Teatro Escola de Pelotas existe desde 1914
Reportagem de William Machado –
O Teatro Escola de Pelotas foi criado em 1914, com o nome de Corpo Cênico do Apostolado dos Homens da Catedral, era dirigido por Antônio Alves dos Reis, num tempo em que as mulheres ainda não podiam participar. Somente em 1946, com Davi José Zanotta, foi então transformado em Teatro Escola de Pelotas.
Na montagem de um novo espetáculo, a atual diretora da trupe, Barthira Franco, comenta que “…a proposta do grupo é estar aberto para qualquer pessoa participar”. O grupo se consolidou na cidade e no Brasil, presente em eventos importantes como o Projeto Mambembão, do Ministério da Cultura, no Festival Internacional Porto Alegre em Cena e em festivais nacionais de teatro como os de Canela (RS), São José do Rio Preto (SP), Ponta Grossa (PR), Sorocaba (SP), Itabira (MG), Campina Grande (PB) e Blumenau (SC).
O grupo faz ensaios ao ar livre, na Praça Coronel Pedro Osório. Entre os participantes, está a designer gráfica Francine Dias. Embora ela não imaginasse em “um dia ser atriz”, descobriu no Teatro Escola o seu potencial.
Ficou curioso? Quer saber como participar do grupo? Então, confira as nossas dicas abaixo, como obter mais informações sobre uma das companhias teatrais mais antigas em atividade no Brasil.
O QUÊ? TEATRO ESCOLA DE PELOTAS
COMO SE INSCREVER? ENTRAR EM CONTATO PELO TELEFONE 81076414 OU PELO FACEBOOK “TEATRO ESCOLA DE PELOTAS”.
ONDE? FÁBRICA CULTURAL – RUA FÉLIX DA CUNHA, 690.
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Comédia musical percorre bairros da cidade de Pelotas
Reportagem de Ronaldo Quadrado Gomes –
A Companhia de Teatro Caboclos da Cidade, em parceria com o grupo musical Adelante, vem apresentando a peça teatral itinerante “Olha o santo!”. A produção foi pensada para que o teatro chegasse à periferia, podendo ser um elo entre a história da cidade e seus moradores. O enredo conta a trajetória de duas irmãs africanas, Mimosa e Xoróca, que vieram como escravas para o Brasil. O contexto é o período de opulência econômica da cidade de Pelotas, quando a escravidão era legalmente aceita. As personagens são parentes das tias Minas, senhoras escravas que, privadas de entrar no Mercado Público Municipal, vendiam seus quitutes no entorno do prédio. Elas falam também de seu desejo de encontrar alguém pra casar.
Seus quitutes são os famosos doces de Pelotas, mas, ao contrário do que se diz, elas esclarecem que a grande maioria são receitas de origem africana e não portuguesas. O quindim, por exemplo, além de ser uma receita para adoçar o paladar, era feito também em homenagem ao Orixá Ogum. Em todas as apresentações, o roteiro abre uma “janela” para contar, também, um pouco da história do bairro em que está sendo realizada.
A companhia já passou pelos bairros Balsa, Getúlio Vargas, Barro Duro e Dunas. Segundo o diretor, que é doutorando da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Hélcio Fernandes, a produção vem trazendo uma série de impactos positivos nas comunidades por qual passou: “Além de poder levar o teatro para mais pessoas, nos alegra em estar contribuindo para que um pouco da história esquecida da cidade possa ser contada”, afirma Hélcio.
Toda a pesquisa foi elaborada pelo diretor e pelo elenco, que conta com Juliane Grinberg (Mimosa) e Francine Mohammed (Xoróca). O grupo musical Adelante é formado por Luan Borba, Vítor Moreira e Toko Ciocca. O grupo ensaia duas vezes por semana e está se preparando para participar do Festival de Teatro de Rua, que terá apresentações dia 24 de outubro no Mercado Público de Pelotas, a partir das 15h.
O Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Procultura) é quem financia o projeto, que foi selecionado, por edital público, entre cem outros e ficou entre os 15 contemplados.
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Comentários:
Parabéns, conterrâneos!
Sou pelotense e moro há muitos anos em São Paulo (SP). Tudo o que eu não aprendi na escola, sobre o passado de nossa cidade, vou descobrindo agora, com o resultado de excelentes pesquisas e trabalhos como o de vocês.
Muito sucesso!
