Investigações fascinantes em “Mistérios sem Solução”

Por Daniela Mello

Série criminal do streaming aborda assassinatos e desaparecimentos não resolvidos até dias atuais

“Mistérios sem Solução” é uma série documental lançada pela Netflix em julho deste ano, que despertou a curiosidade e indignação de sua audiência, pois aborda crimes e enigmas reais não resolvidos até os dias atuais.

Em seus seis episódios da primeira parte, com cerca de 50 minutos de duração cada, “Unsolved Mysteries”, título em inglês, traz seis histórias, de uma forma bastante apurada, de assassinatos, tragédias, desaparecimentos, encontros paranormais e outros mistérios. São relatos já conhecidos nos Estados Unidos, nas últimas décadas, fazendo com que o espectador crie teorias e especulações sobre o que pode ter acontecido. 

Embora já conheçamos várias séries que envolvem o mesmo tema, especificamente esta chama a atenção pela sua forma de narrativa, uma vez que não existe um “narrador” principal, mas sim o relato conectado de todas as fontes. A partir disso, testemunhas, familiares, detetives e jornalistas narram a série com seus comentários, nos dando uma visão muito próxima das histórias e nos familiarizando com as vítimas. 

As reportagens feitas na época em que os crimes aconteceram são mostradas na série, o que nos ajuda a entender melhor as suas repercussões na mídia. Além disso, os acontecimentos de cada história são apresentados através de simulações bastante enigmáticas, despertando uma certa tensão e medo do que está por vir na próxima cena.

Histórias são contadas através dos relatos das testemunhas (Foto: Divulgação/Netflix)

Por que a série é tão intrigante?
“Mistérios sem Solução” nos intriga por sua veracidade, despertando nossa indignação em relação às suas histórias e como elas podem permanecer sem resposta até hoje. Muitos dos crimes, por exemplo, foram encerrados, o que nos faz refletir em como pode ser fácil simplesmente desaparecer sem deixar rastros, e como, às vezes, embora façam de tudo para solucionar, alguns detetives não encontram os verdadeiros autores de assassinatos horríveis. Afinal, como uma pessoa pode simplesmente sumir, sem ninguém ver?

A curiosidade e o lado detetive de cada pessoa também são outros fatores que nos chamam atenção quando assistimos a série, assim como o medo, a tensão e o pensamento de que podia ser qualquer um de nós ali dando um relato. 

Além disso, esta produção é bastante comovente e até mesmo entristecedora, uma vez que mostra o lado das famílias e amigos que as vítimas deixaram, e como a justiça também pode ser injusta com essas pessoas.

Sem solução mesmo?
De uma forma única, a série consegue fazer com que a sua audiência realmente se envolva com as histórias, uma vez que oferece um site para que essas pessoas possam dar depoimentos anônimos sobre os crimes. A partir disso, o espectador é convidado a contribuir com qualquer informação que ajude a solucionar o mistério.

O Unsolved.com é o site oficial da série, e graças a ele alguns casos voltaram a ser investigados após a primeira temporada de “Mistérios sem Solução”, pois houve relatos que talvez se encaixem com as situações de alguns crimes.

Quem lembra de Unsolved Mysteries?
Para quem não sabe, a nova série da Netflix é um reboot da série paranormal com o mesmo título dos anos 90, possui os criadores originais, John Cosgrove e Terry Dunn, além da contribuição de Shawn Levy como produtor executivo, responsável também pela produção de “Stranger Things”.

Vale a pena assistir?
Para quem gosta de documentários criminais, essa série tem tudo para se tornar uma de suas favoritas, pois é cativante, tem um bom enredo, possui uma boa produção e nos envolve com suas histórias a cada minuto. É o tipo de série que nos deixa acordados à noite, pensando no que aconteceu e como uma situação poderia ter sido evitada se tal pessoa não estivesse no lugar errado e na hora errada. Então
sim, vale a pena assistir.

Confira o trailer:

Além disso, já é possível conferir a segunda parte da produção, lançada em outubro, com a mesma abordagem, mas com novos casos curiosos na Netflix.

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Especial de Natal da Fenadoce

Por Anarelli Martinez

A Feira Nacional do Doce terá programação de 5 a 31 de dezembro

Com o objetivo de fomentar a tradição doceira de Pelotas, valorizar a arte e cultura local, promover ações sociais e estimular o comércio local, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Pelotas irá promover a Fenadoce – Especial de Natal 2020, entre os dias 5 e 31 de dezembro, com patrocínio de Orsinet e Banrisul.

