Ziriguidum arrasta multidões e movimenta a orla em São Lourenço

Trio elétrico abriu a programação carnavalesca todas as tardes às margens da Laguna dos Patos    

Por Najara Leal e Raissa Iepsen     

 

Trio elétrico fez a abertura da programação diária do Carnaval lourenciano

 

Sob o som potente do trio elétrico e às margens da Laguna dos Patos, o Bloco Ziriguidum transforma a Orla das Nereidas, em São Lourenço do Sul, em um mar de foliões durante o Carnaval. Mais de 10 mil pessoas participaram da programação ao longo de cinco noites, do dia 13 a 17 de fevereiro, consolidando o evento como o “Carnaval mais quente da Costa Doce” e uma das principais celebrações populares do sul do Estado. O trio elétrico deu início às festas carnavalescas todas as tardes, seguido pelo desfile das escolas na Passarela do Samba.

Criado há 11 anos, o Bloco Ziriguidum iniciou de forma modesta, reunindo cerca de 300 participantes na primeira edição. Desde então, apresenta crescimento contínuo em público, estrutura e visibilidade. Atualmente, o evento atrai moradores da cidade, visitantes da região sul e turistas de municípios vizinhos, movimentando a orla e fortalecendo o calendário de verão do município.

O trio elétrico acontece durante a tarde e conduz a multidão pela avenida, enquanto o público acompanha cantando, dançando e ocupando também a faixa de areia. O repertório reúne diversos estilos musicais, como funk, pagode, música eletrônica e sucessos do momento. A presença de atrações nacionais amplia o alcance do evento e reforça a projeção regional da festa.

Após o encerramento do trio, os portões são abertos para a continuidade da programação em área fechada. Atualmente, a estrutura conta com três espaços distintos: “Arena”, “Revoada” e o Lounge. Cada ambiente oferece uma proposta específica ao público, desde a concentração principal da festa até áreas mais reservadas, garantindo diferentes experiências aos foliões.

 

O Zirigundum inicia na Avenida do Samba e depois tem continuidade em área fechada com diversos estilos musicais

 

Além da programação musical, o evento conta com a equipe de segurança privada, controle de acesso, apoio de órgãos públicos e estrutura de atendimento emergencial. Pontos de comercialização de bebidas e alimentação também são instalados na área da festa.

Entre os foliões, a fisioterapeuta Suéle Pagel, que participa pela sexta vez do bloco, observa a evolução da festa. “É o meu sexto Ziriguidum. Cada ano melhora mais. A estrutura aumenta, as atrações são cada vez melhores e a organização está sempre evoluindo”, relata. “Cansa, mas vale a pena. A energia compensa.”

Quem também acompanha a evolução do evento é a estudante de nutrição Adriele Mulling, que é colaboradora do Ziriguidum há alguns anos. Ela destaca o empenho da equipe nos bastidores. “A gente vê de perto o quanto tudo é planejado. Tudo é muito bem pensado para que todo mundo aproveite o Carnaval. São cinco dias de trabalho cansativo, mas é gratificante ver a festa acontecer e dar certo”, afirma.

O impacto da festa também é sentido por quem trabalha na orla. A empresária Alessandra Freitas, que possui comércio na praia, ressalta a importância do evento para o verão. “Com o Ziriguidum aumenta muito o movimento. A cidade fica cheia, o pessoal consome mais e isso ajuda bastante quem trabalha aqui. É cansativo, mas vale a pena no final”.

Ao unir música, público expressivo, estrutura organizada e impacto econômico, o Ziriguidum consolida-se como uma das maiores celebrações populares da Costa Doce, reforçando o protagonismo de São Lourenço do Sul no cenário carnavalesco do sul do Estado.

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História de tradições e mudanças na prática da dança em Herval

Entretenimento marcado pelos bailes farroupilhas vem dando lugar a novos ritmos musicais e novas compreensões dessa arte na fronteira gaúcha, especialmente como uma terapia      

Por Daniel Santos e Lucas Maciel        

 

As danças gauchescas representam a tradição cultural da região

 

O município de Herval, localizado na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, é um dos berços da cultura tradicionalista gaúcha e sempre teve a dança como um dos melhores entretenimentos da sua população, que é apaixonada pelos famosos bailes farroupilhas. Eles fazem parte das programações dos tradicionais rodeios crioulos, que sempre influenciaram a cultura na cidade, mas, com o passar das décadas, novas tecnologias e outras expressões culturais foram surgindo, assim enfraquecendo a tradicional. Além disso, a dança vem sendo praticada como uma ferramenta de melhor integração social e de corpo e mente.

A dança em Herval, assim como em todos os lugares do planeta, sempre funcionou como uma espécie de escape da rotina, pois ela esteve e está presente nos momentos de lazer da população hervalense. E foi assim que surgiram as invernadas artísticas (grupos de dança tradicionalista) no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) da cidade, que são uma das portas de entrada para os jovens na dança.

 

Guilherme Damaceno oferece um espaço de liberdade para a sua turma nas aulas de dança

 

Em torno das tradições, surgem novos estilos de dança na Sentinela do Sul (apelido carinhoso da cidade de Herval). Com a chegada das novas tecnologias, o município foi entrando em contato com novas culturas e, assim, a população foi descobrindo novos gostos. Nos dias atuais, eventos como o Carnaval e a Fejunahe (Festa Junina de Herval) foram tomando um pouco do espaço cultural do tradicionalismo.

Grupos de dança tradicionais

Nos tablados do CTG Minuano, os ensaios vão muito além de coreografias e danças. O presidente do Conselho Municipal de Cultura e instrutor de dança Robito Maciel, que atua há mais de 20 anos, relata que a dança é como uma terapia. Ele recorda ter acompanhado a transformação dos alunos que chegavam ao grupo incapazes de sustentar o olhar ou de se comunicar verbalmente devido à timidez excessiva.

Segundo Maciel, o movimento tradicionalista oferece um espaço seguro de superação, no qual a postura física exigida pela dança acaba se traduzindo em uma nova postura diante da vida: “Eu já vi muita gente que não conseguia falar, que tinha vergonha até de levantar os olhos, e através da dança encontrou uma superação”, conta.

Atualmente, a cidade comporta quatro grupos de danças tradicionais, número que, segundo o presidente, corresponde a cerca de metade dos existentes no período anterior à pandemia de covid-19. “No período entre 2002 e 2008, chegamos a ter cerca de oito grupos de invernada e um de folclore argentino na cidade”, acrescenta.

 

Integrantes do ano de 2003 na invernada do CTG Minuano             Foto: Gilson Fotografias

 

Novos estilos

Com a globalização, a sociedade mundial tem vivenciado um intercâmbio cultural intensificado e cidades do interior como Herval foram fortemente impactadas. Na dança, com a chegada de novos meios de comunicação, novos ritmos de música foram entrando no cenário cultural do município da fronteira gaúcha. “Eu tinha grupos com pessoas de 15 a 73 anos, até mais, e eles só queriam dançar [com a música nordestina do tipo] forró”, comenta Maciel, sobre o enfraquecimento da dança tradicional.

Atualmente, na cidade, existe um estúdio de fitdance, onde as aulas são orientadas pelo instrutor e proprietário Guilherme Damaceno. Ele deu seus primeiros passos na dança através da invernada e, depois de anos buscando ganhar a vida em outras áreas, viu na dança o seu futuro.

O instrutor, além do fitdance, oferece aulas de dança de salão e afirma que deu o seu pontapé inicial na carreira de professor, orientando aulas de samba para o Carnaval. Guilherme tenta impactar a cultura de Herval oferecendo um espaço de liberdade para seus alunos. “Isso é muito mais do que dançar, eu preciso convencer as pessoas o que isso é realmente, que vai ser bom para elas, que elas são capazes de fazer e de que não precisam ter vergonha de chegar aqui e dançar”, destaca Damaceno.

 

A dança oferece um meio para trabalhar a relação entre corpo e mente, além da integração grupal

 

Guilherme também leva o nome de Herval para outros cantos através de seu trabalho, no ano de 2025 ele se apresentou em alguns festivais pelo Estado. Neste ano, ele já participou ativamente do Carnaval, tanto de Herval, quanto de Arroio Grande, cidade vizinha da Sentinela.

Dança, saúde e bem-estar

Para os instrutores Guilherme e Robito, a dança vai além do movimento corporal, ela é um ato de liberdade em que a mente descansa e se acalma. Isso vai de acordo com os estudos que indicam que a prática da dança ajuda no sustento de uma saúde mental saudável.

Em um cenário no qual um em cada cinco adultos enfrenta alguma doença de origem mental, a dança surge como uma terapia não farmacológica eficaz. A literatura médica destaca que o diferencial da dança está na integração: ela exige uma conexão total entre mente e corpo para ser executada.

Essa prática permite expressar emoções reprimidas através do movimento, funcionando como uma válvula de escape para o isolamento. Ao fortalecer a autoestima e promover a ressocialização, a dança se alinha ao conceito de saúde mental da Organização Mundial de Saúde (OMS), que envolve não apenas a ausência de doenças, mas a capacidade de contribuir com a comunidade e lidar com as tensões da vida.

Quando perguntado sobre o que significa a dança, Guilherme responde: “Ela é como o amor, inexplicável, algo que nos faz ir além.” Assim, se presume que a dança é um dos pilares para uma sociedade culturalmente saudável. 

