectives on code-switching. Cambridge: Cambridge University Press, 1995. p. 17-44.MOZZILLO, Isabella. O code-switching: fenômeno inerente ao falante. Papia, v. 19, p. 185-200, 2009.
Autora: Aline Mackedanz dos Santos. Graduada em Licenciatura em Letras – Português e Inglês pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente, é mestranda na linha de Aquisição, Variação e Ensino na mesma universidade.