A programação estará alocada em diferentes pontos, como o Calçadão Central, Mercado Central, Praia do Laranjal, Chácara da Baronesa e Shopping Pelotas, contando com ações como o Quiosque de Doces da Associação das Doceiras de Pelotas, Espaço Fenadoce Cultural, com apresentações artísticas veiculadas no Facebook e canal do Youtube da Feira.

Além disso, o Especial de Natal homenageará a dupla Kleiton e Kledir, com a campanha “Pelotas sempre volto pra ti” a fim de valorizar os espaços citados por estes músicos em letras das suas composições. Outra forma de prestigiar o evento é participar do projeto “Quem cresce aqui não esquece, quem ajuda também!”, doando artigos infantis, novos e usados que serão destinados à Secretaria de Assistência Social para serem distribuídos para instituições. As doações deverão ser entregues no Quiosque de Doces no Calçadão Central; Vitrine de Natal no Mercado Central; Loja de Doces no Shopping Pelotas e Quiosque Laranjal.

Na campanha “Doce Vantagem”, as notas fiscais de compras acima de R$ 100 realizadas no comércio local poderão ser trocadas por cupom da Fenadoce e concorrer a Cestas de Doces para o Natal e Ano Novo. A ação terá um Selo da Formiga, que será adesivado nas vitrines dos empreendimentos/lojas associados à CDL que aderirem. O ponto de troca das notas será no Quiosque de Doces no Calçadão Central e Loja de Doces no Shopping Pelotas. Acompanhe as novidades pelo site da Fenadoce.

 

Baronesas da Fenadoce 2020: Taila Xavier, Driélli Lacerda e Julia de Mello           (Foto: Rafael Takaki)

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Produções do Cine UFPel ganham espaço em festivais

Por Rafaela Martins dos Santos

“Letícia, Monte Bonito, 04” é premiado no Festival de Gramado e no Mix Brasil

Laís, aparentando estar entediada, enquanto espera sentada em frente a uma vendinha de interior, decide subir as escadas da casa em busca de algo mais interessante e, de fato, encontra. É assim que começa o curta “Letícia, Monte Bonito, 04” produção de alunos do Cinema UFPel, que vem ganhando espaço e premiações em festivais nacionais. 

A história se passa em uma cidade de interior, onde duas garotas, interpretadas pelas atrizes Maria Galant e Eduarda Bento, se encontram e se descobrem durante uma tarde de calor. A narrativa foi criada pela diretora Júlia Régis, baseada nas histórias que ouviu de uma amiga. Com proposta ousada, o filme traz temas como sexualidade, descoberta e romances lésbicos com finais felizes.

“A única coisa que eu sabia é que eu queria fazer um filme com temática lésbica, era só o que eu tinha de noção. Eu comecei a pesquisar sobre o que eu queria falar e também queria muito fazer alguma coisa voltada para o público jovem, alguma coisa que eu não tive na minha criação, crescendo e descobrindo a minha sexualidade”, contou Julia Régis, sobre o processo criativo do roteiro.

Atrizes Maria Galant e Eduarda Bento interpretam personagens do filme

A produção do filme aconteceu em meio à quarentena, as gravações foram feitas poucos dias antes do coronavírus chegar em Pelotas, e a pós-produção do filme foi feita à distância. Apesar das dificuldades de finalizar o filme em meio a uma quarentena, essa situação também tem pontos positivos.

“Quando os festivais acontecem de forma física, querendo ou não, delimita muito o público. E, agora, com o pessoal assistindo online tem mais alcance. Amigos meus da minha cidade natal estão assistindo, coisa que provavelmente eles só iriam assistir daqui a dois ou três anos”, apontou Julia Leite, diretora de fotografia. 

Além do Festival de Gramado, onde ganharam o Prêmio Edição de Áudio, elas também já participaram do 4º Metrô Universitário, 5ª Diálogo de Cinema, em que ganharam o Prêmio Júri Popular, e 28º Mix Brasil, onde ganharam Prêmio do Público, como Melhor Curta-Metragem Nacional e Fotografia. E elas não querem parar por aí, o próximo passo é chegar em festivais internacionais.

“Letícia, Monte Bonito, 04” é um filme dirigido por Julia Régis, e possui uma equipe muito talentosa. Para conhecer todos aqueles que fizeram parte da produção, e acompanhar o filme nos próximos festivais que estão por vir, é só seguir a página no Instagram @leticiaofilme.

Assista o teaser: 

 

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Com Diana e Thatcher, The Crown tem quarta temporada

Por Milena Schivittez

Drama biográfico retorna com ar mais crítico e politizado no streaming

Não há como negar que desde o início do reinado de Elizabeth II, em 1953, a monarquia britânica virou um espetáculo televisivo. São décadas e décadas acompanhando a família real através das câmeras em seus casamentos luxuosos e divórcios, em nascimentos e funerais, mas nunca de forma crua e realista. 