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Redes sociais dão lugar ao culto da memória

Grupos Antiga Pelotas, Pelotas Antiga e Olhares Sobre Pelotas se reúnem no Facebook, Instagram e Youtube, interessados em compartilhar imagens do passado da cidade    

Por Pedro Ezequiel de Almeida   

 

Participantes compartilham fotos como este antigo cartão postal com a Praça General Pedro Osório

 

Em um cenário conturbado de anos, o resgate histórico na cidade de Pelotas segue marcado por dificuldades ainda não resolvidas. A preservação da memória urbana parece caminhar em círculos: prédios históricos permanecem abandonados, como o edifício do Clube Comercial de Pelotas; obras de restauro acumulam atrasos, a exemplo do Grande Hotel, fechado desde 2018 para reformas que não se concluem; e espaços públicos centenários seguem sem revitalização, como a Praça Coronel Pedro Osório. Em contraste, cresce, paralelamente, o interesse popular em revisitar, registrar e discutir o passado da cidade.

Nas redes sociais, Facebook, Instagram e Youtube, iniciativas espontâneas passam a ocupar um vazio deixado fora das telas, funcionando como espaços de memória coletiva. Fotografias antigas, relatos pessoais e registros urbanos ajudam a reconstruir a história de Pelotas, ainda que de forma fragmentada, informal e distante das políticas oficiais de preservação.

Grupo Antigo Pelotas

Um dos exemplos mais expressivos desse fenômeno é o grupo Antiga Pelotas, no Facebook, criado há seis anos. Com cerca de 122 mil membros, o espaço reúne usuários interessados em compartilhar imagens de outras épocas, recordar vivências pessoais e trocar experiências ligadas ao cotidiano da cidade. Mais do que um ambiente de crítica, o grupo se consolida como um espaço de socialização guiado pela nostalgia de tempos passados e pelo apreço à cultura e à história de Pelotas.

Áurea Pimentel, uma das criadoras e idealizadoras do grupo, destaca que o crescimento do Antiga Pelotas foi muito rápido desde a sua criação, impulsionado pelo interesse coletivo em relembrar e compartilhar a história da cidade. “Com um ano e mais um pouco nós chegamos a 45 mil membros. A cada mil pessoas que entravam era uma alegria imensa. E nós continuávamos estudando a história juntos, publicando juntos, relembrando nossas memórias”, recorda.

 

Áurea Pimentel celebra tanto número de adeptos como comprometimento com objetivos do grupo

 

Todo o trabalho de organização, moderação e cuidado com o grupo é realizado de forma voluntária, reforçando o caráter colaborativo e comunitário da iniciativa. Na página, não há publicidade nem interesses comerciais envolvidos. O espaço é monitorado com o objetivo de preservar o respeito entre os participantes e garantir que o foco permaneça na história e na memória da cidade.

Para Áurea Pimentel, esse cuidado também parte do próprio público. “A melhor parte do Antiga Pelotas é o carinho do povo pelotense, do nosso público. É o zelo que eles têm com aquele espaço virtual que podem participar. São as pessoas dizendo que aqui não pode haver falta de educação, aqui não pode publicidade, aqui a gente não ataca ninguém. É aquele carinho, aquele zelo. Isso é o diferente”.

 

Página na rede social tem sido um modo de compartilhar memórias vivenciadas na cidade

 

Pelotas Antiga

Apesar do nome muito parecido, outro perfil é o Pelotas Antiga que atua principalmente no Instagram e reúne cerca de 16 mil seguidores. A página adota uma postura mais crítica em relação às transformações arquitetônicas da cidade e às perdas históricas acumuladas ao longo do tempo. Ao invés do debate aberto característico dos grupos no Facebook, o Pelotas Antiga aposta em uma curadoria definida e em uma narrativa cativante, que conta a história de Pelotas a partir dos arquivos, documentos e imagens que ainda restam, transformando o material histórico em reflexão sobre o presente.

O idealizador do Pelotas Antiga, Nikolas Corrêa, também desenvolve um projeto paralelo intitulado Pelotas Mal-Assombrada, que propõe passeios noturnos por locais da cidade associados a mistérios, crimes e acontecimentos marcantes, explorando outra camada da memória urbana pelotense. A proposta também abre espaço para a socialização e para a promoção do resgate histórico a partir da curiosidade popular por enigmas históricos, episódios pouco documentados e fatos ainda não plenamente esclarecidos da cidade.

 

Leonardo Tajes propõe avanço da fotografia para o audiovisual como forma de lembrar história

 

Olhares sobre Pelotas

O uso das redes sociais, nesse contexto, também possibilita abordagens mais especializadas e narrativas mais aprofundadas. É o caso do projeto Olhares Sobre Pelotas, criado pelo jornalista e sociólogo Leonardo Tajes em 2011. A iniciativa se diferencia ao investir em produções audiovisuais, como documentários e vídeos explicativos, que contextualizam a história da cidade e aprofundam temas ligados ao patrimônio e à memória coletiva.

“No início era um projeto mais fotográfico… e aí então fomos incorporando no projeto mais informações…” Com o tempo, segundo Leonardo Tajes, o Olhares Sobre Pelotas passou a migrar para o formato de documentários, a partir da percepção de que a fotografia, sozinha, impunha limites ao aprofundamento histórico e contextual das narrativas. A mudança ampliou o alcance do projeto: os documentários já somam mais de 200 mil visualizações no YouTube. Entre os mais notórios estão três documentários que sintetizam diferentes dimensões da memória local: “Praça Coronel Pedro Osório”, “A sociedade do charque” e “Culturas e tradições”, este último voltado às práticas culturais, costumes e manifestações que ajudaram a formar a identidade da cidade.

Mesmo com o alcance e a adesão do público, Leonardo Tajes levanta um alerta: a mobilização nas redes sociais, embora importante, não é suficiente para garantir a preservação do patrimônio histórico.

“Acredito que as redes sociais contribuem para a manutenção da história e da cultura da cidade, alcançando pessoas que os livros ou os documentários demorariam mais para atingir. No entanto, tenho dúvidas sobre o quanto elas conseguem, sozinhas, mobilizar a população para preservar os prédios e a cidade em que se vive. As redes não substituem a educação formal nem a familiar, e essas questões estão ligadas a fatores sociais mais complexos, que precisam ser trabalhados ao longo de gerações. A preservação do patrimônio envolve também políticas públicas, senso de pertencimento e a relação com o espaço público, aspectos que vão além do alcance das redes sociais”.

As experiências do Antiga Pelotas, Pelotas Antiga e Olhares Sobre Pelotas revelam diferentes formas de atuação diante de um mesmo problema estrutural da cidade. Sustentadas pela união de pessoas comuns, pelo trabalho voluntário e pelo interesse coletivo na história local, essas iniciativas demonstram a força da sociedade civil na preservação da memória pelotense. Ao criar espaços de encontro, diálogo e produção de conhecimento, os projetos mantêm viva a história da cidade e estimulam a reflexão sobre o passado. Ao mesmo tempo, sua existência evidencia uma lacuna persistente: a dificuldade do poder público em assumir, de forma contínua e efetiva, a responsabilidade pelo resgate, preservação e valorização do patrimônio histórico de Pelotas.

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Thiago Fonseca inspira jovens com sua paixão pela música nativista

Entre o ensino e as apresentações, o canguçuense constrói carreira na sonoridade dos pampas     

Por Matheus Goularte Mesquita e Nikolas Vinhas de Sousa     

 

Thiago Fonseca conquistou prêmio Vitor Mateus Teixeira de Melhor Composição, concedido pela Assembleia Legislativa     Fotos: Arquivo/Pessoal

 

O cantor e professor musical Thiago Fonseca, natural de Canguçu, vem construindo sua trajetória conciliando apresentações, o ensino musical e o desenvolvimento de um trabalho autoral voltado à música nativista. A carreira de Thiago ganhou maior projeção a partir da canção “Vida no Campo”, composta em parceria com o pai, Paulo Fonseca, e que marcou o início de sua trajetória autoral.

Como educador, o artista adota uma metodologia que vai além do ensino de um único instrumento. Para ele, o aprendizado musical precisa ser mais amplo: “Eu sempre digo para os meus alunos que não dou aula de violão ou aula de canto. Eu dou aula de música”. A proposta envolve a imersão entre diversos instrumentos e linguagens, levando alunos de canto ao violão e vice-versa, ampliando a percepção musical como um todo.

Essa abordagem está diretamente ligada à forma como Thiago compreende a música. Mais do que técnica, ela é sentimento e experiência. “A música está totalmente ligada ao nosso sentimento. Quando a gente está triste, escuta uma música triste. Quando está feliz, escuta uma música feliz”, explica. Segundo ele, a conexão com o som começa antes da consciência musical: “Desde quando a gente nasce, a primeira coisa que sentimos é o bater do coração, que já é uma marcação de tempo. Por isso, a gente não pode só fazer música, tem que sentir a música”.

Tal relação com a arte se manifesta em “Vida no Campo”, canção composta durante a pandemia, em um ambiente familiar, quando a música ainda não era um trabalho para ele. A ligação com a música, no entanto, sempre esteve presente. O cantor relembra que, desde jovem, escutava as composições do pai, que eram cantadas durante festas em família.

 

Registro da gravação de “Vida no Campo”, composição que marcou o início da trajetória autoral de Thiago Fonseca

 

O lançamento da música ocorreu anos depois, quando a atividade artística passou a ocupar um espaço maior em sua vida. A escolha do repertório foi simbólica e objetiva para os dois: “A gente pensou: qual música escolher? E decidimos que tinha que ser ‘Vida no Campo’, porque foi a primeira que compusemos juntos”. O processo culminou no lançamento de um videoclipe e em um show de lançamento, que teve os assentos do Cine Teatro Municipal de Canguçu completamente ocupados.

