Documentário “Juízo” expõe fragilidades de sistema falho e desigual para adolescentes em conflito com a lei

Filme de 2008 viralizou nas redes após entrar em catálogo no streaming       

Por Beatriz Gomes       

 

Pôster de divulgação da produção cinematográfica            Imagem: Reprodução/JustWatch

 

Se você é usuário da internet e, em especial, de aplicativos de vídeos como o “TikTok”, é possível que já tenha se deparado com alguma cena do documentário “Juízo” na sua timeline. Lançado em 2008, o filme documental dirigido por Maria Augusta Ramos e produzido por Diler Trindade, acompanha o processo de julgamento de jovens acusados de cometer crimes na cidade do Rio de Janeiro e retrata a realidade dos sistemas judiciário e carcerário no Brasil, revelando suas falhas, a falta de recursos e a falta de treinamento adequado para lidar com jovens infratores. A cineasta já dirigiu outros filmes como “Justiça”, “Futuro Junho”, “Morro dos Prazeres” e “O Processo”, todos de cunho político e social. 

Uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe o uso de imagens de menores de 18 anos, a fim de preservar suas identidades, os casos apresentados no documentário são retratados por meio de jovens pertencentes a três comunidades do Rio de Janeiro que compartilham das mesmas condições de risco social. No entanto, todas as outras personagens desempenham seus verdadeiros papéis.

Recentemente adicionado ao catálogo de conteúdo da Netflix, “Juízo” passou a viralizar nos últimos meses. Nas redes, diversos trechos vêm sendo publicados, gerando comoção e debates. As cenas mais comentadas e mais assistidas são justamente as das audiências que julgam o futuro dos menores em questão, principalmente, nas quais a juíza Luciana Fiala aparece. Polêmica e controversa, a forma de tratamento dada por ela aos menores divide opiniões: enquanto uns aclamam o que consideram ser uma abordagem mais “rígida”, outros rechaçam e apontam falta de ética, excessos e preconceito.

 

A juíza Luciana Fiala durante audiência em cena que viralizou       Foto: Reprodução/Netflix

Fiala mantém um tom firme, direto e, por vezes, intransigente em sua comunicação com os adolescentes, sempre passando por uma sessão de “sermão” com “conselhos” direcionados aos julgados. Utilizando uma linguagem mais próxima ao coloquial e aparentando pouca paciência e irritabilidade, por vezes, a juíza parece não levar em consideração a realidade e contexto social em que os menores estão inseridos, apresentando uma abordagem que soa simplista para situações tão complexas. É bom lembrar que, neste caso, estamos falando de uma maioria de jovens que acaba na criminalidade, pois são oriundos de famílias desestruturadas e em vulnerabilidade socioeconômica. Será mesmo que utilizar o grito e a ironia são as melhores escolhas para lidar com casos como estes?

Além das cenas viralizadas das audiências, outros momentos são cruciais para compreender em totalidade o trabalho de Ramos. A diretora explora muito bem as instalações precárias (que são reais) do extinto Instituto Padre Severino, reformatório tradicional conhecidíssimo no Rio de Janeiro, retratando os adolescentes vivenciando situações rotineiras naquelas estruturas, trazendo o espectador para dentro daquela realidade. A diretora não costuma utilizar o recurso da trilha sonora nestas sequências, fato que, combinado com os poucos cortes que faz, torna de certa forma angustiante acompanhar tais cenas, momento em que o espectador é obrigado a adentrar aquele universo, nem que seja por um momento. Ramos busca humanizar. São diálogos despretensiosos entre os adolescentes, encontros com familiares em dias de visita, conduções feitas por funcionários da DEGASE (Departamento Geral de Ações Socioeducativas), etc.

Fato é que durante o documentário entramos em contato com duras vivências e, através do olhar de Maria Augusta Ramos, fica perceptível que todos ali fazem parte de um sistema quebrado por dentro que tende apenas a punir, ao invés de ressocializar, perpetuando assim um ciclo de violência e exclusão.

 

Cotidiano das instituições socioeducativas  é retratado no filme       Foto: Reprodução/Netflix

 

Ao expor as limitações desse sistema, a obra nos convida a repensar que sociedade estamos construindo. Parece clichê, mas o óbvio precisa ser dito, pois o óbvio não tem sido feito: para além da punição, é necessário revisitarmos as políticas públicas brasileiras relacionadas à juventude em conflito com a lei, bem como as medidas socioeducativas propostas, a fim de construir uma sociedade mais justa e igualitária. Em tempo, deve-se antecipar que “Juízo” termina sem nos dar essa solução. E, se você tem algum coração, por aí, com certeza, irá chegar ao final do documentário se sentindo impotente. Depois disso, o que assistiu vai levar a muitas reflexões.

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Grace Gianoukas abrilhantará Teatro Municipal de Rio Grande com “Nasci Pra Ser Dercy”

A atriz apresentará o espetáculo pela primeira vez na sua cidade natal entre os dias 12 e 14 de maio         

Por Joanna Manhago e Tais Carolina         

 

         Homenagem com muito humor  terá três noites no palco rio-grandino          Fotos: Divulgação

Mais uma vez Rio Grande vai receber uma peça teatral protagonizada por uma artista que é um orgulho do município. Grace Gianoukas, que é natural da cidade mais antiga do estado. Ela volta até a Noiva do Mar para apresentar o espetáculo “Nasci Pra Ser Dercy” nos dias 12 e 13 de maio, às 20h; e 14 de maio, às 19h, no Teatro Municipal (avenida Major Carlos Pinto, 312).

Esta é a terceira vez, em menos de dois anos, que a artista se apresenta em Rio Grande, depois de um grande período sem eventos no teatro. A primeira vez foi em agosto de 2022, com o espetáculo “Grace Em Revista”, que trata sobre a trajetória da artista ao longo dos 40 anos de carreira. A segunda oportunidade foi promovida pelo produtor local, Guilherme Rajão, que organizou a apresentação do mesmo espetáculo em novembro do ano passado.

