Um coro e seu maestro: 25 anos de Música pela Música

Reportagem de Edna Souza Machado – 

À frente do coral da Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM) há quase 25 anos, o maestro Sérgio Sisto não deixa de apostar na cidade que escolheu para viver uma de suas maiores paixões: a música. Nascido em Porto Alegre, Sérgio Sisto iniciou sua formação musical propulsora de uma notável carreira que o levou, inclusive, a estudar no exterior. Atuou ao lado de grandes nomes da música como Plácido Domingo, Giuseppe Giacomini, Justino Diaz, e em teatros renomados de várias cidades brasileiras.

Em 1995, Pelotas foi presenteada com esta ilustríssima figura que, acreditando no potencial cultural da Princesa do Sul, ajudou a criar a Sociedade Pelotense Música pela Música.

Ao ser questionado sobre os motivos que o fizeram vir trabalhar aqui, o maestro disse que Pelotas é um lugar promissor. “Um campo fértil, uma cidade que chama… eu sempre tive o interesse em fazer a diferença num campo aberto, num campo novo, onde se poderia começar alguma coisa a partir do zero e que se tornaria uma coisa consolidada em longo prazo, como está se provando”

Maestro Sérgio Sisto: Minha história se confunde com a da SPMM (Foto: Acervo Pessoal)

Maestro Sérgio Sisto: Minha história se confunde com a da SPMM (Foto: Acervo Pessoal)

Para realizar este trabalho, Sérgio conta que não estava sozinho, mas com um grupo capaz de sonhar, planejar e executar este grande projeto. Pessoas que, segundo ele, gostaram do seu trabalho e demonstraram grande receptividade.

“A Sociedade (Música pela Música), do começo para cá, foi se diversificando, foi planejando mais… começamos a fazer projetos através dos editais da LIC, da prefeitura e de diversos tipos de abertura… a minha história um pouco se confunde com a história da Sociedade. Esses projetos permitiram começar a trabalhar com o talento local.”

À medida que o trabalho crescia, foi-se ganhando credibilidade diante da sociedade e, com isso, novos voos foram alçados. Em 2004, a SPMM criou a primeira orquestra composta por músicos locais. Até então, confirma o maestro, eram convidados músicos de fora para as apresentações.

“Eram a Orquestra do Theatro São Pedro, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), outras orquestras que vinham e participavam com a gente. Em 2004 nós lançamos a ideia de formar uma sinfônica aqui… A orquestra cresceu; a gente conseguiu aprovar projetos, comprar material, tudo de uma forma modesta, pequena… mas o que mantém a ‘casa’ é o esforço da diretoria, dos músicos, meu e dos simpatizantes e contribuintes que acreditam na gente.”

Hoje em dia os grupos de coral lírico e a orquestra sinfônica participam de trabalhos na cidade e na região Sul, em eventos e em projetos como o SESI Catedrais, que promove uma média de dez concertos por ano.

Dirce Fripp (direita) e seus companheiros em apresentação no SESI Catedrais (Foto: Acervo Pessoal)

Dirce Fripp (direita) e seus companheiros em apresentação no SESI Catedrais (Foto: Acervo Pessoal)

Apesar de a sociedade não ter fins lucrativos, sempre é proporcionada alguma ajuda de custo aos artistas. Entretanto, a maior contribuição é o lançamento destes talentos diretamente ao mercado de trabalho.O trabalho com o canto coral, por exemplo, parte sempre de voluntários, pessoas que se sentem atraídas pela paixão em cantar. A respeito disto, o maestro até brinca:

“Muita gente pensa que o coro da sociedade é um coro profissional, mas não é… Na verdade, mais amador, impossível! São pessoas que gostam daquilo que fazem! Passam por um teste, são escolhidos se têm voz… alguma voz, e, mais importante, se têm afinação e não têm medo da palavra compromisso, de que hoje em dia todo mundo foge… A arte tem caráter lúdico, mas na hora da preparação, não tem nada de brincadeira, é trabalho. e, como eles são amadores, precisam estudar muito mais ainda que um profissional”

A desenhista técnica aposentada, Dirce Maria Carriconde Fripp, de 55 anos, conta que participa de três grupos corais, mas que se identifica melhor com o da SPMM. “O professor exercita muito com os coralistas. Saio dos ensaios com o coração repleto de alegria pelo exercício que a música faz,” confessa.

Dirce conta também que sua relação com a música é uma relação de amor, principalmente quando esta tem relação com oração. Ela diz que se sente tocada na alma e que a música acaba com o estresse.

Herdeira do gosto pela música desde seu avô paterno, a coralista conta que há muito tempo tinha vontade de ingressar no grupo. Foi então que tomou coragem e resolveu fazer o teste. Para ela, o maior requisito para ser bem sucedido no coral é a perseverança e a fé.

Ainda para 2015, em comemoração aos 25 anos da sociedade Pelotense Música pela Música, o grupo estará realizando um concerto no teatro Guarani no dia 30 de outubro. Para isto, a sociedade ainda está em busca de parcerias e patrocínios.

O sonho da sociedade, segundo o maestro Sérgio Sisto é para no futuro poder ter uma programação regular, uma temporada fixa. Os desafios são muito grandes, pois como toda empresa privada, tem despesas com pessoal, casa, material, etc. A gente luta como toda a pessoa que tem uma casa… e ainda consegue fazer música. Para ele, as perspectivas são de esperança e de confiança em quem apóia e incentiva a cultura.

“Muita coisa melhorou, algumas outras pioraram, mas eu acho que a gente tem que seguir a estrada e eu acho que a cultura, aqui em Pelotas, e até no estado do Rio Grande do Sul e no Brasil, sobrevive… apesar de muitas coisas. É graças à ajuda de simpatizantes – e geralmente são sempre os mesmos – que acreditam no sonho da gente e nos incentivam”.

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