O desenvolvimento da canção resultou na conquista do Prêmio Vitor Mateus Teixeira, na categoria de melhor composição. A cerimônia foi realizada em Porto Alegre, no Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Durante o evento, o músico teve contato com familiares e representantes de nomes históricos da música regional, como Teixeirinha, Jayme Caetano Braun, Marcelo Caminha e Pedro Ortaça, além da cantora Maria Alice.

Olhando para o futuro, o cantor e compositor projeta a continuidade do trabalho autoral e o fortalecimento de seu nome dentro da música nativista regional. Thiago Fonseca revelou que uma nova composição já está pronta e passa pelas etapas de ensaio, gravação e organização do lançamento.

Veja o vídeo com a música “Vida do Campo”:

 

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Cassino reúne mais de 70 mil pessoas no auge do Carnaval

Dezessete blocos desfilaram pela avenida no sábado e os foliões comandaram a festa no maior Carnaval da região      

Por Laura Crizel e Thiago David       

 

Blocos e entidades carnavalescas trouxeram 21 mil pessoas  para desfilar no principal dia        Foto: Thiago David

 

O sábado de Carnaval foi marcado por uma grande presença de foliões no Balneário Cassino, na cidade do Rio Grande. Cerca de 70 mil pessoas acompanharam a passagem de 17 blocos na avenida Rio Grande, entre espectadores da festa e participantes da folia, que juntos de seus abadás, compuseram uma massa de 21 mil pessoas que fizeram o Carnaval acontecer.

A festa iniciou ainda cedo, às 20h, com a saída do bloco Lendários do Mar, marcando presença e reafirmando as raízes do Carnaval clássico, conhecido pelas famosas marchinhas.  A noite terminou com o Bloco da Lambe, que reuniu uma grande quantidade de foliões, num estilo próprio, que mistura o clássico com as festas de DJs.

O sábado ainda ficou marcado pelas saídas dos blocos, Bloco do Zé, Chokolat, Quem me Viu Mentiu, Novo Avante, Eu Amo Minha Sogra, Fiateci, Baço da Onça, Os 100 Limites, 37,5 Não É Febre, Nokudum, Os Fora da Casinha, Regueiros Do Jamelão, Boêmios, Encosta que Ele Cresce e Treta & Trago.

Fantasias prateadas

Os jovens Eduardo e Thiago curtiram o Carnaval de uma forma diferente: ambos estavam completamente pintados de prata, fantasiados do famoso personagem dos programas de auditório da televisão brasileira, Freddie Mercury Prateado, por sua vez inspirado no ex-cantor da banda de rock britânica Queen. A pintura corporal também lembra as performances das “estátuas vivas” que aparecem com frequências nas grandes cidades. “É o segundo ano que a gente vem com pintura no corpo, em 2024 viemos de Smurfs, nós e mais uns cinco amigos e é sempre muito engraçado poder sair aqui no Cassino e o pessoal vir tirar foto”, comenta Eduardo.

Eduardo e Thiago ainda afirmaram terem sido parados por mais de 100 pessoas nesta noite na Avenida Rio Grande, para tirarem fotos com eles, “ É sempre muito bom poder arrancar uma risada do pessoal e é muito engraçado ver um cara totalmente pintado de cima a baixo de prata”.

 

Jovens Eduardo e Thiago escolheram aproveitar o Carnaval de uma forma não convencional   Foto: Thiago David

 

Comércio

O grande movimento de locais somados aos turistas na Praia do Cassino, trouxe boas perspectivas para os comerciantes locais, que aproveitam de tal ocasião para gerar lucro em seus negócios. Neste ano, a edição do Carnaval do Cassino traz turistas de todos os arredores do Estado, do País e até mesmo estrangeiros, que buscam na festividade um momento de descontração e comemoração.

Aproveitando tal ocasião, os comerciantes vão às ruas para atender às necessidades do público. As vendas mais recorrentes são as de bebidas, como cerveja, água e refrigerante, mas as comidas não ficam para trás, churrasquinho, lanche, cachorro-quente, todos os produtos tem seu destaque e oportunidade.

Devido ao grande público, a concorrência entre os comerciantes se torna saudável, levando a preços mais justos ofertados ao consumidor, mas com espaço para todo negócio garantir seu lucro na festividade.

Em entrevista, o atendente de um comércio que opera há vinte anos no Cassino, comentou sobre as perspectivas de vendas no Carnaval deste ano: “O primeiro dia foi fraco, mas temos expectativa de que hoje seja melhor, estamos há cinco anos nesse ponto, e os carnavais costumam movimentar bastante o comércio”.

Já Gustavo Maciel, vendedor ambulante, comentou sua experiência no setor. “Faz dois anos que eu trabalho no Carnaval, o movimento está fraco, ontem vendemos 150 lanches, mas hoje acredito que melhore, pretendemos vender uns 250”.

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Festival de Cinema da Fronteira com inscrições abertas até dia 10 de março

A décima sétima edição do evento vai premiar filmes de curta-metragem, longas e de animação

 

A atriz e diretora Bárbara Paz foi a homenageada da edição do ano de 2022                Foto: Isidoro B. Guggiana

 

Estão abertas as inscrições para o XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Curtas, animações e longas podem ser inscritos gratuitamente até o dia 10 de março de 2026, na página do evento na plataforma FilmFreeway. O Festival a acontece de 28 de abril a 2 de maio nas cidades gaúchas de Bagé e Sant’Ana do Livramento. Os links de registro de obras estão na bio do Instagram @festivaldafronteira.

A novidade desta edição é o Prêmio São Sebastião – Assembleia Legislativa de Cinema, que passa a ser concedido a partir de termo de cooperação celebrado com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, que este ano é co-realizadora do evento, junto à Prefeitura de Bagé, através de sua Secretaria Municipal de Cultura, e a Associação Pró-Santa Thereza. Serão entregues R$ 15 mil em dinheiro aos vencedores das principais categorias – R$ 10 mil para melhor longa-metragem e R$ 2,5 mil tanto para o melhor curta, quanto para o melhor curta de animação.

As mostras competitivas internacionais de Curtas-Metragens, Curtas de Animação e Longas-Metragens aceitam filmes com duração máxima de 20 minutos, para as duas primeiras categorias, e 50 minutos para a última. Todas obedecem a critérios semelhantes, recebendo títulos falados originalmente em português ou espanhol ou legendados em um desses dois idiomas, de contextos de culturas ibero-americanas e oriundos de países de língua portuguesa, língua espanhola ou idiomas originários.

As produções inscritas devem ser produzidas em regiões de fronteira ou que abordem temáticas relacionadas a fronteiras geográficas, geopolíticas e sociais, bem como a fronteiras ou rupturas de linguagem. Poderão ser inscritos trabalhos finalizados a partir de 1º de janeiro de 2024 em todas as três categorias.

O Prêmio São Sebastião – Assembleia Legislativa de Cinema tem o objetivo de fomentar, reconhecer e difundir a produção audiovisual latino-americana, nacional e internacional, com especial atenção às cinematografias produzidas em territórios de fronteira, promovendo o intercâmbio cultural, a diversidade estética e o fortalecimento do cinema enquanto expressão artística, cultural e política.

O XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira é uma realização da Associação Pró Santa Thereza, Prefeitura Municipal de Bagé, através da Secretaria Municipal de Cultura, e Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. A produção é da Maristela Ribeiro Produções. O evento tem apoio da ACCIRS – Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp), institucional do Instituto Estadual de Cinema (Iecine-RS); Instituto Federal Sul Rio-grandense (IFSul) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira

Quando: de 28 de abril a 2 de maio de 2026

Inscrições: FilmFreeway  (até 10 de março de 2026)

Links na bio do Instagram: @festivaldafronteira

Site: festivaldafronteira.com.br

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História de cultura e resistência no Carnaval de Pelotas

Termina nesta terça-feira mais uma edição do evento que evidencia cada vez mais as contradições brasileiras     

Por Líliti Goulart       

 

Alegria toma conta das ruas neste feriado  de ano a ano    Foto: Volmer Perez / Secom / Prefeitura de Pelotas

 

O Carnaval de Pelotas 2026  começou na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, com o Encontro dos Tambores, seguido pelo concurso das entidades carnavalescas, desfiles de blocos e termina nesta terça-feira. Mais uma vez, convida a revisitar as suas origens na cidade de Pelotas. Conhecido por sua rica história e cultura, o município guarda em suas festividades carnavalescas um legado que remonta a séculos, entrelaçando tradições europeias e a vibrante cultura afro-brasileira. Suas raízes e evolução ressoam atualmente em uma das mais emblemáticas celebrações do sul do Brasil.

O Carnaval de Pelotas possui uma história rica e multifacetada. A cidade, que prosperou no século XIX devido ao ciclo do charque, viu sua elite promover festividades carnavalescas inspiradas nos luxuosos carnavais europeus de Veneza, Nice e Paris. Estes eventos, caracterizados por desfiles de carros alegóricos e batalhas de confetes na Rua XV de Novembro, eram o epicentro do que ficou conhecido como o Grande Carnaval.

