Brechós e moda sustentável: o ciclo da moda que sai dos padrões

Brechós são maneiras acessíveis de atualizar o guarda-roupa. Fonte: Bruna Palharini

 

 

 

 

 

Com foco em consumo consciente, no reaproveitamento de peças e na redução dos impactos ambientais, os brechós conquistam espaço entre jovens e movimentam o mercado da moda sustentável.

Bruna Palharini / Em Pauta

Peças únicas, preços acessíveis e preocupação ambiental têm levado cada vez mais pessoas a aderirem aos brechós e à moda sustentável. Antes vistos apenas como alternativas econômicas, os brechós passaram a ocupar um novo espaço no mercado da moda, especialmente entre os jovens, que buscam consumir de forma mais consciente e reduzir os impactos ambientais causados pela indústria têxtil.

A chamada “fast fashion”, modelo de produção acelerada e consumo rápido de roupas, está entre as indústrias que mais poluem o meio ambiente. O descarte excessivo de peças, o uso elevado de água na fabricação e as condições precárias de trabalho em algumas confecções são temas frequentemente debatidos por especialistas e ativistas ambientais. Nesse cenário, os brechós surgem como uma alternativa sustentável, prolongando o ciclo de vida das roupas e diminuindo a necessidade de novas produções.

Brechós modernos apostam em curadoria e ambiente organizado para atrair consumidores conscientes.. Imagens: timnewman / Getty Images/ Em Pauta

Para muitos consumidores, comprar em brechós vai além da economia. André da Rosa, estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Pelotas, conta que esse hábito já faz parte da sua forma de consumir. “Eu acabo preferindo eles por conta dos preços, claro, mas também por terem opções que conversam com o meu estilo.”

ndré da Rosa, estudante de Jornalismo da UFPel. Fonte: Arquivo pessoal / Em Pauta

xSegundo André, consumir de forma sustentável faz a diferença em um cenário marcado pela rapidez das tendências de moda. “No mundo em que a gente vive, onde a moda é um mercado com tanta rotatividade de estilos, trends e roupas que entram e saem das araras, o consumo responsável vem para fazer as roupas circularem e ganharem novos espaços, freando essa cultura de hiperconsumo”, relata.

Ele também percebe mudanças na própria relação com a moda desde que começou a frequentar brechós, afirma que: “Eu comecei a me atentar mais com o que eu compro, com os tecidos também, pois acabo encontrando roupas de maior qualidade, e também comecei com o ritual de “garimpar” peças que fazem parte da minha forma de vestir.”

O crescimento desse mercado também foi impulsionado pelas redes sociais. Plataformas digitais facilitaram a divulgação de peças, as vendas online e a aproximação entre vendedores e clientes. Atualmente, diversos brechós utilizam o Instagram e outras redes para apresentar coleções, realizar vendas ao vivo e promover conteúdos sobre consumo consciente.

Em cidades universitárias e grandes centros urbanos, os brechós também se tornaram espaços de convivência e troca cultural. Alguns estabelecimentos promovem feiras, eventos e oficinas sobre reaproveitamento de roupas, customização e sustentabilidade. A proposta vai além da venda de peças usadas: busca incentivar uma nova relação com o consumo e a moda.

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