Aprender uma nova língua é uma habilidade interessante, tanto no ambiente de trabalho quanto na vida acadêmica. Além disso, conhecer línguas minoritárias, como pomerano ou talian, é ótimo, pois isso preserva memórias culturais de valor inestimável (leia mais sobre aqui: https://bit.ly/3XFUq8G). Os professores McLoddy Kadyamusuma, Eve Higby e Loraine Obler apontam outra vantagem: a aprendizagem de línguas beneficia nosso cérebro, impulsionando o desenvolvimento cognitivo, ou seja, como processamos informações. No entanto, nem sempre é fácil ter acesso a aulas de idiomas. O custo elevado e a necessidade de reorganizar a rotina muitas vezes são obstáculos. Felizmente, a tecnologia e a educação a distância podem nos ajudar. Atualmente, existem diversos cursos de línguas gratuitos e online, que permitem estudar no próprio ritmo, sem a pressão de horários fixos. A dúvida, porém, é: será que é possível aprender uma língua à distância? Vamos descobrir!
Pesquisadores como Stephen Krashen defendem que, de maneira geral, a aprendizagem de línguas ocorre pela exposição à língua, ouvindo e interagindo até reconhecer padrões e associar sons a significados. Com o uso ativo, seja falando ou escrevendo, as conexões cerebrais se fortalecem. O processo também envolve fatores cognitivos, como a memória, a atenção e processamento da linguagem, que nos ajudam a interpretar e aplicar as informações. Mesmo à distância, podemos ativar esses processos.
Segundo a pesquisadora Mailce Borges Mota, a memória é essencial no aprendizado de línguas, envolvendo dois sistemas principais: a memória declarativa, que armazena vocabulário e regras gramaticais, e a memória procedural, que nos permite falar e escrever automaticamente. Na educação a distância, tecnologias ajudam a fortalecer a memória e, consequentemente, a aprendizagem. Entre elas, podemos citar o feedback automático e aplicativos de repetição espaçada, uma técnica de aprendizagem que consiste em revisar um conteúdo várias vezes, mas com intervalos de tempo entre as revisões. Isso ajuda a memorizar melhor as informações do que estudar tudo de uma só vez, conforme o pesquisador Nicholas Cepeda e seus colegas.
Além disso, ferramentas como aplicativos de gamificação, que oferecem pontuações e recompensas, ajudam a manter nossa motivação e foco (aqui vão duas opções: Kahoot e Educaplay. Também é comum o uso de tecnologias como reconhecimento de voz e tradução automática, como o Google Tradutor que facilitam e agilizam a compreensão de pronúncia e gramática, tornando o processo de aprendizagem mais eficiente.
Assim, não há motivos para acreditar que aprender línguas à distância seja impossível. Pelo contrário: essa abordagem oferece benefícios para sua jornada linguística. Quem sabe esta informação não seja um incentivo para se aventurar na aprendizagem de uma nova língua como o espanhol para conhecer países vizinhos?
Referências
CEPEDA, Nicholas.; PASHLER, Harold.; VUL, Edward.; WIXTED, John.; ROHRER, Doug. Distributed practice in verbal recall tasks: A review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, Washington, DC, v. 132, n. 3, p. 354–380, maio 2006.
KADYAMUSUMA, McLoddy.; HIGBY, Eve.; OBLER, Loraine. The Neurolinguistics of Multilingualism. In: ARONIN, Larissa; SINGLETON, David. (ed.). Twelve lectures on multilingualism. Bristol: Multilingual Matters, 2019. p. 271-296.
MOTA, Mailce Borges. Sistemas de memória e processamento da linguagem: um breve panorama. Revista LinguíStica, v. 11, n. 1, p. 205-215, 2015.
KRASHEN, Stephen. Principles and Practice in Second Language Acquisition. Oxford: Pergamon Press, 1982.
Autora: Juliana Ribeiro dos Santos, graduada em Licenciatura em Letras – Português e Inglês. Atualmente, é aluna do Mestrado em Letras, na mesma universidade.