Rajão também é o responsável pela apresentação da peça “Nasci Pra Ser Dercy”, que acontecerá em maio de 2023. Ele comenta que “Grace é um sucesso único, além de ser um orgulho da cidade” e que sempre vale a pena trazer suas peças teatrais para Rio Grande.

“O espetáculo, a atuação e o profissionalismo da Grace já seriam suficientes para ter ela se apresentando em Rio Grande, mas o fato dela ser natural da cidade, ser carismática e ter carinho pela nossa cidade faz com que a gente sinta mais vontade de assistir suas performances. Na primeira vez que promovi o show dela, mais de 600 pessoas foram até o teatro, e, até o momento, as vendas para a peça de maio estão muito positivas”.

 

Natural de Rio Grande, a atriz Grace Gianoukas destaca-se por suas atuações  e profissionalismo

 

A cidade do Rio Grande não tem a cultura de frequentar peças teatrais, porém, nos últimos meses, isso vem mudando. O atual diretor do Teatro Municipal, Bira Lopes, explica que está sendo necessário reinventar o que é promovido pelo setor na cidade. Ele relembrou os trabalhos desenvolvidos pela antiga diretora, Alzira Paiva, e como isso auxiliou no crescimento do consumo desta arte. “A saudosa Alzira, antes de morrer, deixou um legado, dar vida para o nosso teatro. Mesmo em meio a pandemia, ela induziu a comunidade do Rio Grande a valorizar as produções locais que se apresentavam na cidade, ainda de forma remota. Isso incentivou os produtores locais a investirem nesta arte e agora podemos ver diversas sessões lotadas com espetáculos locais, regionais e nacionais”, registra.

 

Grace interpreta personagem Vera, que tem sonho de ser nova Dercy

 

Detalhes da peça teatral

O espetáculo “Nasci Pra Ser Dercy” estreou em 2012 e já foi apresentado em diversas cidades brasileiras. É uma homenagem bem-humorada e carinhosa a uma das maiores artistas do Brasil, Dercy Gonçalves, e tem sido muito elogiada pela crítica e pelo público em geral. O texto e a direção são de Kiko Rieser, mas a produção conta com nomes de Miguel Falabella (voz off), André Kirmayr (assistência de direção), Mau Macedo (trilha sonora) e outros importantes nomes do teatro brasileiro.

No espetáculo, Grace Gianoukas interpreta uma personagem – chamada Vera – que tem o sonho de ser a nova Dercy Gonçalves, e conta a história de sua vida e carreira de uma forma divertida e emocionante. A peça é recheada de humor, improviso e interação com a plateia, além de contar com números musicais e cenas engraçadas que lembram a irreverência da atriz Dercy Gonçalves.

 

Irreverência da atriz inspiradora é revivida na personagem teatral

 

O diretor de produção de Grace, Paulo Marcel Almeida contou como surgiu a proposta de produzir o espetáculo: “A ideia da peça “Nasci Pra Ser Dercy” surgiu a partir de uma brincadeira entre Grace e alguns amigos. Durante uma conversa, eles começaram a imaginar como seria se ela se transformasse na Dercy Gonçalves. A partir daí, Grace começou a estudar a vida e a obra de Dercy Gonçalves, assistindo a entrevistas, filmes e programas de televisão em que a atriz participou. Ela também se inspirou em sua própria trajetória como artista e comediante, para criar uma personagem que fosse ao mesmo tempo divertida, emocionante e autêntica”.

Dercy Gonçalves (1907-2008) foi uma humorista, atriz, autora, diretora e produtora teatral e cantora. Passou pelo circo, foi uma estrela do teatro de revista na década de 1930 e começou a atuar em filmes na década de 1940. Na televisão, iniciou a carreira nos anos 1960, sendo que o seu programa de auditório teve a produção finalizada devido a problemas com a censura, na época da ditadura militar. É uma das atrizes com maior tempo de carreira na história mundial, totalizando 86 anos. Sua biografia, “Dercy de Cabo a Rabo” (1994), foi escrita por Maria Adelaide Amaral. “Dercy de Verdade” (2012) foi o título dado à minissérie sobre a vida da atriz, que também foi escrita por Maria Adelaide Amaral e teve direção de Jorge Fernando. Celebrada por suas entrevistas irreverentes, bom humor e emprego constante de “palavrões”, foi uma das maiores expoentes do teatro de improviso no Brasil.

 

Grace Gianoukas tem exercido papel de destaque no humorismo brasileiro

 

Tópicos da carreira de Grace

Grace Gianoukas ganhou fama na televisão por interpretar Eva em “Rá-Tim-Bum”, na TV Cultura, de 1990 a 1994. Em 2020, interpretou Ermê na telenovela “Salve-se Quem Puder” da TV Globo, pela qual foi indicada duas vezes ao Melhores do Ano de Melhor Atriz Coadjuvante: em 2020 e 2021.

Depois de participar em montagens teatrais em Porto Alegre, como “Acre vai à Rússia”, ela transfere-se em 1984 para São Paulo, onde escreveu vários textos para teatro, como a comédia “Não Quero Droga Nenhuma”, que ficou cinco anos em cartaz. Após atuar em diversos espetáculos, como “O Amigo da Onça”, de Chico Caruso, com direção de Paulo Betti, e “O Pequeno Mago”, do grupo XPTO, criou um dos projetos que renovou o humorismo brasileiro a partir do início dos anos 2000: “Terça Insana”, incentivando novos atores e autores de humor. Em 2016, Grace ganhou notoriedade nacional ao interpretar a vilã cômica Teodora Abdala na novela “Haja Coração”

 

O texto e a direção são de Kiko Rieser, a assistência de direção de André Kirmayr, a trilha sonora de Mau Macedo e a a direção de produção de Paulo Marcel Almeida

Serviço

– Duração: Em média 80 minutos

– Classificação: 16 anos.