Maria Inês Carniato
Maratona promove fotografia em mostra até amanhã
Reportagem de Antoniela Fonseca e Janaína Pereira –
A Secretaria de Cultura de Pelotas (Secult) promove a primeira Maratona Fotográfica de Pelotas, estimulando ainda mais o gosto pela linguagem das fotos. Profissionais e amadores participam, unidos pelo tema do evento: “a floração dos pessegueiros”. Há mais três subtemas, as águas na área rural, os acervos dos museus nas colônias de Pelotas e fotos que retratem uma parte da cidade nas cores preta e branca.
Foram escolhidas 11 conjuntos de imagens que foram impressas e estão em exposição até amanhã, na Sala Frederico Trebbi, no Paço Municipal.
A Maratona tem a intenção de fomentar atividades culturais nos diversos territórios do município, fortalecendo a arte da fotografia, descobrindo novos talentos e novos olhares sobre Pelotas.
As imagens da exposição estão sendo votadas. Será escolhida a melhor imagem da categoria “individual” e em “grupo”. Os prêmios na modalidade individual/adulto são R$ 2.000 + produtos culturais do Procultura (primeiro lugar), R$ 1.000 + produtos culturais do Procultura (segundo lugar). Na modalidade grupo/ família os prêmios são R$ 2.000 + produtos culturais do Procultura + pacotes de Passeio Turístico na Colônia de Pelotas (primeiro lugar) e R$ 1.000 + produtos culturais do Procultura (segundo lugar).
O evento tem o apoio da Prefeitura e a ideia surgiu quando se fazia reuniões para a “Quinzena do Pêssego”. A artista Daniela Borges, uma das organizadoras desta exposição, ressalta a valorização da fotografia. Segundo a entrevistada, a cidade estimula várias áreas relacionadas à cultura, mas faltava uma maior atenção à fotografia. Assim foi proposta esta forma de incentivo. “Pretendemos seguir realizando a Maratona nos anos seguintes com outros temas, houve neste ano a seleção de 11 imagens, com o total de 44 concorrentes”, detalha.
Um dos classificados, Rita de Cássia Veiga, conta que a sua inspiração foram os pessegueiros em flor e as plantações de pêssego. Sobre as águas rurais, ela fotografou a cachoeira do Arco-Íris. Também clicou imagens dos acervos dos museus nas colônias de Pelotas, como alguns pesos e balanças, a última que mostrava Pelotas em preto e branco na área da Doca perto da região do Porto com barco e água. Assim, o próprio contexto da região, a parte das águas, tenta mostrar a vida calma das redondezas e as belezas naturais
Um dos classificados na modalidade grupo/família, Endrigo de Oliveira, comentou que foi uma ótima oportunidade para observar melhor a região através das fotografias em vários lugares e aspectos, como os pessegueiros e as cachoeiras. “Acompanhado de toda minha família, minha esposa e meus dois filhos, foi um momento de descontração que todos adoraram”, ressalta.
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Pelotas tem uma companhia de dança permanente
Reportagem de Ingrid D’Avila e Matheus Muniz –
Que Pelotas é reconhecida como uma capital cultural, ninguém duvida. Uma agenda recheada durante todo ano com eventos que incluem shows, espetáculos de teatro e amostras de dança. Mas mesmo com manifestações de arte e cultura frequentes, Pelotas não tinha uma companhia de dança ou teatro permanente. Surgiu então a companhia Ballet Poeta.
É formada por profissionais da Pelotas, entre eles, 21 bailarinos profissionais, diretores de arte e administração; assessores de comunicação, produção e logística; coreógrafo e maitre de ballet. A companhia busca suprir a ausência local e está diretamente ligada aos valores da cidade, buscando também ser lembrada como um emblema do município.
A Ballet Poeta apresentou nas noites de 22 e 23 de setembro, no Theatro Guarany, em Pelotas, o espetáculo A estreia. A produtora do evento Manoela Jacques contou com a acolhida do público, com um trabalho artístico, inovador e de qualidade, pois foi feito com muita dedicação e intensidade.
Ballet Poeta é uma companhia de dança independente, não possui fins lucrativos e pretende manter o espetáculo com a renda da bilheteria, patrocínios, apoios institucionais e captação de recursos, através de incentivos fiscais e editais de produção artística do município, Estado e União.
A estreia conta com a direção de Diego Chame e Jean Coll, que são responsáveis pela coreografia junto com Otávio Augusto Lima. O projeto prevê dez apresentações anuais em Pelotas, além de turnês pelo Estado e pelo País.
Confira uma pequena parte do espetáculo.
