Festival de Cinema da Fronteira com inscrições abertas até dia 10 de março

A décima sétima edição do evento vai premiar filmes de curta-metragem, longas e de animação

 

A atriz e diretora Bárbara Paz foi a homenageada da edição do ano de 2022                Foto: Isidoro B. Guggiana

 

Estão abertas as inscrições para o XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Curtas, animações e longas podem ser inscritos gratuitamente até o dia 10 de março de 2026, na página do evento na plataforma FilmFreeway. O Festival a acontece de 28 de abril a 2 de maio nas cidades gaúchas de Bagé e Sant’Ana do Livramento. Os links de registro de obras estão na bio do Instagram @festivaldafronteira.

A novidade desta edição é o Prêmio São Sebastião – Assembleia Legislativa de Cinema, que passa a ser concedido a partir de termo de cooperação celebrado com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, que este ano é co-realizadora do evento, junto à Prefeitura de Bagé, através de sua Secretaria Municipal de Cultura, e a Associação Pró-Santa Thereza. Serão entregues R$ 15 mil em dinheiro aos vencedores das principais categorias – R$ 10 mil para melhor longa-metragem e R$ 2,5 mil tanto para o melhor curta, quanto para o melhor curta de animação.

As mostras competitivas internacionais de Curtas-Metragens, Curtas de Animação e Longas-Metragens aceitam filmes com duração máxima de 20 minutos, para as duas primeiras categorias, e 50 minutos para a última. Todas obedecem a critérios semelhantes, recebendo títulos falados originalmente em português ou espanhol ou legendados em um desses dois idiomas, de contextos de culturas ibero-americanas e oriundos de países de língua portuguesa, língua espanhola ou idiomas originários.

As produções inscritas devem ser produzidas em regiões de fronteira ou que abordem temáticas relacionadas a fronteiras geográficas, geopolíticas e sociais, bem como a fronteiras ou rupturas de linguagem. Poderão ser inscritos trabalhos finalizados a partir de 1º de janeiro de 2024 em todas as três categorias.

O Prêmio São Sebastião – Assembleia Legislativa de Cinema tem o objetivo de fomentar, reconhecer e difundir a produção audiovisual latino-americana, nacional e internacional, com especial atenção às cinematografias produzidas em territórios de fronteira, promovendo o intercâmbio cultural, a diversidade estética e o fortalecimento do cinema enquanto expressão artística, cultural e política.

O XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira é uma realização da Associação Pró Santa Thereza, Prefeitura Municipal de Bagé, através da Secretaria Municipal de Cultura, e Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. A produção é da Maristela Ribeiro Produções. O evento tem apoio da ACCIRS – Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp), institucional do Instituto Estadual de Cinema (Iecine-RS); Instituto Federal Sul Rio-grandense (IFSul) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

XVII Festival Internacional de Cinema da Fronteira

Quando: de 28 de abril a 2 de maio de 2026

Inscrições: FilmFreeway  (até 10 de março de 2026)

Links na bio do Instagram: @festivaldafronteira

Site: festivaldafronteira.com.br

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

História de cultura e resistência no Carnaval de Pelotas

Termina nesta terça-feira mais uma edição do evento que evidencia cada vez mais as contradições brasileiras     

Por Líliti Goulart       

 

Alegria toma conta das ruas neste feriado  de ano a ano    Foto: Volmer Perez / Secom / Prefeitura de Pelotas

 

O Carnaval de Pelotas 2026  começou na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, com o Encontro dos Tambores, seguido pelo concurso das entidades carnavalescas, desfiles de blocos e termina nesta terça-feira. Mais uma vez, convida a revisitar as suas origens na cidade de Pelotas. Conhecido por sua rica história e cultura, o município guarda em suas festividades carnavalescas um legado que remonta a séculos, entrelaçando tradições europeias e a vibrante cultura afro-brasileira. Suas raízes e evolução ressoam atualmente em uma das mais emblemáticas celebrações do sul do Brasil.

O Carnaval de Pelotas possui uma história rica e multifacetada. A cidade, que prosperou no século XIX devido ao ciclo do charque, viu sua elite promover festividades carnavalescas inspiradas nos luxuosos carnavais europeus de Veneza, Nice e Paris. Estes eventos, caracterizados por desfiles de carros alegóricos e batalhas de confetes na Rua XV de Novembro, eram o epicentro do que ficou conhecido como o Grande Carnaval.

Contudo, a celebração pelotense sempre foi marcada por uma dualidade social. Enquanto a elite desfilava em seus clubes exclusivos, como o Brilhante e o Pelotense, as camadas populares, especialmente a comunidade negra, criavam suas próprias formas de expressão e resistência. Os clubes carnavalescos negros, como o histórico Chove Não Molha, fundado em 1901, e o Depois da Chuva, desempenharam um papel crucial na afirmação da identidade e na construção de espaços de sociabilidade em uma sociedade muitas vezes excludente.

 

Escolas de samba tem como inspiração os tempos áureos do Carnaval pelotense        Foto: Prefeitura de Pelotas

 

A influência da cultura afro-brasileira é inegável no Carnaval de Pelotas, especialmente através das escolas de samba. A Academia do Samba, fundada em 3 de fevereiro de 1949, destaca-se como uma das mais antigas do Rio Grande do Sul. Outra potência do Carnaval pelotense é a Escola de Samba General Telles, fundada em 1950. Ostentando mais de 20 títulos do carnaval local, ocupa o lugar de uma das mais tradicionais e vitoriosas do interior gaúcho, .

Carnaval atualmente

O Carnaval de Pelotas viveu seu auge entre as décadas de 1960 e 1980, sendo considerado o terceiro maior Carnaval do Brasil. No entanto, ao longo dos anos, enfrentou desafios como as crises financeiras e as mudanças de local de realização, migrando da tradicional Rua XV para a Passarela do Samba. Em 2026, a cidade voltou a celebrar o Carnaval na data oficial, um movimento que reflete o esforço contínuo para resgatar e valorizar as tradições de rua e a participação dos blocos burlescos.

Atualmente, o Carnaval de Pelotas ressoa como um elo vibrante entre o passado aristocrático e a resistência cultural da comunidade negra. É uma festa que, através do ritmo, da dança e da alegria, mantém viva a memória das charqueadas e a rica tapeçaria social que moldou a identidade da cidade. A folia pelotense continua a ser um espaço de celebração, memória e reafirmação cultural, adaptando-se aos novos tempos sem perder suas raízes profundas.

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

RPG de mesa é fenômeno cultural em Pelotas desde anos 1990

O Role Playing Game (Jogo de Interpretações de Papéis) segue crescendo na Capital Nacional do Doce      

 Por Inácio Amorim e Sofia Mazza    

 

Além de entretenimento, o RPG vem sendo cada vez mais ponto de interesse dos estudiosos Fotos: Sofia Mazza

 

Entre histórias de vampiros, dragões e dados de vinte lados, o RPG de mesa tem se revelado em Pelotas como ferramenta de socialização, resistência e expressão criativa. De entretenimento, o RPG passou a ser objeto de estudos universitários. Para quem nunca jogou, a definição pode vir da infância: “Sabe quando éramos crianças e brincávamos de faz de conta? No fundo é muito parecido com isso, um jogo de imaginação em que criamos uma história coletivamente”, explica a jogadora e estudante de Design Kethlyn Bisso. Cada participante tem seu personagem, e um dos jogadores é o Narrador, responsável por compor o mundo e conduzir a história. Para organizar, usam-se tabuleiros, dados e regras que garantem a vez de cada um na composição da narrativa.

Nas décadas de 1990 e 2000, jogar RPG em Pelotas era uma atividade que acontecia em diversos espaços improvisados. O fotógrafo e jogador veterano Jô Folha relembra o período entre 1999 e 2000, quando estudava no Colégio Agrícola Visconde da Graça (CAVG): “Lá já existia um grupo de jogadores, acabamos virando amigos e foi assim que comecei a participar das mesas de RPG. Era tudo muito vivo, com muita gente envolvida, muito engajamento e bastante apoio para novas mesas e novos live actions. Com frequência também rolavam mesas de RPG na Praça Coronel Pedro Osório e até em barzinhos — qualquer lugar virava cenário de jogo”.

O fotógrafo recorda que algumas histórias precisavam ser divididas em várias mesas, devido ao grande número de participantes. O acesso ao material, porém, não era fácil: “A internet ainda engatinhava, o acesso ao material e aos livros de RPG não era fácil. Existia uma loja de RPG na cidade que tinha alguns livros e cartas de Magic, e esse lugar virou outro ponto de encontro forte da galera”.

 

Histórias de terror são um gênero que atraiu muitos adeptos aos jogos de criação

 

Chris Marques, também jogador veterano, relembra o período entre 1998 e 2002. “Jogamos entre amigos, tinha bastante revista de jogos e acabava que uma vez ou outra aparecia alguma notícia sobre RPG de mesa. Primeiro era algo para a gente poder ser os personagens dos jogos ou desenhos que gostava, então eram meio que improvisados os sistemas, a gente não tinha muita noção. Depois, mais para a frente, apareceram os manuais e as coisas foram ficando mais organizadas.” Segundo ele, o sistema “Vampiro: A Máscara” (“Vampire: The Masquerade”) foi um marco que levou mais pessoas a conhecerem o jogo, com diversos eventos de live action na cidade. As partidas aconteciam na casa de amigos, de forma intercalada, já que não existiam muitos lugares específicos para esse tipo de encontro na época.

Esse cenário começou a se transformar radicalmente com a popularização da internet e o surgimento de novas referências culturais. Chris Marques observa que “com acesso à informação de hoje, há pessoas famosas jogando lives de YouTube entre outras coisas, enquanto antigamente era muito nichado”.