“The Crown”, a série mais cara da Netflix, chegou neste mesmo formato, acompanhando o início da trajetória da rainha da Inglaterra, expondo alguns escândalos, mas ainda tímida ao fazer críticas aos membros da realeza. Ao longo das primeiras três temporadas, a série de Peter Morgan vai crescendo, mas não o suficiente para “cutucar a ferida”. Até agora.

A tão aguardada quarta temporada estreou dia 15 de novembro e com duas importantes adições à história, Lady Diana Spencer, interpretada por Emma Corrin e Margaret Thatcher, interpretada por Gillian Anderson. A temporada também será a última de Olivia Colman no papel de Rainha Elizabeth, Helena Bonham Carter como Princesa Margaret e Tobias Menzies como Príncipe Philip.

Agora ambientada nos anos 80, a nova fase começou focando no fato de haver, pela primeira vez na história da Inglaterra, uma chefe de Estado e uma chefe de governo, ambas mulheres, dando uma falsa ideia de que haveria uma romantização do thatcherismo e da relação entre a rainha e a primeira-ministra. Porém, logo na primeira reunião semanal entre a soberana e a governante, Thatcher afirma que não acredita que mulheres são aptas a exercer cargos importantes. 

                    A atriz Emma Corrin está no papel de Diana, a princesa de Gales                   Foto: Reprodução/Netflix

Essa é só a primeira das diversas falas preconceituosas e sem fundamento que Margaret profere ao longo dos 10 episódios. Inclusive, a própria representação da Gillian Anderson já nos apresenta um desconforto, com trejeitos e entonações caricatas que já causam estranheza a imagem de Thatcher. Durante a temporada, Morgan não se intimidou em mostrar que a primeira-ministra foi responsável por aumentar os índices de desemprego, apoiar o apartheid e governar a favor de seus interesses pessoais e de membros de sua família.

Contudo, Thatcher não foi a única a receber críticas nesta temporada. A mesquinharia, soberba e até mesmo crueldade dos membros principais da família real foram abertamente mostradas, com destaque para o segundo, sétimo e nono episódios.

Lady Di
Um dos maiores acertos da temporada foi a Lady Diana interpretada por Emma Corrin. A interpretação de Corrin, junto com a construção de personagem de Morgan, fizeram questão de humanizar ainda maia figura de Diana Spencer, que já era adorada tanto na Inglaterra quanto fora. Foram abordados seu transtorno alimentar, a forma como era tratada dentro da família, a infelicidade no casamento, a infidelidade de Charles e a própria infidelidade, a solidão, a maternidade e o carinho que recebia das pessoas como seu conforto e refúgio. A performance de Corrin chegou a ser elogiada pelo biógrafo de Lady Di.

               Gillian Anderson encarna Margaret Thatcher: proeminência política                   Foto: Reprodução/Netflix

O mesmo aconteceu com a Princesa Margaret que, desde a primeira aparição, tem sido mostrada como a principal prejudicada por todas as ações feitas em nome da Coroa. Helena Bonham Carter, repetindo o feito da temporada anterior, rouba a cena em episódio dedicado a falar dos quadros depressivos que a irmã da rainha enfrentava.

Olivia Colman, em seu último ano como Elizabeth II, até então tinha apresentado uma nova faceta à rainha, a do conformismo. Até a segunda temporada, a Rainha Elizabeth era representada como uma soberana que tentava, mesmo que na maior parte das vezes sem sucesso, equilibrar os interesses da Coroa com os pessoais e de sua família. Desde a mudança de fase, vemos uma rainha que cansou de dialogar por causas perdidas. E esta faceta continuou por alguns episódios, até chegar o momento do “embate” entre Elizabeth e Thatcher, no qual há um resgate dessa antiga característica da monarca. Colman também conseguiu encerrar sua passagem por “The Crown” de forma excepcional.

O ponto mais baixo desta temporada acabou sendo o pouco aproveitamento de Tobias Menzies, que também encerrou sua passagem pela série. Houve pouquíssimas cenas com uma presença relevante do Príncipe Philip, o que acabou reduzindo o personagem de Menzies à meia dúzia de comentários irônicos distribuídos em 10 episódios e não contribuindo para o desenvolvimento do personagem para as próximas duas temporadas. Jonathan Pryce, que irá assumir o papel na temporada seguinte, não terá muito no que se basear para construir o seu Duque de Edimburgo.

A quarta temporada de “The Crown” é, sem dúvidas, a melhor até então. Ela trouxe justamente o que faltava, uma posição menos favorável e uma interpretação mais críticas dos fatos abordados, mesmo daqueles que foram dramatizados para fazerem jus à narrativa. É uma temporada que não teve medo de mexer em situações desconfortáveis para as pessoas reais por trás dos personagens que ela representa, nem medo de apontar para situações que até hoje reverberam. São os primeiros passos para tornar essa série, que já caminha para o fim, na mais grandiosa entre as produções de streaming.