– Data: dias 12, 13 e 14 de maio

– Horário: Sexta-feira e sábado às 20h, no domingo às 19h

 Os ingressos custam entre  R$ 50,00 e R$ 120,00, conforme a legislação vigente para meia-entrada, podem ser adquiridos on-line por este link, ou na bilheteria física, sem taxa de serviço, na avenida Major Carlos Pinto, 312

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Exposição de autorretratos “Lendo-se” até sexta-feira

Estudantes de arte apresentam trabalhos que refletem sobre a questão da leitura e seu papel de mudança         

Por Elena Abreu e Rayla Ribeiro       

 

                 “De que forma as leituras que fazemos definem quem nós somos?”         foi uma das questões propostas para os estudantes de arte na mostra

 

O Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas, por meio do Projeto de Extensão Produção Cultural, realiza até a próxima sexta-feira a exposição “Lendo-se”, que conta com as obras resultantes da proposta de trabalho final das disciplinas de Desenho da Figura Humana realizadas no primeiro e segundo semestre de 2022. A concepção da exposição é da professora Nádia Senna e a coordenação é das professoras Laura Cattani e Juliana Angeli.

Nesta terça-feira (dia 25 de abril), ocorreu a inauguração da exposição. Está aberta à visitação, da 13h30min às 18h, até dia 28 de abril na Casa de Vivências Culturais Rendez-Vous (rua Dona Mariana n°1, Pelotas).

O tema proposto aos acadêmicos foi “Pessoas que leem são perigosas”, “Qual o perigo que o conhecimento representa?”, “De que forma as leituras que fazemos definem quem nós somos?”, “A quem interessa manter a população ignorante?”, e “De que forma a arte pode desafiar isso?”.

A ideia parte da proposta de criar autorretratos por livre criação ou inspirados por obras de qualquer época, de artistas consagrados, pouco conhecidos e/ou contemporâneos. Apresenta um total de 64 obras produzidas pelos estudantes de arte para essa exposição, contando com diversas técnicas artísticas e utilizando como suporte o papel.

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Centro de Escritores Lourencianos promove concurso literário

Inscrições para contos, crônicas e poesias inéditas estão abertas até o dia 31 de maio      

Por Stéfane Costa      

O Centro de Escritores Lourencianos (CEL), da cidade de São Lourenço do Sul, abriu inscrições para o concurso literário Sérgio de Laforet Padilha, que contará com publicação das obras selecionadas.

Podem concorrer no concurso textos como contos, crônicas e poesias inéditas de tema livre. Há três categorias, a infantil para pequenos autores de até 12 anos, a categoria juvenil, com escritores entre 13 e 17 anos e a adulta, para todos os participantes a partir dos 18 anos.

Os ganhadores do primeiro, segundo e terceiro lugar levarão troféus e certificados, além de receberem menções honrosas.

As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de maio, pelo email centrodeescritoreslourencianos@gmail.com. O documento deve estar digitado em um arquivo no formato Word com texto em fonte Arial 12, em espaçamento 2. O texto também deve estar sob pseudônimo. Vale lembrar que não haverá cobrança de taxas para a inscrição.

A premiação será feita em outubro deste ano, durante as comemorações dos 27 anos do CEL. Além disso, os textos selecionados poderão integrar a coletânea preparada pelo centro, portanto é uma chance de publicação para os escritores.

Fundado em outubro de 1996, o Centro de Escritores Lourencianos atua há mais de 26 anos na cidade de São Lourenço do Sul e região. “De acordo com o Estatuto, o CEL tem por objetivo promover a cultura em São Lourenço do Sul e incentivar o gosto pela leitura e escrita, principalmente entre crianças e adolescentes, valendo-se para isso de oficinas literárias, concursos e publicação de obras com textos dos participantes, além de projetos em escolas públicas, tanto na cidade como no interior do município”, explica a presidente Cleia Dröse.

 

Cleia Dröse, presidente do CEL com acervo da futura biblioteca
Foto: Divulgação/RuralidadesSul/Rodrigo Seefeldt

Em quase três décadas de atuação, o CEL publicou 20 antologias literárias, um livro de contos, um romance com múltiplos autores, uma edição especial comemorativa ao Jubileu de Prata e quatro obras escritas por alunos de escolas públicas. Para 2023, a entidade já preparou três projetos semelhantes nas instituições de ensino. 

Atualmente, o Centro conta com uma sede localizada na Rua General Osório, número 1391. O aluguel do local é mantido com o auxílio de apoiadores, pessoas e membros que são fundamentais para as ações da entidade. “O Centro de Escritores Lourencianos atua através de seus voluntários, envolvendo significativo trabalho de desprendimento e esforço, tudo com o objetivo de acelerar o processo de inclusão social com a valorização da literatura, cultura e o incentivo à leitura”, pontua Cleia.

Os membros do Centro de Escritores Lourencianos (CEL) atuam para valorização da literatura
Foto: Divulgação

Homenagem

 

            Sérgio de Laforet Padilha   (1935-2010)         Foto: Reprodução Blog Léo Ribeiro

Sérgio de Laforet Padilha, nome da personalidade lourenciana homenageada no concurso do CEL, foi um caixeiro, industriário, radialista, bancário e autodidata que foi voz ativa em atividades culturais, esportivas e sociais de São Lourenço do Sul.  Nascido no município em 8 de maio de 1935, dedicou boa parte de sua vida a contar casos da cidade, até que faleceu em 21 de junho de 2010.