Esse fenômeno ganhou força especialmente a partir de 2020, quando o streamer brasileiro Cellbit (Rafael Lange), criou o RPG de mesa “Ordem Paranormal”, transmitido ao vivo para milhares de espectadores. O projeto, que começou de forma despretensiosa como uma história de terror narrada entre amigos, rapidamente se transformou em um fenômeno nacional. A campanha de financiamento coletivo do jogo “Ordem Paranormal: Enigma do Medo” bateu recordes na plataforma Catarse, superando a marca de R$ 2 milhões de reais arrecadados, tornando-se o maior projeto da área criativa em plataformas brasileiras de financiamento coletivo.

 

Com o acesso à internet democratizado, o interesse pelo RPG tem crescido

 

Paralelamente, o sistema “Tormenta20”, da Editora Jambô, também se consagrou como um marco no mercado nacional de RPG. A campanha de financiamento coletivo do livro superou a meta inicial de R$ 80 mil, arrecadando mais de R$ 1,9 milhão e tornando-se um case de sucesso estudado nos meios acadêmicos. O material é descrito como “o maior e melhor RPG brasileiro” e “recordista absoluto de financiamento coletivo no país”, com uma comunidade engajada que contribuiu para o fortalecimento da marca no mercado.

Acompanhando esse movimento nacional, o cenário municipal de Pelotas também vive sua própria expansão institucional. No âmbito acadêmico, foi fundada a cadeira de TTRPG (Tabletop Role-Playing Game) para o curso de Design de Jogos, ministrada pela professora Mônica de Lima. Simultaneamente, foi fundado o clube de RPG Instituto Feudal, vinculado ao IFSul, cujo coordenador é Marco Collares, historiador formado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e docente do Instituto Federal Sul Rio-grandense (IFSul). Essas iniciativas representam a consolidação do RPG não apenas como entretenimento, mas como objeto de estudo e prática institucionalizada na cidade, oferecendo espaços dedicados que antes não existiam para que novos jogadores possam descobrir essa forma de expressão criativa e socialização.

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

“Stranger Things” divide os fãs, mas mantém o legado como carro-chefe de plataforma de streaming

Série que ajudou a mudar a Netflix de patamar encerrou-se no final de 2025   

Por Henri Porto Dias   

 

Momento de uma das reuniões da equipe para leitura do roteiro para a quinta temporada       Fotos: Divulgação

 

Após quase 10 anos desde o lançamento da primeira temporada, e três anos após a exibição da quarta, a quinta temporada de “Stranger Things”, produção criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, foi lançada em três partes no final do ano pela Netflix, com o derradeiro episódio adicionado à plataforma no último dia de 2025.

O final esperado pelos fãs assíduos que viveram as aventuras de Hawkins junto com as (não mais) crianças, prometia um épico confronto final e despedidas trágicas dos personagens amados, porém o que foi entregue pelos Duffers destoou muito disso. Causou discórdia e fúria dos apaixonados pelo universo do Mundo Invertido.

Apesar da “decepção”, é inegável a importância da produção para toda uma geração, e para a própria plataforma que a desenvolveu, com “Stranger Things”. Marcou a história da Netflix para sempre, e o seu final gerou uma nova era para a empresa.

Quinta Temporada

Os irmãos Duffer entregaram algumas gratas surpresas para a já apelidada “última aventura” da série após Vecna (Jamie Campbell-Bower) abrir diversos portais por Hawkins e a quarta temporada ser concluída com Max (Sadie Sink) em coma, com o resto dos heróis unidos novamente para uma batalha final.

As duas jornadas de Will (Noah Schnapp), tanto pessoal para conseguir aceitar e revelar a sua sexualidade para os amigos, com grande contribuição de Robin (Maya Hawke), além da descoberta de seus poderes “emprestados” de Vecna/Henry Creel, foram o ponto alto da temporada. Nas jornadas anteriores, o personagem foi destinado apenas a sofrer e ficar escanteado pela narrativa, ganhando merecido destaque na conclusão.

 

Grupo planeja uma nova estratégia em uma das cenas da última temporada

 

Foram ótimas para oxigenar a história, situada nos anos 1980, a adição de novos personagens como Holly Wheeler (Nell Fisher), que já era recorrente, porém apenas como figurante nas quatro temporadas anteriores. Agora, está como peça-chave do enredo. E, num hilário alívio cômico, aparece Derek (Jake Connelly).

De pontos negativos, o retorno de Kali/Oito (Linnea Berthelsen) que, assim como na sua aparição original na segunda temporada, serviu apenas para irritar o público com sua melancolia e fraca função na história. No núcleo dos militares, em especial a adição da Dra. Kay (Linda Hamilton), foi extremamente genérica e um desperdício da figura da atriz, tão marcante em produções dos anos 1980, como “O Exterminador do Futuro”, nem de longe ameaçadora e instigante como o Dr. Brenner (Matthew Modine). Por fim, a luta final contra Vecna foi curta e, de certa forma, “fácil”, apesar da ameaça e da união do vilão com o Devorador de Mentes, visto na segunda e terceira temporadas.

Apesar das fortes críticas do público e de parte da crítica especializada, a última temporada de “Stranger Things” fecha de forma satisfatória com uma última cena emocionante e que encerra o ciclo do primeiro episódio. Com o passar do tempo e com o fim das expectativas, deve ser lembrada com mais carinho e sem o aditivo da espera de três longos anos para o desfecho. Houve uma “correria” e desorganização para concluir os roteiros da série dos Duffers, ocasionando em uma falta de polimento nos conjuntos de acontecimentos, quando se lembra de que é uma jornada de jovens amadurecendo em um mundo bizarro e não um épico de ficção científica.

 

Elenco no lançamento da quinta temporada da série “Stranger Things”

 

Hawkins ganha o mundo

Os irmãos Duffers decidiram pôr em prática o seu projeto, inspirados nos filmes de terror dos anos 1980, que eles cresceram assistindo, além das obras de Stephen King. Inicialmente a história iria se passar em Montauk, trocando depois para a fictícia cidade de Hawkins, Indiana. Eles não imaginavam que essa ideia, iniciada com quatro crianças jogando “Dungeons and Dragons” no porão, iria virar uma franquia de sucesso absoluto e que preencheria uma importante lacuna de uma geração.

Os jovens adultos, que nasceram no início dos anos 2000, não tinham uma saga que moldasse a sua infância. Quando eles viam seus irmãos mais velhos, tios nascidos no meio ou final dos anos 1990, comentando sobre como era esperar ansiosamente para um novo filme de Harry Potter, eles sentiam falta de um “Harry Potter” para chamar de seu. E vindo despretensiosamente, de uma Netflix ganhando força, “Stranger Things” se tornou a série de uma geração e que cresceu junto com ela.

A partir da primeira temporada, a série foi crescendo cada vez mais de popularidade, a comoção ficou maior. Com o maior boom vindo em sua quarta temporada, foi notável principalmente na quinta e última temporada o tamanho da franquia que a série de aventura virou. Ao entrar no mercado, diversos produtos foram licenciados. Ao ligar a televisão, anúncios temáticos de marcas gigantes como Fiat e McDonalds lembravam da série.

Os seus atores explodiram em popularidade. Millie Bobby Brown tem sua produtora própria, um enorme número de seguidores e entrou para a franquia de Sherlock Holmes com seu spin-off próprio. A atriz Sadie Sink já protagonizou diversos projetos, incluindo “A Baleia”, que premiou Brendan Fraser com o Oscar de Melhor Ator. Agora, já foi confirmada para o elenco do novo “Homem Aranha”.

Joseph Quinn, que participou apenas de uma temporada, foi catapultado para o estrelato, entrando para as franquias da Marvel e de “Gladiador”, já confirmado como um dos Beatles nos futuros filmes da banda. Winona Ryder e David Harbour renovaram suas carreiras.

Joe Keery estourou com sua carreira musical, com o hit “End of Beggining”, popularizado pela série. No cenário musical, músicas dos anos 1980 voltaram ao cenário popular impulsionadas pela produção, como “Should I Stay or Should I Go” e “Runnin Up That Hill”.

Apesar de tudo, a maior beneficiada dessa história foi a própria Netflix, que teve o mérito de acreditar nos desconhecidos Duffers, e que colheu muito mais do que provavelmente esperava. Mas, agora, após 10 anos, não a melhor, mas a sua maior série original de repercussão chegou ao fim. E, mesmo que o serviço de streaming siga sugando o suco de popularidade da série com spinoffs por todo canto, nada mais será como antes.

A Netflix não é mais a mesma de 2016, com eventos ao vivo, dividindo a atenção do público junto às produções de seu catálogo. Agora, a gigante não tem mais o seu carro-chefe, que carregava gerações e que lhe rendeu muito dinheiro. Enquanto o cenário da empresa é de incerteza e de um novo horizonte no quesito artístico, para o público resta uma nostalgia cada vez maior, a gratidão por ter vivido essa história em seu auge e a certeza de que amigos não mentem.

Ficha Técnica

Título: Stranger Things

Anos de exibição: 2016-2025

Criada por: Matt e Ross Duffer

Temporadas: Cinco

Classificação: 16 anos

Gênero: Drama, Teen, Ficção Científica

País de origem: Estados Unidos da América

Produtores: Karl Gajdusek, Cindy Holland, Brian Wright, Matt Thunell, Shawn Levy, Dan Cohen, The Duffer Brothers, Iain Paterson, Curtis Gwinn

Elenco (5° Temporada): Winona Ryder (Joyce Byers), David Harbour (Jim Hopper), Millie Bobby Brown (Jane Hopper/Onze), Finn Wolfhard (Michael “Mike” Wheeler), Gaten Matarazzo (Dustin Henderson), Caleb McLaughlin (Lucas Sinclair), Noah Schnapp (William “Will” Byers), Sadie Sink (Maxine “Max” Mayfield), Natalia Dyer (Nancy Wheeler), Charlie Heaton (Jonathan Byers), Joe Keery (Steve Harrington), Maya Hawke (Robin Buckley), Brett Gelman (Murray Bauman), Priah Ferguson (Erica Sinclair), Jamie Campbell Bower (Henry Creel/Um/Vecna), Cara Buono (Karen Wheeler), Linda Hamilton (Dra. Kay), Nell Fisher (Holly Wheeler).

