07 de Outubro: três anos. O que o Sistema Internacional diz sobre Israel? por Maria Eduarda Motta

Em outubro de 2025, foi estabelecido um cessar-fogo entre Israel e Hamas pelos Estados Unidos para parar os ataques e baixas na Faixa de Gaza. Entretanto, tal pausa foi pouco efetiva e, completando três anos de guerra, o conflito já é responsável por 73 mil mortes (OMS, 2026). Com poucas expectativas em relação a uma solução duradoura entre as partes, diferentes países, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas de 2026, condenaram Israel e suas ações em Gaza, além da ineficácia da ONU no conflito.

Tradicionalmente, o Brasil é sempre o primeiro país a falar na ONU, realizando a abertura dos debates para os demais países. Assim, o Presidente Lula iniciou seu discurso falando sobre guerra, que, desde que se tornou presidente pela primeira vez em 2003, esse era o momento mais crítico da ONU para ele: 

A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas. A de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um conselho de segurança que não cumpre seu papel (BBC, 2026).

O Presidente ainda condenou o genocídio praticado pelo governo Netanyahu em Gaza, afirmando que gerações que estão por vir dos palestinos seriam obrigadas a lidar com o trauma imposto por esse Estado, tudo isso enquanto a ONU, que deveria defender e proteger os direitos humanos, falha em suas atribuições.

Além do Brasil, o presidente francês Emmanuel Macron, junto ao Reino Unido e ao Canadá, clamou pela soberania de um Estado Palestino. Apesar de criticar nominalmente os crimes cometidos por Israel em Gaza, Macron ainda destacou que os países que reconhecem o Estado Palestino não apresentam nenhuma credibilidade, pois até agora eles (a França incluída) não tomaram atitude ou tentaram intervir no desastre humanitário em curso (Al Jazzera, 2026). 

Posteriormente, o Primeiro-Ministro britânico, Andy Burnham, relatou às delegações da França, do Canadá e da Arábia Saudita que o Reino Unido havia suspendido negociações comerciais com Israel nos territórios ocupados, tendo em vista a condenação por parte do país do novo projeto israelense E1, que iria ocupar o território da Cisjordânia e impedir qualquer solução na criação de dois Estados. E o Canadá anunciou que 100 milhões de dólares canadenses seriam destinados para Gaza, com $80 milhões prestados à assistência humanitária e $20 milhões direcionados a iniciativas de paz e segurança (Al Jazeera, 2026).

Tendo em vista esse quadro, questiona-se até quando Israel irá permanecer impune frente ao que ocorre na Faixa de Gaza e qual a força que o multilateralismo realmente tem contemporaneamente, considerando que os embargos e condenações públicas dos demais países não surtiram efeito sobre a atuação israelense no território, demonstrando uma estagnação e ineficácia por parte da globalização.

Referências:

“Mundo está falhando em proteger população da guerra, diz Lula”, BBC News, 22 de setembro de 2026. Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/live/cq2e0yxwwpvzt? post=asset%3Ad827440b-d91c-4ef6-9fd5-74348e4378ea#asset:d827440b-d91c-4ef6-9fd5-74348e4378ea>. Acesso em: 23 set. 2026

“France rebukes world over Gaza as Canada, UK back Palestinian state at UNGA”. Al Jazeera, 23 de setembro de 2026. Disponível em: <https://www.aljazeera.com/news/2026/9/23/canada-pledges-aid-for-palestine-as-uk-and-france-demand-action-at-unga>. Acesso em: 23 set. 2026

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE NO TERRITÓRIO OCUPADO DA PALESTINA. Atualização da Situação de Emergência, junho de 2026, tradução própria. Disponível em: <https://www.emro.who.int/images/stories/palestine/Sitrep_71.pdf>. Acesso em: 16 set. 2026.

*Maria Eduarda Motta é pesquisadora do LabGRIMA.

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