Europa amplia envio de drones a Kiev: escalada do conflito ou mais um sinal de fraqueza da Ucrânia? por Charles Pennaforte | Sputnik Br.
Em meio à paralisação das negociações de paz entre Moscou e Kiev, o Ministério da Defesa da Rússia revelou nesta quarta-feira (15) que os líderes europeus decidiram ampliar o fornecimento de drones à Ucrânia para ataques contra o território russo. Especialistas analisam à Sputnik Brasil os impactos da medida.
Uma decisão deliberada rumo à escalada política e militar na Europa. Assim o governo russo definiu a revelação de que os aliados da Ucrânia pretendem ampliar a entrega de drones para Kiev em meio à escassez de pessoal das tropas e às perdas cada vez maiores no front. Conforme o comunicado, a produção dos equipamentos é realizada em países como Reino Unido, Alemanha, Polônia, Dinamarca, República Tcheca, Países Baixos e até mesmo nações bálticas, enquanto a Ucrânia tenta apresentar os drones como armas de fabricação nacional.
Aliado a isso, a Rússia também alertou que a tentativa de ampliar ataques terroristas contra o país pode gerar “consequências imprevisíveis”. Para o ministério, a população europeia precisa conhecer o que realmente ameaça a segurança do continente, além de conhecer as empresas “ucranianas” que fabricam esses drones e outros componentes que podem contribuir com o aumento das tensões na região.
Para o coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos (LabGRIMA) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Charles Pennaforte, o caso é mais uma demonstração de como a Europa tem participado do conflito de forma quase direta, tanto pela ajuda econômica, técnica e militar à Ucrânia quanto pelo apoio político.
“E quando você participa dessa forma de um embate, dificilmente terá a oportunidade de ser um mediador da paz ou se colocar como um agente para promover a estabilidade do continente europeu. Sem dúvida nenhuma essa é mais uma prova do envolvimento direto desses países”, afirma à Sputnik Brasil.
O especialista pontua ainda que os países europeus desembolsaram recursos bilionários e, cada vez mais, a Ucrânia dá sinais de que, mesmo assim, “não vai conseguir sair vencedora”. E o fornecimento de mais drones para o regime de Kiev, segundo ele, só constata a “fraqueza da solução proposta” pelos aliados europeus para as tensões na região. “Na verdade, o que nós observamos é que o líder da Ucrânia [Vladimir Zelensky] nada mais é que um grande fantoche nas mãos dos europeus e sabe, certamente, que é muito difícil uma vitória. Mesmo assim, continua com essa lógica belicista insuflado pelos líderes ocidentais”, avalia.
Contudo, Pennaforte lembra que os parceiros ucranianos no Velho Continente veem vantagens na continuidade da disputa, que “impulsiona” a indústria bélica da região, gerando lucros. “Na verdade, boa parte das armas enviadas não são doadas, mas entregues como créditos que a Ucrânia em algum momento da sua história terá que pagar. E quanto mais armas ela recebe, mais a dívida que vai contraindo aumenta e o cenário fica cada vez mais preocupante para as próximas décadas”.
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Tentativa de enfraquecer a Rússia via Ucrânia
Charles Pennaforte acrescenta que o envolvimento cada vez maior da Europa para “salvar a Ucrânia de uma derrota” pode fazer com que a Rússia também aumente suas apostas no sentido militar. Segundo o especialista, o conflito na região é “muito importante para o Ocidente”, que busca, a qualquer custo, conter a consolidação de um mundo multipolar, no qual Moscou figura entre os principais atores.
“Há uma certa preocupação, tanto da OTAN quanto da Rússia, em tentar não esticar muito a corda, já que isso seria péssimo para ambos os lados, mas nunca sabemos o que pode acontecer no mundo da geopolítica […]. Só que eles não estão enfrentando qualquer país, mas a Rússia, com toda a sua capacidade histórica de superar desafios”, enfatiza.
Por fim, o analista pontua que o objetivo dos aliados europeus sempre foi promover uma
mudança de governo na Rússia, principalmente com as sanções, que ele avalia como desproporcionais.
“A guerra hoje se desenvolve não pela capacidade ucraniana de enfrentar a Rússia, mas sim pela participação europeia e norte-americana neste cenário. Em condições normais, o embate já deveria ter acabado há bastante tempo e, independentemente de como seria negociada, o fato é que realmente existe uma tentativa organizada de enfraquecer a Rússia“.
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