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

Teatro dos Gatos Pelados conta 120 anos de história e tradição

Grupo ligado ao Colégio Municipal Pelotense tem suas origens nas atividades de artes cênicas desde o ano de 1905      

Por Marco Ayala         

O coletivo de teatro do Colégio Municipal Pelotense, na cidade de Pelotas, o Teatro dos Gatos Pelados, tem as suas origens nas atividades extracurriculares da escola nas artes cênicas desde 1905  (quando ainda se chamava “Ginásio Pelotense”). O grupo, com outras denominações anteriormente, adotou o nome atual em 1963, sendo assim reconhecido e tendo a sua identidade. O apelido “gato pelado” é uma provocação reaproveitada como um símbolo de honra. A implicância era de alguns alunos de outro educandário, o Colégio Gonzaga (na época, “Ginásio Gonzaga”), que alimentavam rivalidades, fazendo menções à classe social dos estudantes do Ginásio Pelotense. O gato mascote surgiu com um caráter unificador, trazendo um sentimento de orgulho, de pertencimento, e representa a ideia de empatia e inclusão.

 

A identidade visual do gato pelado foi criada em 1951, pelo notável aluno da época, o escritor, desenhista, jornalista e professor Audyr Garcia Schlee

 

O Teatro dos Gatos Pelados faz jus ao próprio nome. O grupo é referência tanto por suas contribuições para o mundo da arte, quanto por seus princípios humanistas. Após a sua fundação, ampliou seus horizontes, sendo valorizado a nível nacional. Entretanto, o coletivo conta com obstáculos sérios em sua história centenária. Sendo assim, a sua trajetória é marcada por momentos altos e baixos, e, hoje, vive um processo de reestruturação. Atualmente, suas atividades se dividem em duas turmas – uma pela manhã com a participação de alunos do quinto ao oitavo ano do Ensino Fundamental, e outra à tarde com estudantes do nono ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

Inspiração, potência e transformação

O teatro é uma expressão performática e cultural que conta com o trabalho cooperado de artistas e equipe de produção. Além do espetáculo oferecido à plateia, abrir as cortinas e sair das coxias traz bem-estar e outros benefícios aos participantes. Conforme a integrante do Ladra (Laboratório de Dramaturgia do curso de Teatro da Universidade Federal de Pelotas), Bárbara Nunes, estar no palco é ser fadado a representar qualquer coisa, seja uma pessoa ou um animal. Por isso, o fazer teatral é sinônimo de perda de timidez, compreensão dos seus próprios sentimentos e do seu corpo. Permite superar ansiedades e confusões consigo mesmo, entender o que é certo e errado, saber se comunicar e entender o mundo. Atiça o senso crítico profundo. Leva a lidar com pessoas de variados tipos e culturas, socializar e fazer amizades de modo mais eficaz. O trabalho em equipe desenvolve a empatia, criatividade, raciocínio e o sentimento de responsabilidade. São habilidades importantes ao longo da vida que o teatro exercita.

Ou seja, a prática também simboliza formar sujeitos éticos e educados, além de reciclar obstáculos para o bem-estar social e harmônico como expressões críticas aceitas na cidadania, que não são bem-vindas em qualquer contexto. Segundo o filósofo Friedrich Nietzsche: “a arte existe porque a vida não basta”.

“Trabalhar com teatro é maravilhoso! […] Pra mim, o teatro não tem malefícios. É sobre encontro, desenvoltura, parceria, jogos, alegria, energia pura! Assim passar essa questão do fazer teatral para crianças e adolescentes só tem a agregar ao mundo! Pra mim, o teatro e a arte são agentes de transformação social, mudam a pessoa, e acabam trazendo qualidades! […] O teatro é, realmente, um serviço para a sociedade. Quem nunca fez, eu sempre indico que faça uma aula de teatro!”

Bárbara Nunes

“O Teatro te proporciona uma visão geral de vida, de contrastes, de entendimento de comportamentos. Ele é mágico e atinge cada um de uma maneira. E é preciso entender que se despir da vaidade, da soberba e ideias bobas é muito importante para ser um artista teatral. […] Ele te torna um trabalhador a serviço do entretenimento, da arte de transmitir ideias e conjecturas sociais, de um tempo atual, passado ou futuro. Encarar o ser ator é um ato de generosidade e não de superioridade”

João Bachilli, proprietário do grupo Tholl e ex-integrante do Teatro dos Gatos Pelados

O teatro no Colégio Pelotense segue essas premissas, sendo considerado um ponto de amor, dedicação, inspiração e transformação. O impacto é percebido em estudantes e ex-estudantes que já participaram. Há pessoas que eram pessoas mais tímidas, ou que pertencem a grupos/classes com estereótipos marginalizados, aqueles que são mais privilegiados no meio social e/ou já dotados de habilidades que o teatro proporciona. Aparecem nomes que viriam a fazer sucesso na arte, até os que só fazem ou fizeram parte do coletivo por entretenimento e querem seguir outros rumos em suas jornadas… Todos convertem suas experiências artísticas em funções que continuam fazendo sentido no seu dia a dia. Uns menos e outros mais.

 

                                    Alunos da turma da tarde praticando jogos lúdicos para aprendizados de capacidades corporais                                    Fotos: Arquivo/ Teatro dos Gatos Pelados

       

            “Não pretendo [seguir com o teatro na vida], mas eu respeito muito quem está lá! Eu acho sensacional estar perto de pessoas tão talentosas como os meus colegas; e eu dou todo o apoio para eles seguirem […]. Eu gosto de estar nesse meio pra me desafiar, pra conseguir falar de uma forma melhor. […] Minha comunicação sempre foi boa e eu sempre fui trabalhando mais ela. O teatro foi só mais um passo nisso. […] E é incrível poder ver esses colegas conquistando um espaço muito bonito dentro das artes!”

João Gabriel Soares Maicá, artista do Teatro dos Gatos Pelados

 

João Gabriel é estudante do Ensino Médio do Colégio Pelotense. O aluno convive diariamente com dislexia, TDAH e o autismo. No entanto, mesmo que ele tenha esses obstáculos neurodivergentes, eles se transformam em motivo de orgulho e autoestima. João Gabriel afirma que é alguém que lida muito bem com suas diferenças. O Teatro dos Gatos Pelados, por ser um espaço acolhedor e amigável, reforça sua autoconfiança e motivação. Estimula todos que tenham as mesmas características a lutar por seus direitos, não deixar se abalar ou achar que se é incapacitado, e não sofrer por ser alguém imperfeito ou fora do comum (se é que essas denominações existem). Então, o Teatro é um espaço de resistência, felicidade, ativismo, companheirismo e evolução.

 

“A forma que eu luto [por uma sociedade melhor] é conscientizando as pessoas […] sobre os transtornos neurológicos e sobre as causas divergentes. […] acho que, por eu estar no teatro com os transtornos que eu tenho, já tem uma representatividade!”

João Gabriel Soares Maicá

 

Todos podem atravessar suas cortinas e superar seus limites. Assim, João Gabriel serve de inspiração, não só pela sua execução teatral bem-sucedida, mas também pela causa social que ele transmite. Mostra o poder da arte e por que ela é indispensável.

A mesma situação se aplica para Otávio Santos, aluno negro, que também estuda no Ensino Médio e participa do Teatro dos Gatos Pelados:

 

“Acredito, sim, que ser negro e vir de periferia faz diferença! Fazer teatro não é o sonho de todos que moram na periferia. Não existe um modelo a se seguir ou para se espelhar. Não é o meu caso, mas sabemos a dificuldade de acesso a esse tipo de arte nesses locais. Vejo que, ao entrar no teatro, a pessoa consegue aflorar tudo que sente e consegue expressar esse sentimento, assim, deixando a sua vida mais leve! Uma sociedade na qual as pessoas se sentem mais leves é uma sociedade menos ansiosa!”

Otávio Santos

 

De acordo com Otávio, o teatro é uma ferramenta social que lida com as relações de poder simbólicas, e a comunicação é a chave para a imposição do humano no mundo. Portanto, já que o fazer teatral tem como essência o desenvolvimento do ato de comunicar do praticante, essa modalidade de arte torna o artista armado de instrumentos que lhe dão poder para seguir seu caminho.

 

“O teatro influencia em quase todas as esferas da minha vida (se não forem todas!), […] desde a esfera social até a acadêmica. Eu já era comunicativo antes de ingressar no teatro. Mas, após meu início, eu tive uma melhora significativa em comunicação e sabemos que hoje em dia uma boa comunicação abre portas. São diversos os benefícios [do teatro]. A comunicação é aprimorada – assim como todas as outras habilidades sociais do indivíduo – você acaba se conectando mais consigo mesmo se conhecendo melhor com o tempo. E, acima de tudo, vejo que o teatro é um lugar no qual as pessoas tímidas conseguem desabrochar […]. Consigo falar uma definição do que é o teatro em minha vida: espaço seguro. Seguro para ser eu mesmo. Seguro para tentar coisas novas. Seguro para errar.”

