Angel: a arte, o afeto e a resistência de uma drag queen em Pelotas
Entre os palcos e a montação, o estudante e dançarino Pedro Aguiar encontra na drag queen Angel uma forma de expressão, pertencimento e resistência dentro da comunidade LGBTQIA+ pelotense
Por Emily do Amaral e Rafaela Araujo da Silveira
Para muita gente, drag queen é apenas maquiagem, figurino e performance. Mas, para outras pessoas, é também identidade, liberdade e pertencimento. Em Pelotas, a cultura drag vem crescendo e ocupando cada vez mais espaços: nos palcos, nas festas e nas paradas da diversidade.
Pedro Aguiar tem 21 anos, é dançarino e estudante de design no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul). Aos fins de semana, quando se monta, Pedro dá vida à Angel, personagem que nasceu em 2023 e que se transformou em muito mais do que uma personagem, é uma forma de expressão.
“A Angel começou a ser desenvolvida em 2023 porque eu fazia parte do balé de uma drag queen aqui da cidade, a Maia. Eu já acompanhava muito a arte drag e sempre tive vontade de fazer também. Entrei no grupo de dançarinos em 2021 e sempre tive o interesse de me montar também.”, conta.
Na comunidade drag, laços familiares costumam ser construídos por afinidade. Mães, madrinhas, irmãs e filhas drag fazem parte de uma rede de apoio que ajuda artistas iniciantes a encontrarem espaço e segurança dentro da cena. Pedro encontrou esse acolhimento em Renan, artista que dá vida à drag queen Ariana Sanchez há dez anos.
“Começou como uma brincadeira. Um dia peguei roupas da minha irmã, me montei e me apaixonei. Depois comecei a criar minhas próprias roupas, comprar algumas coisas e nunca mais parei.” relembra Renan.
Foi Renan quem ajudou Angel nos primeiros passos dentro da montação. A amizade também se tornou uma relação de apadrinhamento, entre maquiagem, figurinos e conselhos.
“A Angel chegou na minha vida como um presente. Ela queria se montar e precisava de algumas ajudas. Então ofereci apoio, e ela escolheu ser minha filha drag”, conta.

Para além da montagem, a comunidade drag é um espaço de apoio e acolhimento entre os artistas. Foto: Rafaela Silveira.
Durante o processo de transformação, Angel ganha forma com uma maquiagem marcante, uma peruca grande e o figurino, que foi confeccionado pela família.
“É engraçado porque toda vez eu olho no espelho e penso: essa é a melhor montação que já fizemos. Mas dessa vez está muito bonita mesmo”, diz Pedro.
No palco, a performance mistura música, dança e uma interpretação confiante e autêntica. Além do entretenimento, os shows drag também carregam a força da resistência e à celebração da diversidade. Por isso, mesmo diante de alguns desafios, o artista acredita que continuar fazendo arte vale a pena.
Angel nasceu de uma vontade de se expressar e de pertencer. E, como toda boa arte, encontrou no afeto, na escuta e na família escolhida, o que precisava para existir de verdade.