“Dono de um sorriso largo, espalhava simpatia por onde andasse. Grande contador da História, compartilhar uma tarde com ele era conhecer fatos interessantes da História do Brasil ou aspectos da Literatura que tanto apreciava”, descreve a representante do CEL. “Como historiador contava muitas histórias daquele tempo em que o porto da cidade era bastante forte e se localizava em frente ao comércio em que trabalhava. Sua produção literária engloba poesias, contos, crônicas. Preocupado em ajudar na preservação da memória regional, diante da velocidade com que se operam as mudanças, incentivou a guarda e conservação de peças e documentos, de modo que, no futuro, se pudesse ligar pontos da história”, completa.  

Por sua preocupação e cuidado em preservar a memória do município, Padilha também será eternizado em uma homenagem material no Centro de Escritores Lourencianos. A biblioteca da instituição, ainda em fase de organização, será inaugurada no mês de outubro, durante as comemorações dos 27 anos da entidade, sendo chamada de Biblioteca Sérgio de Laforet Padilha.

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Música na Praça reúne artistas e público na happy hour do Shopping  Pelotas

A programação, nas noites de sexta-feira, anima o início dos fins de semana com os músicos da cidade e vem tendo a participação de uma banda com funcionários da área de segurança do centro comercial         

Por Kaique Cangirana Trovão        

O evento Música na Praça acontece nas noites de sexta-feira, das 19h às 21h, na Praça de alimentação do Shopping Pelotas (avenida Ferreira Viana,1526), promovendo artistas da cidade e animando o início dos fins de semana.  As apresentações investem na cultura musical com shows de cantores, bandas e grupos de diversas expressões sonoras, divertindo o público. O evento também conta com uma estrutura montada e planejada para receber apresentações de diferentes estilos musicais. Em duas das apresentações, houve shows com o grupo de pagode S1, composto por funcionários da área de segurança do centro comercial.

O Shopping aposta na promoção cultural da música com entrada franca integrada ao seu espaço de lazer e alimentação. “O projeto de levar música para a Praça de Alimentação combina duas propostas que fazem parte da missão do Shopping Pelotas: valorizar os artistas da região e promover lazer, entretenimento e cultura de forma gratuita”, descreve a assessoria de imprensa.

O Música na Praça teve início no dia 27 de janeiro e contou com a apresentação do cantor Henry em sua estreia. Desde então, treze apresentações já aconteceram e uma das mais recentes chama atenção por sua história e relação inusitada com o Shopping. O grupo Pagode do S1, que se apresentou no dia 14 de abril, é formado pela equipe de segurança do shopping e começou com as festas de fim de ano da empresa que presta os serviços de segurança.  

 

Grupo Pagode do S1:
André Anjos – Coordenador de Segurança – S1 – Percussão
Luiz Jara – Bombeiro Percussão
Daniel Leivas – Supervisor de Segurança – Cavaco
Toni Mullet – Supervisor de Segurança – Repique
Kaê Moraes – Operador de CFTV – Pandeiro
                                                Tiago Torres (na frente) – Operador de CFTV – Violão e vocal                     Foto: Divulgação

 

André Anjos, coordenador de segurança e membro do Pagode do S1 falou sobre a origem do grupo e como O Música na Praça promove a expressão cultural em interação com o público: “O Pagode do S1 teve origem nas festas de fim de ano da empresa. Fomos convidados a tocar em 2021 e em 2022, mas foi nesta segunda oportunidade que criamos o grupo com os membros da segurança do shopping. O nome diz respeito à nomenclatura que recebemos em nossos cargos, no caso, o ‘S1’, que representa a identificação do coordenador de segurança. Essa foi nossa segunda apresentação no shopping e, desde que iniciamos a banda, já nos apresentamos algumas vezes no estabelecimento do Skina Barzinho, onde nosso show também teve uma boa repercussão e movimentou bastante a noite da casa”.

“Buscamos sempre variar os estilos, tocando aquilo que a galera quer ouvir e não ficando muito presos somente ao pagode. A diversidade de estilos é importante quando falamos de um ambiente com a circulação de tantas pessoas como é o shopping. É legal perceber que o público tem a oportunidade de acessar um espaço de livre acesso, num lugar como o shopping, que é a representação do capitalismo, pois percebemos o quanto a acessibilidade do evento permite que pessoas de baixa renda da comunidade possam ter contato com apresentações que ocorrem no Música na Praça, projeto que cobre o cachê dos artistas”.

“O shopping emprega aproximadamente 1.114 pessoas de forma direta e mais duas mil de forma indireta, há diversos estabelecimentos e as vendas são o foco, então, é legal ver a interação que conseguimos ter com o público além das métricas de circulação e vendas que as lojas possuem”, relata.

Neusa dos Santos aproveitou o feriado do dia 21 de abril para fazer uma refeição na praça e curtir com a família: “Fiquei sabendo do evento a partir de um grupo de amigas que veio no mês passado. É uma experiência muito agradável, poder se sentar aqui com a família e curtir o ambiente, a música e a interação, enquanto esperamos pela alimentação. Particularmente, adoro a música brasileira e não perco uma oportunidade como esta, em ocasiões especiais com a família e amigos”.

“Acredito que este projeto pode atrair as pessoas ao shopping pela experiência de levar o público a junção de prazeres como a música e a culinária, algo diferente de compras seguido de compras. Uma grande iniciativa do Shopping de Pelotas, com certeza, voltarei em breve”, diz. 

Movimentando a clientela regional e destacando artistas da cidade, o evento segue encantando o público que conhece suas atrações. O projeto é um dos poucos que mantém expressão cultural de forma acessível e frequente na cidade, que recentemente recebeu nomes da área musical como Pixote e Henrique e Juliano em shows com cobrança de ingressos e pouco viáveis ao público que vive em tempos de maior economia financeira.

Dia 28 de abril, a agenda do Shopping vai receber a cantora Aíse. A divulgação de shows e programação são publicadas nas redes sociais e no site do Shopping. A entrada é gratuita e não há a necessidade de reservas.