Otávio Santos

 

O Teatro dos Gatos Pelados também é de grande importância e representatividade para o Colégio Pelotense em si (para quem o rege, para quem trabalha e estuda lá). O coletivo é ligado à escola desde sua origem, levando consigo o apelido da instituição de educação. Portanto, a história e a causa social do grupo reforçam a marca do Colégio como uma escola de ensino público capaz de formar seres humanos altamente qualificados, que incentiva a inclusão e interação entre as pessoas com personalidades e definições distintas, que acredita no potencial e inspiração da arte, e preocupada com o desenvolvimento dos alunos para além das matérias obrigatórias e da base curricular.

 

Manifesto do Teatro dos Gatos Pelados, lançado no dia 3 de dezembro de 1963, oficializando grupo

 

História com altos e baixos

Em 1905, as atividades extracurriculares iniciam no Ginásio Pelotense, partindo de iniciativa dos próprios alunos. Em 16 de setembro do mesmo ano, foi fundado o Grêmio Dramático do Ginásio Pelotense, que funcionou até meados da década de 1910. O Grêmio promoveu diversas ações – como a peça “Os Botões”, encenada ainda em setembro de 1905; um festival em novembro do mesmo ano, com duas peças e diversos monólogos; além dos dramas “Redenção”, em 1907, e “Dalila”, em 1909.

Em abril de 1911, foi fundado o Centro Literário 24 de Outubro. Esse era um clube estudantil – do até então Ginásio Pelotense – voltado para atividades de literatura e teatro. Uma das produções do Centro Literário foi o espetáculo “Rolando de Roncesvales”, no Theatro Sete de Abril, que foi considerado com “grande pompa e luxuoso figurino” pela imprensa.

Nas décadas de 1910 e 1920, o teatro ainda marcou presença no cotidiano da escola, com participação em festivais locais, intermunicipais, escolares e datas cívicas, mas foi a partir da década de 1930 que as artes cênicas escolares tomaram um impulso maior.

Em 1935, o Grêmio Estudantil criou o Dia do Gato Pelado, conjuntamente com o Festival do Gato Pelado, que era uma noite de apresentações artísticas produzidas pelos alunos. O evento agregava os estudantes da escola não só com teatro, mas também com outras atividades escolares extracurriculares. O Festival do Gato Pelado teve edições até 1961.

Ao longo das décadas, as atividades teatrais do Colégio Pelotense continuavam marcando presença na região. Um destaque vai para a radionovela “Os Amadores”, que – em 1956 – foi transmitida para toda a zona sul do Rio Grande do Sul pela Rádio Cultura. Foram oito capítulos que iam ao ar todas as quartas-feiras às 20:30min.

O teatro pelotense, como um todo, viveu um grande florescimento nos anos 1960 e 1970 com a criação da STEP (Sociedade de Teatro de Pelotas). Foi a STEP que promoveu os festivais de teatro de Pelotas entre 1960 e 1971. Esse movimento em prol das artes cênicas estimulou que, no final de 1963, fosse fundado o Teatro dos Gatos Pelados, dando continuidade à tradição cênica da escola que começou em 1905.

A geração “fundadora” do Teatro dos Gatos Pelados foi extremamente produtiva nas décadas de 1960 e 1970, com apresentações marcantes. Os três grandes destaques dessa época foram “Bira e Conceição” (eleito melhor Musical do 5º Festival Nacional do Teatro do Estudante), “O Jovem Rei” (premiado como melhor Roteiro, Melhor Figurino e Melhor Cenografia & Iluminação no 6º Festival Nacional do Teatro do Estudante) e “A Viagem de um barquinho” (medalha de prata no 6º Festival Nacional do Teatro Infantil). Diversos nomes de relevância nacional surgiram neste período, como Valter Sobreiro Júnior, Mauro Soares e Fernando Melo da Costa, dentre outros.

O Teatro dos Gatos Pelados seguiu em intensa atividade no restante do milênio. Então, limitar apenas esse período vitorioso como o momento de grandes eficiências nas criações artísticas é cometer um equívoco e descartar o restante da história. Não só no período mais glorioso – mas também no século todo – o Teatro dos Gatos Pelados continuou participando em apresentações nacionais, estaduais e regionais; sendo amplamente reconhecido pela comunidade e pelas mídias. Essas décadas de atividades ininterruptas revelaram outros grandes nomes. Alguns exemplos são Ruth Ferreira (formada nos anos 1950 com passagens em radiodifusoras do Rio de Janeiro); José Oliosi (integrante do Teatro dos Gatos Pelados na década de 1940 com mais de 50 filmes nacionais em currículo, como “Xica da Silva” e “Memórias do Cárcere”); Ronaldo Cupertino de Moraes (fundador da Associação dos Artistas Amadores de Pelotas, em 1985, premiado em diversos festivais); e Martha Isaacson de Souza – atriz e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e ex-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós Graduação em Artes Cênicas (ABRACE).

Atualmente, talvez o perfil mais conhecido em atividade é João Bachilli (multipremiado pelo Teatro Escola e fundador do Grupo Tholl, renomado coletivo de circo e teatro de Pelotas). E vale mencionar duas jovens promessas que foram protagonistas de filmes estreados e bem valorizados em 2025. São eles: Gabriel Ferreira, de 18 anos – que atuou a versão adolescente de Marcelo em “Passaporte Memória” – e Lis Neuwald, de 14 anos (que representa Luna em “O Lado Obscuro de Luna”). Enquanto Gabriel continua no Teatro dos Gatos Pelados, Lis dedica maior parte de seu tempo a outras atividades, como o Grupo Oficina – dirigido por Flávio Dornelles – do Theatro Guarany, em Pelotas.

“Minha participação no Teatro dos Gatos Pelados foi num período quando não havia um diretor. Éramos um grupo de apaixonados por teatro e ficávamos fazendo exercícios teatrais e montando pequenas esquetes. Muitas vezes recebíamos visitas de ex-diretores […] que nos orientavam sobre esta arte de interpretar. […] O Teatro dos Gatos Pelados foi uma preparação com muita liberdade, sem grandes compromissos. […] As experiências mais técnicas e de imersão mais profundas vieram com o Teatro Escola de Pelotas; mas o Teatro dos Gatos Pelados me trouxe a certeza de que eu queria as luzes de um palco, a emoção de entrar em cena, a divertida ideia de viver personagens e tirar de cada um deles alguma coisa para a minha vida.”

João Bachilli

 

Entretanto, a história não foi escrita apenas com sucessos. Meados da década de 1990 já carregavam um enfraquecimento e irregularidade na frequência das atividades teatrais. E, em 2002, de forma oficial, o Teatro dos Gatos Pelados fechou as portas por algum tempo, sem se saber se voltaria a funcionar.

De acordo com o professor, historiador e atual coordenador do grupo, Joaquim Dias, as explicações para o fechamento foram a falta de estímulo à prática teatral e de professores interessados em seguir com o projeto. Isso aconteceu por falta de apoio e desvalorização da arte, que é um ciclo vicioso que acomete a sociedade, autoridades (governamentais, educacionais, etc.), os próprios artistas e a postura individual dos humanos. Essa deslegitimação vem da compra de discursos contrários ou indiferença com o fazer artístico. A linguagem de resistência às práticas culturais vem principalmente de argumentos das autoridades que regem a sociedade, mas também surgem do cidadão comum.

“Tudo faz parte de uma engrenagem. A sociedade não valoriza a arte. Logo em seguida, os nossos governantes também não. Logo em seguida, o comércio também não tem possibilidade de oferecer uma estrutura melhor para quem está fazendo entretenimento, para quem está fazendo esse tipo de coisa.”

Mateus Kempfer, músico da banda “Quarto Afora

 

Sob esses fatores, o professor Joaquim também menciona a naturalidade dos jovens em seguir suas próprias vidas – priorizando outras coisas. Além disso, vários também deixam a arte de lado por dificuldades de enfrentar as barreiras estruturais, financeiros e sociais – ou os que querem e realmente tentam viver nessa área, mas não conseguem ser bem-sucedidos.

Houve tentativas de obter investimentos público e governamental durante a década de 2010 para que o Teatro dos Gatos Pelados voltasse, mas a pandemia da COVID-19 tardou os planos e o interesse foi escanteado.

Felizmente, o Teatro voltou a funcionar em 2021 com aulas virtuais – ainda em meio à pandemia da COVID-19 – e, em 2022, de modo presencial. A reabertura foi devida, novamente, à iniciativa de estudantes, estudo e aperfeiçoamento do conhecimento teatral por parte de Joaquim Dias, e, principalmente, graças a uma parceria com o LADRA (Laboratório de Dramaturgia), do curso de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Atualmente, o grupo passa por um processo de reestabelecimento para se reerguer, e já conta com registros e fatos que revitalizam a potência do coletivo.

 

Elenco e produção de “O Que Acontece Lá Embaixo?”, peça teatral que estreou em dezembro de 2025

 

O LADRA é um espaço universitário que foca na criação, estudo e experimentação de textos dramáticos e processos de escrita cênica, em que a prática se estende para além da UFPEL. Em março de 2021, o Colégio Pelotense aceitou um convite da coordenadora do LADRA, Marina de Oliveira, sobre o projeto “Oficinas Dramatúrgicas” para as escolas (que seriam encontros semanais virtuais para desenvolvimento da dramaturgia e habilidades cognitivas relacionadas). A partir de então, o LADRA seguiu em parceria com o Colégio Pelotense. Vêm ocorrendo oficinas, aulas, apresentações no auditório em datas festivas, e, assim, o Teatro dos Gatos Pelados começa a se reerguer.

Seguindo com o processo de reestruturação, em 2025, o grupo teatral se apropriou de uma comunicação mais digital e moderna. Reconstituiu o seu histórico desde 1905, tornando suas criações artísticas mais acessíveis, e buscando apoio comunitário e patrocínios para cumprir suas demandas. Então, Pelotas e região tiveram acesso às conquistas, realizações e personagens que compõem a trajetória do Teatro dos Gatos Pelados. Desse modo, os jovens voltaram a se sentir representados e a se identificar com a arte produzida da escola para a sociedade, assim como as gerações mais antigas.

