ONG Anjos e Querubins luta por cultura e educação

Reportagem de William  Machado –

Aqueles que fazem a diferença e enfrentam qualquer barreira estão cada vez mais presentes em nossa sociedade. Um exemplo disto é o caso da Organização Não-Governamental Anjos e Querubins. Seu presidente, Ben Hur Flores, teve a iniciativa de implementar atividades que combatessem a discriminação com um olhar voltado para as comunidades das  periferias.

Ben Hur salienta que “a ONG virou praticamente uma prestadora de serviço, sempre a favor da educação”, ao dar auxílio gratuito para a comunidade pelotense e da região. Nos primórdios das atividades da instituição, a pretensão era apenas um grupo de teatro, porém o apelo popular e os trabalhos, que ganharam força ligados à cultura, fizeram com que uma nova proposta fosse pensada para expandir o grupo, não somente no bairro Getúlio Vargas, mas para toda a cidade e região.

Ben Hur Flores planeja fazer um musical em homenagem à cantora Clara Nunes

Ben Hur Flores planeja fazer um musical em homenagem à cantora Clara Nunes                            Foto: William Machado

 

A organização já teve atuação em diversos espaços de troca de cultura no Brasil, como, por exemplo, no caso do encontro ocorrido em julho no Rio de Janeiro com uma ideia proposta por lideranças para discutir o porquê de não existir uma integração maior e compartilhamento das dificuldades que são enfrentadas por todas as comunidades carentes deste país.

A atuação da ONG não se limita apenas à sua nova sede, na localidade do Navegantes, mas sim em outros espaços, no Bairro Areal, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Lélia Romaneli, e até mesmo em outros municípios, como na cidade de Herval, com a ideia de atingir novos públicos também em Pelotas, no Dunas e no Pestano, no CAIC.

Atualmente, na sua sede no Navegantes existe uma nova agenda de troca de experiências como intercâmbios de alunos oriundos de outros países que estão atuando junto à ONG na promoção de igualdade. Um dos instrumentos mencionados pelo presidente é a possibilidade de ser um facilitador na educação, como cita o exemplo da menina Andréia Medeiros, a qual participou desde o início das atividades e, apesar das dificuldades do trabalho de gari, está cursando a faculdade de pedagogia, servindo de inspiração para os demais participantes.

Ben Hur ainda revela intenções de, em parceria com a Orquestra Afrobeat, da própria instituição, realizar em 2016 um espetáculo de teatro musicado, contando um pouco da trajetória de uma das maiores intérpretes do samba de raiz Clara Nunes. Antes de finalizar, relata que uma das principais ideias é fazer mostras de arte, não dentro das regiões periféricas, mas sim levando suas vozes para a zona central da cidade.

Ao final, para que haja o fortalecimento das comunidades, afirma que é necessário trabalhar com o coletivo, sendo isto primordial para geração do desenvolvimento de uma nação. Quando questionado a respeito do que espera deste sistema de intercâmbios e como acharia que a mudança pudesse acontecer, responde que lutando sozinho não se conseguirá absolutamente nada, sendo o foco principal chamar cada vez mais a atenção do poder público municipal, estadual e federal.

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WAR (We Are Revolution)

Gabriel Parisotto, Mateus Kurmann, Giovani Ramos e Evandro Valeré compõem a banda Foto: Marlon Peres

Gabriel Parisotto, Mateus Kurmann, Giovani Ramos e Evandro Valeré compõem a banda                                      Foto: Marlon Peres

Reportagem de Estevan Garcia e Vanessa Kleber

“A resistência em um tempo sem amor. Não vou viver para ser o que eu não sou”. É com uma guitarra marcante e com letras fortes como essa, proferindo ideais de superação e resistência e passando a mensagem da importância de se ser quem se é, que a WAR (We Are Revolution) marca sua presença por onde passa.

A banda, que é composta por Gabriel Parisotto (vocal e guitarra), Mateus Kurmann (guitarra), Giovani Ramos (baixo) e Evandro Valeré (bateria), é da pequena cidade de Farroupilha, na serra gaúcha. Porém, com o trabalho e determinação dos integrantes, a WAR vem ganhando espaço nos grandes palcos e muitos admiradores em cada show que faz.