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Editora Figura de Linguagem lança livro de professora camaquense

Por Valesca Silva de Deus

A obra de Roberta Flores Pedroso resulta de quatro anos em pesquisas

A Editora Figura de Linguagem lançou no dia 12 de outubro a obra “Pão, texto & água: retrato da literatura quando negra” escrita pela professora camaquense Roberta Flores Pedroso. Em entrevista ao programa “Esquina Democrática”, da rádio Acústica FM, a autora detalhou o processo de desenvolvimento da obra.

Conforme Roberta, este trabalho de crítica literária trata-se do resultado de uma pesquisa acadêmica de quatro anos, voltado para professores. Reconstitui a história do início da educação negra no Brasil, a partir da metade do século XX. De acordo com a professora, a expressão “pão, texto e água” é uma metáfora sobre a literatura escondida desde os séculos XVIII, XIX e XX. “Falo do tempo em que havia somente pão e água, no conceito da ausência de informações, interessados e poucos leitores”, lamenta.

Segundo Pedroso, a editora independente de Rio Grande Figura de Linguagem existe desde 2017. Foi criada com a proposta diferenciada de publicar textos e obras de homens e mulheres negras do Estado, País e fora do Brasil. “Está entre as quatro maiores editoras qualificadas do país”, destaca. A empresa possui como proprietário o professor e também escritor negro, Luís Mauricio Azevedo.

Roberta Pedroso contou detalhes sobre seu livro em entrevista radiofônica (Foto: Valesca Silva de Deus)

O nome de Roberta Flores Pedroso está em destaque no site, junto de personalidades como os gaúchos Ronald Augusto, de Rio Grande, e Luís Augusto Fischer, de Novo Hamburgo, aliás duas das suas principais referências na literatura. 

Além da obra recém lançada, a professora é autora dos comentários realizado no livro “Úrsula”, da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, em edição de 2018. Hoje a obra é considerada uma leitura obrigatória para os vestibulares. A única versão no País com comentário, escrito por Roberta, é o da editora porto-alegrense Leitura XXI.

Assista a entrevista para a rádio no Youtube.

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Lei Aldir Blanc auxilia produtores culturais em Canguçu

Jéssica Griep Timm

Governo federal garante repasses em meio à pandemia do Coronavírus

Criada em 2020, a Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc estabelece ações de assistência ao setor de cultura durante o decreto de estado de calamidade pública da União em meio a pandemia do Coronavírus, visando garantir uma renda emergencial para estes trabalhadores.

As ações contemplam os produtores culturais, espaços artísticos, micro e pequenas empresas culturais, cooperativas, instituições e organizações comunitárias que precisaram interromper as suas atividades devido às medidas restritivas para o controle do vírus Covid-19.

A lei aprovada pelo governo federal em junho de 2020 estabelece a entrega de 3 bilhões de reais para estados, Distrito Federal e municípios para aplicação em ações no setor cultural.

A legislação recebeu o nome de Aldir Blanc em homenagem ao escritor e compositor que morreu em maio deste ano, devido a complicações do Coronavírus.

Quanto aos regramentos, a lei prevê que as prefeituras ficam responsáveis pela regulamentação em seus municípios. Além disso, também fica a cargo destas o recebimento e distribuição do benefício para os indivíduos aprovados.

O valor a ser pago pelo governo estadual equivale a três parcelas no valor de 600 reais durante três meses para os agentes culturais e, se a beneficiária for mulher provedora de família, o valor fica em 1.200 reais. Já o subsídio para os espaços culturais ficou definido com o valor de 3 a 10 mil reais mensais, em um parcelamento definido pelo município. 

Os interessados em fazer parte do processo precisam estar enquadrados nos requisitos exigidos pelo edital. Além disso, é necessário preencher os formulários de cadastro estadual e municipal e solicitar a homologação do seu cadastro. Após homologado, será realizada uma verificação da existência e funcionamento do cadastrado para posteriormente realizar a emissão do certificado de validação.

No município de Canguçu, todos os produtores culturais que apresentaram a documentação exigida foram beneficiados. Conforme explica o coordenador do Departamento de Cultura do Município, Rudinei Domingues. 

“Todos aqueles que apresentaram toda a documentação exigida foram contemplados. No entanto, é necessária uma prestação de contas após 120 dias do recebimento do recurso, bem como, a formulação de uma contrapartida após o período de pandemia com projetos gratuitos nas escolas municipais, conforme prevê o inciso II”, completa. 

