“The Love Hypothesis”: Romance e Ciência

Por Evelise Goulart Soares    

Complicações amorosas no meio científico fazem de obra literária sucesso nos Estados Unidos

Neurocientista e professora, Ali Hazelwood também escreve romances           Foto: Divulgação

“The Love Hypothesis” é o primeiro livro de romance publicado pela autora Ali Hazelwood. Lançado em setembro de 2021, pela Berkley Books, o livro é um dos best sellers destacados pelo jornal estadunidense New York Times. Em pouco tempo, tornou-se um fenômeno no TikTok. Sua versão traduzida será publicada ainda em 2022 pela editora Arqueiro no Brasil.

O livro conta a história de Olive, uma estudante de Biologia, em seu terceiro ano de PhD, e Adam Carlsen, o professor mais severo de Stanford. A jovem não acredita muito no amor, e tem várias hipóteses sobre isso. O problema dela é sua amiga Ahn, uma romântica incurável. Ahn é apaixonada por Jeremy, ex-namorado de Olive, mas as duas têm uma regra, nunca namorar o ex da outra.

Sabendo que Jeremy e Ahn são perfeitos um para o outro, Olive decide mentir, e dizer para a amiga que não tem interesse em Jeremy e que eles podem ser um casal, porque ela já está namorando outra pessoa. O que ela não esperava é que Ahn fosse precisar de provas.

É isso que faz com que ela beije um completo estranho em um momento de pânico nos corredores do laboratório. Para o seu desespero, esse homem não é ninguém menos que o Dr. Carlsen, o professor mais ranzinza de toda Stanford.

E é aqui que o romance começa, depois de muita discussão, os dois entram em um acordo, fingir estar em um relacionamento. Olive faz isso para convencer a amiga e Adam, bom, ele tem seus próprios motivos.

Capa faz do livro uma atração nas redes sociais

Quando se depara com as pessoas no TikTok falando sobre esse livro, o que mais chama atenção é a capa. Sim, não devemos julgar um livro pela capa, mas esse tem a capa mais fofa. E mesmo que a beleza não seja tudo, deve-se dar uma chance e, pasmem, é, sem dúvida, uma das melhores leituras que o booktok já indicou. As pequenas definições das hipóteses no começo de cada capítulo são simplesmente perfeitas.

Mesmo sendo uma leitura leve e engraçada, a autora aborda temas importantes como o tratamento das mulheres no meio científico, mostrando o quão difícil e preconceituoso o contexto dos e das cientistas consegue ser. Mas também o que a persistência e a força de vontade podem alcançar.

O livro tem conteúdo para todos os gostos, romance slowburn, com o envolvimento entre as personagens aumentando aos poucos, relacionamento falso, uma pitadinha de conteúdo adulto, uma protagonista demisexual (quando a pessoa só sente atração por quem ela já tem algum tipo de ligação emocional ou intelectual), romance, romance e mais romance. Porém vale a pena ressaltar que, além de toda a parte divertida, também aborda temas como assédio, morte e violência. Então, se você é sensível a algum desses conteúdos, esteja avisado.

O romance é muito bem construído, toda a história em si é muito bem pensada, os personagens são cativantes, fazendo com que o livro não gire apenas em torno dos protagonistas, dando uma certa profundidade à história, o que acaba realmente prendendo o leitor. Se prepare para sofrer com Ahn, rir muito com Malcolm e, é claro, apaixonar-se junto com Olive e Adam. Enfim, esse livro vai te fazer rir, chorar e corar de vergonha. É, sem dúvida, uma das experiências mais divertidas e faz jus à fama que tem.

Além disso, Ali Hazelwood merece toda o hype em cima do seu trabalho, afinal além de ser neurocientista e professora, no seu tempo livre, ela ainda escreve livros de romance sobre garotas empoderadas que conquistaram seu lugar no meio científico. E, não só isso, como também encontraram o amor sem precisarem abrir mão dos seus sonhos. Afinal as garotas podem, sim, ter tudo.

Saiba mais sobre a autora e sua obras neste site na língua inglesa.

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Feira do Livro da FURG celebra a literatura

Por Rayla Ribeiro e Vitor Porto    

Comunidade prestigiou evento que durou 12 dias e atraiu mais de 50 autores  

Foi realizada entre os dias 4 e 15 de maio, na Praça Didio Duhá, no Cassino, a 48° Feira do Livro da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Foram 12 dias repletos de atividades literárias, artísticas e culturais, palestras e sessões de autógrafos, com a presença de mais de 50 autores. A edição foi marcada pelo reencontro da comunidade rio-grandina, que compareceu em peso para prestigiar o evento e superar as expectativas dos organizadores.

                  Evento é retomado após período de isolamento da pandemia                 Foto: Rayla Ribeiro

O pró-reitor de Extensão e Cultura da FURG, professor Daniel Prado, ressalta a importância da retomada do evento de forma presencial para a instituição. “A Universidade teve novamente, mesmo dois anos sem a Feira do Livro e sem atividades cem por cento presenciais na universidade, a capacidade de reorganizar os vários atores e apoiadores que fazem a Feira do Livro acontecer”.

O evento também é muito significativo para a comunidade, já que esta edição da Feira tem um “papel simbólico de retomada”. Voltou ao encontro dos rio-grandinos que prestigiam a “promoção da cultura, tecnologia, ações extensionistas, renovação e criatividade que se produzem dentro da universidade para a comunidade”, descreve o pró-reitor.

A estudante da FURG, Valéria Vaz, emocionou-se ao reencontrar a Feira que frequenta desde que era criança. “Eu fiquei muito feliz que a Feira do Livro voltou, eu venho desde que era criança com meus pais e senti muita falta nesses últimos dois anos de pandemia”.

Autores locais foram prestigiados pela Feira        Foto: Rayla Ribeiro

Escolas na Feira do Livro

Uma das peculiaridades da edição deste ano foi a grande presença de escolas municipais e estaduais. Tradicionalmente, a feira ocorre no mês de fevereiro, durante a temporada de veraneio no Balneário Cassino, mas esse ano, devido à pandemia, ela aconteceu pela primeira vez no outono, durante o ano letivo. E as escolas marcaram presença neste ano.

Durante os 12 dias de evento, mais de 4500 crianças e cerca de 30 escolas da cidade circularam pela Rua das Crianças e nas atividades culturais. A organização preparou uma programação especial para os estudantes, focando principalmente nos alunos das séries iniciais e da educação infantil.

Feira é estímulo para jovens descobrirem prazer da leitura Foto: Rayla Ribeiro

48ª edição tem sucesso na venda de livros mesmo após pandemia

“O Boto Charlie”, de Ivonei Peraça, é um dos mais vendidos

Durante todo o evento foram vendidos 8.449 exemplares de livros nas bancas da feira, segundo o Sistema de Bibliotecas da FURG. Os livros de desenhar e colorir foram os queridinhos dessa edição. Abaixo você confere os cinco títulos mais vendidos no evento de acordo com a Universidade Federal do Rio Grande.

