Após anos de reuniões voltadas ao planejamento de alternativas para o sistema monetário internacional dolarizado, foi lançado em fevereiro o aplicativo BRICS Pay.
Com a proposta de funcionar como um “Pix internacional”, o app utiliza tecnologia blockchain e foi projetado para operar de forma integrada aos sistemas nacionais de pagamento já existentes, também nos países do chamado BRICS+: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
Desde o Tratado de Bretton Woods, o dólar consolidou-se como moeda de referência mundial, inicialmente vinculado ao ouro e, posteriormente, ao petróleo — a principal commodity do mercado internacional. O BRICS Pay surge como alternativa a essa hegemonia, inspirado em experiências já testadas na China e na Rússia, que se apoiam em modelos como o Pix e no desenvolvimento do Drex, o Real Digital.
A nova plataforma pretende otimizar transações entre os países do bloco, oferecendo baixos custos e pagamentos instantâneos. O BRICS, que representa cerca de 48.5% da população global, 39% do PIB mundial e 24% do comércio internacional, busca não apenas reduzir a dependência do dólar, mas também fortalecer o comércio Sul-Sul, conceito que abrange relações entre países emergentes e em desenvolvimento, sem a necessidade da rede SWIFT.
Um aspecto central é o uso da tecnologia blockchain, que elimina a necessidade de uma “moeda universal” para as transações. Isso permite que cada país negocie em sua própria moeda, conectando sistemas domésticos sem apagá-los, mas promovendo maior interoperabilidade entre eles.
Em síntese, o BRICS Pay transmite uma mensagem clara: não há necessidade de conversão intermediária ao dólar nas transações entre países membros. Sua introdução será gradual, mas com metas ambiciosas, como alcançar 50% do comércio do bloco pela plataforma até 2027. Trata-se de uma ação direta contra a hegemonia estadunidense, já perceptível no cenário atual, e que provavelmente provocará respostas de Washington, além das sanções tarifárias aplicadas em 2025.
Referências:
CASSA, Giovanna Bertoli; COSSUL, Naiane Inez. Desdolarização liderada pelo Sul global: o papel do Brics na contestação da arquitetura financeira internacional. Revista Tempo do Mundo. Rio de Janeiro, n. 38, p. 347-376, ago. 2025. Acesso em: http://dx.doi.org/10.38116/rtm38art12
CLICK PETRÓLEO E GÁS. BRICS lança sistema próprio de pagamentos chamado BRICS Pay que promete funcionar como um PIX internacional. Disponível em: <https://clickpetroleoegas.com.br/brics-lanca-sistema-proprio-de-pagamentos-chamado-brics-pay-que-promete-funcionar-como-um-pix-internacional-btl96/#goog_rewarded>. Acesso em: 25 mar. 2026.
CLICK PETRÓLEO E GÁS. Brasil vira protagonista com o PIX e o Drex: BRICS Pay nasce com testes China, Rússia, integração UPI e objetivo de 50 por cento do comércio em moedas locais até 2027. Disponível em: <https://clickpetroleoegas.com.br/brasil-vira-protagonista-com-o-pix-e-o-drex-brics-pay-nasce-com-testes-china-russia-integracao-upi-e-objetivo-de-50-por-cento-do-comercio-em-moedas-locais-ate-2027-btl96/#google_vignette>. Acesso em: 25 mar. 2026.
TIMES BRASIL. BRICS lança sistema próprio de pagamentos e mira alternativa ao dólar. Disponível em: <https://timesbrasil.com.br/brasil/economia-brasileira/brics-lanca-sistema-proprio-de-pagamentos-e-mira-alternativa-ao-dolar/#:~:text=%E2%80%9CPIX%20internacional%E2%80%9D.-,A%20plataforma%20pretende%20viabilizar%20transfer%C3%AAncias%20internacionais%20em%20moedas%20locais%20entre,custos%20cambiais%20em%20opera%C3%A7%C3%B5es%20bilaterais.&text=Entre%20os%20objetivos%20declarados%20do,paralela%20%C3%A0%20rede%20da%20SWIFT>. Acesso em: 25 mar. 2026.
*João Leonardo Campos é pesquisador do LabGRIMA.