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Cultura negra em festa

Voltado para reforçar raízes culturais, Festival Cabobu convidou público para as ruas de Pelotas no fim de semana     

Por Thierri Cunha        

               A Praça Coronel Pedro Osório contou com bancas de artesanato e várias apresentações        Fotos: Thierri Cunha

A cidade de Pelotas recebeu com maestria o Festival Cabobu, conhecido como a festa dos tambores, nos dias 21, 22 e 23 de abril no Centro Histórico do município. O cenário para celebrar a cultura negra local e suas forças se dividiu entre o Largo Edmar Fetter, Praça Coronel Pedro Osório, Bibliotheca Pública Pelotense e a Secretaria Municipal de Cultura. 

Em sua terceira edição, ao longo dos três dias, o público pode contar com diversos shows, oficinas, rodas de conversa e muita valorização da cultura negra pelotense. Como se sabe, Pelotas é uma cidade com um histórico marcado, desde a sua fundação, pela mão de obra escravizada, exemplificada pelas charqueadas e uma economia dependente do trabalho escravo. O evento surge como um respiro nesse processo histórico e o contexto que costumava inviabilizar pessoas negras. No último final de semana, o que se viu ao passar pelo Centro Histórico da cidade foi uma imagem diferente.

Pessoas negras sentiram-se contempladas ao sair de suas casas e ir resgatar um pouco mais da sua história na cidade, assim como serviu para um momento de descanso e entretenimento, de descoberta da cultura e dos ritos presentes na cultura negra, que nem sempre são abordados.

No palco principal, ao longo dos dias de evento, as apresentações de dança reforçaram esse cenário afirmativo. A Companhia de Dança Daniel Amaro, comandada pelo coreógrafo que faz um trabalho importante na cena local, voltado para as danças de matriz africana, mostrou o que vem sendo feito pela valorização da cultura negra.

Músicos e artistas importantes da cidade também foram chamados para prestar seu manifesto à população. Nos embalos do R&B, as DJs Vânia e Vanessa, DJ Helô, Xavabanda, Grupo Renascença e Mano Rick comandaram as pick-ups e mostraram para o público mais sobre a população negra aqui presente por meio do que fazem com excelência, a arte musical.

No salão principal da Bibliotheca Pública de Pelotas, intitulado para o evento de “Espaço Mestra Griô Sirley Amaro”, houve debates sendo encabeçados por pensadoras, pesquisadoras e figuras representativas na cidade quando se diz respeito à comunidade negra. Nomes como Ledeci Coutinho, Carla Ávilla, Ìya Sandrali de Oxum, Babalorixá e André de Jesus, falaram sobre temas como as charqueadas pelotenses, políticas de ações afirmativas, relações de gênero e demais temas que contribuem para o avanço da sociedade como um todo.

“É um evento muito incrível e, principalmente, para a comunidade pelotense como um todo, mostrando o que tem de melhor e feito pela comunidade preta. Eu estou realmente adorando e participei de todos os dias de evento”, conta Larissa Silva, estudante de Economia na Universidade Federal de Pelotas.

Palco principal do Festival Cabobu no Largo Edmar Fetter ao lado do Mercado Público teve shows sexta, sábado e domingo 

 

Reforçando ainda mais a cultura local, a Secretaria Municipal de Cultura de Pelotas foi palco para abrigar obras de diversos artistas residentes da cidade, como por exemplo da artista plástica e expositora Edilane Dutra. “O Festival Cabobu trouxe a oportunidade de a gente participar da feira e também da exposição na Secult com pinturas em tela. Gostaria de agradecer pela organização e pela proposição desse festival em sua terceira edição. E nós, expositores, torcemos para que não pare”, fala.

No mesmo local um destaque foi a exposição “Giba Giba – Guardião do Sopapo”, uma homenagem ao inspirador para a realização do evento. A mostra apresentou objetos, fotografias, roupas e adereços usados nos shows, resgatando uma parte da história do músico que lutou pela memória da música negra e é o grande inspirador do evento.

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“Ruas de Lazer” retorna com nova edição em maio

O projeto de extensão da Universidade Federal de Pelotas, realizado em parceria com a Prefeitura, busca mobilizar a população em ações culturais e educativas e está com inscrições abertas para grupos artísticos       

Por Helena Isquierdo        

Prefeita Paula Mascarenhas prestigia uma das edições do Ruas de Lazer em 2022    Foto: Michel Corvello/Prefeitura

 

O Ruas de Lazer, iniciativa firmada entre a UFPel e a Prefeitura de Pelotas, retorna em 2023 com a previsão de novas sete edições ao longo do ano. Tradicionalmente, o evento tem como endereço fixo a Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, e a primeira edição deste ano acontecerá no mesmo endereço, no dia 7 de maio, das 10h às 17h, entre a avenida Bento Gonçalves e rua Barão de Butuí. Essa será a oitava edição do evento.

Em reunião realizada entre a prefeita Paula Mascarenhas, secretários municipais e equipes da Universidade Federal de Pelotas, foram alinhados os próximos passos e as mudanças do Ruas de Lazer. O projeto passou por algumas reformulações e dessa vez pretende abranger também os bairros da cidade. A ideia é realizar, ao menos, cinco eventos fora da região central de Pelotas. A ampliação geográfica é um desafio que tem como objetivo atingir um maior número de pessoas com as atividades de lazer, para que todos possam desfrutar dos espaços da cidade.

Em 2022, o projeto conseguiu reunir um público de cerca de 10 mil pessoas em suas sete realizações. O calendário completo das edições deste ano ainda será definido pelo grupo de gestão de projeto e divulgado ao longo dos meses.