1º – Livros de colorir/desenhar (diversas editoras)

2º – Histórias em quadrinhos / Mangá

3º – Histórias em quadrinhos de heróis – Marvel/DC Comics

4º – Recomeçar – Wagner Passos

5º – O Boto Charlie – Ivonei Peraça

Jornalista rio-grandino

O jornalista e apresentador de TV rio-grandino Marcelo Cosme foi a principal atração do último dia do evento. Marcelo participou de uma sessão de autógrafos de seu último livro, “Talvez Você Seja… Desconstruindo a LGBTfobia que Você nem Sabe que Tem”. O jornalista traz uma coletânea de relatos pessoais e entrevistas para lançar uma nova perspectiva sobre o tema da LGBTfobia.  “Este é um livro que nos permite discutir um pouco sobre a sociedade em que vivemos, os preconceitos que ainda estão por aí e que precisamos derrubar, para que possamos viver um mundo mais harmônico e respeitoso”, descreve o autor.

Marcelo Cosme marcou presença

Show de encerramento

Para fechar a 48° Feira do Livro com chave de ouro, o “Baile da Tamborada” fez uma apresentação que agitou o público. Uma mistura de afrosamba com toques de músicas gauchescas na arena cultural. O grupo apresentou uma nova cara para a música tradicionalista, com representação de diversas culturas que construíram a região sul do Brasil.

Na cerimônia de encerramento, o vice-reitor da FURG, Renato Duro Dias, não escondeu a emoção e já deixou o convite para o próximo ano. “Esta foi a feira dos reencontros e dos abraços. Sentimos uma mescla de alegria e gratidão, pois nesse momento crescente da volta das atividades presenciais, podemos realizar nossa feira. Espero nos reencontrarmos na 49ª Feira do Livro”.

O pró-reitor de Extensão e Cultura da FURG ainda fala sobre o futuro do evento e deixa em aberto possíveis realizações fora do veraneio. “O importante foi termos realizado a Feira, e temos indicadores para tomarmos as decisões. Uma série de questões serão ponderadas a partir de agora”.

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Documentário denuncia irresponsabilidade de empresa aérea ao priorizar lucros

Julya Bartz Boemeke Schmechel        

Filme “Queda livre” surpreende telespectador ao retratar tragédia e ganância nos dois acidentes da Boeing em 2018 e 2019 

O documentário “Queda livre: a tragédia do caso Boeing” lançado em fevereiro deste ano, na Netflix, revoltou muitos telespectadores. O título reúne depoimentos de jornalistas, especialistas aeronáuticos, políticos, pilotos e familiares das vítimas envolvidas nos acidentes que ocorreram em 2018 e 2019 com um mesmo modelo de avião: o Boeing 737 Max. Com pouco mais de uma hora e meia de duração, o documentário acompanha a luta das famílias em busca de esclarecimento e a devida responsabilização da Boeing pelos trágicos acidentes.

Conhecido como o meio de transporte mais seguro do mundo, o avião atravessa mares e continentes, levando pessoas a diversos lugares diariamente. Segundo a matéria publicada pela revista Superinteressante em 2018, existem mais de 33 mil aviões comerciais no mundo, pertencentes a 1.016 empresas aéreas. E a Boeing sempre foi a empresa de maior prestígio no setor aeroespacial. Fundada em 1916, o primeiro voo realizado pela empresa foi em 1919, com o Boeing B-1. Há um velho ditado na aviação que diz: “Se não for Boeing, eu não vou”. 

O repórter Andy Pasztor, repórter há mais de 20 anos no Wall Street Journal, reforça em sua participação no documentário que a Boeing possui uma posição marcante na indústria.

Tudo começou a mudar em 1996, no entanto, quando ocorreu a fusão entre Boeing e McDonnell Douglas (fabricante de aviões norte-americana), como uma tentativa de se manterem competitivos no mercado. A partir desta fusão, a reputação da Boeing começou a desmoronar. Ex-funcionários explicam que o diretor executivo da McDonnell Douglas acabou ocupando o mesmo cargo na Boeing e tudo começou a girar em torno de dinheiro e rentabilidade. 

Os líderes da McDonnell aceleraram o processo de transformar a Boeing em uma empresa centrada nos lucros. Assim, todos os aviões precisavam ser fabricados a custos mais baixos.

Quando a concorrente Airbus começou a deslanchar com a qualidade de seus modelos, a Boeing encontrou-se em um cenário extremamente competitivo e pressionou ainda mais a produção de aviões. Com isso, o foco absoluto em segurança, que era tradicional da Boeing, foi comprometido.

O modelo 737 Max surgiu com a intenção de superar a Airbus. O modelo não era novo: somente foi feita uma adaptação em um modelo já existente, para economizar tempo e dinheiro, já que um novo projeto de avião leva anos para ficar pronto. O desespero para ultrapassar (ou pelo menos acompanhar) a concorrente, resultou no “nascimento” do 737 Max.

                      Modelo Boeing 737 Max surgiu como projeto para superar a concorrência                                   (Imagem: Melhores destinos)

JACARTA, INDONÉSIA – 2018

Em 29 de outubro de 2018, um Boeing 737 MAX da companhia Lion Air, caiu 13 minutos após sua decolagem em Jacarta. O modelo era novo, a empresa havia o recebido em agosto, apenas dois meses antes da queda. O avião contava com 189 pessoas a bordo e a culpa pela queda caiu sob o piloto, Bhavye Suneja.

Segundo John Cox, especialista em aviação, “O gravador de dados de voo mostra que logo após a decolagem, houve uma pane no indicador de ângulo de ataque da esquerda. É um sensor localizado nos dois lados do avião, que mede o ângulo do nariz durante o voo”. Na ocasião, ninguém pensou que o problema fosse no avião, principalmente por ser um modelo Boeing. 

Teria ocorrido um problema com o estol, que significa perda de sustentação. Acontece quando o avião não consegue mais se sustentar no ar e excede o ângulo de ataque crítico O ex-piloto, Sully Sullenberger — conhecido mundialmente por efetuar um pouso forçado bem sucedido em outro voo no rio Hudson —, explica sobre a pane no avião:

“Quando os sensores defeituosos enviaram dados errados para os sistemas do avião, o stick shaker ao lado do comandante vibrou bem alto sua coluna de controle avisando sobre um estol iminente. Mas foi um aviso falso. O avião não estolava, estava voando.”