 

Participantes do Teatro dos Gatos Pelados de 2023 que apareceram em “Passaporte Memória” e se fizeram presentes no 53º Festival de Cinema de Gramado. Da esquerda para a direita, são eles: Laura Gulart, Ingrid Mendes, Isadora Ulguium, Luiza Campos, Joana Naromi, Manuela Damasceno, Vinicius Teixeira, Gabriel Ferreira, Eduardo Teixeira e Joaquim Dias (coordenador do Teatro)

 

Além disso, a década de 2020 é marcada por outras conquistas dos “gatos pelados”. Em 2023, 12 alunos e três professores integrantes do grupo foram convidados pela produtora “Atama Filmes” para compor o elenco de “Passaporte Memória”. A obra debate memórias e traumas de um imigrante que volta de Paris para sua cidade natal após a Ditadura Civil-Militar. Teve como destaque a participação do estudante Gabriel Ferreira, chamado para representar o personagem principal – Marcelo – durante sua adolescência – o qual, na vida adulta, foi atuado pelo francês Stephane Brodt.

Em 2025, o filme estreou no 53º Festival de Cinema de Gramado. Assim, o grupo viajou para o município da serra gaúcha para assisti-lo. Porém, isso só foi possível com o sucesso de uma mobilização comunitária no Instagram para que pudessem bancar a ida de todos para o Festival. Lá, o filme foi premiado na categoria “Longas-metragens Gaúchos” duas vezes (“melhor ator” para Stephane Brodt, e “melhor atriz” para Lara Trémouroux). Além disso, Gabriel Ferreira foi indicado a concorrer como melhor ator coadjuvante, e “Passaporte Memória” também marcará presença nos telões franceses.

Ainda no ano passado, o lançamento e a exibição em diversos municípios gaúchos de “O Lado Obscuro de Luna” – com Lis Neuwald atuando como a personagem central – também chamou atenção para a importância do Teatro dos Gatos Pelados. Esses podem ser os estopins para o grupo continuar firme no mapa das referências culturais e sob os olhares da comunidade.

O coletivo continua produzindo novos trabalhos autorais todos os anos. A última obra apresentada foi “O Que Acontece Lá Embaixo?”, no dia 8 de dezembro de 2025. A encenação debate – de maneira brincalhona, fictícia e extremamente subjetiva – o abandono de crianças; a segregação socioespacial com um sistema de comunicação que atende a interesses individuais; inclusão e exclusão; além dos paradoxos que envolvem o que a sociedade entende como o bem e o mal, a relação entre “o mundo real e o inferno”.

Hoje em dia, a principal missão da instituição teatral escolar é aproveitar os recentes empurrões e as motivações internas para continuar se reerguendo, melhorar sua estrutura interna, encantar e dialogar com a população, e retomar o alcance e reconhecimento nas suas produções. Para tanto, as criações de espetáculos e as aulas de teatro não são suficientes. O grupo precisa e continua buscando a atenção e mobilização comunitária e dos meios de comunicação para a conclusão de seus objetivos.

“Com certeza, uma coisa que tem que destacar é que, se eles [Teatro dos Gatos Pelados] tivessem mais apoio e ajuda, estariam muito mais à frente e alcançariam muito mais pessoas. Muitos ainda não conhecem, não sabem que podem participar, onde assistir! O trabalho de divulgação do jornalista dentro da cultura é fundamental para que o público entenda e conheça o que está acontecendo. São oportunidades que se está perdendo por não se saber como participar ou contemplar essas obras, esse esforço […]. Por exemplo, um jogo de futebol é fácil de todos saberem […]. Mas sabe quando uma peça de teatro está em cartaz? […] Então, sem dúvida, a assessoria e os canais de imprensa são fundamentais e colocam mais um holofote em cima desses talentos que querem brilhar!”

Carolina Mattos, ex-assessora de imprensa do Teatro dos Gatos Pelados

“Um grupo de uma escola precisa de incentivo e ser levado a sério. Muitas vezes, um exercício teatral te leva a descobrir coisas para a tua vida extremamente importantes, valendo às vezes muito mais que muitas outras aulas convencionais. E, nesses grupos, grandes talentos surgem, e muitos seguem. Mas a grande maioria desiste por ser impedida pela família ou achar que não tem futuro!”

João Bachilli

 

Ademais – e, talvez, o mais importante – o Colégio Pelotense e o Teatro dos Gatos Pelados querem seguir formando seres humanos qualificados, de bom caráter e senso crítico, de conseguir provocar o debate público, com capacidade de lidar em sociedade (de modo a contribuir para a manutenção da civilização em seus diversos sentidos), de buscar um mundo melhor. Assim, consequentemente, todos serão bem-sucedidos com o que quiserem – seja na área profissional ou na vida pessoal – e serão felizes: coisas que o teatro tem como essência e é extremamente capaz de [trans]formar nas pessoas!

 

Parte do elenco de “Bira e Conceição” no Rio de Janeiro em 1968

Glórias inesquecíveis

Dentre tantos encantos, uma fase se destaca como o auge da jornada centenária da instituição. No final da década de 1960 e na década de 1970, o já fundado Teatro dos Gatos Pelados viveu um patamar que entrou para a história do teatro sulista e nacional.

Em 1967, o Serviço Nacional de Teatro (SNT) reverenciou a peça “Bira e Conceição”, do Teatro dos Gatos Pelados, convidando-o para o 5º Festival Nacional de Teatro dos Estudantes, no Rio de Janeiro, em 1968.

O Festival Nacional de Teatro dos Estudantes era uma competição entre os melhores grupos teatrais universitários do Brasil. Contribuiu para o lançamento de nomes consagrados como Gianfrancesco Guarnieri, Carlos Vereza, Paulo José, Tereza Rachel, Leila Diniz e Othon Bastos. O evento era administrado por Paschoal Carlos Magno: ator, poeta, diplomata, teatrólogo, crítico literário, ex-vereador do Distrito Federal, embaixador brasileiro, e chefe de gabinete do governo de Juscelino Kubitschek; considerado um renovador do teatro e da dança brasileira.

Sob essas circunstâncias, apenas o feito de ser selecionado para o Festival já era gigante (e foi fortemente comemorado). Vale lembrar que o Teatro dos Gatos Pelados foi o primeiro coletivo de estudantes não universitários a ser selecionado.

Assim, o grupo viaja ao Rio de Janeiro levando “Bira e Conceição”.

A equipe estava a comando do professor Valter Sobreiro Júnior, e não tinha grandes esperanças de premiações. Entretanto, o grupo se superou e se sagrou campeão na categoria musical. A partir daí, o Teatro e o Colégio Pelotense (que, na época, era reconhecido como o maior da América Latina) tem a sua imagem fortalecida. A escola recebe Moção da Câmara de Vereadores de Pelotas. Os jornais pelo Brasil a fora dão destaque à delegação. O vitorioso teatro faz tour pela região sul do Estado para apresentações da obra teatral campeã. A TV Gaúcha, que viria a ser a RBS, transmite a gravação de “Bira e Conceição” para todo o Rio Grande do Sul.

 

Notícia da vitória feita pelo jornal pelotense Diário Popular, em 21 de fevereiro de 1968

 

Com o tamanho da reverência, o grupo foi convidado para edições seguintes do Festival Nacional de Teatro dos Estudantes. Na sexta edição, levaram três vezes o primeiro lugar (melhor roteiro, cenografia e figurino) com “O Jovem Rei”. Na sétima edição, vence o prêmio de melhor comédia por voto público, com “Sirenna”. O coletivo pelotense também marcou presença no 6º Festival Nacional do Teatro Infantil, em 1978, quando conquistou o segundo lugar com “A Viagem de um Barquinho”.

 

Jornal de Pernambuco  reconhece força do teatro gaúcho nacionalmenete e Teatro dos Gatos Pelados como “orgulho da STEP”

Assim, o elenco levou para casa títulos materiais. E, também, o coletivo pelotense traz consigo uma série de conquistas imateriais: o sentimento união na escola e com o povo como uma família; a inspiração que o elenco causou e causa em artistas (tanto dentro quanto fora do Teatro dos Gatos Pelados); a esperança do sucesso pessoal de cada teatreiro da escola; além da continuação da retomada ao que, um dia, o grupo já foi.

 

Moção da Câmara de Vereadores, de 21 de fevereiro de 1968

 

O Festival do Gato Pelado

Vale lembrar que a história da instituição teatral e a eficiência das criações artísticas não se resumem apenas aos títulos. Em Pelotas, a maior marca do teatro da escola (o qual ainda não tinha o nome que conhecemos) é o Festival do Gato Pelado.

O Festival do Gato Pelado era um show multitalentos, organizado pelos próprios estudantes e pelo Grêmio Estudantil, que compunha a programação da noite do Dia do Gato Pelado. O Dia celebra o Colégio Pelotense e o que os seus alunos tinham a oferecer de seus estudos e produções para a comunidade.

Com pouquíssima interferência da direção, os alunos tinham liberdade total para o Festival: dança, teatro, música, declamações, entre outros modos de expressão artística (o que quisessem!). Havia de tudo um pouco, e tudo feito por eles.

O Festival não tinha uma frequência fixa, mas aconteceu entre 1935 e 1961. Alguns pontos culturais que já sediaram o evento foram o Theatro Sete de Abril (sendo o mais comum), o Theatro Guarany, o Teatro Avenida, o Auditório da Rádio Cultura e o Teatro Apolo. A preparação costumava ser na própria escola. Quando não havia disponibilidade de espaços, ocorria no Colégio São José. Algumas edições tiveram transmissão de rádio para toda a cidade e chegaram a ter quatro horas de duração e lotação máxima.