Contudo, a celebração pelotense sempre foi marcada por uma dualidade social. Enquanto a elite desfilava em seus clubes exclusivos, como o Brilhante e o Pelotense, as camadas populares, especialmente a comunidade negra, criavam suas próprias formas de expressão e resistência. Os clubes carnavalescos negros, como o histórico Chove Não Molha, fundado em 1901, e o Depois da Chuva, desempenharam um papel crucial na afirmação da identidade e na construção de espaços de sociabilidade em uma sociedade muitas vezes excludente.

 

Escolas de samba tem como inspiração os tempos áureos do Carnaval pelotense        Foto: Prefeitura de Pelotas

 

A influência da cultura afro-brasileira é inegável no Carnaval de Pelotas, especialmente através das escolas de samba. A Academia do Samba, fundada em 3 de fevereiro de 1949, destaca-se como uma das mais antigas do Rio Grande do Sul. Outra potência do Carnaval pelotense é a Escola de Samba General Telles, fundada em 1950. Ostentando mais de 20 títulos do carnaval local, ocupa o lugar de uma das mais tradicionais e vitoriosas do interior gaúcho, .

Carnaval atualmente

O Carnaval de Pelotas viveu seu auge entre as décadas de 1960 e 1980, sendo considerado o terceiro maior Carnaval do Brasil. No entanto, ao longo dos anos, enfrentou desafios como as crises financeiras e as mudanças de local de realização, migrando da tradicional Rua XV para a Passarela do Samba. Em 2026, a cidade voltou a celebrar o Carnaval na data oficial, um movimento que reflete o esforço contínuo para resgatar e valorizar as tradições de rua e a participação dos blocos burlescos.

Atualmente, o Carnaval de Pelotas ressoa como um elo vibrante entre o passado aristocrático e a resistência cultural da comunidade negra. É uma festa que, através do ritmo, da dança e da alegria, mantém viva a memória das charqueadas e a rica tapeçaria social que moldou a identidade da cidade. A folia pelotense continua a ser um espaço de celebração, memória e reafirmação cultural, adaptando-se aos novos tempos sem perder suas raízes profundas.

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RPG de mesa é fenômeno cultural em Pelotas desde anos 1990

O Role Playing Game (Jogo de Interpretações de Papéis) segue crescendo na Capital Nacional do Doce      

 Por Inácio Amorim e Sofia Mazza    

 

Além de entretenimento, o RPG vem sendo cada vez mais ponto de interesse dos estudiosos Fotos: Sofia Mazza

 

Entre histórias de vampiros, dragões e dados de vinte lados, o RPG de mesa tem se revelado em Pelotas como ferramenta de socialização, resistência e expressão criativa. De entretenimento, o RPG passou a ser objeto de estudos universitários. Para quem nunca jogou, a definição pode vir da infância: “Sabe quando éramos crianças e brincávamos de faz de conta? No fundo é muito parecido com isso, um jogo de imaginação em que criamos uma história coletivamente”, explica a jogadora e estudante de Design Kethlyn Bisso. Cada participante tem seu personagem, e um dos jogadores é o Narrador, responsável por compor o mundo e conduzir a história. Para organizar, usam-se tabuleiros, dados e regras que garantem a vez de cada um na composição da narrativa.

Nas décadas de 1990 e 2000, jogar RPG em Pelotas era uma atividade que acontecia em diversos espaços improvisados. O fotógrafo e jogador veterano Jô Folha relembra o período entre 1999 e 2000, quando estudava no Colégio Agrícola Visconde da Graça (CAVG): “Lá já existia um grupo de jogadores, acabamos virando amigos e foi assim que comecei a participar das mesas de RPG. Era tudo muito vivo, com muita gente envolvida, muito engajamento e bastante apoio para novas mesas e novos live actions. Com frequência também rolavam mesas de RPG na Praça Coronel Pedro Osório e até em barzinhos — qualquer lugar virava cenário de jogo”.

O fotógrafo recorda que algumas histórias precisavam ser divididas em várias mesas, devido ao grande número de participantes. O acesso ao material, porém, não era fácil: “A internet ainda engatinhava, o acesso ao material e aos livros de RPG não era fácil. Existia uma loja de RPG na cidade que tinha alguns livros e cartas de Magic, e esse lugar virou outro ponto de encontro forte da galera”.

 

Histórias de terror são um gênero que atraiu muitos adeptos aos jogos de criação

 

Chris Marques, também jogador veterano, relembra o período entre 1998 e 2002. “Jogamos entre amigos, tinha bastante revista de jogos e acabava que uma vez ou outra aparecia alguma notícia sobre RPG de mesa. Primeiro era algo para a gente poder ser os personagens dos jogos ou desenhos que gostava, então eram meio que improvisados os sistemas, a gente não tinha muita noção. Depois, mais para a frente, apareceram os manuais e as coisas foram ficando mais organizadas.” Segundo ele, o sistema “Vampiro: A Máscara” (“Vampire: The Masquerade”) foi um marco que levou mais pessoas a conhecerem o jogo, com diversos eventos de live action na cidade. As partidas aconteciam na casa de amigos, de forma intercalada, já que não existiam muitos lugares específicos para esse tipo de encontro na época.

Esse cenário começou a se transformar radicalmente com a popularização da internet e o surgimento de novas referências culturais. Chris Marques observa que “com acesso à informação de hoje, há pessoas famosas jogando lives de YouTube entre outras coisas, enquanto antigamente era muito nichado”.

Esse fenômeno ganhou força especialmente a partir de 2020, quando o streamer brasileiro Cellbit (Rafael Lange), criou o RPG de mesa “Ordem Paranormal”, transmitido ao vivo para milhares de espectadores. O projeto, que começou de forma despretensiosa como uma história de terror narrada entre amigos, rapidamente se transformou em um fenômeno nacional. A campanha de financiamento coletivo do jogo “Ordem Paranormal: Enigma do Medo” bateu recordes na plataforma Catarse, superando a marca de R$ 2 milhões de reais arrecadados, tornando-se o maior projeto da área criativa em plataformas brasileiras de financiamento coletivo.

 

Com o acesso à internet democratizado, o interesse pelo RPG tem crescido

 

Paralelamente, o sistema “Tormenta20”, da Editora Jambô, também se consagrou como um marco no mercado nacional de RPG. A campanha de financiamento coletivo do livro superou a meta inicial de R$ 80 mil, arrecadando mais de R$ 1,9 milhão e tornando-se um case de sucesso estudado nos meios acadêmicos. O material é descrito como “o maior e melhor RPG brasileiro” e “recordista absoluto de financiamento coletivo no país”, com uma comunidade engajada que contribuiu para o fortalecimento da marca no mercado.

Acompanhando esse movimento nacional, o cenário municipal de Pelotas também vive sua própria expansão institucional. No âmbito acadêmico, foi fundada a cadeira de TTRPG (Tabletop Role-Playing Game) para o curso de Design de Jogos, ministrada pela professora Mônica de Lima. Simultaneamente, foi fundado o clube de RPG Instituto Feudal, vinculado ao IFSul, cujo coordenador é Marco Collares, historiador formado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e docente do Instituto Federal Sul Rio-grandense (IFSul). Essas iniciativas representam a consolidação do RPG não apenas como entretenimento, mas como objeto de estudo e prática institucionalizada na cidade, oferecendo espaços dedicados que antes não existiam para que novos jogadores possam descobrir essa forma de expressão criativa e socialização.

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“Stranger Things” divide os fãs, mas mantém o legado como carro-chefe de plataforma de streaming

Série que ajudou a mudar a Netflix de patamar encerrou-se no final de 2025   

Por Henri Porto Dias   

 

Momento de uma das reuniões da equipe para leitura do roteiro para a quinta temporada       Fotos: Divulgação

 

Após quase 10 anos desde o lançamento da primeira temporada, e três anos após a exibição da quarta, a quinta temporada de “Stranger Things”, produção criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, foi lançada em três partes no final do ano pela Netflix, com o derradeiro episódio adicionado à plataforma no último dia de 2025.

O final esperado pelos fãs assíduos que viveram as aventuras de Hawkins junto com as (não mais) crianças, prometia um épico confronto final e despedidas trágicas dos personagens amados, porém o que foi entregue pelos Duffers destoou muito disso. Causou discórdia e fúria dos apaixonados pelo universo do Mundo Invertido.

Apesar da “decepção”, é inegável a importância da produção para toda uma geração, e para a própria plataforma que a desenvolveu, com “Stranger Things”. Marcou a história da Netflix para sempre, e o seu final gerou uma nova era para a empresa.

Quinta Temporada

Os irmãos Duffer entregaram algumas gratas surpresas para a já apelidada “última aventura” da série após Vecna (Jamie Campbell-Bower) abrir diversos portais por Hawkins e a quarta temporada ser concluída com Max (Sadie Sink) em coma, com o resto dos heróis unidos novamente para uma batalha final.

As duas jornadas de Will (Noah Schnapp), tanto pessoal para conseguir aceitar e revelar a sua sexualidade para os amigos, com grande contribuição de Robin (Maya Hawke), além da descoberta de seus poderes “emprestados” de Vecna/Henry Creel, foram o ponto alto da temporada. Nas jornadas anteriores, o personagem foi destinado apenas a sofrer e ficar escanteado pela narrativa, ganhando merecido destaque na conclusão.

 

Grupo planeja uma nova estratégia em uma das cenas da última temporada

 

Foram ótimas para oxigenar a história, situada nos anos 1980, a adição de novos personagens como Holly Wheeler (Nell Fisher), que já era recorrente, porém apenas como figurante nas quatro temporadas anteriores. Agora, está como peça-chave do enredo. E, num hilário alívio cômico, aparece Derek (Jake Connelly).