Na época, a Boeing lançou um comunicado comum, afirmando que não sabia exatamente o que havia acontecido e desejando condolências às famílias. A falta de sensibilidade com os familiares, especialmente por parte do então atual diretor executivo, CEO da empresa, Dennis Muilenburg, mostra muito sobre a postura da Boeing. 

DUAS SEMANAS APÓS A QUEDA

O MCAS significa Maneuvering Characteristics Augmentation System (em português, Sistema de Aumento de Características de Manobra ou Sistema de Estabilização Automática). Trata-se de um software conectado aos sensores de ângulo de ataque.

Por causa das características do novo Boeing Max, quando certos ângulos de ataque eram atingidos a certas velocidades, o avião tendia a estolar. Então o MCAS automaticamente empurrava o nariz do avião para baixo. Ele deveria funcionar em segundo plano, abaixando o nariz do avião suavemente cada vez que detectasse que o ângulo de ataque era alto demais. No caso da companhia Lion Air, um sensor de ângulo de ataque estava quebrado, ativando o MCAS indevidamente.

Em 11 de novembro de 2018, a Boeing publicou um comunicado explicando que, aparentemente, o MCAS havia sido ativado erroneamente. Na ocasião, todos questionaram sobre o que se tratava o MCAS. Somente com o esclarecimento do significado da sigla é que a verdade começou a surgir.

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          Explicação básica do ângulo de ataque entre corda do aerofólio e linha representando fluxo relativo do ar          (Imagem: Blog Aviões & Músicas)

A Boeing disse que a tripulação não respondeu de forma esperada ao não desligar o sistema. O problema é que a Boeing nunca disse aos pilotos que o MCAS estava na aeronave.

O repórter Andy Pasztor, ao entrevistar um executivo sênior da Boeing, ouviu: “Nós nunca informamos os pilotos sobre o MCAS. Nunca explicamos o sistema a eles, porque não queríamos sobrecarregá-los com informações. Tentamos não sobrecarregá-los com informações desnecessárias”.

A declaração chocou o mundo e, ainda assim, a Boeing optou por não parar os aviões de mesmo modelo, afirmando que o avião era seguro e confiável. Afinal, a empresa tinha prestígio para dizer “confiem em nós”.

10 DE MARÇO DE 2019

Apenas cinco meses após a queda do avião da empresa Lion Air, no dia 10 de março de 2019, houve o acidente com o avião da Ethiopian Airlines, que contava com 157 pessoas a bordo. O avião saiu de Addis Ababa e caiu logo após a decolagem.

Além da investigação que estava sendo feita pelo Congresso, as famílias começaram a pressionar para que a Boeing fosse devidamente responsabilizada. Após o segundo acidente, a Boeing reconheceu que o MCAS falhou, mas estava tentando culpar a tripulação etíope, que não teria feito o que devia. 

Logo após o início das audiências, o jornalista Andy Pasztor recebeu mais informações sobre o que aconteceu na cabine da Ethiopian. A FAA (Federal Aviation Administration – Agência Federal de Aviação) informou que a tripulação identificou que o MCAS havia sido acionado e fez o que a Boeing instruiu em um treinamento posterior ao acidente na Indonésia. E mesmo tomando as devidas providências, o avião caiu. 

                     Famílias das vítimas na audiência do Senado em 2019                     (Imagem:Sarah Silbiger/Reuters)

Após negar por muito tempo em colaborar com o Congresso, a Boeing finalmente entregou os documentos requisitados. Através deles, ficou comprovado que a empresa sabia da necessidade de uma reação rápida ao acionamento automático do MCAS. Nos documentos, ficou explícito que os pilotos deveriam identificar o problema e reagir em até 10 segundos, para evitar uma fatalidade. Porém, para evitar gastos com treinamentos extras aos pilotos para explicar sobre o funcionamento do MCAS, a Boeing optou por omitir informações até mesmo sobre a existência do dispositivo.

Após esta descoberta, o Boeing 737 Max ficou sem voar por 20 meses. Neste período, o sistema MCAS foi revisado e em novembro de 2020, a FAA liberou o avião para voar novamente. 

Em janeiro de 2021, o Departamento de Justiça dos EUA acusou a Boeing de conspiração criminosa para enganar a Agência Federal de Aviação. A Boeing concordou em pagar US$ 2,5 bilhões em multas e indenizações. O acordo permitiu que a empresa não fosse processada criminalmente. 

O acordo não proporcionou a justiça que os familiares das vítimas buscavam, mas a comprovação da irresponsabilidade da Boeing entrou para a história e abalou a reputação da “queridinha” do setor aeroespacial.

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“Os Sete Maridos de Evelyn Hugo”: mentiras, traição, preconceito e amor

Por Ana Beatriz Assunção Garrafiel    

A história envolvente de uma diva do cinema e seus sacrifícios para chegar ao topo

A vida de Evelyn Hugo poderia facilmente ser a história de qualquer estrela do cinema que conhecemos, como Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe ou Meryl Streep. E é justamente essa realidade honesta e cruel que fascina e nos prende ao longo das 360 páginas do livro. Escrito por Taylor Jenkins Reid e lançado originalmente em 2017, a narrativa conquistou diversos admiradores pelo mundo e agora prepara-se para virar filme na Netflix.

A atriz Elisabeth Taylor é uma das prováveis inspirações para a trama

‘’Os Sete Maridos de Evelyn Hugo’’ conta a história de, obviamente, Evelyn Hugo, fenômeno das telinhas e queridinha da América durante os anos 1960, conhecida por filmes clássicos e, principalmente, por ter sete casamentos no currículo. No livro, a personagem, já próxima dos 80 anos, decide contar sua história de vida para o mundo, através de uma biografia. Para isso, ela escolhe Monique Grant, jornalista que trabalha na renomada Vivant, para contar a todos a sua verdade, quem ela realmente é. De primeira, a sinopse pode soar simples e até meio tediosa, mas ao entrar no mundo da protagonista, nos envolvemos e descobrimos uma trama inesperada, cheia de reviravoltas, tragédias, mentiras e amores.

       Capa do livro lançado em 2017           Imagem: Divulgação

Evelyn Hugo desde criança teve uma realidade pobre e de miséria. Filha de uma imigrante cubana moradora dos Estados Unidos, ela testemunhou a morte da mãe aos 11 anos, vítima de uma pneumonia, e foi obrigada a ficar com o pai, que a via mais como uma figura sexual. Evelyn sempre soube que a vida não seria fácil para ela e que, se quisesse conquistar algo, teria que dar tudo de si para os outros. Tudo mesmo, incluindo seu corpo, atributo que ajudou muito na formação de sua fama. Foi por causa deste que Evelyn conseguiu uma viagem à Hollywood ainda com 15 anos, onde deu seus primeiros passos em direção ao estrelato.

