CNBC Times Brasil: análise de Charles Pennaforte

A parceria entre a Petrobras e o BNDS, é o tema abordado por um dos coordenadores do LabGRIMA.

A iniciativa da Petrobras para impulsionar pesquisas e projetos ligados aos minerais críticos pode ampliar o protagonismo do Brasil em um mercado estratégico para a transição energética e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem valor agregado, afirmou Charles Pennaforte, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas. Segundo ele, a atuação da estatal nesse segmento faz parte de uma estratégia de longo prazo para fortalecer a capacidade tecnológica do país.

Em entrevista nesta quarta-feira (24) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o professor disse o avanço do Brasil no mercado de minerais críticos depende da ampliação dos investimentos em pesquisa e inovação, especialmente em áreas como terras raras e lítio, cuja importância aumentou diante das disputas comerciais entre China e Estados Unidos.

“O Brasil tradicionalmente exporta e não agrega valor a essa exportação. Esse tipo de parceria é de fundamental importância para que o país se desenvolva um pouco mais nesse setor”, destacou.

Segundo Pennaforte, o cenário internacional tornou esses insumos ainda mais estratégicos para a indústria e para a transição energética, abrindo oportunidades para países produtores.

 

Além do petróleo

Na avaliação do especialista, a Petrobras deve atuar como um agente de desenvolvimento tecnológico, sem limitar sua estratégia exclusivamente à geração de dividendos.

“A Petrobras não pode ficar única e exclusivamente com uma mentalidade de empresa que vai gerar somente dividendos para os seus acionistas. É preciso pensar na capacidade tecnológica e na autossuficiência do país no futuro”, afirmou.

Ele ressaltou que, por ser uma empresa de economia mista, a companhia também desempenha um papel relevante na formulação de políticas estratégicas para o país. “O principal fator é o Brasil. O país precisa ter uma política energética e um projeto estratégico para enfrentar os desafios atuais e futuros”, acrescentou.

Investimento e qualificação

Pennaforte apontou a formação de profissionais qualificados como um dos principais gargalos para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos.

Além disso, defendeu o aumento dos investimentos em pesquisa, inovação e infraestrutura para fortalecer a competitividade brasileira. “Não há como conseguir autonomia e capacidade tecnológica se não existirem investimentos”, observou.

Segundo ele, o país precisa direcionar recursos para projetos de longo prazo, capazes de consolidar uma indústria nacional voltada à produção e ao processamento de minerais estratégicos.

Papel do Estado

O professor avaliou que a participação do setor público continuará sendo essencial em investimentos de maturação mais longa, especialmente em áreas nas quais o capital privado demonstra menor interesse.

“Se o setor privado não tem capacidade de investir, isso recai, como sempre recaiu no Brasil, sobre o setor estatal”, afirmou.

Para Pennaforte, iniciativas lideradas pela Petrobras podem contribuir para aumentar a capacidade tecnológica do país e posicionar o Brasil de forma mais competitiva em uma cadeia considerada estratégica para a economia global.

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