Conforme Nóris Maria Soares – historiadora formada pela UFPel – as apresentações eram brincalhonas, divertidas, sem faltar com qualidade. O teatro, no evento, teve destaque com algumas peças como “O Escultor”, “O Anjo”, “O Que Restou do Nosso Amor”, “O Ciúme” e “Agarra o Fantasma”.

Uma curiosidade interessante sobre o Festival do Gato Pelado é referente às datas de realização. Inicialmente, o evento costumava acontecer no dia 14 de julho: o mesmo da Tomada da Bastilha durante a Revolução Francesa de 1789. O Grêmio Estudantil escolheu essa referência para rotular o evento como um símbolo de liberdade, igualdade, fraternidade, direitos humanos e ideais iluministas, assim como os lemas da Revolução. Posteriormente, o Festival também ocorreu em 11 de agosto (Dia do Estudante) e 24 de outubro (aniversário do Colégio Municipal Pelotense).

 

Divulgação do Festival do Gato Pelado de 1942 no Diário Popular

 

Festivais, no geral, são importantes para o estímulo e crescimento pessoal e cognitivo dos participantes. O Festival do Gato Pelado não foi diferente. Marcou a vida de quem participou e vem mostrando que o ambiente escolar pode ser muito mais do que uma sala de aula. Pode ser espaço de libertação, criação e união!

Assim, a arte e a educação cumprem seu papel. Por vidas, pela evolução humana, por representatividade, pela democracia, e, claro, por liberdade, igualdade e fraternidade!

Legado do passado, reconstrução do presente e futuro brilhante!

Tendo em conta toda essa história, conclui-se que o Teatro dos Gatos Pelados é um coletivo escolar e jovem de suma importância para Pelotas e vem causando diversas formas de influência na sua jornada de 120 anos.  É um ponto de fortalecimento pessoal, estímulo a habilidades cognitivas, constituição do indivíduo, exercício da cidadania, socialização, valorização das diferenças, inclusão e estruturação de carreiras. O ciclo entre esses fatores cultiva o amor pela arte e reforça que os colégios são fundamentais para o mantimento da democracia de modo harmônico. Não é apenas uma sala de aula em que o professor oriente o aluno, mas também um lugar em que estudantes têm voz e podem fazer a diferença!

Por outro lado, mesmo que o grupo tenha uma bela trajetória e marcas impactantes, existem obstáculos a serem superados e lições a serem aprendidas. Para tanto, se faz necessário recuperar e trabalhar o extenso passado da instituição teatral (por meio de fontes orais, escritas e jornalísticas); dialogar com a comunidade para auxiliar na reestruturação e revalorização, além de seguir produzindo arte, visando a evolução dos jovens teatreiros.

Hoje, o Teatro dos Gatos Pelados continua funcionando com muito amor, dedicação, e união, tendo muita história para contar. História sobre como a cultura é formadora e transformadora. História sobre o poder que a arte tem de unir e representar um povo. História da força da juventude e da inovação. História da importância e da presença da educação. História de que somos capazes de transformar o mundo com passos simples!

“EVOÉ!”

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

 

Produção pelotense vence Mostra Regional da Fronteira 2026

Além do melhor filme “O Jogo”, de Pelotas, evento premiou obras de Bagé, Cachoeira do Sul, Capão da Canoa, Porto Alegre, Sant’Ana do Livramento e Uruguaiana

O vice-prefeito de Bagé, Beto Alagia, entregou o prêmio de melhor filme para os cineastas Renata Wotter e Alexandre Mattos Fotos: Isidoro B. Guggiana/Divulgação

 

A 17ª edição da Mostra Regional do Festival Internacional de Cinema da Fronteira anunciou na noite de sábado, dia 31 de janeiro, os vencedores da edição deste ano. Desde o dia 29 de janeiro, a cidade de Bagé (RS) sedia o evento que celebra e fortalece a produção audiovisual gaúcha. Com atrações diversas, a mostra reuniu 13 curtas-metragens, reafirmando a pluralidade de olhares, narrativas e estéticas do cinema regional. A programação gratuita aconteceu no Centro Histórico da Vila de Santa Thereza e outros locais.

O grande destaque foi o pelotense “O Jogo”, de Alexandre Mattos e Chico Massimilla, que levou melhor filme. Britney Federline ganhou o troféu de direção por “Logos”, curta produzido em Capão da Canoa. O prêmio de roteiro foi entregue a Thiago Beckenkamp, por “Todos os Bebês Nascem Pelados em Cachoeira do Sul”, que divide a direção com Eduarda Rodrigues. “Quando começa a chover o coração bate mais forte”, produzido em Porto Alegre, Região Metropolitana e Vale do Taquari, venceu melhor fotografia por Mirian Fichtner, que também é diretora.

 

Premiados e homenageados da 17ª Mostra Regional marcaram o encerramento do festival

Premiados e homenageados da 17ª Mostra Regional participaram do momento culminante do festival

 

A produção porto-alegrense “Roxo Lilás Violeta” ganhou na categoria montagem, assinada por Pedro Valadão, enquanto direção de arte foi entregue a J. N. Canabarro, por “Fragmento”, de Sant’Ana do Livramento. Valéria Barcellos, recebeu o troféu de melhor atuação por “Mãe” (Porto Alegre), de João Monteiro. “Trapo” (Uruguaiana) e “O Último Relincho” (Bagé) receberam menções honrosas de atuação e direção, respectivamente. 

“Bagé se reencontra com o audiovisual gaúcho através da Mostra Regional, uma celebração de nossa identidade, um momento de comunhão entre o cinema e a cultura popular”, destaca o secretário de Cultura de Bagé, Zeca Brito. As homenageadas desta edição foram a pesquisadora e crítica de arte Maria Amélia Bulhões e a artista plástica Consuelo Cuerda.

A 17ª Mostra Regional é uma realização da Associação Pró-Santa Thereza e Prefeitura de Bagé, através da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio da Unipampa, IFSul e Urcamp.

 

Britney Federline, de Capão da Canoa, recebeu o prêmio de Melhor Direção

 

Premiados da 17ª Mostra Regional do Festival Internacional de Cinema da Fronteira

Filme: “O Jogo”, de Alexandre Mattos e Chico Massimilla (Pelotas)

Direção: “Logos”, de Britney Federline (Capão da Canoa)

Roteiro: Thiago Beckenkamp, por “Todos os Bebês Nascem Pelados em Cachoeira do Sul”, de Eduarda Rodrigues e Thiago Beckenkamp (Cachoeira do Sul)

Fotografia: Mirian Fichtner, por “Quando começa a chover o coração bate mais forte” (Porto Alegre, Região Metropolitana, Vale do Taquari)

Montagem: Pedro Valadão, por “Roxo Lilás Violeta”, de Theo Tajes (Porto Alegre)

Direção de arte: J. N. Canabarro, por “Fragmento”, de Renatho Costa (Sant’Ana do Livramento)

Atuação: Valéria Barcellos, por “Mãe”, de João Monteiro (Porto Alegre)

Menções Honrosas: Leonardo Oliveira, ator-mirim de “Trapo”, de João Chimendes (Uruguaiana) e Léo Gusmão, diretor de “O Último Relincho” (Bagé)

Mostra no Instagram: @mostraregionalficf

 

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

Exposição “Habitando o Intangível” reúne reflexões sobre cotidiano

Mostra apresenta trabalhos de vários estudantes de Artes Visuais, entre os quais a obra “A Linha” de Amanda Trapp        

Por Andriara Benites        

 

 

A exposição “Habitando o Intangível”, produzida pelos alunos da disciplina de Prática Profissional II, do Curso de Bacharelado em Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) começou no dia 17 de dezembro. As obras podem ser apreciadas na galeria A Sala do Centro de Artes da UFPel (rua Alberto Rosa 62, bairro Centro, Pelotas), com horário de visitação de segunda à sexta-feira, das 9h às 11h30min e das 14h30min às 17h30min, até o dia 3 de fevereiro.

O perfil oficial da galeria A Sala no Instagram apresenta a mostra “Habitando o Intangível” com a proposta de um percurso em torno de fragmentos de experiências que se sobrepõem no nosso dia a dia. “Entre o visível e o invisível, do espaço íntimo ao urbano, somos convidados a habitar aquilo que resiste à definição e à permanência”, diz o texto de apresentação.

 

Amanda Trapp  avalia que proposta da mostra contribuiu para os processos criativos dos estudantes de arte  Foto: Acervo Pessoal

 

A artista e aluna do oitavo período no curso de Artes Visuais da UFPel, Amanda Trapp, natural da cidade gaúcha de Camaquã, explica que os trabalhos expostos caracterizam o impulso de colecionar experiências vividas e que nos afetam profundamente. A mostra tem, assim, expressões de caráter mais íntimo que se manifestam na diversidade das produções poéticas de cada um dos autores.

Amanda está com seu trabalho “A linha” (2023) presente na exposição. E explica que sua criação é um conjunto de gravuras que reflete momentos marcados em si pelo cotidiano no interior do Estado. Ele reflete sobre a força de prestar atenção aos detalhes que parecem banais, estabelecendo diálogos entre as suas vivências e as realizações na sua pesquisa como artista visual. Através dessa proposta, ela considera que identificou alguns dos trabalhos mais importantes do seu acervo até este momento, trazendo-os para a apreciação do público.

 

“A linha”, obra produzida em 2023, está entre as obras de Amanda na exposição             Foto: Acervo pessoal

 

A paixão da estudante pela arte sempre foi genuína, estando presente de forma espontânea ao longo de sua vida através do desenho, da pintura e do cinema. Atualmente, Amanda tem como suas linguagens principais a gravura e o desenho. Ela comenta que o curso está contribuindo para o seu processo criativo, fornecendo outras percepções em relação ao trabalho dos artistas, tendo incentivo principalmente dos professores. “As trocas são sempre significativas, e sendo um momento de experimentação, acredito que o curso favorece para que a elaboração desses processos seja bem guiada”, acrescenta. Ela já trabalha na área artística, entretanto, confessa que pretende ampliar suas possibilidades e futuramente continuar no campo da pesquisa acadêmica.