De pontos negativos, o retorno de Kali/Oito (Linnea Berthelsen) que, assim como na sua aparição original na segunda temporada, serviu apenas para irritar o público com sua melancolia e fraca função na história. No núcleo dos militares, em especial a adição da Dra. Kay (Linda Hamilton), foi extremamente genérica e um desperdício da figura da atriz, tão marcante em produções dos anos 1980, como “O Exterminador do Futuro”, nem de longe ameaçadora e instigante como o Dr. Brenner (Matthew Modine). Por fim, a luta final contra Vecna foi curta e, de certa forma, “fácil”, apesar da ameaça e da união do vilão com o Devorador de Mentes, visto na segunda e terceira temporadas.

Apesar das fortes críticas do público e de parte da crítica especializada, a última temporada de “Stranger Things” fecha de forma satisfatória com uma última cena emocionante e que encerra o ciclo do primeiro episódio. Com o passar do tempo e com o fim das expectativas, deve ser lembrada com mais carinho e sem o aditivo da espera de três longos anos para o desfecho. Houve uma “correria” e desorganização para concluir os roteiros da série dos Duffers, ocasionando em uma falta de polimento nos conjuntos de acontecimentos, quando se lembra de que é uma jornada de jovens amadurecendo em um mundo bizarro e não um épico de ficção científica.

 

Elenco no lançamento da quinta temporada da série “Stranger Things”

 

Hawkins ganha o mundo

Os irmãos Duffers decidiram pôr em prática o seu projeto, inspirados nos filmes de terror dos anos 1980, que eles cresceram assistindo, além das obras de Stephen King. Inicialmente a história iria se passar em Montauk, trocando depois para a fictícia cidade de Hawkins, Indiana. Eles não imaginavam que essa ideia, iniciada com quatro crianças jogando “Dungeons and Dragons” no porão, iria virar uma franquia de sucesso absoluto e que preencheria uma importante lacuna de uma geração.

Os jovens adultos, que nasceram no início dos anos 2000, não tinham uma saga que moldasse a sua infância. Quando eles viam seus irmãos mais velhos, tios nascidos no meio ou final dos anos 1990, comentando sobre como era esperar ansiosamente para um novo filme de Harry Potter, eles sentiam falta de um “Harry Potter” para chamar de seu. E vindo despretensiosamente, de uma Netflix ganhando força, “Stranger Things” se tornou a série de uma geração e que cresceu junto com ela.

A partir da primeira temporada, a série foi crescendo cada vez mais de popularidade, a comoção ficou maior. Com o maior boom vindo em sua quarta temporada, foi notável principalmente na quinta e última temporada o tamanho da franquia que a série de aventura virou. Ao entrar no mercado, diversos produtos foram licenciados. Ao ligar a televisão, anúncios temáticos de marcas gigantes como Fiat e McDonalds lembravam da série.

Os seus atores explodiram em popularidade. Millie Bobby Brown tem sua produtora própria, um enorme número de seguidores e entrou para a franquia de Sherlock Holmes com seu spin-off próprio. A atriz Sadie Sink já protagonizou diversos projetos, incluindo “A Baleia”, que premiou Brendan Fraser com o Oscar de Melhor Ator. Agora, já foi confirmada para o elenco do novo “Homem Aranha”.

Joseph Quinn, que participou apenas de uma temporada, foi catapultado para o estrelato, entrando para as franquias da Marvel e de “Gladiador”, já confirmado como um dos Beatles nos futuros filmes da banda. Winona Ryder e David Harbour renovaram suas carreiras.

Joe Keery estourou com sua carreira musical, com o hit “End of Beggining”, popularizado pela série. No cenário musical, músicas dos anos 1980 voltaram ao cenário popular impulsionadas pela produção, como “Should I Stay or Should I Go” e “Runnin Up That Hill”.

Apesar de tudo, a maior beneficiada dessa história foi a própria Netflix, que teve o mérito de acreditar nos desconhecidos Duffers, e que colheu muito mais do que provavelmente esperava. Mas, agora, após 10 anos, não a melhor, mas a sua maior série original de repercussão chegou ao fim. E, mesmo que o serviço de streaming siga sugando o suco de popularidade da série com spinoffs por todo canto, nada mais será como antes.

A Netflix não é mais a mesma de 2016, com eventos ao vivo, dividindo a atenção do público junto às produções de seu catálogo. Agora, a gigante não tem mais o seu carro-chefe, que carregava gerações e que lhe rendeu muito dinheiro. Enquanto o cenário da empresa é de incerteza e de um novo horizonte no quesito artístico, para o público resta uma nostalgia cada vez maior, a gratidão por ter vivido essa história em seu auge e a certeza de que amigos não mentem.

Ficha Técnica

Título: Stranger Things

Anos de exibição: 2016-2025

Criada por: Matt e Ross Duffer

Temporadas: Cinco

Classificação: 16 anos

Gênero: Drama, Teen, Ficção Científica

País de origem: Estados Unidos da América

Produtores: Karl Gajdusek, Cindy Holland, Brian Wright, Matt Thunell, Shawn Levy, Dan Cohen, The Duffer Brothers, Iain Paterson, Curtis Gwinn

Elenco (5° Temporada): Winona Ryder (Joyce Byers), David Harbour (Jim Hopper), Millie Bobby Brown (Jane Hopper/Onze), Finn Wolfhard (Michael “Mike” Wheeler), Gaten Matarazzo (Dustin Henderson), Caleb McLaughlin (Lucas Sinclair), Noah Schnapp (William “Will” Byers), Sadie Sink (Maxine “Max” Mayfield), Natalia Dyer (Nancy Wheeler), Charlie Heaton (Jonathan Byers), Joe Keery (Steve Harrington), Maya Hawke (Robin Buckley), Brett Gelman (Murray Bauman), Priah Ferguson (Erica Sinclair), Jamie Campbell Bower (Henry Creel/Um/Vecna), Cara Buono (Karen Wheeler), Linda Hamilton (Dra. Kay), Nell Fisher (Holly Wheeler).

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Teatro dos Gatos Pelados conta 120 anos de história e tradição

Atual nome do grupo remete à rivalidade que existia entre as escolas nos anos 1960      

Por Marco Ayala         

O coletivo de teatro do Colégio Municipal Pelotense, na cidade de Pelotas, o Teatro dos Gatos Pelados, tem as suas origens nas atividades extracurriculares da escola nas artes cênicas desde 1905  (quando ainda se chamava “Ginásio Pelotense”). O grupo, com outras denominações anteriormente, adotou o nome atual em 1963, sendo assim reconhecido e tendo a sua identidade. O apelido “gato pelado” é uma provocação reaproveitada como um símbolo de honra. A implicância era de alguns alunos de outro educandário, o Colégio Gonzaga (na época, “Ginásio Gonzaga”), que alimentavam rivalidades, fazendo menções à classe social dos estudantes do Ginásio Pelotense. O gato mascote surgiu com um caráter unificador, trazendo um sentimento de orgulho, de pertencimento, e representa a ideia de empatia e inclusão.

 

A identidade visual do gato pelado foi criada em 1951, pelo notável aluno da época, o escritor, desenhista, jornalista e professor Audyr Garcia Schlee

 

O Teatro dos Gatos Pelados faz jus ao próprio nome. O grupo é referência tanto por suas contribuições para o mundo da arte, quanto por seus princípios humanistas. Após a sua fundação, ampliou seus horizontes, sendo valorizado a nível nacional. Entretanto, o coletivo conta com obstáculos sérios em sua história centenária. Sendo assim, a sua trajetória é marcada por momentos altos e baixos, e, hoje, vive um processo de reestruturação. Atualmente, suas atividades se dividem em duas turmas – com a participação de alunos do quinto ao nono ano do Ensino Fundamental, além de estudantes do Ensino Médio.

Inspiração, potência e transformação

O teatro é uma expressão performática e cultural que conta com o trabalho cooperado de artistas e equipe de produção. Além do espetáculo oferecido à plateia, abrir as cortinas e sair das coxias traz bem-estar e outros benefícios aos participantes. Conforme a integrante do Ladra (Laboratório de Dramaturgia do curso de Teatro da Universidade Federal de Pelotas), Bárbara Nunes, estar no palco é ser fadado a representar qualquer coisa, seja uma pessoa ou um animal. Por isso, o fazer teatral é sinônimo de perda de timidez, compreensão dos seus próprios sentimentos e do seu corpo. Permite superar ansiedades e confusões consigo mesmo, entender o que é certo e errado, saber se comunicar e entender o mundo. Atiça o senso crítico profundo. Leva a lidar com pessoas de variados tipos e culturas, socializar e fazer amizades de modo mais eficaz. O trabalho em equipe desenvolve a empatia, criatividade, raciocínio e o sentimento de responsabilidade. São habilidades importantes ao longo da vida que o teatro exercita.

Ou seja, a prática também simboliza formar sujeitos éticos e educados, além de reciclar obstáculos para o bem-estar social e harmônico como expressões críticas aceitas na cidadania, que não são bem-vindas em qualquer contexto. Segundo o filósofo Friedrich Nietzsche: “a arte existe porque a vida não basta”.

“Trabalhar com teatro é maravilhoso! […] Pra mim, o teatro não tem malefícios. É sobre encontro, desenvoltura, parceria, jogos, alegria, energia pura! Assim passar essa questão do fazer teatral para crianças e adolescentes só tem a agregar ao mundo! Pra mim, o teatro e a arte são agentes de transformação social, mudam a pessoa, e acabam trazendo qualidades! […] O teatro é, realmente, um serviço para a sociedade. Quem nunca fez, eu sempre indico que faça uma aula de teatro!”