O livro divide-se em sete partes, cada uma levando o nome de um marido e contando uma parte da vida da personagem. Assim, podemos crescer e evoluir juntamente com Hugo, acompanhando suas dificuldades, o início da fama, seus sacrifícios pela mesma e as consequências que a estrela teve de enfrentar por conta de suas escolhas. Ao mesmo tempo que voltamos para a década de 60, no começo da carreira de Evelyn, também acompanhamos a escrita de sua biografia junto de Monique Grant, nos dias atuais. O livro faz essa mescla de tempo na narrativa de uma forma muito bem estruturada e que não confunde o leitor.

Taylor Jenkins Reid, autora do livro, também escreveu Forever, Interrupted (2013), After I Do (2014), Em outra vida, talvez? (2015), One True Loves (2016) e Daisy Jones & The Six (2019)         Foto: Divulgação

Além da leitura fácil e envolvente, “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” encanta por tratar de problemas reais e que até mesmo as pessoas mais famosas do mundo enfrentam. Agressões no relacionamento, homofobia, sexualização infantil, assédio, traição, ciúmes, inveja e mentira. São temas da vida real, porém considerados tabus, e muitas vezes acobertados, escondidos, ignorados.

O livro nos mostra uma realidade crua, porém verdadeira, onde somos obrigados a encarar tais assuntos e refletir sobre eles. Mais do que isso, a história nos faz pensar em como julgamos e apontamos o dedo, quando cometemos erros iguais ou até piores que os da personagem. Evelyn, ao contar sua história, nos mostra que, para muito além de queridinha do cinema, de ícone mundial, ela é um ser humano com defeitos e imperfeições, que errou muito, teve atitudes egoístas e tóxicas, magoou quem mais amava e, por muitas vezes, colocou a fama e o dinheiro acima de sentimentos. Porém, ao mesmo tempo, nos mostra seus motivos e razões, que fez o que fez sempre pensando em proteger a si mesma e seus amores. Com isso, nos vemos refletidos na personagem, pois todos já estivemos pelo menos uma vez em tal situação. Afinal, como a própria Evelyn cita em certo ponto do livro, ninguém é totalmente bom ou ruim.

Perspectiva jornalística

O livro também traz um ponto de vista de uma jornalista, embora em uma história de ficção, que se vê com a missão de escrever uma biografia importante, tendo como fonte a própria biografada. Ao passar dias ao lado da personagem Evelyn Hugo, escutar detalhes de sua vida – muitos deles desconhecidos pelo restante do mundo – Monique Grant torna-se outra personagem que se envolve com a narrativa e pela figura contadas, dando opiniões e tomando lados perante as situações escutadas. Isso quebra a ideia de que jornalismo tem que ser imparcial e objetivo.

Claro que, em sua essência, o jornalismo preza pela objetividade e clareza das informações, sem tomar lados escancaradamente. Mas isso por vezes pode deixar a profissão mais fria, como se por trás de toda reportagem não houvesse um ser humano, com sentimentos, pensamentos e opiniões. Ao apegar-se a Hugo e sua narrativa, Monique demonstra que, sim, há parcialidade no jornalismo em certos casos, e não podemos encarar todo tema com a mesma visão. Às vezes um pouco de sentimento e calor é capaz de trazer mais vida e mais humanidade ao texto.

Por fim, “Os Sete Maridos de Evelyn Hugo” nos faz refletir sobre diversos temas reais e cotidianos, bem como sobre nós mesmos como pessoas e nossas atitudes, tudo através de uma escrita clara e envolvente, com uma narrativa bem estruturada e uma trama recheada daquilo que todo leitor ama: romance, plot twists, personagens para odiar e uma protagonista problemática, cheia de defeitos e imperfeições, porém, acima de tudo, verossímil.

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Luiz Geraldo Telesca lança livro de poemas parnasianos

Por Vivian Domingues Mattos      

Escritor canguçuense cria versos que seguem características rítmicas e harmônicas do movimento literário do século XIX

Obra apresenta 113 poemas inspirados pelo período difícil da pandemia

Apresentando uma obra literária com o uso estruturado e harmonioso das palavras, o escritor e advogado canguçuense, Luiz Geraldo Telesca Mota, lança seu novo livro intitulado “Achados Poéticos Parnasianos”, com 113 poemas escritos durante a pandemia de Covid-19.

A inspiração do autor para compor os poemas aflorou de acordo com seus sentimentos e pensamentos no decorrer do isolamento social no período pandêmico. As páginas do seu livro trazem versos sobre política, economia, injustiça social, morte, contentamento e demais assuntos que percorrem o cotidiano do escritor.

A publicação possui uma estrutura com versos variados, mas que seguem as características do movimento literário exclusivamente poético do Parnasianismo, popular em meados de 1880 no Brasil e característico em padrões de rima, ritmo e métrica. O escritor Luiz Geraldo, explica brevemente sobre sua escolha e as características do gênero. “É uma forma de poesia muito esquecida atualmente e que eu gosto muito por ter rima, harmonia e ritmo … que são a base na poesia parnasiana”, explica.

O livro contou com a participação do advogado José Luis Marasco Cavalheiro Leite para a escrita do prefácio e consiste em uma leitura proveitosa para os apreciadores de poesia.

Luiz Geraldo Telesca já publicou vários livros

Sobre o autor

Advogado há mais de 50 anos, o escritor e ex-vereador, Luiz Geraldo Telesca Mota, reside no município de Canguçu no Rio Grande do Sul e tem vínculo forte com a leitura em sua vida, incentivando o fomento ao conhecimento para aqueles ao seu redor.

Dentre outras obras de Luiz Geraldo, estão “A Sabedoria dos Adágios” (2018), “Depressão: Minha Experiência” (2018) e  “Covid-19: Um Breve Estudo” (2020).

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“Pachinko” marca sucesso de filmes com temas sul-coreanos

Por Andrea Cardoso da Silva      

O país vem difundindo sua arte nos últimos anos e em 2021 investiu cerca de R$ 31 bilhões em cultura, turismo e esporte

A série retrata a paixão proibida vivida entre Sunja e Hansu e suas consequências                  Foto: Divulgação.

Há dez anos, em 2012, o cantor sul-coreano PSY emplacou o hit musical “Gangnam Style”, e desde então, as produções do país começaram a cada vez mais fazer parte do dia a dia do público em geral. Hoje, em 2022, a Coreia do Sul vem conquistando a todos, com filmes como “Parasita”, vencedor do Oscar de 2020, e séries como “Round 6”, e mais recentemente “Pachinko”, da Apple TV+.