 

Gravura “Se a pedra não fosse uma pedra, ela seria bicho”                                Foto: Acervo Pessoal

 

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Matéria clara e bem conduzida, prende a atenção do começo ao fim, dá vontade de visitar a exposição e conhecer de perto os trabalhos. A proposta é sensível e conecta bem arte e cotidiano.

Gabriel Lima

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

 

                                    

17ª Mostra Regional da Fronteira apresenta curta-metragens em Bagé

De 29 de janeiro a 1º de fevereiro, haverá sessões de cinema, debates sobre os filmes, passeios históricos e festa de Carnaval, sempre com entrada franca

 

O Centro Histórico da Vila de Santa Thereza será o principal local de realização do festival    Foto: Anderson Coka/Divulgação

 

Na próxima quinta-feira, começa a 17ª Mostra Regional da Fronteira, em Bagé. Será entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro, celebrando e fortalecendo a produção audiovisual gaúcha. Entre várias atrações, a mostra reúne 13 curtas-metragens de diferentes cidades do Estado, reafirmando a pluralidade de olhares, narrativas e estéticas do cinema regional. A programação gratuita acontece no Centro Histórico da Vila de Santa Thereza e outros locais e pode ser conferida no Instagram.

Desde 2025, a Mostra Regional da Fronteira passou a ter uma identidade própria, separando-se do Festival Internacional de Cinema da Fronteira. A mudança marca um novo momento do evento, que busca dar maior visibilidade e protagonismo ao cinema produzido no Estado, valorizando realizadores, histórias locais e conexões regionais.

A seleção reúne produções de Porto Alegre, Pelotas, Sant’Ana do Livramento, Bagé, Uruguaiana, Cachoeira do Sul e Capão da Canoa, compondo um panorama representativo da produção audiovisual contemporânea do Estado, num total de 170 minutos. A curadoria é assinada por José Eduardo Camargo, Frederico Ruas e Marizele Garcia.

 

Representando a cidade de Pelotas, estará “Limiar”, de Érika Fagundes e João Vitor de Moraes Torres Foto: Divulgação

 

Além das sessões de cinema, a Mostra Regional da Fronteira promove debates, rodas criativas entre realizadores, criando espaços de troca, reflexão e articulação entre artistas, público e profissionais do audiovisual. A programação inclui ainda passeios que destacam o patrimônio histórico e natural de Bagé, fortalecendo o vínculo entre cinema, território e memória. O evento reafirma seu compromisso com o fortalecimento do audiovisual gaúcho, formação de público e a valorização das identidades culturais gaúchas.

“Neste ano a Mostra vai abraçar o bioma Pampa, trazendo realizadores, críticos e jornalistas dispostos a conhecer nosso território e a promover nossa cultura através do cinema”, observa o secretário de Cultura de Bagé, Zeca Brito. Assim como na edição passada, a mostra encerra sua cerimônia de premiação integrada ao tradicional Baile no Tempo das Marchinhas, o carnaval do Centro Histórico da Vila de Santa Thereza. O local é símbolo da trajetória do evento, já que recebe o Festival Internacional de Cinema da Fronteira desde 2009.

 

Como ocorreu no ano passado, um dos momentos mais esperados é a entrega das premiações   Foto: Ana Paula Ribeiro

 

A programação começa na quinta (29), às 15h, com visita ao Museu Dom Diogo de Souza. Em Santa Thereza, a solenidade de abertura inicia às 19h, seguida do primeiro programa da Mostra Competitiva de Curtas-metragens, às 19h30min. O Debate com os realizadores acontece às 21h30min. A sexta (30) começa com os painéis “Audiovisual e Sustentabilidade e Arte Contemporânea” e “Digitalidades”, às 15h e 16h, respectivamente, no Memorial da Água. Às 19h, será exibido o segundo programa de filmes, em Santa Thereza, com debate, às 21h30min.

 

Outro representante de Pelotas é “O Jogo”, com direção de Alexandre Mattos e Chico Massimilla     Foto: Divulgação

 

O sábado (31) traz às 15h uma roda de conversa com realizadores gaúchos na Casa de Cultura Pedro Wayne. A cerimônia de premiação acontece às 19h em Santa Thereza. Às 20h30min, é a vez do Carnaval do Baile no Tempo das Marchinhas. O evento termina no dia 1º de fevereiro, domingo, com experiência imersiva no Pampa Gaúcho, no cânion Rincão do Inferno, ponto turístico da região.

A 17ª Mostra Regional da Fronteira é uma realização da Associação Pró-Santa Thereza e Prefeitura de Bagé, através da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio da Unipampa, IFSul e Urcamp.

 

“Todos os Bebês Nascem Pelados”, de Eduarda Rodrigues e Thiago Beckenkamp, representa a cidade de Cachoeira do Sul

 

Mostra Regional de Cinema da Fronteira

Quando: 29 e 31 de janeiro de 2026 em Bagé (RS)

Quanto: gratuito

Onde: Centro Histórico da Vila de Santa Thereza e outros locais da cidade

Programação no Instagram

Filmes selecionados – 17ª Mostra Regional da Fronteira

  1. “Amores Eternos”, de Lucas Guillande (19 min) – Sant’Ana do Livramento
  2. “Canção Imigrante”, de Cléverton Borges e Pedro Guindani (17 min) – Porto Alegre
  3. “Fragmento”, de Renatho Costa (4 min) – Sant’Ana do Livramento
  4. “Limiar”, de Érika Fagundes e João Vitor de Moraes Torres (9 min) – Pelotas
  5. “Logos”, de Britney (12 min) – Capão da Canoa
  6. “Mãe”, de João Monteiro (20 min) – Porto Alegre
  7. “O Jogo”, de Alexandre Mattos e Chico Massimilla (14 min) – Pelotas
  8. “O Último Relincho”, de Léo Gusmão (12 min) – Bagé
  9. “Plano Z”, de Helena Reischak Pereira (5 min) – Bagé
  10. “Quando começa a chover o coração bate mais forte”, de Mirian Fichtner (15 min) – Porto Alegre, Região Metropolitana, Vale do Taquari
  11. “Roxo Lilás Violeta”, de Theo Tajes (15 min) – Porto Alegre
  12. “Todos os Bebês Nascem Pelados em Cachoeira do Sul”, de Eduarda Rodrigues e Thiago Beckenkamp (9 min) – Cachoeira do Sul
  13. “Trapo”, de João Chimendes (19 min) – Uruguaiana

 

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

Praia do Laranjal é preciosidade que une natureza e cultura em Pelotas

A festa de Ano Novo deve marcar uma programação diversificada no recanto junto à Lagoa dos Patos          

Por Vanessa Centeno          

 

Os músicos Kleiton e Kledir prometem um dos pontos altos do Revéillon com as suas canções                  Foto: Divulgação

 

A Praia do Laranjal em Pelotas conta como uma diversidade de atrações gratuitas durante todo o ano, graças às promoões do Serviço Social do Comércio (SESC). Mas ganha um maior impulso no auge do verão, do dia 2 de janeiro a 22 de fevereiro, tendo como marco inicial a festa de Réveillon.

Desde o período da pandemia, a partir de 2019, a Praia do Laranjal ficou por um período de anos consecutivos sem o tradicional Réveillon na Lagoa de Pelotas. No entanto, teve seu retorno com a chegada do ano de 2024, contando com muita música e animação na orla da praia do Laranjal.  Para a chegada do ano de 2026, a Prefeitura e o SESC Pelotas ajustaram os últimos detalhes e garantiram uma infraestrutura completa dos shows do réveillon.

Houve um período de indefinição por falta de verbas, mas no dia 12 de dezembro a Prefeitura confirmou a festa na praia do Laranjal e a programação do evento, em parceria com a Câmara de Diretores Lojistas de Pelotas (CDL). O anúncio foi feito no Paço Municipal durante a entrevista coletiva com o prefeito Fernando Marroni, a vice Daniela Brizolara, o deputado federal Daniel Trzeciak, autor da emenda parlamentar destinada ao evento, o representante da Câmara de Vereadores, Carlos Júnior, e Daniel Centeno, do Conselho Gestor da CDL.

Foram anunciados detalhes da programação, prevista para começar às 17h do dia 31 de dezembro (quarta-feira) e se estender até as primeiras horas do dia 1º de janeiro de 2026.  “A dupla pelotense Kleiton e Kledir  é a principal atração da noite”, enfatizou o prefeito Fernando Marroni, que também mencionou o papel do gabinete da vice-prefeita Daniela Brizolara na organização geral, e destacou a opção por não ter fogos de artifício em respeito à questão ambiental, à proteção dos animais e a pessoas com espectro autista.

A programação da festa de Ano Novo foi concebida por uma curadoria preocupada em dar protagonismo aos talentos locais. A atividade foi realizada por um Grupo de Trabalho formado pelo gabinete da vice-prefeita Daniela Brizolara e pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

Estrutura do evento

O palco será montado na faixa de areia, no mesmo espaço ocupado nas edições anteriores, nas proximidades da avenida Rio Grande do Sul. A estrutura terá o tamanho de 15 por 10 metros, com cobertura de 12 por 12 metros, um telão de sete por quatro metros no fundo do palco, além de dois telões laterais de quatro por dois metros. Está prevista também uma área para pessoas com deficiência (PCDs) com passarela acessível, banheiros químicos, uma tenda para atendimentos de saúde e outra para segurança.