Bárbara Nunes

“O Teatro te proporciona uma visão geral de vida, de contrastes, de entendimento de comportamentos. Ele é mágico e atinge cada um de uma maneira. E é preciso entender que se despir da vaidade, da soberba e ideias bobas é muito importante para ser um artista teatral. […] Ele te torna um trabalhador a serviço do entretenimento, da arte de transmitir ideias e conjecturas sociais, de um tempo atual, passado ou futuro. Encarar o ser ator é um ato de generosidade e não de superioridade”

João Bachilli, proprietário do grupo Tholl e ex-integrante do Teatro dos Gatos Pelados

O teatro no Colégio Pelotense segue essas premissas, sendo considerado um ponto de amor, dedicação, inspiração e transformação. O impacto é percebido em estudantes e ex-estudantes que já participaram. Há os ex-integrantes que eram pessoas mais tímidas, ou que pertencem a grupos/classes com estereótipos marginalizados, aqueles que são mais privilegiados no meio social e/ou já dotados de habilidades que o teatro proporciona. Aparecem nomes que viriam a fazer sucesso na arte, até os que só fazem ou fizeram parte do coletivo por entretenimento e querem seguir outros rumos em suas jornadas… Todos convertem suas experiências artísticas em funções que continuam fazendo sentido no seu dia a dia. Uns menos e outros mais.

 

                                    Alunos da turma da tarde praticando jogos lúdicos para aprendizados de capacidades corporais                                    Fotos: Arquivo/ Teatro dos Gatos Pelados

       

            “Não pretendo [seguir com o teatro na vida], mas eu respeito muito quem está lá! Eu acho sensacional estar perto de pessoas tão talentosas como os meus colegas; e eu dou todo o apoio para eles seguirem […]. Eu gosto de estar nesse meio pra me desafiar, pra conseguir falar de uma forma melhor. […] Minha comunicação sempre foi boa e eu sempre fui trabalhando mais ela. O teatro foi só mais um passo nisso. […] E é incrível poder ver esses colegas conquistando um espaço muito bonito dentro das artes!”

João Gabriel Soares Maicá, artista do Teatro dos Gatos Pelados

 

João Gabriel é estudante do Ensino Médio do Colégio Pelotense. O aluno vive diariamente com dislexia, TDAH e o autismo. No entanto, mesmo que ele tenha esses obstáculos neurodivergentes, eles se transformam em motivo de orgulho e autoestima. João Gabriel afirma que é alguém que lida muito bem com suas diferenças. O Teatro dos Gatos Pelados, por ser um espaço acolhedor e amigável, reforça sua autoconfiança e motivação. Estimula todos que tenham as mesmas características a lutar por seus direitos, não deixar se abalar ou achar que se é incapacitado, e não sofrer por ser alguém imperfeito ou fora do comum (se é que essas denominações existem). Então, o teatro é um espaço de resistência, felicidade, ativismo, companheirismo e evolução.

 

“A forma que eu luto [por uma sociedade melhor] é conscientizando as pessoas […] sobre os transtornos neurológicos e sobre as causas divergentes. […] acho que, por eu estar no teatro com os transtornos que eu tenho, já tem uma representatividade!”

João Gabriel Soares Maicá

 

Todos podem atravessar suas cortinas e superar seus limites. Assim, João Gabriel serve de inspiração, não só pela sua execução teatral bem-sucedida, mas também pela causa social que ele transmite. Mostra o poder da arte e por que ela é indispensável.

A mesma situação se aplica para Otávio Santos, aluno negro, que também estuda no Ensino Médio e participa do Teatro dos Gatos Pelados:

 

“Acredito, sim, que ser negro e vir de periferia faz diferença! Fazer teatro não é o sonho de todos que moram na periferia. Não existe um modelo a se seguir ou para se espelhar. Não é o meu caso, mas sabemos a dificuldade de acesso a esse tipo de arte nesses locais. Vejo que, ao entrar no teatro, a pessoa consegue aflorar tudo que sente e consegue expressar esse sentimento, assim, deixando a sua vida mais leve! Uma sociedade na qual as pessoas se sentem mais leves é uma sociedade menos ansiosa!”

Otávio Santos

 

De acordo com Otávio, o teatro é uma ferramenta social que lida com as relações de poder simbólicas, e a comunicação é a chave para a imposição do humano no mundo. Portanto, já que o fazer teatral tem como essência o desenvolvimento do ato de comunicar do praticante, essa modalidade de arte torna o artista armado de instrumentos que lhe dão poder para seguir seu caminho.

 

“O teatro influencia em quase todas as esferas da minha vida (se não forem todas!), […] desde a esfera social até a acadêmica. Eu já era comunicativo antes de ingressar no teatro. Mas, após meu início, eu tive uma melhora significativa em comunicação e sabemos que hoje em dia uma boa comunicação abre portas. São diversos os benefícios [do teatro]. A comunicação é aprimorada – assim como todas as outras habilidades sociais do indivíduo – você acaba se conectando mais consigo mesmo se conhecendo melhor com o tempo. E, acima de tudo, vejo que o teatro é um lugar no qual as pessoas tímidas conseguem desabrochar […]. Consigo falar uma definição do que é o teatro em minha vida: espaço seguro. Seguro para ser eu mesmo. Seguro para tentar coisas novas. Seguro para errar.”

Otávio Santos

 

O Teatro dos Gatos Pelados também é de grande importância e representatividade para o Colégio Pelotense em si (para quem o rege, para quem trabalha e estuda lá). O coletivo é ligado à escola desde sua origem, levando consigo o apelido da instituição de educação. Portanto, a história e a causa social do grupo reforçam a marca do Colégio como uma escola de ensino público capaz de formar seres humanos altamente qualificados, que incentiva a inclusão e interação entre as pessoas com personalidades e definições distintas, que acredita no potencial e inspiração da arte, e preocupada com o desenvolvimento dos alunos para além das matérias obrigatórias e da base curricular.

 

Manifesto do Teatro dos Gatos Pelados, lançado no dia 3 de dezembro de 1963, oficializando grupo

 

História com altos e baixos

Em 1905, as atividades extracurriculares iniciam no Ginásio Pelotense, partindo de iniciativa dos próprios alunos. Em 16 de setembro do mesmo ano, foi fundado o Grêmio Dramático do Ginásio Pelotense, que funcionou até meados da década de 1910. O Grêmio promoveu diversas ações – como a peça “Os Botões”, encenada ainda em setembro de 1905; um festival em novembro do mesmo ano, com duas peças e diversos monólogos; além dos dramas “Redenção”, em 1907, e “Dalila”, em 1909.

Em abril de 1911, foi fundado o Centro Literário 24 de Outubro. Esse era um clube estudantil – do até então Ginásio Pelotense – voltado para atividades de literatura e teatro. Uma das produções do Centro Literário foi o espetáculo “Rolando de Roncesvales”, no Theatro Sete de Abril, que foi considerado com “grande pompa e luxuoso figurino” pela imprensa.

Nas décadas de 1910 e 1920, o teatro ainda marcou presença no cotidiano da escola, com participação em festivais locais, intermunicipais, escolares e datas cívicas, mas foi a partir da década de 1930 que as artes cênicas escolares tomaram um impulso maior.

Em 1935, o Grêmio Estudantil criou o Dia do Gato Pelado, conjuntamente com o Festival do Gato Pelado, que era uma noite de apresentações artísticas produzidas pelos alunos. O evento agregava os estudantes da escola não só com teatro, mas também com outras atividades escolares extracurriculares. O Festival do Gato Pelado teve edições até 1961.

Ao longo das décadas, as atividades teatrais do Colégio Pelotense continuavam marcando presença na região. Um destaque vai para a radionovela “Os Amadores”, que – em 1956 – foi transmitida para toda a zona sul do Rio Grande do Sul pela Rádio Cultura. Foram oito capítulos que iam ao ar todas as quartas-feiras às 20:30min.

O teatro pelotense, como um todo, viveu um grande florescimento nos anos 1960 e 1970 com a criação da STEP (Sociedade de Teatro de Pelotas). Foi a STEP que promoveu os festivais de teatro de Pelotas entre 1960 e 1971. Esse movimento em prol das artes cênicas estimulou que, no final de 1963, fosse fundado o Teatro dos Gatos Pelados, dando continuidade à tradição cênica da escola que começou em 1905.

A geração “fundadora” do Teatro dos Gatos Pelados foi extremamente produtiva nas décadas de 1960 e 1970, com apresentações marcantes. Os três grandes destaques dessa época foram “Bira e Conceição” (eleito melhor Musical do 5º Festival Nacional do Teatro do Estudante), “O Jovem Rei” (premiado como melhor Roteiro, Melhor Figurino e Melhor Cenografia & Iluminação no 6º Festival Nacional do Teatro do Estudante) e “A Viagem de um barquinho” (medalha de prata no 6º Festival Nacional do Teatro Infantil). Diversos nomes de relevância nacional surgiram neste período, como Valter Sobreiro Júnior, Mauro Soares e Fernando Melo da Costa, dentre outros.

