Desde 1985, o projeto Nós do Mar contribui para a cultura local da cidade do Rio Grande com seu trabalho criativo
Por Erick Borges Lopes

Ana Martta Mota, Carla Ferreira e Isabela Sartori coordenam as atividades atualmente
As peças artesanais produzidas pelo projeto Nós do Mar contam a história da cidade de Rio Grande e estimulam a valorização do patrimônio e da cultura local. “É um movimento de valorização, sustentabilidade e pertencimento para Rio Grande”, comenta a presidente, Isabela Sartori. A associação, sem fins lucrativos, conta ainda com a participação da secretária Carla Ferreira e da tesoureira Ana Martta Mota.
Fundado no ano de 2015, o projeto inicialmente se chamava Art’Evidência e possui como a sede oficial a casa da Carla Ferreira. Além deste local, as artesãs contam há três anos com um espaço no Praça Shopping Rio Grande. No começo do grupo, havia 20 participantes, mas persistiram apenas as três artesãs, além de algumas parcerias pontuais. O trio salienta que o trabalho não ficou difícil com a redução dos integrantes, pois foi possível manter uma produtividade mensal tanto para a loja, quanto para eventos.

Artesãs foram homenageadas pela Câmara Municipal do Rio Grande em 2024
O artesanato da Nós do Mar oferece uma variada série de produtos: necessaires, chaveiros, ecobags, carteiras, bolsas e esculturas de biscuit e de gesso no formato de barcos, leões-marinhos e vagonetas. São todos caracterizados com motivos locais, lembrando as características da cultura local, muito vinculada ao mar, por sua localização e características geográficas, às atividades pesqueiras, etc. Logo, quem visita o espaço no shopping pode levar uma lembrança da cidade. Em dez anos de atividades, um dos destaques foi o trabalho “Já fui rede”, junto ao edital Aldir Blanc, que desenvolveu chaveiros, esfregões e sacos de hortifruti a partir da reciclagem de redes de pesca. Tal material propiciou visitas às ilhas do município para realizar oficinas com as crianças de diversas localidades.

Estudantes das escolas públicas das ilhas tiveram a oportunidade de participar de oficinas
A associação promove eventos desde o centro da cidade, como na Biblioteca Rio-Grandense e no Shopping Praça Rio Grande, até as ilhas do município. Antes de dispor do espaço no shopping, utilizavam um ponto no Mercado Público. No currículo de suas atividades, o projeto já desenvolveu oficinas de cerâmica, de pintura e de bordado, sarau de poesias, mostras artísticas e exposições fotográficas, reunindo os principais artistas do município e também diversos interessados em cultura.
Com o espaço no shopping, o projeto conseguiu trazer parte do Festival do Mar (Festimar), que é um grande evento cultural, esportivo, gastronômico e turístico rio-grandino, para o centro comercial. Ocorre uma programação paralela com oficinas, exposições e mostras artísticas ao longo dos dez dias de evento. “Participar dos eventos do shopping e do município é uma oportunidade de levar essa história para mais pessoas, fortalecer a economia criativa local e mostrar que o artesanato é um patrimônio vivo, feito com afeto, técnica e respeito ao território”, comenta a presidente.

Participantes do grupo de bordado reunidos da Biblioteca Rio-Grandense
Deste modo, o projeto envolve bastante cultura, sendo uma referência até mesmo para os turistas que chegam à cidade de navios e cruzeiros. Os interessados são recebidos pelas integrantes com o relato da história da cidade. Inclusive, a sede está no mapa cultural do município. Como a mudança para o nome Nós do Mar ainda é recente, pode-se procurar por Art’Evidência, nome ao qual ainda está vinculado. O projeto também recebeu homenagem concedida pela Câmara de Vereadores do Rio Grande, no dia 29 de março de 2024.

Encontro do projeto “Historiar Ler e Bordar” na Praça Xavier Ferreira, com apoio da Prefeitura e Biblioteca Rio-Grandense
Segundo Isabela, o Nós do Mar nasceu para valorizar o que a cidade possui de mais precioso: a identidade cultural, o trabalho das artesãs e a relação profunda que a comunidade mantém com o mar, a sua cultura e sua história. “Cada ação, cada feira e cada exposição é um convite para que o público conheça nosso trabalho e reconheça a força das mulheres que transformam materiais, memórias e saberes em arte”, defende a presidente.
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