Não é de hoje, no entanto, que o país percebeu que investir em cultura poderia ser algo poderoso. Segundo uma matéria da Istoé Dinheiro, a Coreia do Sul vem injetando grandes quantidades de dinheiro em suas produções culturais desde 1990, o que explica como o Produto Interno Bruto (PIB) do país triplicou entre 2000 e 2018, passando de U$ 500 bilhões para U$ 1,5 trilhão, de acordo com dados do governo coreano.

Conforme o Ministério de Economia da Coreia do Sul, o país investiu R$ 31 bilhões em cultura, turismo e esporte em 2021. Enquanto isso, no Brasil, no mesmo período, segundo o Ministério de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, o investimento foi apenas de R$ 2,2 bilhões.

“Pachinko”

Mesmo que Pachinko” seja, na verdade, uma produção norte-americana, é uma prova que os investimentos sul-coreanos na cultura estão dando certo, com a difusão mundial de sua história, arte e artistas, no caso representados pelo cinema e literatura. Criada por Soo Hugh e dirigida por Kogonada e Justin Chon, todos ásio-americanos, a série é uma adaptação do livro homônimo de Min Jin Lee, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. A produção estreou em 25 de março e sua primeira temporada foi finalizada com oito episódios, de cerca de 55 minutos de duração cada.

A série conta a história de várias gerações de uma mesma família coreana, que imigrou para o Japão no início do século XX. A trama gira em torno de Sunja, uma adolescente humilde que se envolve com um homem mais velho, o misterioso Koh Hansu. Dessa paixão, a jovem engravida, mas ao descobrir que Hansu é casado, ela o renega e acaba se casando com Baek Isak, um pastor que chega doente na pensão que ela e sua mãe gerenciam. Sunja então parte para o Japão, para tentar uma vida melhor, mas acaba tendo que lutar para sobreviver a manter sua família.

A produção traz um elenco de peso e traz a vencedora do Oscar, Youn Yuh Jung, como a versão idosa de Sunja, e a atriz estreante Kim Min-ha como sua versão jovem. Além das duas, Lee Min-ho, um dos atores mais famosos da Coreia do Sul, encarna com perfeição Koh Kansu, e Anna Sawai, de “Velozes e Furiosos”, interpreta Naomi. “Pachinko” é contada em três línguas, coreano, japonês e inglês, e, em seu elenco, há atores de todas as nacionalidades, passando por diversos períodos e anos, como 1910, 1923 e 1989.

Ao longo da história, vamos descobrindo mais sobre a Coreia e o Japão, e a difícil relação entre os dois países. O Japão anexou a Coreia em 1910, que permaneceu como uma colônia japonesa até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. A ocupação japonesa na Coreia foi muito violenta, como mostra tanto a série quanto o livro, e culminou na separação do país entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, após o final da guerra.

A Apple TV+ confirmou, logo após a exibição do último capítulo, que a série foi renovada para uma segunda temporada. Essa notícia já era esperada por aqueles que leram o livro, pois os oito episódios da primeira temporada não dão conta das mais 500 páginas da história original. “Pachinko” é realmente uma adaptação, pois não é totalmente fiel ao livro em muitos pontos de sua narrativa, o que pode ter incomodado um pouco os leitores que estavam esperando ansiosos por ver Sunja e sua família nas telas.

Min Jin Lee escreveu uma preciosidade e o livro foi um best-seller entre os maiores índices de venda apontados pelo jornal The New York Times, além de ter figurado na lista de melhores livros lidos pelo ex-presidente Barack Obama em 2019. Mesmo tendo uma qualidade audiovisual impecável, a série de Soo Hugh não consegue dar conta da complexidade da obra original, entretanto a produção se aprofunda em alguns pontos interessantes que não são abordados no livro, e é possível perceber o cuidado dos historiadores que se envolveram com a produção da série.

Investimentos em cultura

A Coreia do Sul vem investindo em cultura desde os anos 1990, e, de lá pra cá, a chamada “onda coreana”, ou “Hallyu”, ganhou muito força e se consolida cada vez mais com produções de qualidade. “Pachinko” é apenas um dos exemplos de como o país conseguiu “estourar a bolha” com suas produções, que agora, além de fazerem sucesso no mundo todo, também estão sendo produzidas em outros países, como os Estados Unidos. Dessa forma, histórias tão importantes, como a saga das famílias coreanas que imigraram e sofreram no Japão, ganham luz.

Infelizmente, a realidade brasileira é muito diferente, e mesmo tendo um mercado cultural riquíssimo, que poderia ser consumido pelo mundo inteiro, os investimentos em cultura são muito baixos. Recentemente, no dia 4 de maio, o presidente Jair Bolsonaro vetou a nova lei Aldir Blanc de incentivo a cultura, alegando que o projeto é “inconstitucional e contraria ao interesse público”. A lei previa o repasse anual de R$ 3 bilhões, da União para estados e municípios, para o fomento à cultura.

Assista o trailer:

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“Luzes de Natal” elevou autoestima do Balneário Cassino ao longo do ano

Por Joanna Manhago Andrade      

Após o sucesso de 2021 o evento deste ano já está sendo montado

 

       Projeto motiva turistas e moradores        Fotos: Joanna Mannago Andrade

Aconteceu durante todo o mês de dezembro de 2021, o projeto “Ondas de Natal” no Balneário Cassino, em Rio Grande. A ideia da iniciativa, promovida pela Prefeitura do Rio Grande através da Secretaria de Município do Cassino, tinha como objetivo “reviver o espírito natalino” na comunidade.

Ao menos nos últimos oito anos, as gestões municipais se preocuparam em decorar a principal avenida do balneário, de modo que o espaço ficasse mais aconchegante para a época do ano. Entretanto, com o número expressivo de visitantes que o Cassino recebe entre novembro e fevereiro, tanto os moradores quanto os veranistas cobravam e esperavam que atividades e projetos mais incisivos e atrativos fossem criados.

Diante dessas demandas, a Secretaria do Cassino, então administrada por Sandro Boka, promoveu o “Ondas de Natal”. Além do projeto contar com uma série de atrações, como a apresentação da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), missas e concertos musicais, tinha também o “Luzes de Natal”, o desfile que mudou o conceito da época para o Cassino.

 

 

Procissão congrega para celebração comunitária das festas natalinas

Inspirado nas atrações natalinas da Serra Gaúcha, o Luzes de Natal foi um desfile que retratou a chegada do Papai Noel no Cassino. O diferencial, segundo o produtor artístico que criou a apresentação, Bira Lopes, “foi fugir do conceito de neve e frio e trazer a realidade da maior praia do mundo para o Natal”.

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre foi uma das atrações com um concerto ao ar livre

Ele explicou que foram seis dias de desfile, que percorria toda a avenida Rio Grande com mais de 100 voluntários, dentre crianças, jovens e adultos que cantavam, dançavam e atuavam durante a performance. Além disso, quatro carros alegóricos foram montados para complementar a atração. “Nós queríamos algo que desse vida para o Cassino, a praia e o mar foram inspirações, a Família Sagrada também, e as tradições de Natal da nossa região”, explicou Lopes.