O Teatro dos Gatos Pelados seguiu em intensa atividade no restante do milênio. Então, limitar apenas esse período vitorioso como o momento de grandes eficiências nas criações artísticas é cometer um equívoco e descartar o restante da história. Não só no período mais glorioso – mas também no século todo – o Teatro dos Gatos Pelados continuou participando em apresentações nacionais, estaduais e regionais; sendo amplamente reconhecido pela comunidade e pelas mídias. Essas décadas de atividades ininterruptas revelaram outros grandes nomes. Alguns exemplos são Ruth Ferreira (formada nos anos 1950 com passagens em radiodifusoras do Rio de Janeiro); José Oliosi (integrante do Teatro dos Gatos Pelados na década de 1940 com mais de 50 filmes nacionais em currículo, como “Xica da Silva” e “Memórias do Cárcere”); Ronaldo Cupertino de Moraes (fundador da Associação dos Artistas Amadores de Pelotas, em 1985, premiado em diversos festivais); e Martha Isaacson de Souza – atriz e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e ex-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós Graduação em Artes Cênicas (ABRACE).

Atualmente, talvez o perfil mais conhecido em atividade é João Bachilli (multipremiado pelo Teatro Escola e fundador do Grupo Tholl, renomado coletivo de circo e teatro de Pelotas). E vale mencionar duas jovens promessas que foram protagonistas de filmes estreados e bem valorizados em 2025. São eles: Gabriel Ferreira, de 18 anos – que atuou a versão adolescente de Marcelo em “Passaporte Memória” – e Lis Neuwald, de 14 anos (que representa Luna em “O Lado Obscuro de Luna”). Enquanto Gabriel continua no Teatro dos Gatos Pelados, Lis dedica maior parte de seu tempo a outras atividades, como o Grupo Oficina – dirigido por Flávio Dornelles – do Theatro Guarany, em Pelotas.

“Minha participação no Teatro dos Gatos Pelados foi num período quando não havia um diretor. Éramos um grupo de apaixonados por teatro e ficávamos fazendo exercícios teatrais e montando pequenas esquetes. Muitas vezes recebíamos visitas de ex-diretores […] que nos orientavam sobre esta arte de interpretar. […] O Teatro dos Gatos Pelados foi uma preparação com muita liberdade, sem grandes compromissos. […] As experiências mais técnicas e de imersão mais profundas vieram com o Teatro Escola de Pelotas; mas o Teatro dos Gatos Pelados me trouxe a certeza de que eu queria as luzes de um palco, a emoção de entrar em cena, a divertida ideia de viver personagens e tirar de cada um deles alguma coisa para a minha vida.”

João Bachilli

 

Entretanto, a história não foi escrita apenas com sucessos. Meados da década de 1990 já carregavam um enfraquecimento e irregularidade na frequência das atividades teatrais. E, em 2002, de forma oficial, o Teatro dos Gatos Pelados fechou as portas por algum tempo, sem se saber se voltaria a funcionar.

De acordo com o professor, historiador e atual coordenador do grupo, Joaquim Dias, as explicações para o fechamento foram a falta de estímulo à prática teatral e de professores interessados em seguir com o projeto. Isso aconteceu por falta de apoio e desvalorização da arte, que é um ciclo vicioso que acomete a sociedade, autoridades (governamentais, educacionais, etc.), os próprios artistas e a postura individual dos humanos. Essa deslegitimação vem da compra de discursos contrários ou indiferença com o fazer artístico. A linguagem de resistência às práticas culturais vem principalmente de argumentos das autoridades que regem a sociedade, mas também surgem do cidadão comum.

“Tudo faz parte de uma engrenagem. A sociedade não valoriza a arte. Logo em seguida, os nossos governantes também não. Logo em seguida, o comércio também não tem possibilidade de oferecer uma estrutura melhor para quem está fazendo entretenimento, para quem está fazendo esse tipo de coisa.”

Mateus Kempfer, músico da banda “Quarto Afora

 

Sob esses fatores, o professor Joaquim também menciona a naturalidade dos jovens em seguir suas próprias vidas – priorizando outras coisas. Além disso, vários também deixam a arte de lado por dificuldades de enfrentar as barreiras estruturais, financeiros e sociais – ou os que querem e realmente tentam viver nessa área, mas não conseguem ser bem-sucedidos.

Houve tentativas de obter investimentos público e governamental durante a década de 2010 para que o Teatro dos Gatos Pelados voltasse, mas a pandemia da COVID-19 tardou os planos e o interesse foi escanteado.

Felizmente, o Teatro voltou a funcionar em 2021 com aulas virtuais – ainda em meio à pandemia da COVID-19 – e, em 2022, de modo presencial. A reabertura foi devida, novamente, à iniciativa de estudantes, estudo e aperfeiçoamento do conhecimento teatral por parte de Joaquim Dias, e, principalmente, graças a uma parceria com o LADRA (Laboratório de Dramaturgia), do curso de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Atualmente, o grupo passa por um processo de reestabelecimento para se reerguer, e já conta com registros e fatos que revitalizam a potência do coletivo.

 

Elenco e produção de “O Que Acontece Lá Embaixo?”, peça teatral que estreou em dezembro de 2025

 

O LADRA é um espaço universitário que foca na criação, estudo e experimentação de textos dramáticos e processos de escrita cênica, em que a prática se estende para além da UFPEL. Em março de 2021, o Colégio Pelotense aceitou um convite da coordenadora do LADRA, Marina de Oliveira, sobre o projeto “Oficinas Dramatúrgicas” para as escolas (que seriam encontros semanais virtuais para desenvolvimento da dramaturgia e habilidades cognitivas relacionadas). A partir de então, o LADRA seguiu em parceria com o Colégio Pelotense. Vêm ocorrendo oficinas, aulas, apresentações no auditório em datas festivas, e, assim, o Teatro dos Gatos Pelados começa a se reerguer.

Seguindo com o processo de reestruturação, em 2025, o grupo teatral se apropriou de uma comunicação mais digital e moderna. Reconstituiu o seu histórico desde 1905, tornando suas criações artísticas mais acessíveis, e buscando apoio comunitário e patrocínios para cumprir suas demandas. Então, Pelotas e região tiveram acesso às conquistas, realizações e personagens que compõem a trajetória do Teatro dos Gatos Pelados. Desse modo, os jovens voltaram a se sentir representados e a se identificar com a arte produzida da escola para a sociedade, assim como as gerações mais antigas.

 

Participantes do Teatro dos Gatos Pelados de 2023 que apareceram em “Passaporte Memória” e se fizeram presentes no 53º Festival de Cinema de Gramado. Da esquerda para a direita, são eles: Laura Gulart, Ingrid Mendes, Isadora Ulguium, Luiza Campos, Joana Naromi, Manuela Damasceno, Vinicius Teixeira, Gabriel Ferreira, Eduardo Teixeira e Joaquim Dias (coordenador do Teatro)

 

Além disso, a década de 2020 é marcada por outras conquistas dos “gatos pelados”. Em 2023, 12 alunos e três professores integrantes do grupo foram convidados pela produtora “Atama Filmes” para compor o elenco de “Passaporte Memória”. A obra debate memórias e traumas de um imigrante que volta de Paris para sua cidade natal após a Ditadura Civil-Militar. Teve como destaque a participação do estudante Gabriel Ferreira, chamado para representar o personagem principal – Marcelo – durante sua adolescência – o qual, na vida adulta, foi atuado pelo francês Stephane Brodt.

Em 2025, o filme estreou no 53º Festival de Cinema de Gramado. Assim, o grupo viajou para o município da serra gaúcha para assisti-lo. Porém, isso só foi possível com o sucesso de uma mobilização comunitária no Instagram para que pudessem bancar a ida de todos para o Festival. Lá, o filme foi premiado na categoria “Longas-metragens Gaúchos” duas vezes (“melhor ator” para Stephane Brodt, e “melhor atriz” para Lara Trémouroux). Além disso, Gabriel Ferreira foi indicado a concorrer como melhor ator coadjuvante, e “Passaporte Memória” também marcará presença nos telões franceses.

Ainda no ano passado, o lançamento e a exibição em diversos municípios gaúchos de “O Lado Obscuro de Luna” – com Lis Neuwald atuando como a personagem central – também chamou atenção para a importância do Teatro dos Gatos Pelados. Esses podem ser os estopins para o grupo continuar firme no mapa das referências culturais e sob os olhares da comunidade.

O coletivo continua produzindo novos trabalhos autorais todos os anos. A última obra apresentada foi “O Que Acontece Lá Embaixo?”, no dia 8 de dezembro de 2025. A encenação debate – de maneira brincalhona, fictícia e extremamente subjetiva – o abandono de crianças; a segregação socioespacial com um sistema de comunicação que atende a interesses individuais; inclusão e exclusão; além dos paradoxos que envolvem o que a sociedade entende como o bem e o mal, a relação entre “o mundo real e o inferno”.

Hoje em dia, a principal missão da instituição teatral escolar é aproveitar os recentes empurrões e as motivações internas para continuar se reerguendo, melhorar sua estrutura interna, encantar e dialogar com a população, e retomar o alcance e reconhecimento nas suas produções. Para tanto, as criações de espetáculos e as aulas de teatro não são suficientes. O grupo precisa e continua buscando a atenção e mobilização comunitária e dos meios de comunicação para a conclusão de seus objetivos.

“Com certeza, uma coisa que tem que destacar é que, se eles [Teatro dos Gatos Pelados] tivessem mais apoio e ajuda, estariam muito mais à frente e alcançariam muito mais pessoas. Muitos ainda não conhecem, não sabem que podem participar, onde assistir! O trabalho de divulgação do jornalista dentro da cultura é fundamental para que o público entenda e conheça o que está acontecendo. São oportunidades que se está perdendo por não se saber como participar ou contemplar essas obras, esse esforço […]. Por exemplo, um jogo de futebol é fácil de todos saberem […]. Mas sabe quando uma peça de teatro está em cartaz? […] Então, sem dúvida, a assessoria e os canais de imprensa são fundamentais e colocam mais um holofote em cima desses talentos que querem brilhar!”