O professor de danças, Guilherme Ellwangue, que é um dos beneficiários do projeto, relata a importância de atenção ao setor cultural, uma vez que essa área profissional foi uma das principais prejudicadas pela pandemia.

“Este foi um ano difícil para quem trabalha com cultura. Essa lei é uma forma de sobreviver em meio a pandemia. Nós somos produtores de cultura, fico feliz com esse olhar para essa área”, destaca.

Guilherme também relata como foi o processo de inscrição e aprovação ao auxílio emergencial cultural. “O município de Canguçu foi um dos primeiros a realizar os cadastros de inscrição, já o recebimento da verba demorou um pouco mais para sair. Mas agora já estamos com esse valor, que é muito importante para os trabalhadores de cultura”, complementa. 

Ao total, 128 produtores culturais e espaços artísticos do município de Canguçu foram contemplados pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. O valor total liberado pelo Governo é de 406 mil reais.

Lei de emergência cultural recebeu nome do escritor e compositor Aldir Blanc

Todas as informações sobre a regulamentação e os beneficiários estão disponíveis no site da Prefeitura Municipal de Canguçu. Acesse aqui. 

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Uma pergunta: “O que é Loucura?”

Por Carolina Amorim

Livro lançado em 1982 sintetiza várias indagações sobre o tema

O livro “O que é loucura?”, de João Augusto Frayze Pereira, foi publicado pela primeira vez em 1982 pela editora Brasiliense e é formado por indagações e pesquisas de um dos principais autores do campo, Michel Foucault e sua obra “História da Loucura”. No entanto, Frayze-Pereira deixa nítido que muitos são
os autores consultados entre os poucos citados para a elaboração do livro. 

Dividida em cinco capítulos, Frayze-Pereira inicia sua obra com o subtítulo “Uma Questão Problemática”, em que aborda o tema loucura como uma maneira de despertar a reflexão, e deixa claro a sua intenção: dar margem ao leitor repensar seus próprios pontos de vista. Com isso, seu plano é questionar o vínculo tradicionalmente estabelecido como necessário entre loucura e  patologia e compreender, ainda que em  linhas muito gerais, como se torna possível a loucura no mundo moderno.

Em seguida, o autor refere-se à “Doença Mental ou Desvio Social”, trazendo a fórmula de Carl Wernicke: “as doenças mentais são doenças cerebrais”. Com isso, ele comenta sobre a doença mental ser algo orgânico e não imposto para um indivíduo, qual seja sua forma, comentando ainda sobre os sintomas e os especialistas de cada área. Com o decorrer das ideias, há explicações sobre a interligação do delírio e alucinações, além de psicoses, mudanças de humor e o desvio social de cada pessoa julgada pela doença. Sinaliza a colocação  da antropóloga americana Ruth Benedict que, na década de 30, pontua sobre a sensação de pertencimento a um determinado grupo e o desvio social como uma fuga.

No terceiro capítulo, intitulado de “Uma Lição Etnológica”, há exemplos de como a cultura de um determinado povo pode causar confusões sobre o que de fato é a loucura. Por exemplo, Frayze-Pereira cita um tipo de crise de uma região na Malásia chamada “amok”. Um homem poderia sair do estado calmo e entrar em uma situação de fúria, assassinando a todos que estivessem em seu percurso. Essa atitude era considerada como uma forma de possessão demoníaca, mas integrada aos valores próprios daquela cultura. 

O livro aborda que as variações de crenças em cada região podem ser também confundidas como doenças mentais. De alguma forma, conforme o autor, o corpo humano acaba se tornando o “veículo do sagrado”. Há diversas explicações do sobrenatural que desconhecidos no assunto podem ligar à doença mental. No entanto, o autor ressalta que essas diferenças são possíveis devido à diversidade dos povos e de suas religiões. Em seguida, em “A Determinação Histórica Da Loucura”, é citado Michel Foucault e sua obra, definindo a loucura em termos de “doença” como uma operação relativamente recente na história da civilização ocidental. O texto “História da Loucura”, segundo Frayze-Pereira, fundamenta essa afirmação, revelando as verdadeiras dimensões daquilo que se acredita ser uma realidade incontestável, isto é, a loucura tratada na medicina e não uma “aberração”. Ao longo das páginas desse livro a loucura ganha o sentido de “fato de civilização”, mostrando que em determinado momento histórico que a “doença mental” passa a existir como máscara da loucura. 

O último capitulo é baseado em indicações para leituras, uma vez que Frayze-Pereira utiliza como base para seu livro. Em suma, a obra é composta por uma linguagem compreensível aos graduandos e é baseada em histórias interessantes não só para alunos de psicologia, mas também de outras áreas como medicina, história e antropologia, já que cita culturas e suas diversidades no mundo. O livro é indicado para alunos que querem uma base de como é a história de doenças mentais e suas interpretações de acordo com cada cultura.