Projeto oferece momento de integração para todas as idades   Foto: Reprodução/Universidade Federal de Pelotas

 

“Foi uma parceria que deu muito certo, entre a Prefeitura e a UFPel, com a visão de cidade, que é a nossa, que chama as pessoas para o encontro, para a rua, para aproveitar os espaços urbanos, com muita cultura. A ideia é reeditarmos, neste ano, levando o projeto para os bairros. Agora, é hora de reestruturar, planejar e colocar em execução”, disse a prefeita.

O evento é mais uma oportunidade para que os pelotenses de todas as idades tenham acesso a um momento de integração, com entretenimento, cultura, saúde e esportes.

O Ruas de Lazer está com inscrições abertas para projetos que tenham interesse em participar de sua próxima edição. Os interessados podem se inscrever através deste link. As atividades e a programação podem ser acompanhadas pelo Instagram. .

Projeto iniciou em 2019

O Ruas de Lazer é uma iniciativa que começou a ser desenvolvida em 2019, mas foi colocado em prática em abril de 2022, após um longo período de pandemia. O projeto é uma ação vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPel, através de uma parceria firmada com a Prefeitura de Pelotas.

O seu objetivo principal é promover, de forma gratuita, ações culturais e prestação de serviços para a comunidade de Pelotas. Para isso, é feito o fechamento de uma rua da cidade, e o ambiente fica livre para a circulação de todos que desejem participar. As atividades são uma forma de prestigiar artistas e empreendedores locais, oferecer informações e atendimentos de saúde, estimular a prática de esportes e exercícios físicos com profissionais capacitados e, é claro, propiciar muitas brincadeiras para as crianças.  

O projeto é composto por docentes e discentes da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), representantes da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da UFPel, assim como as secretarias municipais.

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XXIII Jornada de História Antiga da UFPel ocorre de 15 a 17 de maio

Tema do evento em 2023 será “Mitos, crenças e ritos: religiões do mundo antigo e medieval” e as inscrições para apresentação de trabalhos estão abertas até segunda-feira, dia 23     

Por Douglas Rafael Duarte       

 

         Registro da edição de 2019 da JHA, a última realizada de maneira presencial, com apresentação de música antiga         Fotos: Acervo pessoal/Fábio Vergara Cerqueira

 

Com o tema “Mitos, crenças e ritos: religiões do mundo antigo e medieval”, a XXIII Jornada de História Antiga da UFPel (JHA) ocorre entre os dias 15 e 17 de maio. Após duas edições realizadas de forma remota em virtude da pandemia, o evento volta a acontecer de maneira presencial. O projeto vinculado ao PPGH (Programa de Pós-Graduação em História) da Universidade e realizado pela primeira vez em 1992, visa promover debates entre estudantes e pesquisadores nacionais e estrangeiros sobre as diferentes culturas da Antiguidade.

A proposta neste ano é debater sobre aspectos da religiosidade de variadas civilizações e culturas da Antiguidade e do Medievo, trazendo a diversidade em suas várias expressões, mitos, crenças e rituais. O encontro deve englobar ainda o estudo das formas de recepção das religiões antigas e inclusive no mundo moderno e contemporâneo. A abordagem permite contemplar até mesmo debates sobre a presença da religiosidade antiga na cultura pop (personagens mitológicos gregos e egípcios), assim como as possibilidades de se trabalhar com o tema no ensino de História.

“Desde a edição de 2020, estamos trabalhando ao longo do ano atividades paralelas ao evento com escolas e com o universo escolar. Fizemos isso em 2020 e 2021 e vamos fazer novamente agora”, comenta o professor Fábio Vergara Cerqueira, coordenador da Jornada. O evento contará com sete palestrantes, sendo dois conferencistas estrangeiros e cinco nacionais.

 

O professor coordenador Fábio Vergara Cerqueira destaca a parceria com outras instituições de ensino

Inscrições

As inscrições para ouvintes ainda não começaram. Já para as apresentações de trabalhos, o prazo foi prorrogado até o dia 23 de abril. Basta acessar um formulário virtual e realizar o seu cadastro. Os interessados deverão informar dados pessoais e acadêmicos (como titulação e vínculo), além de apresentar um resumo entre 300 a 500 palavras sobre o seu trabalho. A taxa de inscrição é de R$ 25,00 (valor que só será pago após o envio das cartas de aceite).

Histórico

Organizada a partir de 2012 pelo LECA/UFPel (Laboratório de Estudos Sobre Cerâmicas Antigas da Universidade Federal de Pelotas), a JHA passou a dar singular atenção às imagens e à materialidade como fontes de conhecimento. Tendo completado 30 anos em 2022, a jornada passou a ser o evento mais antigo da UFPel dentro de sua modalidade.

Em sua primeira edição a JHA foi realizada em parceria com a vizinha FURG (Universidade do Rio Grande) e com o Simpósio de História Antiga da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Desde então, a base da organização do encontro foi a integração interinstitucional, a cooperação acadêmica, a internacionalização, a promoção da pesquisa em História Antiga, a interdisciplinaridade e o estímulo à pesquisa na área de graduação e pós-graduação.

A integração com a área medieval, por sua vez, marcou duas edições: em 1994, quando veio a Pelotas o Dr. Hilário Franco Júnior (UFRJ), e 2010, edição em que, sob a organização de Rejane Barreto Jardim, reuniram-se vários medievalistas brasileiros, entre eles a Drª. Andréa Frazão (UFRJ).

Em outras edições, a jornada foi associada a eventos nacionais. Entre elas destacam-se a parceria com o PPG-Letras Clássicas da UFRJ. A parceria foi realizada através do Prof. Dr. Anderson Martins, coordenador do Grupo de Pesquisa do “Atrium” do CNPq, tendo contado ainda com a cooperação do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE/USP), do Laboratório de Arqueologia Provincial Romana (LARP) e do Grupo de Pesquisa em Práticas Mortais no Mediterrâneo Antigo (TAPHOS).

