Celebração de Corpus Christi mobiliza paróquias e juventude em Pelotas
Sob o tema “Com Jesus Pão da Vida, caminhamos juntos como Igreja!”, a solenidade contou com celebração em frente à Catedral e procissão de seis quadras até a prefeitura

A procissão de Corpus Christi percorreu a rua Padre Anchieta, no centro de Pelotas sobre os tradicionais tapetes confeccionados pelos jovens. Foto: Rafaela Silveira/ Em Pauta
Emily do Amaral, Otávio de Mattos e Rafaela Silveira / Em Pauta
Na última quinta-feira (4), a comunidade católica de Pelotas reuniu cerca de 15 grupos de jovens provenientes das paróquias da cidade em uma celebração unificada de Corpus Christi, marcada por intensas manifestações de fé. O evento, que ocorre tradicionalmente 60 dias após a Páscoa, mobilizou centenas de voluntários e fiéis na produção dos tradicionais tapetes de serragem colorida e na realização de uma missa seguida de procissão. A confecção dos tapetes culminou na celebração eucarística, celebrada pelo arcebispo metropolitano de Pelotas, Dom Jacinto Bergmann, realizada na frente da Catedral Metropolitana São Francisco de Paula às 15h e, após, seguiu em procissão pelas 6 quadras até a prefeitura. Guiada pelo tema “Com Jesus Pão da Vida, caminhamos juntos como Igreja!”, a solenidade deste ano buscou expressar publicamente a devoção à Eucaristia e promover a unidade na arquidiocese, trazendo para as ruas reflexões sobre a Pastoral da Saúde, as Diretrizes do Sínodo e a Campanha da Fraternidade 2026 (Fraternidade e Moradia).
Presença real e comunhão

Momentos de oração e reverência marcaram a passagem da procissão pelos tapetes coloridos preparados pela comunidade. Foto: Rafaela Silveira/ Em Pauta.
A principal característica da celebração em Pelotas foi, justamente, a convergência de toda a comunidade católica urbana em um só lugar. A missa integrada resgatou o sentido da data, instituída ainda no século XIII.
O Padre Wilson Fernandes destacou a relevância histórica e espiritual do momento para a comunidade local: “Hoje nós celebramos a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor, momento em que nós manifestamos publicamente a nossa fé na presença real de Jesus na Eucaristia. Essa festa está intimamente ligada com a Quinta-feira Santa, quando Jesus institui a Eucaristia e manda que nós a celebremos em sua memória”, explicou o sacerdote, lembrando que a proclamação foi feita originalmente pelo Papa Urbano IV.

Celebração eucaristica realizada em frente à Catedral São Francisco de Paula, reunindo uma multidão de fiéis. Foto: Rafaela Silveira/ Em Pauta.
O padre ressaltou ainda o foco social e pastoral do ano corrente: “Nós nos reunimos como comunidade arquidiocesana para celebrarmos a comunhão, a alegria de encontrar com o Senhor […]. Recordando o ano da formação na vida da nossa arquidiocese, mas também da pastoral da saúde. Momento de comunhão, de participação e de missão de toda a Igreja arquidiocesana”.
O protagonismo jovem

A celebração reuniu famílias, jovens e idosos em manifestação pública de fé. Foto: Rafaela Silveira /Em Pauta
O visual da festa ganhou cores e formas nas ruas através dos tapetes coloridos, confeccionados majoritariamente pelos grupos jovens das paróquias. A montagem exige uma logística minuciosa que começa meses antes, envolvendo desde a escolha dos temas e elaboração dos desenhos até o tingimento e a secagem da serragem. No dia, o trabalho começa de madrugada.
Thais Aldrighi, integrante do grupo Gurizada de Francisco, da Paróquia São José, do bairro Fragata, explica que o planejamento e a mobilização começam bem antes. “[…] antes mesmo da gente receber as tintas, a gente já começa a procurar algumas marcenarias e locais onde a gente possa encontrar a serragem, para já facilitar quando começar a pintura”, conta.
Segundo Thais, a preparação também é um momento de forte convivência comunitária. “Assim que as anilinas [corante em pó à base de álcool usado para tingir a serragem] chegam, a gente já vai em busca do restante dos materiais: luvas, túneis, a lona, que é muito importante, e principalmente o etanol. […] essa é uma das melhores partes, se encontrar com o pessoal durante o final de semana, poder dar risada e, principalmente, trabalhar juntos”, relata.
Apesar da diversão, a jovem confessa que o processo gera ansiedade nas equipes. “É um pouco assustador, porque em muitos momentos a gente acha que não vai ter serragem o suficiente, ou que a serragem não vai secar, mas no final sempre acaba dando tudo certo, sempre sobra muita serragem, o trabalho que é feito no dia é lindo. Todas as coisas vão se encaixando e vão cooperando”, afirmou Thais.
Nicoli Ferraz, coordenadora do grupo de jovens Anjo Gabriel, pertencente à Paróquia Sant’Ana, localizada na Colônia Maciel, também relatou o esforço coletivo para que a obra ficasse pronta. Segundo Nicoli, o cansaço físico dá lugar a um forte sentimento de realização quando o tapete toma forma. “Eu acho que é uma sensação de gratidão, de trabalho cumprido, de emoção… Só coisas boas. Porque a gente fez tudo com o sentimento de ‘ah, não vai dar certo’ ou ‘e se não funcionar?’. Ver eles funcionando e todo mundo se empenhando é muito gratificante.”
Para além da estética e da tradição, os tapetes servem como uma poderosa ferramenta de evangelização e inclusão para as novas gerações. “Eu acho que, para os jovens, esse objetivo é mostrar a fé de alguma forma. Muitos aqui não têm uma caminhada de igreja em família e, eles estando aqui, é uma maneira de demonstrarem o amor por Deus. A gente está aqui desde a madrugada, e se não tivesse tanta fé, a gente não estaria aqui”, concluiu a coordenadora.
O ápice da procissão
Após a missa, centenas de fiéis acompanharam o cortejo religioso. Para os participantes, o momento em que a procissão passa por cima dos tapetes confeccionados com tanto zelo representa o ápice e o instante mais significativo de toda a programação.
Ao conectar temas urgentes da atualidade — como a moradia digna pautada pela Campanha da Fraternidade e o cuidado com os enfermos pela Pastoral da Saúde — a celebração de Corpus Christi de 2026 em Pelotas consolidou-se como um símbolo de unidade, onde diferentes paróquias caminharam juntas sob o mesmo propósito.

Dom Jacinto Bergmann conduziu a bênção que encerrou a procissão de Corpus Christi em frente à Prefeitura de Pelotas. Foto: Rafaela Silveira / Em Pauta