Moradores participaram ativamente da programação

Já o secretário Boka, disse que “era importante diferenciar com aquilo que era oferecido da Serra” e que “o Cassino precisava de algo único que mudasse o conceito da festa no balneário”. Isso porque, como consequência, o Luzes de Natal proporcionou a criação de um grupo de artistas que, quando chamados, realizam apresentações em diversas ocasiões

Balneário Cassino teve decoração especial

O desfile não só impactou a comunidade do Cassino naquela época do ano, mas melhorou a autoestima da comunidade, o turismo e incentivou o governo municipal a investir na cultura do balneário. Na Páscoa, que aconteceu na segunda quinzena de abril, o mesmo grupo de artistas desfilou na avenida com uma outra apresentação.

Em todos os dias de realização do Luzes de Natal a principal via do Cassino esteve lotada de moradores, turistas e veranistas. Marina Llopart, que mora nas proximidades, disse que “fazia muito tempo que não via o balneário daquele jeito” e que depois do evento “as pessoas tinham gosto de vir prestigiar as atividades propostas”.

Renan Vanglon, que mora no Cassino há 26 anos, disse: “agora parece que as pessoas voltaram a acreditar no nosso potencial turístico. Antes estava tudo muito parado, agora sempre tem uma atividade acontecendo e dá vontade de prestigiar, e tudo isso aconteceu depois do Luzes de Natal”.

O secretário do Cassino naquela época explicou que todo o evento foi produzido por voluntários de escolas e com doações de instituições privadas. “Nós demos um tiro no escuro, porque toda vez que se falava sobre esse tipo de projeto, ninguém acreditava que poderia agradar a comunidade, mas foi um sucesso e certamente vai acontecer neste ano”, comentou.

Boka não é mais o responsável pela SMC, mas o atual secretário, Irajá Pellegrini, também disse que o Ondas de Natal de 2022 já está sendo montado. “Depois do sucesso de 2021, não poderíamos fazer diferente, iniciamos as reuniões sobre o projeto na primeira semana deste mês e a ideia é que os novos carros alegóricos sejam montados a partir de junho. Além disso, os shows e demais atrações também já estão sendo idealizados”, finalizou.

Papais-noéis fizeram bela coreografia para a alegria da criançada

 

O Cassino ganhou um visual novo com as festas de fim de ano em 2021

Ruas foram iluminadas com os motivos natalinos

 

Organização retoma símbolos tradicionais e também busca renovação

 

 

 

 

 

 

 

 

Motivações religiosas são ressaltadas na missa campal

 

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“Fenadoce  2022, o retorno”: perspectivas e programação

Por Ronaldo Luis    

“Doces (re)encontros” é o tema da 28ª edição da Feira Nacional que ocorre de 3 a 19 de junho

 

Após adiamento por dois anos consecutivos, em razão da pandemia, a Feira Nacional do Doce (Fenadoce), terá sua 28ª edição entre os dias 3 e 19 de junho, no Centro de Eventos (avenida Pinheiro Machado, 3.390, bairro Fragata, em Pelotas).

“Vamos reencontrar a Fenadoce e, com isso, o nosso sentimento de amor à cultura, gastronomia e também à nossa cidade, celebrando cada vez mais as nossas riquezas e a força com que superamos momentos difíceis”, comentou Eliane Sedrez, integrante da Comissão Organizadora da Fenadoce

A Fenadoce é o maior encontro da cultura doceira e gastronômica do sul do Brasil, com seus restaurantes exibindo pratos característicos da Alemanha, Portugal, Itália, China, além do típico churrasco gaúcho.  O visitante pode também ajustar sua programação e conhecer os inúmeros e centenários casarões existentes no Centro Histórico, bem como as antigas Charqueadas à beira do Arroio Pelotas.   

História

A Feira foi projetada pelo diretor de Turismo da antiga Fundação Municipal de Cultura, Lazer, Turismo de Pelotas (Fundapel), Otaviano Artur Bastos da Cunha, e a primeira edição aconteceu entre 15 e 19 de janeiro de 1986. Ocorreu no prédio da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) no Laranjal.

Desde então, as sucessivas edições da Feira contam a história cultural do doce, o principal produto comercializado no evento. Os doces pelotenses, verdadeiras delícias registradas como patrimônio cultural, são bem conhecidos: quindim, bem-casado, ninho, camafeu, papo de anjo, olho de sogra, pastel de Santa Clara, panelinha de coco, trouxas de amêndoas, fatia de Braga, queijadinha, broinha de coco, beijinho de coco, amanteigado e doces cristalizados.

No dia 4 de setembro de 2019, através do projeto de lei 215/2019, o Governo do Estado transformou a Fenadoce em Patrimônio Histórico e Cultural do RS.

Hoje a Fenadoce é destaque internacional sendo organizada como uma grande multifeira pela Câmara de Dirigentes Lojistas, CDL, da cidade de Pelotas.  Atualmente estabelecida no Centro de Eventos, em prédio próprio, é orgulho do empreendedorismo pelotense.

Preços dos ingressos e serviços

Essa edição será seguida por todos os protocolos sanitários de segurança exigida pela Secretaria de Saúde do município de Pelotas. Os ingressos custam R$ 15,00, de segunda a quarta-feira, quando a feira fica aberta das 14h às 22h; e R$ 16,00, de quinta a domingo e nos feriados, das 10h às 22h. O preço do estacionamento em todos os dias é R$ 15,00 por veículo.

Na Cidade do Doce, cada ingresso dá direito gratuitamente a um doce e o valor da unidade é R$ 5,00.

O evento é relevante para o turismo de Pelotas e o comércio geral do município. A ideia é despertar um grande número de turistas vindos do Brasil e exterior, oferecendo bem-estar aos visitantes.

Junto ao setor social, será disponibilizado fraldário, ambulatório, cadeira de rodas, aluguel de carrinho de bebê e tomadas para carregar smartphone.

Com a parceria de produtoras locais, acontecerão shows locais e nacionais. O evento também oferecerá aos usuários estruturas montadas na área interna e externa, ocupando espaços direcionados a setores diversificados.

Os ingressos podem ser obtidos pelo site do evento. Os bilhetes antecipados e mesas para os shows estão disponíveis para compra on-line pelo site Blueticket. A relação completa das atrações também pode ser conferida na internet.