Discussões sobre as relações entre as imagens do passado e do presente mobilizam pesquisadores de História

 

Uma história de grandes nomes

De acordo com Fábio Vergara, convidar e trazer a Pelotas pesquisadores relevantes, nacionais e internacionais, sempre foi um dos objetivos da JHA. Dentre os nomes estrangeiros que participaram da jornada ao longo destes 30 anos destacam-se:

  • Johannes Renger (Universidade Livre de Berlim), renomado assiriologista, participou da Jornada na edição de 1994;
  • Jean Andreau (Univ. Paris I – Sorbonne), historiador e autor referência em economia romana, participou da Jornada na edição de 2011;
  • Jean-Michel Carrié (Univ. Paris I – Sorbonne), respeitado historiador francês que trabalha com cultura material e imagem e ex-editor da revista Annales, que participou da Jornada na edição de 2013;
  • José de Encarnação (Univ. Coimbra), arqueólogo e epigrafista português, participou da Jornada nas edições de 2003 e 2008.

 

Vergara destaca ainda que, a maioria dos pesquisadores nacionais consolidados no campo da Arqueologia Clássica e da História Antiga já participaram de diversas edições da JHA. Ele cita os exemplos de Emanuel Bouzon (PUCRS), Neyde Theml (UFRJ), Maria Beatriz Florenzano (MAE / USP), Norma Musco Mendes (UFRJ), André Leonardo Chevitarese (UFRJ), Pedro Paulo Abreu Funari (UNICAMP), Norberto Guarinello (FFLCH / USP), Margaret Bakos (PUCRS), Marina Cavicchioli (UFBA), Katia Pozzer (UFRGS), Maria Regina Candido (UERJ) e Anderson Martins (UFRJ), para citar apenas alguns.

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Músicas clássicas na voz marcante de Maurício Manieri  

Cantor faz apresentação neste sábado no Theatro Guarany em Pelotas      

Por Aline Lemes Bitencourt Souza       

O cantor e produtor musical Maurício Manieri mescla em seus shows elementos de música pop, MPB e Soul. Está apresentando seu espetáculo “Classics” em várias cidades do Rio Grande do Sul, e, neste sábado, dia 22 de abril, apresenta-se no Theatro Guarany, às 21h, em Pelotas. Ele encerrou muito bem o ano de 2022, com o sucesso das suas apresentações em dez estados. O Rio Grande do Sul faz parte desta lista desde o mês de junho do ano passado. Manieri volta com uma nova edição do show que vem sendo apresentado desde a sua estreia na gravação do DVD “Classics”, no Teatro Bradesco em São Paulo, em 2019.

O espetáculo traz músicas que foram hits do cantor e as melhores músicas do universo pop romântico dos anos 1970, 1980 e 1990. Considerado um verdadeiro showman, assim como as vozes clássicas dos grandes cantores, Maurício segue emocionando multidões com sua voz marcante, grave e rouca.

                           Manieri: “É uma noite para cantar junto, dançar e se envolver em um super espetáculo”                    Foto: Reprodução/Internet

O show terá aproximadamente duas horas de duração.  A lista de músicas programadas conta com os seus maiores sucessos e também traz hits como “Minha Menina”, “Bem Querer”, “Se Quer Saber”, além de clássicos do universo pop romântico nacional e internacional como “Easy”, “Little Respect”, “Love Is In The Air” e “Angel”, entre outros.

Em entrevista, Manieri declarou: “Estou muito feliz e ansioso para estas apresentações no Rio Grande do Sul. Estamos preparando um show repleto de surpresas e emoções. É uma noite para cantar junto, dançar e se envolver em um super espetáculo que celebra o melhor dos anos 1970, 1980 e 1990.  Não vejo a hora de subir no palco e nos divertirmos bastante, meus amores. Tenho certeza que viveremos noites inesquecíveis”.

Ingressos disponíveis em: Site Uhuu 

Visite o canal oficial do cantor

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Frankenstein: O verdadeiro horror habita nas sombras

Experimentações científicas do século XIX e mitologia grega se fundem em uma narrativa instigante que completa 205 anos de sua publicação    

Por Isabella Barcellos      

Obra literária colocou em questão as relações entre criador e criatura que passam a inspirar várias histórias de terror Foto: Reprodução da Internet

 

Em 1815 o Monte Tambora (um vulcão complexo ativo, localizado na Indonésia) entrou em erupção. O fenômeno atípico lançou toneladas de poeira na atmosfera, bloqueando a luz solar e o verão no hemisfério norte. Por consequência, Mary Wollstonecraft Godwin, seu amante Percy Shelley e o escritor John Polidori estão confinados em uma mansão localizada perto do Lago Léman. O então dono da propriedade, Lorde Byron e seus convidados passam dias trocando reflexões e lendo histórias de horror uns aos outros. Depois de noites de discussão e trocas, a jovem Mary é assombrada por um pesadelo: Um estudante tenta oferecer vida a uma criatura a partir da eletricidade. Entre os questionamentos éticos das novas tecnologias e a perspectiva de modernidade mais vibrante do que nunca, surge a primeira obra literária do gênero ficção científica em 1818: “Frankenstein ou o Prometeu Moderno”.

 

    “Prometeu Acorrentado” – Pintura de Peter Paul Rubens (entre 1611 e 1612)     Imagem: Reprodução/Museu da Filadélfia

 

A besta que julgamos conhecer

Todos temos a impressão de conhecer a história de Frankenstein: Um monstro enorme, verde, com parafusos no pescoço e suturas por todo o corpo. O filme protagonizado por Boris Karloff (“Frankenstein”, 1931) não foi a primeira adaptação cinematográfica da obra de Shelley, mas definitivamente moldou o imaginário coletivo. Graças ao sucesso da obra de James Whale, a criatura de Victor Frankenstein foi retratada tal qual Karloff em centenas de outras obras ao longo dos anos. Além da aparência, aprendemos que o monstro é resultado do trabalho de um cientista maluco e sua monstruosidade assusta todos os humanos.