João Augusto Frayze-Pereira. (Foto: Guili Minkovicius)

Sobre o autor:
João Augusto Frayze-Pereira possui um histórico acadêmico ampliado, chegando a professor Livre Docente (USP) e Psicanalista (SBPSP). Além disso, ele possui experiência de pesquisa no campo interdisciplinar Arte-Estética-Psicanálise, com ênfase em Fundamentos e Crítica das Artes. É autor de livros e artigos sobre, principalmente, temas relacionados aos seguintes campos: Corpo, Arte e Dor; Estética e Clínica Psicanalítica; Fenomenologia da obra de arte, Psicanálise e Estética da Recepção.

 

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Celine Sciamma traz amor lésbico para o cinema

Por Ana Rodrigues

Filme “Retrato de uma jovem em chamas” capta as delicadezas de um relacionamento

Depois do filme de 2013 “Azul é a cor mais quente”, é de se ter receio ao ver mais um título francês com o objetivo de retratar mulheres que amam mulheres. A produção citada, que traz uma relação lésbica de forma sexualizada, falha em mostrar as delicadezas de uma jovem descobrindo o seu interesse por outra mulher. Entretanto, em “Retrato de uma jovem em chamas” a diretora Céline Sciamma nos surpreende de forma muito positiva ao captar essas delicadezas, que, mesmo de forma meio clichê, constroem no cinema o que entendemos como paixão. 

O longa estreou em Cannes em 2019. Conta a história da jovem pintora Marianne (Noémie Merlant), encarregada da tarefa de pintar um retrato de Heloise (Adèle Haenel) para seu casamento, sem que a moça saiba. Ao longo dos dias, Marianne que se disfarça de dama de companhia, passa a observar cada vez mais e a conhecer a sua modelo e suas angústias. Isoladas em uma ilha da França do século 18, as duas se aproximam e criam uma intimidade cada vez maior. 

Heloise (Adèle Haenel) e Marianne (Noémie Merlant) aproximam-se aos poucos

O filme de Sciamma nos traz com muita delicadeza e talento o surgimento de uma relação íntima entre mulheres. Para o espectador mais atento, é possível saber exatamente o momento em que o sentimento de paixão surge e isso é um grande mérito da diretora, que se dedica à temática LGBTQ+ no cinema.

Outro ponto de destaque do filme é a fotografia, pensada pela diretora de fotografia Claire Mathon. Cada cena do filme é como se fosse uma pintura. Segundo a artista em entrevista, isso envolveu muito pensar a iluminação conforme os desafios de gravar em um sítio histórico da França. Cada cena do filme pode ser considerada uma metáfora de amor e arte, que “por acaso” são os temas principais do longa. Certamente servem para nos inspirar e buscar o trabalho de mulheres que trazem temas que nos são
tão invisíveis na cinematografia convencional.

Cenas do filme homenageiam pinturas dos séculos passados

Retrato de uma jovem em chamas pode ser um filme um pouco maçante para quem não está acostumado com o estilo de filme que concorre em Cannes. Entretanto é uma belíssima introdução para quem quer buscar temáticas fora da heteronormatividade e, principalmente, pontos de vista femininos sobre o amor entre duas mulheres.

O filme está disponível no serviço de streaming Telecine.

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Dama Etílica: rock de qualidade com sotaque pelotense

Por Paulo Lopes Marques

Banda de rock formada em Pelotas apresenta composições autorais

Pelotas é uma cidade que se destaca no cenário da cultura musical. Talvez, os maiores exponenciais de sucesso e que levam o nome da cidade pelo País afora sejam os irmãos Kleiton e Kledir. No cenário do rock, algumas bandas, em anos passados, também tiveram destaque além dos limites geográficos da Princesa do Sul, como foi o caso das bandas Procurado Vulgo e Doidivanas, que servem de inspiração para a Dama Etílica. É comum a formação de grupos que se motivam a tocar rock nos diversos bares, pubs e casas de shows espalhados pela cidade. O repertório quase sempre é recheado de covers de bandas nacionais e internacionais, mas poucas se atrevem a investir em um conteúdo próprio, com composições e melodias autorais. Pois é justamente nesse vácuo que desperta a banda pelotense Dama Etílica, com sua identidade própria, versatilidade e muito talento musical. Outra característica da banda é o engajamento em causas sociais e a participação em eventos solidários.