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O teatro chega às ruas de Pelotas semana que vem
Reportagem de Camila Mascarenhas –
Teatrua, uma mistura de teatro e rua. Esse foi o nome escolhido para o primeiro festival de teatro de rua, que irá ocorrer na próxima semana, no Centro Histórico de Pelotas. O projeto foi criado pelos cineastas Francisco Maximila e Thiago Rodeguiero, com a intenção de levar o teatro às ruas e criar um espaço de formação e diálogo através de apresentações de peças teatrais, oficinas e workshops.
O Teatrua foi selecionado através do edital de apoio a eventos culturais do segundo semestre de 2015, da Secretaria Municipal de Cultura de Pelotas. A produção e realização do evento são resultado de uma parceria da Cia do Olhar do Outro e Campos Neurais Produções.
O Festival
Um dos objetivos do projeto é ajudar a descriminalizar os artistas de rua e, segundo os organizadores, a ideia de realizar o festival surgiu através do contato com os festivais de mesmo estilo que acontecem em Porto Alegre e em outros lugares. “Já tínhamos conversado sobre a ideia do projeto, pois temos muito contato com o pessoal do teatro. Então, quando surgiu o edital de financiamento da Prefeitura nos inscrevemos”, afirma Francisco.
O festival não tem caráter competitivo, tem como finalidade ajudar a tornar visíveis os artistas do teatro de rua locais e também ser um espaço de troca de experiências entre os artistas da área. Em relação ao público, o projeto tem a intenção de mostrar a população este tipo de arte e fortalecer o elo entre o teatro e a cidade. “A ideia é que qualquer pessoa que esteja passando ali no Mercado Público possa ter contato com o teatro, a senhora que está indo na feira, crianças e adultos”, diz Thiago.
Serão realizados quatro apresentações de espetáculos de teatro de rua, quatro oficinas de criação em teatro de rua e um workshop de produção e profissionalização em teatro. As oficinas e o workshop são gratuitos e abertos ao público.
Espetáculos
Os quatro espetáculos foram escolhidos pelos grupos que irão se apresentar e são específicos para teatro de rua. As apresentações irão acontecer no dia 24 de outubro a partir das 15 horas. São eles:
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Olha o Santo : Direção de Hélcio Fernandes Júnior (Pelotas)
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A Farsa do Advogado Pathelin : Direção de Carlos Prado (Pelotas)
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O circo de palhaços – Grand Circo Pequeno : Direção de Lóri Nelson e Lara Bittencourt (Rio Grande)
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Palco de Feiras : Direção de Alexandra Dias (Pelotas)
Onde? Centro Histórico de Pelotas (Mercado Público)
Quando? 22, 23 e 24 de Outubro
Horário? Os espetáculos terão início às 15h do dia 24 outubro, as oficinas e workshops ainda não têm horário definido.
Confira mais da programação na fanpage do Teatrua.
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Projeto Ócio experimenta a cidade com videodança
Reportagem de Anahí Silveira –
Você já passou por prédios vazios, abandonados, ruínas cinzas e silenciosas e se perguntou por que estão ali ou qual serventia poderiam ter? Já pensou nos terraços? O que eles sugerem? Tais perguntas não são lá muito comuns, mas um projeto de videodança, pioneiro em Pelotas, começou a problematizar esses espaços na estrutura urbana da cidade. O Ócio – Experimentos em Videodança é um projeto que se vale do uso da linguagem da videodança, a qual vem ganhando força nas últimas décadas, para propor um diálogo com a cena das culturas locais. O nome ócio se dá justamente pelo desejo de encontrar um lugar ocioso e descobrir nele suas diferentes condições e como pode ser aproveitado.
A bailarina, diretora geral, coreógrafa e oficineira do projeto, Bruna Oliveira, 27 anos, idealizou a experiência a partir de seu envolvimento com esse tipo de arte. “Faço dança desde criança e sempre tentei aplicar minha ideia de dançar fora dos palcos, mas não sabia como fazer”, diz. Ela explica que o fechamento das portas do Theatro Sete de Abril, interditado por determinação do Ministério Público Federal desde 2010, foi um dos motivos para que começasse a arquitetar o projeto, uma vez que a desativação deixou muitos artistas da cidade desamparados, sem um local para expressar suas artes.
Em 2012, Bruna, que é estudante do curso de filosofia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), participou de uma atividade extraclasse na faculdade: uma oficina de videodança, que lhe abriu os olhos para colocar em prática seu desejo. “A ideia era sair do palco, pensar a dança em outro lugar e eu percebi que isso poderia ser feito”.
