No dia 20/05, o presidente russo Vladimir Putin concluiu sua visita a Pequim, em meio às comemorações de 75 anos de relações entre Rússia e China.
No encontro bilateral com o presidente chinês Xi Jinping, os representantes dos países assinaram 20 documentos conjuntos no âmbito do fortalecimento e aprofundamento da parceria russo-chinesa que existe há quase um século.
Nesse contexto, durante a visita, Putin e Xi chegaram a acordos sobre a questão energética mediante à crise no Oriente Médio. De acordo com o líder russo, Moscou permanece como um fornecedor confiável de recursos, enquanto, ao mesmo passo, Pequim continua sendo um comprador responsável. “Mesmo em meio a fatores externos desfavoráveis, nossa cooperação e laços econômicos demonstram um crescimento forte e sólido”, mencionou Putin. Desse modo, a interação no setor de energia perdura como o motor da cooperação econômica entre os dois países.
Além do mais, Moscou e Pequim expressaram suas preocupações em relação às ameaças à segurança de informação global. Logo, ambos demonstraram apoio ao desenvolvimento do diálogo e cooperação em assuntos de segurança informacional dentro do quadro de mecanismos globais para avanços em informação e comunicação, e também a promoção de um comportamento responsável dos Estados no uso de tais tecnologias. Ainda, os presidentes condenaram o uso da inteligência artificial como ferramenta geopolítica para exercer dominância de poder.
Por fim, Xi Jinping destacou em seu discurso final, junto a Vladimir Putin, o alto nível e a natureza das relações russo-chinesas que, de acordo com o líder da China, estão atingindo um novo patamar: “Nossas relações estão subindo para um novo nível, sendo justamente consideradas o modelo de relações entre duas grandes potências.”, mencionou Xi. Mais adiante em sua fala, o presidente ressaltou os princípios de não alinhamento com blocos aderidos por Rússia e China ao longo dos anos, favorecendo ainda mais o volume de relações entre as nações.
Sendo assim, percebe-se a consolidação de uma parceria estratégica e de longo prazo entre a Rússia e a China, demonstrando que a relação entre as duas potências atingiu um patamar de resiliência capaz de superar pressões externas e crises globais. Ademais, o fortalecimento dessa amizade pode representar o fortalecimento de um eixo de poder alternativo, que desafia diretamente a atual ordem mundial. Essa aproximação pragmática cria um bloco de contenção a sanções internacionais, redesenhando as cadeias de suprimentos globais e forçando o restante do mundo a recalcular suas próprias alianças estratégicas e comerciais.
Referências:
Russia, China concerned about threats to global information security. (2026, 20 de maio). TASS Russian News Agency. Disponível em: https://tass.com/politics/2133981
IN BRIEF: Putin on stabilizing role of Russia-China ties, economy, energy at talks with Xi. (2026, 20 de maio). TASS Russian News Agency. Disponível em: https://tass.com/politics/2133895
Russia, China oppose use of AI by individual countries to maintain dominance. (2026, 20 de maio). TASS Russian News Agency. Disponível em: https://tass.com/economy/2133983
Relações entre a Rússia e a China estão alcançando novos patamares, diz presidente chinês. (2026, 20 de maio). Sputnik Brasil. Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20260520/relacoes-entre-a-russia-e-a-china-estao-alcancando-novos-patamares-diz-presidente-chines-video-50529786.html
Head-of-state diplomacy guides China-Russia relations to ‘new heights’: Global Times Editorial. (2026, 21 de maio). Global Times. Disponível em: https://www.globaltimes.cn/page/202605/1361534.shtml
*Lisa Marie B. Bastos é pesquisadora do LabGRIMA.
