Mais que um videozinho!

 Como a profissão de ‘Story Maker’ acessibilizou o audiovisual. Com salários que chegam a triplicar em relação ao comércio tradicional, nova geração de produtores audiovisuais atende à alta demanda das marcas por conteúdo em tempo real

Por Pedro de Almeida /Em Pauta

A era da vitrine perfeita e intocável na internet chegou ao fim. Hoje, mais de um bilhão de pessoas consomem vídeos curtos e temporários diariamente, buscando a autenticidade dos bastidores e a agilidade da vida real. Para dar conta dessa exigência imposta pelos algoritmos e pelo comportamento do consumidor, o mercado viu nascer uma das profissões mais em alta no setor de marketing digital: o Story Maker.

Esse profissional atua exatamente no espaço que antes ficava vazio entre o gestor de redes sociais (Social Media), que planeja o conteúdo de longe, e o videomaker tradicional, que trabalha com equipamentos pesados e prazos de edição mais longos.

Munido de um bom smartphone, microfones portáteis e técnicas de narrativa rápida, o Story Maker capta, edita e publica o material praticamente em tempo real. O fotógrafo e videomaker Eduardo Silveira, que atua com imagem desde 2011 e vídeos desde 2014, foi um dos profissionais que percebeu essa lacuna no mercado cedo. “Existe essa demanda, mas não existia a mão de obra”, explica Eduardo.

Com o equipamento necessário em mãos, como celular e microfone, ele começou a oferecer o formato e teve ótima aceitação no setor.

A máquina de vendas em tempo real

Para quem contrata, o investimento se paga pelo engajamento imediato. O vídeo vertical e espontâneo hoje atua como a principal ponte para as vendas. A advogada tributarista e palestrante Karina Ralback é uma das clientes que considera o serviço indispensável para a sua marca pessoal. “É fundamental porque transmite para a minha audiência o que está acontecendo em tempo real”, afirma. Segundo ela, a presença do produtor de conteúdo traz uma sensação de pertencimento para os seguidores. “É como se eles estivessem junto comigo”, destaca.

Oportunidade financeira esbarra em desafios de precificação

A alta procura pelo olhar clínico das redes sociais tem gerado viradas de carreira expressivas. Carolina, que atuou no comércio tradicional por anos em rotinas exaustivas das 9h às 18h, decidiu migrar totalmente para o audiovisual e hoje atua como Story Maker.

A mudança trouxe qualidade de vida e independência financeira. “Eu resolvi sair e me dedicar somente a isso, porque eu consigo hoje fazer os meus horários”, relata Carolina. O resultado financeiro acompanhou a coragem da troca de área: “Consigo ter uma renda que vai às vezes o dobro ou triplo do que eu ganhava trabalhando no comércio oito horas por dia”, comemora a produtora.

A demanda é intensa. Carolina conta que chega a receber cerca de 11 solicitações de orçamentos em um único dia. No entanto, a profissão recém-nascida já enfrenta dores de crescimento. O maior obstáculo, segundo os próprios profissionais, é a educação do cliente em relação ao preço do serviço.Ainda existe uma resistência em valorizar o trabalho captado por smartphones. Segundo Carolina, o impasse acontece quando os clientes exigem longas jornadas, chegando a 10 ou 15 horas de cobertura em um evento, ofertando pagamentos na faixa dos 700 reais, valores que não compensam o desgaste e a entrega em tempo real.

Apesar das barreiras iniciais de precificação, a tendência é de consolidação. O mercado já compreendeu que o celular quebrou o muro entre o evento físico e o digital, tornando o Story Maker não apenas uma conveniência, mas uma peça obrigatória na comunicação moderna.

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