O projeto Ócio foi arquitetado enquanto um projeto-processo, cujos frutos não surgem somente como fechamento e apresentação de um produto-cultura, mas se desdobram também em sua execução. Sendo assim, as atividades iniciaram quando o grupo de bailarinos, formado por Bruna e mais dois integrantes do projeto, começou o “laboratório de rua”, onde o trio saía em movimentação pela cidade, analisava como o corpo se comportava em determinados lugares, em locais abandonados, e explorava-os. Ela explica que os pontos de atração foram idealizados a partir da zona portuária de Pelotas e pela “vontade de ocupar tais espaços”.
Em um segundo momento, foi criado então o roteiro do Ócio, aos moldes do cinema, mas elaborado para a dança. Construindo a narrativa, Ócio foi concebido para registrar de maneira audiovisual os resultados dessa dança aplicada nos espaços urbanos. “Analisar a tensão dos braços, adequar o corpo à filmagem, esses foram alguns dos nossos desafios nessa parte do projeto. A brincadeira principal é rasgar as paisagens para ver o que acontece, é mostrar os lugares de um ângulo ainda não visto”, destaca.
O projeto dividiu-se em etapas e em cada uma delas a proposta seria estar em conexão com públicos diferentes, para que, no encerramento do processo, os envolvidos tivessem feito também um percurso de observação e reflexão acerca da cena local através dos espaços, pessoas e suas relações. Dessa forma, a primeira etapa teve início com oficinas de “Ação Perfomática”, ministradas pelo artista argentino Javier di Benedictis e direcionadas especialmente a profissionais locais do audiovisual, da dança e outras expressões, promovendo a difusão de experimentos em processos criativos.
Já a segunda etapa do Ócio foi baseada na aplicação de oficinas para alunos da rede pública municipal de ensino nas localidades da Colônia Santa Silvana e bairros Simões Lopes, Fragata e Centro. Bruna justifica a escolha: “Queríamos experimentar esse projeto em contextos diferentes, mas com a mesma proposta. Foi incrível. Tiveram turmas que aceitaram bem, outras demonstraram a clássica vergonha das pessoas para dançar. Em cada escola fomos modificando o processo de acordo com a reação dos alunos”. Exercícios de ritmo, contato com filmagem, lousa no pátio, ocupação do terraço da escola e execução até mesmo do “passinho”, seguindo a sugestão de alunos, foram algumas das atividades empregadas. Durante as oficinas aplicadas em junho deste ano, videomaker, músico e coreógrafa do projeto tentaram promover um espaço de reflexão sobre a relação corpo-ambiente-tecnologia.
Todas as oficinas foram documentadas e neste momento o Ócio passa pelo processo de criação do seu conteúdo audiovisual. Os 300 DVD’s produzidos apresentarão um videodança realizado pela equipe do projeto e um mini-documentário do processo geral e serão distribuídos gratuitamente em instituções de ensino e cultura. O projeto, que aconteceria de abril a agosto deste ano, acabou se prolongando devido à extensa rede de atividades que nem mesmo os produtores imaginaram que teriam.
O projeto Ócio – Experimentos em Videodança é financiado pelo Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Procultura/Pelotas). Bruna aproveita a aprovação do projeto na seleção do ano passado para relacionar o programa de incentivo com o fomento das atividades artísticas na cidade. “É legal que tenha bastante demanda para que se perceba a quantidade de propostas que temos na cidade e a necessidade desse incentivo. Muitas ideias não são colocadas em prática pela dificuldade em executá-las sem esse apoio”, avalia.
A bailarina, que nasceu em Dom Pedrito, mas mora em Pelotas desde 1998, atenta para a necessidade de observar a cidade caminhando ou pedalando e fazendo um olhar desautomatizado pelo percurso. “Tem muito a se extrair, só precisamos nos conectar com o meio. O espaço da cidade me sugere o que fazer com aquele lugar. Como apredizado, o Ócio me mostrou como a rotina funciona em grandes proporções, a dança em perspectiva profissional e o caminho gigantesco que ainda preciso trilhar. Pude refletir sobre os espaços e isso me ajudou a propor outros lugares diante da cidade. Pude dançar com a cidade”, destaca Bruna, diante de um balanço sobre o projeto que ganhou força também por ser o primeiro nesta área em Pelotas. O Ócio deverá ser concluído em novembro e nas próximas semanas será lançado o site oficial do projeto, servindo como um mecanismo de acervo dos materiais reunidos até então.