A Dama Etílica surge no final do ano de 2015, derivando de um trabalho entre Júnior Noble e Alexandre Vianna, que já vinham tocando em bares, no estilo voz e violão. Daí, vem a vontade de formar uma banda para tocar exclusivamente rock gaúcho e músicas autorais. Assim, a formação inicial teve Alexandre Vianna, na guitarra, Bruno Oliveira, na bateria, Rubem Aloy, no contrabaixo e Júnior Noble, no violão e vocal. Das primeiras apresentações, regadas de rock gaúcho, a banda atualmente toca de tudo um pouco do rock nacional, mas nunca deixa de lado o sotaque gaúcho e pelotense.

Além dos covers de outros grupos, a Dama Etílica é uma banda que se caracteriza pelas composições autorais. O grupo já lançou dois EP’s, o “Infinito Sul”, em 2018, e o “Cidades”, em 2020. Entre os destaques dos trabalhos autorais estão as músicas “Vira o Mate”, “Roubo da Lua”, “Entardecer no Laranjal” e “Porto Alegre-se”, esta última fazendo parte, inclusive, da playlist de rádios da capital gaúcha.

O EP “Cidades” foi lançado neste ano

Desde a primeira subida ao palco até os dias de hoje, a formação do grupo foi alterada algumas vezes e, atualmente, conta com Lee Camargo (bateria), Elton Pizarro (contrabaixo) Beto Brito (acordeon), além dos integrantes fundadores Alexandre Vianna (guitarra) e Júnior Noble (violão e vocal), que concedeu uma entrevista para o site Arte no Sul.

Arte no Sul – Quais foram as influências musicais da banda?
Júnior Noble – As influências são as mais diversas, começando essencialmente pelo rock gaúcho e bandas como TNT, Nenhum de Nós e Engenheiros do Hawaii. Mas a influência musical se estende mais um pouco, indo de Mano Lima aos Beatles. Ouvimos de tudo e adoramos mesclar Kleiton e Kledir com Ultramen, por exemplo. Fazemos, também, algumas versões de músicas nativistas para o pop rock. A diversidade e identidade da banda é muito forte.

Arte no Sul – A banda recentemente gravou algumas músicas próprias. Como foi a produção deste material?
Júnior Noble – Um grande sucesso que gravamos é o single “Vira o Mate”, que teve também a produção de um vídeo clipe. Este trabalho foi realizado totalmente em forma virtual e está com mais de 40 mil visualizações. Está sendo muito gratificante o reconhecimento do trabalho. Esperamos obter ainda mais inscritos em nosso canal, para que tenhamos uma maior divulgação entre o público.

Arte no Sul – Como é a luta pela conquista de lugar no meio artístico (shows, espaço em rádios e recepção do público)?
Júnior Noble – O grande desafio é a conquista de espaço no meio artístico, pois quando ele vem, o público conhece, acaba gostando, curtindo e apoiando. É preciso abrir as portas para o rock e todos os estilos de rock, pois alguns lugares de eventos se agarram a um estilo e só tocam esse estilo. Daí, acontece que as bandas tocam sempre a mesma coisa e não existe uma diversidade. A Dama Etílica vem abrindo espaço à marretada, mandando músicas autorais para as rádios e insistindo em tocar em vários lugares. Somos chatos e caras de pau mesmo, mas o trabalho tem agradado a gregos e troianos.

Banda conta com Lee Camargo (bateria), Elton Pizarro (contrabaixo), Beto Brito (acordeon), Alexandre Vianna (guitarra) e Júnior Noble (violão e vocal)

Arte no Sul – Como vocês enxergam hoje o cenário do rock gaúcho e nacional?
Júnior Noble – Nunca se produziu tanto e com tanta qualidade. Tanto aqui no Estado, como no Brasil todo. O grande problema é que esses trabalhos estão longe da grande mídia e centrados em pequenos nichos de artistas ou de grupos que se identificam com amigos. Os cenários estão espalhados e não possuem ligação entre si, o que contribui para o aparecimento e sucesso de outros estilos musicais que se organizam mais facilmente, como o sertanejo universitário e o pagode. O grande desafio é fazer com que os grupos de rock se encontrem e se comuniquem para obter uma maior divulgação.

Arte no Sul – Como foi e ainda está sendo esse momento de pandemia e a paralisação das atividades?
Júnior Noble – O mais interessante é que 2020 foi o ano que mais lançamos trabalhos autorais. Além de termos muito material, a necessidade nos impôs em produzir material para que não fossemos esquecidos, já que os shows estavam suspensos. Como estávamos sempre tocando em bares e festivais, tínhamos pouco tempo para produzir material autoral. Com a parada das atividades culturais, conseguimos produzir e lançar. Então, gravamos muito, sempre respeitando as normas de distanciamento.