Primeiramente, é importante estabelecer o que de fato o leitor encontra ao se deparar com o romance base de todo esse imaginário: Frankenstein é um romance epistolar (ou seja, narrado através de cartas) que narra, além da criação de uma criatura a partir de cadáveres e eletricidade, as desventuras de Victor Frankenstein e seus questionamentos sobre a vida, a existência e todo o horror em torno de suas tragédias pessoais. O experimento do cientista na verdade não possui um nome próprio, possui pele amarela e passou a ser conhecido pelo nome do seu inventor. Segundo o próprio livro, “sua pele amarelada mal dava conta de encobrir o mecanismo de músculos e artérias debaixo delas. Seu cabelo era de um negro lustroso; seus dentes eram de um branco perolado. Tais características luxuriantes, porém, apenas tornavam mais horrendos o contraste com o rosto enrugado, os lábios negros e os olhos aquosos […]” (página 131, segundo edição da editora Companhia das Letras, 2018).

Outra informação de suma importância para a história é sua relação com a mitologia grega. Segundo Thomas Bulfinch, em sua obra O Livro de Ouro da Mitologia, Prometeu era um titã e criou os homens com terra e água, oferecendo a eles uma aparência semelhante à dos deuses. Ele rouba fogo dos céus com a ajuda de Minerva e garante à sua criação superioridade perante todos os outros animais. Os deuses do Olimpo, em fúria, criam Pandora: a primeira mulher do mundo. A mortal desenvolve afeição por Prometeu e seu irmão, Epimeteu, que guardava uma caixa com elementos malignos em sua oficina. Tentada pela curiosidade, Pandora abre a caixa e espalha a maldade e o caos entre a humanidade. E, para complementar a vingança, Prometeu é acorrentado no alto do monte Cáucaso e amaldiçoado a ser devorado por um pássaro durante toda a eternidade.

 

            Filme protagonizado por Boris Karloff (“Frankenstein”, 1931)  moldou o imaginário coletivo        Imagem: Reprodução Internet

 

A obra literária em si:  O que devemos esperar?

A Era Vitoriana é o período entre 1837 a 1901, quando a Rainha Vitória governou o Reino Unido e houve muitas mudanças na estrutura da sociedade inglesa, tanto economicamente quanto em seu campo cultural. Ainda que possa ser considerada de caráter conservador e moralista, esse período foi berço de diversas narrativas que se basearam em temas escandalosos e controversos para debater a natureza humana. Além disso, as narrativas nesse formato passam a ganhar mais espaço tanto no cotidiano dos trabalhadores comuns quanto nas discussões em ambientes acadêmicos. Frankenstein é precursor de diversos romances importantes daquele contexto na história da literatura ocidental, como “O Retrato de Dorian Gray”, “Drácula”, “O Médico e o Monstro”, “O Morro dos Ventos Uivantes”, etc.

Partindo desse ponto, Mary Shelley deu à luz um romance de extrema complexidade. A narrativa começa com as cartas do capitão Robert Walton para sua irmã. O navio comandado por Walton fica preso no mar congelado e a tripulação avista uma criatura imensa e desfigurada viajando pela neve em um trenó puxado por cães. Assustados, os embarcados seguem viagem e se deparam com um homem doente, largado na neve. O homem se apresenta ao capitão como Victor Frankenstein e começa a contar sua história.

O “cientista maluco” apresentado por adaptações do audiovisual não condiz com a personalidade introspectiva e melancólica daquele que dá nome ao livro. Nascido em uma família amorosa e aristocrática, a infância do protagonista é retratada como feliz e saudável. O jovem Victor Frankenstein começa a se apaixonar pelas ciências da natureza durante seu período na Universidade de Genebra. Os experimentos com eletricidade e sua reação em seres vivos o levam a experimentações consideradas arriscadas pelo corpo docente. Após anos de tentativas frustradas e imersões por cemitérios da região, nasce a criatura. O orgulho do próprio trabalho se transforma em horror: Victor Frankenstein abandona sua criação à própria sorte.

 

Cultura midiática convive com representações da criação de Mary Shelley, a exemplo da animação Scooby-Doo   Imagem: Reprodução Internet

 

A sombra no que se considera humano

Durante todo o livro o leitor se depara com críticas ácidas ao tratamento que a sociedade da época oferecia a quem se distanciava das normas sociais. A criatura vira “o outro”, uma representação viva do desconhecido que causa prejuízo ao bem social apenas por existir. A criação de Frankenstein nasce pura e com o coração repleto de bondade, mas por conta do preconceito alheio se transforma em um ser consumido pelo rancor, corrente de pensamento defendida por Rousseau e por muitos dos pensadores influenciados pelo Iluminismo. Quando abandona sua criação, Frankenstein também abandona a responsabilidade perante seus atos, cegado pelo medo do ostracismo.

Olhando por essa perspectiva, é difícil não pensar em outros romances da época que abordam o declínio de uma mente sã, como “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Bronte. Heathcliff e a criatura se encontram abraçando a violência e a solidão como maneira de se proteger da dor causada por pessoas ao redor. A obra prima de Shelley também abraça questões filosóficas que posteriormente seriam associadas à corrente filosófica da pós-humanidade: o que resta à humanidade a partir do surgimento de máquinas? O quanto isso afeta o que a sociedade entende por ser a realidade? O que faz de alguém um verdadeiro ser humano? Em seu “Prometeu moderno”, Mary Shelley evoca o medo não a partir da criatura deformada de seu protagonista, mas pela irresponsabilidade do próprio homem em lidar com o caos.

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