Mulheres negras e os espaços de poder
Mulheres negras, cidadania e democracia: conferência debate participação política em meio a retrocessos de direitos

Lideranças negras se forma em espaços comunitários, como movimentos de juventude e mobilização social, quase sempre puxada pela urgência
Kailaine Quevedo / Em Pauta
Em um momento marcado por tentativas de revogar direitos das mulheres nos debates sociais e políticos, ganha ainda mais força discutir a presença das mulheres negras nos espaços de poder. Foi esse o debate de fundo da conferência “Mulheres negras, cidadania e democracia: vozes, direitos e participação política”, que reuniu lideranças para pensar caminhos de enfrentamento ao racismo e ao machismo dentro da política institucional.
Entre as convidadas estava Francisca, presidente do Conselho dos Direitos das Mulheres, que dividiu a mesa com Eva (quem são) e Carla.
Segundo Francisca, o eixo central do encontro passou por gênero, raça e outras formas de produzir conhecimento além das que tradicionalmente dominam academia e política. Dali, o debate seguiu para o enfrentamento das violências contra mulheres negras e para a participação de lideranças negras em espaços de decisão e organização comunitária.
Um dos momentos mais marcantes, segundo ela, foi quando as três palestrantes trouxeram suas próprias trajetórias para a conversa mostrando na prática o que ajuda ou dificulta o avanço das mulheres na organização social e política.
Francisca explica que boa parte das lideranças negras se forma em espaços comunitários, como movimentos de juventude e mobilização social, quase sempre puxada pela urgência: lutas por educação, saúde, moradia e acesso a direitos básicos. É esse cotidiano que empurra as pessoas a buscar informação e aos poucos ocupar espaços de decisão, por isso, reforça o diálogo constante com a realidade de cada comunidade é essencial.
Por que discutir na universidade
Para Francisca, eventos como esse ajudam a formar profissionais mais críticos e tiram o conhecimento acadêmico de um lugar isolado, trazendo a comunidade para dentro do debate. Servem também para observar quais estratégias estão sendo criadas, de fato, para o avanço das mulheres negras.
Questionada sobre o cenário atual, Francisca cita a redução dos espaços de participação, o retrocesso de direitos básicos e o risco de enfraquecimento da formação comunitária de base. Para ela, o caminho adiante passa por fortalecer novas lideranças dentro das estruturas de representação e construir novos jeitos de organização e enfrentamento ao racismo que permitam mais mulheres negras chegarem à política institucional.
A conferência reforça um ponto: falar sobre democracia, hoje, também é falar sobre quem tem e quem ainda não tem espaço garantido dentro dela.