– Festival de Gastronomia

Fotos: Divulgação

“O Festival vista incentivar o turismo e o mercado gastronômico de toda região. A programação é inserida na temática central da Feira e promove palestras, oficinas e aulas show que divulgam e disseminam a cultura gastronômica de Pelotas” 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– Cidade do Doce

“A Cidade do Doce é onde a magia acontece na Fenadoce! São dezenas de docerias pelotenses com a fachada personalizada que levam as suas delícias para os visitantes, incluindo os doces certificados. No centro da Cidade do Doce há um espaço onde os visitantes podem acompanhar a produção dos famosos doces cristalizados, entendendo um pouco mais sobre como funciona todo o processo em tempo real”.

 

 

 

 

– Espaço Arte do Doce

 ”Esse é o palco principal para execução do projeto de artes cênicas, em que são realizadas apresentações que contam com músicos, bailarinos e atores em encenações e performances que representarão uma releitura da cultura e tradição de Pelotas”. 

 

 

 

 

 

 

– Fenashow

“A Fenashow conta com parcerias de produtoras locais que viabilizam shows nacionais para o público da Fenadoce”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– Praça de Alimentação

“A Praça de Alimentação da Fenadoce conta com dois restaurantes e mais estabelecimentos com variedades de opções. Os espaços são todos de Pelotas valorizando ainda mais a culinária local. O amplo ambiente conta ainda com um palco que recebe diariamente várias apresentações artísticas e culturais”.

 

 

 

 

 

 

– Festival de Moda

“O festival promove desfiles com o objetivo de fomentar e valorizar o segmento da moda, fortalecendo a troca de conhecimentos, integrando expositores da feira e produtores de moda local”.

 

 

 

 

 

 

 

 

– Ciclo de Negócios

“A proposta do Ciclo promove atividades voltadas ao empreendedorismo, abrangendo diversidade de atividades como palestras, debates, talks, rodada de negócios para os interessados em promover seus negócios, ampliar networking e conhecimento, bem como o empreendedorismo feminino em debate”.

 

 

 

 

 

 

 

– Feira de Agricultura Familiar

”A feira visa possibilitar aos agricultores e familiares que agreguem valor à produção primária, melhorando a renda e as condições gerais de vida de suas famílias, além de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico”.

 

 

 

 

 

 

 

– Expositores

“A Fenadoce tomou a forma de uma grande multifeira ao longo dos seus anos. Hoje, são áreas divididas em Comércio e Serviços que valorizam pequenos, médios e grandes empreendedores. Eles se distribuem entre os espaços e levam suas marcas em estandes dos mais variados tipos e para todos os nichos”.

 

 

 

 

 

 

– Parque de diversões

“Na área externa a Fenadoce conta sempre com uma atração do Parque de Diversões. Os brinquedos são voltados para crianças e adultos, além de opções sempre novas e importadas”.

 

 

 

 

 

 

Shows nacionais

Na 28ª edição da Feira, haverá três destaques entre as atrações nacionais, abrilhantando os palcos da Fenadoce, na sua área externa:

No dia 12 de junho, às 21h,  os visitantes estarão comemorando o Dia dos Namorados com a dupla Jorge e Mateus. Em seu repertório de sucessos contam com músicas conhecidas como “Querendo te Amar”, “Voa Beija Flor”, Amo Noite e Dia”, entre outras conhecidas do público. Ingressos disponíveis no site da Blueticket.

Jorge e Mateus            Fotos: Divulgação

Dia 16 de junho, às 21h, é a vez do DJ Alok, um dos mais famosos no Brasil e considerado o quarto melhor DJ do mundo. Para os apaixonados pela música eletrônica será mais uma grande oportunidade. Ingressos diretos para o show no Blueticket.

DJ Alok

No dia 18 de junho, às 21h, o cantor Dilsinho, um dos principais nomes do pagode brasileiro, encerrará o último sábado da Feira, com canções de sucesso como “Eu Sei que Tu Dança”, “Péssimo Negócio”, “Cansei de Farra” e “Refém”. Ingressos para o show no site.

Dilsinho

Fenadoce Cultural

Pelotas possui tradicionalmente forte envolvimento com a cultura, com várias manifestações artísticas. Neste ano, a 28ª realização da Fenadoce estará com seus quatro palcos sediando diariamente  apresentações nas áreas da dança, teatro, tradições gaúchas e música. Está prevista a presença de milhares de artistas nas apresentações agendadas.

Que a 28ª edição da Fenadoce 2022 seja muito bem-vinda!

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Adorei a matéria, até porque eu acompanho a Fenadoce desde que surgiu. Será um ótimo reencontro.

Graça

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Tomei conhecimento deste evento através da revista Viva no Sul e me encantei. Gostaria muito de visitar Pelotas nesta época para  vivenciar tudo e degustar os sabores deste lugar.
Moro na Bahia, bem longe daí, mas vou tentar me programar para ir aí.

Silvana

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Queria saber se vai acontecer neste ano o rodeio artístico que acontecia nos outros anos, e, se sim, qual data e como faço para fazer as inscrições.

Rodrigo Silveira

Resposta: Até o momento  não haverá Rodeio Artístico na Fenadoce 2022, mas a programação ainda não está fechada, podendo ainda acontecer outras programações, inclusive o Rodeio.

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Faço parte da patronagem do CTG Cel Thomaz Luiz Osório. Estamos querendo agendar apresentação das invernadas de dança, mas no contato que nos foi fornecido não conseguimos.
Gostaria de um retorno.
Agradeço a atenção.

Hilda Maria Heinen

Resposta: Os contatos com a Fenadoce podem ser feitos através do Centro de Diretores Lojistas de Pelotas (CDL), pelo telefone (53) 3271-0002.

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Olá. boa tarde, gostaria de saber se é permitido a entrada de pets

Marcus

Resposta:

Pet’s “são” permitidos na Fenadoce 2022, desde que:
Estejam controlados com “guias coleira” ou “guias peitoral”.
Que não circulem nas áreas de alimentação.
Que não circulem na Cidade do Doce.
Que não circulem em áreas de shows.
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Museu Casa Fernando Pessoa: um tesouro para ser conhecido  

Por Vitória de Góes (Correspondente do site Arte no Sul em terras portuguesas)        

Instituição sediada na antiga moradia do poeta promove várias exposições

             Exposição: Retratos de Pessoa com sua família          Fotos: Vitória de Góes

História, arte e literatura. Essas resumem a experiência de visitação e imersão na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, Portugal. O local foi habitado pelo famoso escritor português durante os seus últimos 15 anos de vida e é dedicado à sua biografia e obra.

Dividida em três pisos, a casa que se tornou em um museu histórico-cultural, conta com diferentes exposições e uma biblioteca especializada em poesia mundial. Logo no primeiro espaço é possível conhecer detalhes da vida de Fernando Pessoa, com objetos pessoais do autor, fotos da infância junto à família e até cartas trocadas com sua namorada, Ophélia.