Carolina Mattos, ex-assessora de imprensa do Teatro dos Gatos Pelados

“Um grupo de uma escola precisa de incentivo e ser levado a sério. Muitas vezes, um exercício teatral te leva a descobrir coisas para a tua vida extremamente importantes, valendo às vezes muito mais que muitas outras aulas convencionais. E, nesses grupos, grandes talentos surgem, e muitos seguem. Mas a grande maioria desiste por ser impedida pela família ou achar que não tem futuro!”

João Bachilli

 

Ademais – e, talvez, o mais importante – o Colégio Pelotense e o Teatro dos Gatos Pelados querem seguir formando seres humanos qualificados, de bom caráter e senso crítico, de conseguir provocar o debate público, com capacidade de lidar em sociedade (de modo a contribuir para a manutenção da civilização em seus diversos sentidos), de buscar um mundo melhor. Assim, consequentemente, todos serão bem-sucedidos com o que quiserem – seja na área profissional ou na vida pessoal – e serão felizes: coisas que o teatro tem como essência e é extremamente capaz de [trans]formar nas pessoas!

 

Parte do elenco de “Bira e Conceição” no Rio de Janeiro em 1968

Glórias inesquecíveis

Dentre tantos encantos, uma fase se destaca como o auge da jornada centenária da instituição. No final da década de 1960 e na década de 1970, o já fundado Teatro dos Gatos Pelados viveu um patamar que entrou para a história do teatro sulista e nacional.

Em 1967, o Serviço Nacional de Teatro (SNT) reverenciou a peça “Bira e Conceição”, do Teatro dos Gatos Pelados, convidando-o para o 5º Festival Nacional de Teatro dos Estudantes, no Rio de Janeiro, em 1968.

O Festival Nacional de Teatro dos Estudantes era uma competição entre os melhores grupos teatrais universitários do Brasil. Contribuiu para o lançamento de nomes consagrados como Gianfrancesco Guarnieri, Carlos Vereza, Paulo José, Tereza Rachel, Leila Diniz e Othon Bastos. O evento era administrado por Paschoal Carlos Magno: ator, poeta, diplomata, teatrólogo, crítico literário, ex-vereador do Distrito Federal, embaixador brasileiro, e chefe de gabinete do governo de Juscelino Kubitschek; considerado um renovador do teatro e da dança brasileira.

Sob essas circunstâncias, apenas o feito de ser selecionado para o Festival já era gigante (e foi fortemente comemorado). Vale lembrar que o Teatro dos Gatos Pelados foi o primeiro coletivo de estudantes não universitários a ser selecionado.

Assim, o grupo viaja ao Rio de Janeiro levando “Bira e Conceição”.

A equipe estava a comando do professor Valter Sobreiro Júnior, e não tinha grandes esperanças de premiações. Entretanto, o grupo se superou e se sagrou campeão na categoria musical. A partir daí, o Teatro e o Colégio Pelotense (que, na época, era reconhecido como o maior da América Latina) tem a sua imagem fortalecida. A escola recebe Moção da Câmara de Vereadores de Pelotas. Os jornais pelo Brasil a fora dão destaque à delegação. O vitorioso teatro faz tour pela região sul do Estado para apresentações da obra teatral campeã. A TV Gaúcha, que viria a ser a RBS, transmite a gravação de “Bira e Conceição” para todo o Rio Grande do Sul.

 

Notícia da vitória feita pelo jornal pelotense Diário Popular, em 21 de fevereiro de 1968

 

Com o tamanho da reverência, o grupo foi convidado para edições seguintes do Festival Nacional de Teatro dos Estudantes. Na sexta edição, levaram três vezes o primeiro lugar (melhor roteiro, cenografia e figurino) com “O Jovem Rei”. Na sétima edição, vence o prêmio de melhor comédia por voto público, com “Sirenna”. O coletivo pelotense também marcou presença no 6º Festival Nacional do Teatro Infantil, em 1978, quando conquistou o segundo lugar com “A Viagem de um Barquinho”.

 

Jornal de Pernambuco  reconhece força do teatro gaúcho nacionalmenete e Teatro dos Gatos Pelados como “orgulho da STEP”

Além dessas décadas passadas, o momento atual do Teatro dos Gatos Pelados já conta com uma nova glória histórica e que serve de empurrão para a remontada com a participação em filmes, como foi descrito anteriormente.

Assim, o elenco levou para casa títulos materiais. E, também, o coletivo pelotense traz consigo uma série de conquistas imateriais: o sentimento união na escola e com o povo como uma família; a inspiração que o elenco causou e causa em artistas (tanto dentro quanto fora do Teatro dos Gatos Pelados); a esperança do sucesso pessoal de cada teatreiro da escola; além da continuação da retomada ao que, um dia, o grupo já foi.

 

Moção da Câmara de Vereadores, de 21 de fevereiro de 1968

 

O Festival do Gato Pelado

Vale lembrar que a história da instituição teatral e a eficiência das criações artísticas não se resumem apenas aos títulos. Em Pelotas, a maior marca do teatro da escola (o qual ainda não tinha o nome que conhecemos) é o Festival do Gato Pelado.

O Festival do Gato Pelado era um show multitalentos, organizado pelos próprios estudantes e pelo Grêmio Estudantil, que compunha a programação da noite do Dia do Gato Pelado. O Dia celebra o Colégio Pelotense e o que os seus alunos tinham a oferecer de seus estudos e produções para a comunidade.

Com pouquíssima interferência da direção, os alunos tinham liberdade total para o Festival: dança, teatro, música, declamações, entre outros modos de expressão artística (o que quisessem!). Havia de tudo um pouco, e tudo feito por eles.

O Festival não tinha uma frequência fixa, mas aconteceu entre 1935 e 1961. Alguns pontos culturais que já sediaram o evento foram o Theatro Sete de Abril (sendo o mais comum), o Theatro Guarany, o Teatro Avenida, o Auditório da Rádio Cultura e o Teatro Apolo. A preparação costumava ser na própria escola. Quando não havia disponibilidade de espaços, ocorria no Colégio São José. Algumas edições tiveram transmissão de rádio para toda a cidade e chegaram a ter quatro horas de duração e lotação máxima.

Conforme Nóris Maria Soares – historiadora formada pela UFPel – as apresentações eram brincalhonas, divertidas, sem faltar com qualidade. O teatro, no evento, teve destaque com algumas peças como “O Escultor”, “O Anjo”, “O Que Restou do Nosso Amor”, “O Ciúme” e “Agarra o Fantasma”.

Uma curiosidade interessante sobre o Festival do Gato Pelado é referente às datas de realização. Inicialmente, o evento costumava acontecer no dia 14 de julho: o mesmo da Tomada da Bastilha durante a Revolução Francesa de 1789. O Grêmio Estudantil escolheu essa referência para rotular o evento como um símbolo de liberdade, igualdade, fraternidade, direitos humanos e ideais iluministas, assim como os lemas da Revolução. Posteriormente, o Festival também ocorreu em 11 de agosto (Dia do Estudante) e 24 de outubro (aniversário do Colégio Municipal Pelotense).

 

Divulgação do Festival do Gato Pelado de 1942 no Diário Popular

 

Festivais, no geral, são importantes para o estímulo e crescimento pessoal e cognitivo dos participantes. O Festival do Gato Pelado não foi diferente. Marcou a vida de quem participou e vem mostrando que o ambiente escolar pode ser muito mais do que uma sala de aula. Pode ser espaço de libertação, criação e união!

Assim, a arte e a educação cumprem seu papel. Por vidas, pela evolução humana, por representatividade, pela democracia, e, claro, por liberdade, igualdade e fraternidade!

Legado do passado, reconstrução do presente e futuro brilhante!

Tendo em conta toda essa história, conclui-se que o Teatro dos Gatos Pelados é um coletivo escolar e jovem de suma importância para Pelotas e vem causando diversas formas de influência na sua jornada de 120 anos.  É um ponto de fortalecimento pessoal, estímulo a habilidades cognitivas, constituição do indivíduo, exercício da cidadania, socialização, valorização das diferenças, inclusão e estruturação de carreiras. O ciclo entre esses fatores cultiva o amor pela arte e reforça que os colégios são fundamentais para o mantimento da democracia de modo harmônico. Não é apenas uma sala de aula em que o professor oriente o aluno, mas também um lugar em que estudantes têm voz e podem fazer a diferença!

Por outro lado, mesmo que o grupo tenha uma bela trajetória e marcas impactantes, existem obstáculos a serem superados e lições a serem aprendidas. Para tanto, se faz necessário recuperar e trabalhar o extenso passado da instituição teatral (por meio de fontes orais, escritas e jornalísticas); dialogar com a comunidade para auxiliar na reestruturação e revalorização, além de seguir produzindo arte, visando a evolução dos jovens teatreiros.

Hoje, o Teatro dos Gatos Pelados continua funcionando com muito amor, dedicação, e união, tendo muita história para contar. História sobre como a cultura é formadora e transformadora. História sobre o poder que a arte tem de unir e representar um povo. História da força da juventude e da inovação. História da importância e da presença da educação. História de que somos capazes de transformar o mundo com passos simples!

“EVOÉ!”

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