Marco Ayala deixa um legado de autenticidade, arte e paixão na UFPel

Entre homenagens e lembranças, a Universidade Federal de Pelotas se despede de Marco Lapolli Ayala, de 20 anos. Reprodução/Redes Sociais / Em Pauta
Por Carolina Mattos
Existem poucas pessoas tão corajosas e autênticas como Marco Lapolli Ayala. Sua partida precoce deixa, além da saudade, um marco profundo na história de tantos colegas, amigos e, sem dúvida, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A notícia do falecimento do jovem surpreendeu a todos que compartilhavam com ele as salas de aula, os estúdios e os corredores diariamente. A segunda-feira, 1 de junho, marcou a última vez em que ele esteve presente no Campus Anglo.
Aluno do quinto semestre de Jornalismo, Marco era movido pela paixão pela arte e pela comunicação. Ele participava ativamente de vários projetos acadêmicos e sempre destacava seu desejo de trabalhar com jornalismo cultural, buscando valorizar e divulgar as manifestações artísticas com mais força. Nos corredores da faculdade, sua presença era notável: sorria por onde passava e, como um político carismático, cumprimentava a cada um com um olhar atencioso.
Com a triste notícia de sua partida, diversos colegas e professores prestaram homenagens, expressando carinho e solidariedade.
Sua autenticidade era sua característica mais marcante; Marco colocava um toque particular em tudo o que fazia. Mostrar quem era de verdade, sem medo de julgamentos, era algo admirável. Suas palavras eram sinceras, vindas de alguém que se entregava sem esperar nada em troca.

Seu sorriso revelava a felicidade de quem se entregava de coração a tudo o que fazia. Reprodução/Redes Sociais
Essa dedicação também se refletia nos trabalhos acadêmicos. Marco tinha preferência por textos longos e complexos. Mesmo o que poderia ser uma pauta simples, ele transformava em uma produção maior e mais elaborada. Dedicava tempo, esforço e atenção aos detalhes, um esmero que poucos tinham o gosto e a paixão de cultivar.
Sua colega de semestre e amiga, Lívia Silveira, ressalta que o esforço contínuo era a principal marca que ele deixava na faculdade. “Muitas coisas definem o Marco, porque ele é uma pessoa muito especial, muito diferente das outras, seja pela pureza dele ou por outras coisas. Mas se eu fosse falar do impacto que ele trouxe para a faculdade, eu falaria muito do esforço. Esse esforço que ele tinha em fazer as coisas fazia com que ele tivesse trabalhos impecáveis e se preocupasse com os mínimos detalhes”, recorda.
Lívia lembra com carinho de uma situação emblemática durante um projeto de assessoria de imprensa, quando uma data histórica saiu minimamente errada em uma publicação. “Eu não lembro se foi o dia ou se foi o ano, mas trocaram um número um por um número dois. Ele conversou, foi atrás e fez de tudo para falar com o responsável por aquele jornal para corrigir uma mínima data antiga da fundação do Teatro dos Gatos Pelados. Dentro da faculdade, isso era algo muito marcante dele. Ele era extremamente preocupado com a qualidade das coisas que fazia”, conta a estudante.
A professora do curso de Jornalismo, Michele Negrini, lembra com afeto do impacto de sua presença nas aulas. Para ela, o estudante era sinônimo de luz, alegria e felicidade. “Ele contagiava todo mundo com seu sorriso e seu alto astral. Mesmo em momentos mais complexos, espalhava esperança e bom humor. Com certeza, vai fazer muita falta. Ele vai ficar vivo em nossas recordações”, destaca a professora.
A capacidade de viver a vida com transparência e sem amarras também foi o que mais marcou a trajetória de seus amigos próximos. Isadora Alcantara Rosa, colega de curso e de dança, recorda que poucas vezes conheceu alguém tão consciente de si mesmo quanto Marco. Segundo ela, muitos sabem o que amam e o que querem para a vida, mas não expressam por medo de rejeição ou falta de autoaceitação. “O Marco não era assim. Ele assumia quem era e seguia em frente, em meio a elogios e críticas; era leal a si mesmo, sem vergonha de ser quem era”, relata Isadora. Ela acrescenta que, mesmo quando a timidez ou a vergonha surgiam, ele parava, olhava para si com carinho, colocava um sorriso no rosto e continuava. “Esse era o Marco, com um jeito único, repleto de amor e cuidado, que se estendia para todos ao seu redor.”
Tanto na dança quanto no jornalismo, Marco dava o melhor de si, entregando-se aos projetos e ajudando a quem precisasse sem hesitar. Tratava-se de um jovem cheio de sonhos, planos e aspirações. “É com profunda tristeza que nos despedimos. Fomos colegas, mas também grandes amigos. Uma amizade que surgiu despretensiosamente, mas foi arrebatadora, porque ele nunca passava despercebido”, desabafa Isadora, que encontra conforto nas memórias que restaram: “Me acalenta saber que ele continua conosco na bondade, no respeito e no amor que espalhou. Essas coisas o tempo não apaga.”
Além da comunicação, é impossível falar de Marco sem mencionar a dança, sua grande paixão e prioridade de vida. O brilho em seus olhos era evidente ao compartilhar planos de novos projetos, coreografias e ensaios. Dançarino de danças urbanas, ele subiu em diversos palcos, participando ativamente de festivais e eventos. Recentemente, ele havia celebrado a aprovação no Festival de Dança de Curitiba e, mais uma vez, foi selecionado para o Festival de Dança de Joinville deste ano, considerado o maior do mundo na categoria.
Marco se expressava através dos movimentos, mas a música como um todo tinha extrema importância em sua rotina; era comum vê-lo cantarolando ou praticando com seu violão. Foi justamente essa dedicação, somada à coragem, que o levou a lugares inesperados, conquistando novos palcos, palestras e shows.

Sua memória ficará para sempre guardada nos corações daqueles que o conheceram e, agora, sua luz seguirá brilhando na eternidade. Reprodução/Redes Sociais / Em Pauta
A trajetória de Marco Lapolli Ayala pode não ter sido tão longa quanto todos desejavam, mas a sua marca na comunidade acadêmica e artística é eterna.


