Pelotenses não têm opção na hora de abastecer

Por Marina Corrêa

É comum passarmos pelos postos de gasolina e observarmos uma grande semelhança nos valores encontrados na bomba. O preço do combustível está sujeito a oscilações constantes e, ainda assim, essa similaridade permanece. Pesquisando esses valores na cidade de Pelotas, observa-se uma variação máxima de apenas quatro centavos. Mas ao que se deve esse fato?

Em Pelotas, consumidor não tem opção de economizar.

Em Pelotas, consumidor não tem opção de economizar.

O doutor em Economia Aplicada, Rodrigo Peres de Avila afirma que, em geral, o que faz variar o valor da gasolina de um posto para o outro é a margem de lucro. Como existem diversas taxas incluídas no valor final de venda, o preço não muda muito. Porém, ele acrescenta que devemos separar este caso em dois pontos: “dentro de uma cidade, por exemplo, o preço dos combustíveis não costuma variar tanto, no máximo 10 centavos o litro. Existe toda uma literatura tentando explicar isso, mas até hoje não se conseguiu rejeitar os indícios de cartelização”. Outro ponto analisado, diz respeito aos valores comparados de cidade para cidade, neste caso, Avila salienta que a variação acontece devido à mudança de ambiente competitivo. “Cada cidade é um mercado isolado, visto que as pessoas não viajam até outra cidade pra abastecer”.

A gasolina no Brasil

De acordo com dados informados pela Petrobras, pode-se observar que existem diversas taxas embutidas no valor de venda do combustível, entre elas: o valor de realização da Petrobras (36%), CIDE e PIS/PASEP e COFINS (07%), ICMS (28%), custo do Etanol Anidro (12%) e o preço atribuído pela distribuição e revenda (17%). Com base nisso, o economista complementa que este último valor é apenas uma das variantes do valor da gasolina, e que o que faz o valor variar os preços de uma abastecedora para outra, em uma mesma cidade, é a margem de lucro. Porém, ele complementa que “entre cidades diferentes o preço da gasolina varia muito mais, em torno de 50 centavos por litro, o que já é 5x mais do que a variação média dentro de uma cidade, que costuma ser de, no máximo 10 centavos”. Em suma, quanto maior a cidade, maior a concorrência e a consequente baixa nos valores.

Gráfico mostra a disposição das taxas cobradas de acordo com os alguns países.

Gráfico mostra a disposição das taxas cobradas de acordo com os alguns países.

Perspectivas

Esse é o cenário atual do combustível tendo em vista a microeconomia, porém, esta é uma questão mais ampla. Afinal, com o possível término do mandato da presidente Dilma Rousseff, poderá haver alterações significativas nos valores apresentados atualmente. Segundo Avila, o governo atual não conseguiu controlar a inflação, o que é um problema macroeconômico gravíssimo. Por conta disso, alguns preços administrados (preços que sofrem influência direta do governo, como combustível e eletricidade) estão sendo “maquiados”; ou seja, mantidos de forma artificial pela atual administração. Para ele “embora seja bom em um curto prazo, é uma prática incorreta no médio e longo prazo, pois afeta a eficiência e consequentemente o valor de mercado da Petrobras”. Com isso, os preços não poderão ser mantidos artificiais pra sempre, há uma tendência de que, em um momento econômico mais favorável, eles sejam aumentados. Portando, é possível que isso abra espaço para o aumento do valor do combustível.

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