Arte no Sul – Como a banda está projetando o futuro do seu trabalho?
Júnior Noble – Neste momento, acabamos de gravar três músicas inéditas, “Miloncolia”, “Fria Madrugada” e “Flores no Jardim”. Elas deverão ser lançadas em dezembro deste ano, em comemoração aos cinco anos da banda. O futuro é de produção de clipes para os trabalhos já gravados e o tão sonhado CD com músicas inéditas, dos projetos “Calles del Sur” e “Cantando a Costa Doce”. Os planos são sempre produzir, produzir e produzir…

Vale a pena conhecer um pouco mais do trabalho da banda Dama Etílica, acessando as suas mídias sociais: 
> Spotify
> Youtube
> Facebook 

 

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Festival Varilux chega a Pelotas na reabertura dos cinemas

Por Danieli Schiavon

A programação conta com 19 filmes franceses dos mais diversos gêneros

O Festival Varilux de Cinema Francês chegou à sua 11ª edição em 2020, mas o  evento, que ocorre tradicionalmente durante o mês de junho, teve sua programação adiada devido à pandemia do novo coronavírus que manteve os cinemas fechados em todo o Brasil. Com a reabertura das sessões, o Festival acontece do dia 19 de novembro a 2 de dezembro, em 44 cidades brasileiras, nas quais os cinemas estão em funcionamento. As salas de exibição que ainda continuam fechadas terão a oportunidade de programarem a seleção dos filmes até o fim de fevereiro. 

Em maio, uma parceria entre a Embaixada da França no Brasil, a Essilor/Varilux e a Produtora Bonfilm possibilitou um festival remoto, o ˜Festival Varilux em Casa”, por meio da plataforma Looke, com 50 filmes franceses, dos gêneros de comédia, drama, aventura, romance e infantil, que ficaram disponíveis de forma gratuita durante quatro meses para os apreciadores da sétima arte francesa. De acordo com os organizadores, foi “uma iniciativa solidária para amenizar os dias de quarentena” por meio da cultura.

Com a retomada gradual das atividades culturais no país, o Festival foi remarcado e vai exibir as mais recentes produções cinematográficas francesas, para despertar no brasileiro a curiosidade sobre as criações desses longas-metragens. 

Para os curadores do projeto e diretores do evento, Emmanuelle e Christian Boudier, não existe sensação que substitua a experiência de ir ao cinema, com imagem e som de qualidade. “O Festival Varilux pode muito bem vir a ser o grande campeão de bilheteria deste fim de ano”, garantiram em nota.

Diferente das edições anteriores, o Festival deste ano não vai contar com os debates com atores e diretores, nem laboratórios de redação de roteiros e sessões educativas, que são parte especial da programação do evento. Os curadores acreditam, no entanto, que o cerne do festival não será afetado.

Os longa-metragens em cartaz foram selecionados desde o Festival de Berlim, e com a reabertura dos cinemas, muitos filmes recém-lançados também entraram na programação. Confira a lista:

● A Boa Esposa – 2019 (Martin Provost)
● A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília – 2019 (Lorenzo Mattotti)
● A Garota da Pulseira – 2020 (Stéphane Demoustier)
● Apagar o Histórico – 2020 (Gustave Kervern, Benoît Delépine)
● Belle Epoque – 2019 (Nicolas Bedos)
● DNA – 2020 (Maïwenn)
● Donas da Bola – 2020 (Mohamed Hamidi)
● Gagarine – 2020 (Fanny Liatard, Jérémy Trouilh)
● Mais que Especiais – 2019 (Eric Toledano, Olivier Nakache)
● Meu Primo – 2019 (Jan Kounen)
● Minhas Férias com Patrick – 2020 (Caroline Vignal)
● Notre Dame – 2019 (Valérie Donzelli)
● O Capital no Século XXI – 2020 (Justin Pemberton, Thomas Piketty)
● O Sal das Lágrimas – 2020 (Philippe Garrel)
● Persona Non Grata – 2019 (Roschdy Zem)
● Salom – 2020 (Charlène Favier)
● Sou Francês e Preto – 2020 (Jean-Pascal Zadi, John Wax)
● Verão de 85 – 2020 (François Ozon)
● Acossado – 1960 (Jean-Luc Godard [o clássico em reapresentação do festival]

Em Pelotas, todos os 19 títulos estão, de forma alternada, em exibição no Cineflix do Shopping Pelotas (Avenida Ferreira Viana, 1526). A programação pode ser consultada diretamente no site e os ingressos custam R$9,00 de segunda a sexta-feira e R$18,00 nos fins de semana. A lotação das salas do cinema está reduzida a um terço da capacidade normal e todas as orientações sanitárias de prevenção ao coronavírus estão sendo observadas. 

Cartaz de divulgação no Shopping Pelotas

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