Recursos tecnológicos também são utilizados ao longo do museu para introduzir o visitante ao mundo literário. Vídeos de entrevistas a amigos e familiares de Pessoa, sons para imersão no ambiente como por exemplo, da escrita em papel, além de um espaço para sentar e ouvir a narração de capítulos de alguns livros do poeta.

 

Acervo do escritor  com obras que vão da astrologia à ficção

Maria Eduarda Moraes, 21, é brasileira e visitou o local. Ela conta que dentre as experiências que teve em Portugal, conhecer o museu foi uma das melhores. “Gostei muito de como é organizado, acho que ele instiga a curiosidade até de quem nunca ouviu falar sobre o Fernando Pessoa”. E completa: “É um museu para que o público se sinta acolhido e entenda de fato o objetivo do local e quem foi o poeta”.

Em 2021 a Casa Fernando Pessoa recebeu o Prêmio Museu do Ano, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM). O conjunto documental no espaço também é classificado como Tesouro Nacional em Portugal.

Quem foi Fernando Pessoa

Retrato de Fernando Pessoa, 1912, por Adolfo Rodriguez Castañé

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em 1888, em Lisboa, Portugal, e é um dos maiores poetas da literatura portuguesa. Durante sua vida também foi filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, comentarista político e empresário.

Pessoa pertence à geração de Orpheu – grupo de artistas que introduziu o modernismo em Portugal em 1915 -, por isso suas obras não são convencionais, mas possuem um tom provocativo e irônico. Além disso, é conhecido pelos seus heterônimos, autores fictícios com personalidades e características literárias específicas.

No museu Casa Fernando Pessoa, é possível conferir a genialidade do autor ao ver que os heterônimos possuem data, horário e local de nascimento e morte, tendo até mesmo a pesquisa astrológica dos mesmos, o que vai de encontro com as personalidades expressadas por cada um.

O poeta morreu em 30 de novembro de 1935 e deixou mais de 25 mil páginas de texto, que aos poucos vêm sendo publicadas. Até hoje é amplamente estudado, inclusive nas escolas brasileiras, por conta de sua relevância literária.

É possivel visitar o museu pela internet neste link.

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Filme “Minha vida incomoda muita gente” traz mensagem libertadora 

Por Sabrina Lacerda Borges   

Comédia holandesa, lançada em 2021, está disponível na Netflix e conta a história da marroquina Leyla

 

    Maryam Hassouni faz papel de Leyla, que sonha em escrever livros infantis, mas desvenda machismo de sua época                        Fotos: Divulgação

 

O filme “Minha vida incomoda muita gente” é uma comédia romântica holandesa dirigida por David Bukvic e lançada pelo sistema de streaming Netflix no ano passado. A obra conta a história de Leyla, uma mulher marroquina solteira, sem companheiros, filhos e que, por isso, é rotulada de “Meskina”, uma perdedora ou patética, segundo tradução local. Essa palavra também dá título ao filme na sua versão em inglês.

A história é narrada pela protagonista, que sonha em escrever livros infantis, mas que vive em um processo bem lento de escrita. Como a maioria das histórias para o público infantil é apresentada na forma de um reino onde existem princesas e príncipes, essa relação fica apenas na imaginação mesmo. O enredo do filme se passa em um cenário atual, que evidencia no seu decorrer algumas questões culturais e machistas. 

Leyla casa e vê seu “conto de fadas” desmoronar ao ter a traição do marido exposta pela mídia. Ela se divorcia e, mais uma vez, passa a ser considerada uma “meskina” pela família. Ela volta a morar com a mãe e pede emprego para uma prima empreendedora de sucesso na área de produção de eventos. 

Mesmo estando se sentindo bem no trabalho, isso não é o bastante, pois ela não tem um marido, e esse é o ponto principal da história. A família passa a procurar um cônjugue para Leyla, pois ela está ficando “velha e feia” e ninguém mais vai querer se casar com ela. A mãe procura um pretendente com a indicação de familiares e a ajuda da internet, afinal, o tinder está aí para isso, não é? 

Leyla vai nos encontros arranjados pela irmã e pela mãe e gosta de conhecer os dois homens, decidindo manter os encontros com os dois, sem que ninguém saiba. É isso mesmo que você está pensando, ela começa a namorar escondido com os dois homens, até que tudo dá errado e a farsa termina. E é neste ponto que a personagem consegue se encontrar e perceber os motivos que a levaram a ter a vida que tem. 

Uma série de personagens divertidos aparece no transcorrer da história

Leyla decide ficar sozinha, supera sua fobia de falar em público e faz um discurso incrivelmente inspirador. Ela questiona o que as pessoas veem nela, uma rejeitada, traidora, promíscua, e relaciona com a forma que mulheres que não fazem o que esperam delas são chamadas. Além disso, ela aponta que esses problemas começam na infância, quando histórias são contadas para meninas dizendo que elas devem se encaixar em padrões, obedecer às regras, ceder para agradar os outros, esperar para ser salva… 

Fica muito claro no silêncio da personagem em frente ao público enquanto tira a coroa que está usando e deixa na bancada, que ela está se encontrando, encontrando a voz dela. “Eu sou Leyla e isso é mais do que suficiente”, diz ela. A personagem deixa a mensagem que você não precisa de um príncipe para ser feliz. 

De modo geral, o filme é belíssimo, a fotografia é bonita, a música consegue enfatizar os sentimentos das personagens e passa uma mensagem muito importante. O recado do filme não fica apenas em relação aos relacionamentos românticos, mas em relação à pressão estética que as mulheres sofrem, de constituir família, sendo que muitas não desejam ter filhos, de seguir as regras e os padrões que são esperados. Esses são maiores ou menores quando consideramos o contexto cultural em que elas estão inseridas.

Que todas tenhamos a coragem de Leyla para seguir nossos sonhos, atuar na carreira que desejamos e construir nossa vida com base no que faz sentido para nós, e não para os outros. Que tenhamos coragem para que nossas vidas sigam incomodando muita gente.

Confira um trecho do discurso de Leyla:

“Começa nos contos de fada que a gente conta. A princesa precisa ser beijada antes de acordar. O sapatinho de cristal tem que caber. Ela tem que ir para casa na hora ou a carruagem vira uma abóbora ou ela abre mão da voz dela para ter duas pernas e poder correr até o príncipe dela. É isso que estamos contando para as nossas filhas, que é heroico para uma princesa sacrificar a voz dela para ser feliz no amor […] tentamos corresponder aos seus desejos e expectativas tão desesperadamente que deixamos de ouvir a nossa própria voz […] foda-se, eu não preciso ser salva ou beijada antes de acordar. Não preciso de aprovação e não preciso estar com alguém para me sentir inteira. Eu sou Leyla e isso é mais do que suficiente!”

Veja o Trailer

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