Equipe Ócio – Experimentos em Videodança
Bruna Oliveira – diretora geral, diretora coreográfica, dançarina e oficineira
Gracia Casaretto – diretora de arte e fotógrafa
Tiago Kickhöfel – diretor de vídeo, videomaker, roteirista, editor e oficineiro
Átila Silveira – diretor musical, músico e oficineiro
Guilherme Oliveira – diretor de comunicação, roteirista e assessor e imprensa
Martha Grill – diretora de produção
Fernanda Thiel – dançarina e produtora executiva
Thiago Barbosa – dançarino
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Grafite chega às telas
Reportagem de Endrio Chaves, Silvia Camargo e Wagner Leitzke –
O que um dia já foi considerado vandalismo, hoje encanta aos olhos de quem circula pelas cidades mundo a fora. O grafite teve seu início na década de 70, quando jovens nova-iorquinos manifestavam a arte em forma de marcas e desenhos pelas paredes da maior cidade norte-americana. Estas, com o tempo, ganharam técnicas e aprimoramentos. Ao mesmo tempo, seus artistas e idealizadores sofriam com a discriminação por seu trabalho. Muitos deles buscavam através do grafite uma forma de responder às opressões vividas.

A arte de Bero Moraes ganhou reconhecimento por seus traços marcantes baseados no Expressionismo (Foto: Rogério Peres)
No princípio, a ideia era apenas manifestar e delimitar espaços, mas com o passar dos anos, o grafite foi conquistando seu devido reconhecimento, para nos dias de hoje ser considerado uma das mais admiradas formas de arte.
Em Pelotas não tem sido diferente, e já não é surpresa quando um grafiteiro da cidade ganha o merecido reconhecimento. Quem reconhece e apoia a arte é Rogério Peres, produtor audiovisual e diretor da Agência Rubra Cinematográfica. Através de suas produções, Rogério proporciona um alcance ainda maior para artistas locais. Um exemplo disso foi o documentário Sprayssionismo, retratando o trabalho de Vinícius Moraes, ou simplesmente o “Bero”, como é conhecido.
Depois que conheceu o mundo do grafite, Rogério Peres decidiu unir sua paixão pelas produções cinematográficas, com o encantamento pelas artes das ruas. Em meio a diversos artistas locais, um lhe chamou atenção: “Eu brincava que achava a arte dele “expreyssionante” e, realmente, era baseada na vanguarda artística do Expressionismo, e foi então que eu propus ao Bero Moraes gravar um documentário sobre a arte dele”, contou Rogério.
Na época, segundo semestre de 2013, Rogério ainda fazia parte da “Bah Produtora” e, juntamente com a produtora cultural “Trilhas de Cinema”, iniciou um projeto baseado na arte de Bero Moraes, para ser proposto ao financiamento do Pró-Cultura do Rio Grande do Sul.
O projeto foi contemplado pelo Edital do Pró-Cultura do Estado. Assim, foi produzido um filme de 26 minutos para a televisão, contando a história de vida de Bero e todo seu envolvimento com o meio artístico. Passou por sua defesa do trabalho de conclusão de curso universitário, o qual também tratou da sua arte, até a exposição final das suas obras.
“O filme foi aprovado, hoje faz parte do Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul, mas não pode ser exibido pelos próximos dois anos, contando da data de entrega que foi em fevereiro deste ano, em função da entrada do novo governo do Estado, que cortou o programa que apresentava os filmes na TVE”, explicou Rogério.
Devido à espera pelo término do contrato de dois anos com o governo do Estado, pelo qual o filme está retido, Rogério planeja a produção de um videoclipe musical. Conta com a participação dos artistas locais, Zudizilla, rapper e também grafiteiro, e outros dois que fizeram a trilha do filme, Tiago Vandal e Nick Beats, todos amigos de Bero Moraes. Haverá remakes do filme Sprayssionismo, já que as imagens originais não podem ser exibidas.
“Desta forma eu dou uma recompensa ao artista, para que ele possa ter uma obra audiovisual de seu trabalho e também somo a um projeto lançado em 2012, Arte das Ruas, que conta com videoclipes de artes realizadas nas ruas de Pelotas”, disse o produtor.
Depois de seu surgimento, o grafite enfrentou preconceitos e muitos anos de turbulência. De lá pra cá, sua recompensa foi se dando através do empenho de seus artistas. Conhecendo o trabalho de Rogério Peres, atribui-se também a projetos cinematográficos, como o do produtor, uma das formas para alavancar a arte de muitos artistas que almejam reconhecimento, não só no meio, mas em toda a sociedade.
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