Programação de shows no Réveillon

Estas são as atrações previstas para a festa:

17h – 18h – Dj Bart

18h – 19h Banda Jukebox Festa

19h – 19h20 Dj Micha

19h20 – 20h20 Joca Martins

20h20 – 20h40 Dj Bart

20h40 – 21h30 Leh Moraes

21h30 – 22h Dj Micha

22h – 23h15 Kleiton & Kledir

23h15 – 23h30 Dj Bart

23h30 – 1h Grupo Aruanda

23h55 Vídeo Retrospectiva Pelotas 2025

23h59 Contagem regressiva no telão

1h – 1h30 Dj Micha

 

                            A Casa da Praia funciona o ano inteiro, mas intensifica suas atividades na época de veraneio                         Foto: Vanessa Centeno

 

Programação intensificada no verão

A Casa de Praia do SESC de Pelotas (situada na avenida Antônio Augusto Assumpção) é a única que, dentre as demais do Serviço Social do Comércio até o momento, funciona o ano todo. “Mesmo a de Santa Catarina, conhecida por suas belas praias, não tem esse serviço oferecido durante todo o ano”, confirma o educador físico Francisco Edson Rebouças.

A casa abre de terça a domingo, independentemente de ser domingo ou feriado, das 8h às 18h, com várias atividades ao longo do ano, incluindo água quente e erva-mate de graça, empréstimo de material esportivo e treinos.

Há aulas de câmbio, um vôlei adaptado para a terceira idade, e de treinamento funcional, abertas à população, sem necessidade de inscrição. O empréstimo de guarda-sol só é liberado no verão. Para pegar algum material gratuito na Casa de Praia, a única exigência é ser maior de idade e levar um documento físico, emitido nos últimos dez anos, que fica na casa até a devolução do material emprestado.

A Programação de Verão inicia no dia 2 de janeiro e vai até 22 de fevereiro, com muitas atividades gratuitas, aulas de dança de manhã e de tarde, aulas de Pilates, aulas de box, aulas de taekwondo, aulas de vôlei, aulas de futevôlei e aulas de Bitenis. Todos os horários e informações estarão disponíveis no site, pois algumas atividades estão sendo acertadas com os profissionais convidados.

A educadora física Andriani Duarte de Albernaz foi contratada para a estação verão e trará, para esses dias calorosos, aulas de Ritmo, de terça a domingo, a partir das 9h30. Ela convida toda a população para vir dançar e se divertir na beira da Praia do Laranjal.

Cássio Luiz Ferrari é técnico de Esporte e Lazer do SESC Pelotas, envolvido na organização de diversos eventos esportivos na cidade, como corridas (Dia do Desafio, Maratona) e atividades de bem-estar, atuando como um importante elo entre o SESC e a comunidade, promovendo a saúde e o esporte local, especialmente ligando-se ao clássico futebolístico Bra-Pel e iniciativas solidárias. Hoje, ele se sente realizado em fazer parte do SESC, levando esporte, cultura e recreação para toda a população.

A sigla SESC significa Serviço Social do Comércio, uma instituição privada sem fins lucrativos criada por empresários do comércio para promover bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do setor, suas famílias e toda a sociedade, atuando em áreas como educação, saúde, cultura, lazer e assistência. É parte do Sistema S, um conjunto de entidades que oferecem serviços sociais para diversos setores econômicos no Brasil.

Conhecendo a história do Laranjal

 

“É o meu Rio Grande do Sul,

Céu, sol, sul, terra e cor,

Onde tudo que se planta cresce.

E o que mais floresce é o amor”.

“Céu, Sol, Sul, Terra e Cor”, letra do cantor nativista Leonardo Moreci Teixeira (1938-2010)

 

Começando com esta canção considerada hoje um símbolo do Rio Grande do Sul, pode-se falar sobre uma das maravilhas de Pelotas que é a Praia do Laranjal. É um local de acesso livre para caminhadas na beira da Lagoa, tomar um chimarrão próximo à paisagem do Trapiche ou simplesmente ficar admirando o céu próximo à Lagoa.

Localizado a 12 quilômetros do Centro Histórico de Pelotas, o bairro do Laranjal é considerado um dos maiores atrativos turísticos da cidade, devido às suas belas paisagens às margens da Lagoa dos Patos e do arroio Pelotas. Considera-se que o surgimento do Laranjal, propriamente como o conhecemos, aconteceu em 31 de janeiro de 1952, a partir da inauguração do Loteamento Residencial Balneário Santo Antônio.

O local, que até então era uma propriedade de terra da família Antônio Augusto de Assumpção, deu lugar ao processo de urbanização do bairro com a abertura de ruas, demarcação de terrenos e instalação de redes de drenagem. As ações possibilitaram o acesso à Lagoa dos Patos e foram também o ponto de partida para o desenvolvimento dos balneários dos Prazeres e Valverde, inaugurados em 1953 e 1957, respectivamente.

 

          Nova estrutura do Trapiche simboliza o período de esforço coletivo e superação após as enchentes de 2024                    Foto: Vanessa Centeno

 

De acordo com historiadores, o nome Laranjal deve-se ao grande pomar de laranjas e frutas cítricas que havia no local no século 19, o qual fazia parte das atividades econômicas rurais desenvolvidas na época.

O Trapiche do Laranjal é um atrativo turístico desde 1968. Mas hoje conta com uma estrutura nova de 530 metros, edificada após a destruição provocada pela crise climática de maio de 2024. E voltou a fazer parte da programação turística do bairrro. No dia 23 de novembro de 2024, as obras foram orçadas em cerca de R$ 650 mil com fonte de recursos em medidas compensatórias ao Município pela Zabaleta Construtor e Incorporadora Ltda e Construtora ACPO Ltda.

Conheça um pouco mais do Laranjal e suas curiosidades. 

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.

O rei da música Roberto Carlos contagiou público com sua voz em Gramado

Espetáculo ocorrreu na sua 51ª edição, no Rio Grande do Sul, e será um destaque na programação de fim de ano na Rede Globo amanhã      

Por Francisco Maihub       

 

Apresentação contou com a presença de convidados célebres e  milhares de fãs e turistas   Fotos: Guilherme Simões Lopes

 

O cantor Roberto Carlos, conhecido como o rei da música, fez um show no dia 12 de dezembro, com duas horas de duração, na cidade de Gramado, no Serra Park, o centro de eventos que vem sediando o “Natal Luz”. Um dos momentos mais esperados foi quando o astro, que iniciou sua carreira no tempo da Jovem Guarda, distribuiu rosas ao público. Foi a primeira vez que o Especial Roberto Carlos foi realizado na cidade gaúcha.  A TV Globo transmite a 51ª edição do programa especial de Natal, amanhã, dia 23 de dezembro, após a novela “Três Graças”.

 

A atriz Sophie Charlotte, que tem uma trajetória notável na TV e cinema, fez uma participação especial

 

O show contou com apresentação das músicas “Emoções” e “Esse cara sou eu”, além de duetos com João Gomes, Jorge Ben Jor, Fafá de Belém e Supla. A atriz Sophie Charlotte cantou com o Roberto Carlos a canção “Proposta” , tema de sua personagem em “Três Graças”.

 

Repertório musical de Roberto Carlos abre os festejos natalinos

 

Roberto Carlos teve um acidente durante gravação das cenas de abertura. Ele estava dirigindo um Cadillac do ano de 1960, mas o freio falhou quando passava numa ladeira, fazendo o veículo perder a sustentação e atingir três pessoas e, em seguida, bater numa árvore . Apesar do susto, o cantor e as outras pessoas envolvidas receberam alta hospitalar do Hospital São Miguel Arcanjo.

 

Ingresso e pulseira de identificação são lembranças para guardar para sempre

 

Entre as cerca de quatro mil pessoas, entre fãs e turistas que prestigiaram o evento, esteve Guilherme Simões Lopes, que, além de contar a sua experiência como parte do público, cedeu as suas fotos para a reportagem.  Ele ficou sabendo pelos meios de comunicação sobre o acidente envolvendo o cantor. O Cadillac é o “xodó” da coleção de automóveis do cantor e, apesar de antigo, é todo reformado na parte mecânica moderna. “Mas a entrada do Serra Park é extremamente íngreme e a produção da Globo ficou insistindo para ele ir cada vez mais devagar, até que houve a falha com o freio. Naquela situação de emergência, ele manobrou o Cadillac na descida sem freio para tentar minimizar o estrago”, observou.

 

O cantor João Gomes esteve entre os convidados que abrilhantaram a apresentação

 

Guilheme sonhava em ver um show de Roberto Carlos. Torcia para que ele voltasse a se apresentar em Porto Alegre. Mas aí começaram  os boatos de que o especial seria gravado em Gramado, sem que se soubesse se seria fechado somente para convidados ou aberto ao público. “Até que anunciaram a   venda de ingressos e e eu me programei para comprar no dia da liberação das vendas”, contou. Para aumentar a emoção, houve um atraso de uns dois dias no início da comercialização.

 

Vários cenários, performances do Rei, da orquestra e de convidados, a exemplo de Fafá de Belém, são presentes de Natal na TV

 

Para este fã, a esperança antes era ver o rei Roberto Carlos somente em um  estádio  de futebol com uma proporção muito maior, com um palco gigantesco e muitos efeitos de pirotecnia. Em Gramado houve mais proximidade, com a presença da orquestra liderada pelo maestro Eduardo Lages, mas o palco era menor. Tudo foi mais voltado às filmagens para o especial, com drones sobrevoando e câmeras em todos os lugares. “Eu fui filmado diversas vezes e estava lá o maestro Eduardo Lages que também é muito querido pelos fãs, assim como o Rei Roberto Carlos”, conclui.

PRIMEIRA PÁGINA

COMENTÁRIOS

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Aviso
Aviso
Aviso

Atenção.