Juntos há quase dois anos, a banda lançou o álbum Catharsis, o qual teve a produção de Marco Lafico, que já assinou discos de artistas como Fresno, Esteban Tavares e Seu Jorge. Segundo o guitarrista da banda, Mateus Kurmann, a inspiração do álbum veio do exercício de ter experiências que despertem evolução interior e que, de alguma forma, ajude na percepção e façam com que o ouvinte escute mais a si mesmo, às suas vontades. “A nossa música quer expulsar as pressões externas e tudo mais para que as pessoas tenham coragem de seguir seus desejos genuínos sem interferências”, afirma.

No ano de 2015, a banda já tocou em Pelotas três vezes. Abriram os shows de Esteban Tavares e Doyoulike?, no João Gilberto Bar, e, recentemente,  o show da banda Fresno, no DC Eventos. “É absurdamente enriquecedor tocar em Pelotas”, comenta Kurmann sobre as experiências. Após seu primeiro show na cidade a banda agradou tanto que o público criou um evento no Facebook, a fim de trazer a War novamente, o mais breve possível.  Além disso, o primeiro Fã Clube da banda surgiu na cidade.

Viviani di Macedo, 26 anos, é uma das fundadoras do Fã Clube Oficial War Pelotas/RS, criado há três meses. A moça conta que conheceu a banda em julho de 2015, quando foi anunciado que abririam o show acústico do músico Esteban Tavares, em Pelotas. “Assisti um vídeo da banda e curti. No dia do show acompanhei e adorei cada música”, revela. Ainda segundo Viviane, o que mais chama atenção na banda é o carisma e a humildade dos integrantes, além do fato de que, em todos os seus shows em Pelotas, só tenham tocado seu repertório próprio, o que a moça julga “admirável”. “Hoje as músicas deles estão na ponta da língua da galera. Tenho muito orgulho deles”, afirma.

Por aqui, só nos resta desejar toda a sorte do mundo para a WAR (We Are Revolution). Que vocês espalhem suas mensagens para muitos públicos por esse Brasil a fora. Se vocês seguirem, à risca, o que as letras de suas músicas nos trazem, o mundo é o limite para vocês. Avante sonhadores!

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Giovane Lessa: uma das mais importantes vozes do movimento negro pelotense

Reportagem de Luís Artur Janes Silva –

Esta segunda reportagem do site Arte No Sul sobre destaques da cultura hip-hop na cidade de Pelotas permite conhecer um pouco da atuação de Giovane Lessa. Ele é uma das mais importantes vozes do movimento negro de nossa cidade, também um dos mentores da cultura hip-hop. Representa a comunidade do Bairro Getúlio Vargas, outro local de nosso município, onde os moradores vivem em condições de pobreza e igualmente estigmatizado pela violência que toma conta da nossa sociedade.

Lessa, originário de Canguçu, tem o mérito de ter criado quatro filhos como guardador de carros no centro da cidade de Pelotas. Este homem esteve e está inserido no cotidiano de sua comunidade e teve uma importante vitória contra a pobreza quando criou, junto com outros “chegados”, uma cooperativa de reciclagem de resíduos no Getúlio Vargas, que chegou a gerar 22 empregos diretos e mais de 50 vagas de empregos indiretos neste local. Além disso, sonhou em estabelecer uma praça de esportes, creches para os filhos dos trabalhadores locais e hortas comunitárias, preenchendo lacunas que deveriam ser prioridades do poder público.

O ativista, que já foi candidato a vereador, em 2012, pelo PC do B (Partido Comunista do Brasil) sente orgulho de ser guardador de carros. “É na rua que está quem eu preciso conversar para saber o que tá acontecendo na política, dentro dos outros bairros e etc…”, comenta.

Este inquieto líder milita atualmente na Frente Negra Pelotense e cursa Arqueologia, na UFPel (Universidade Federal de Pelotas), e diz que o seu único interesse na academia é concluir o curso para contar a contribuição do negro na história do estado do Rio Grande do Sul. Incendiário, manifesta o desejo de implodir a versão racista da universidade, ampla apenas para “eles”, os que não estão à margem da sociedade. Ressaltou a importância do 1º Encontro de Negros e Negras da UFPel, ocorrido no dia 14 de novembro.

Um dos pioneiros do movimento hip-hop na cidade de Pelotas, Giovane Lessa se define como o articulador político do grupo e membro de uma trindade que abriu caminhos para o movimento em nossa cidade. Este trio contou com Lessa, Jair Brown (produtor) e Wagner (discotecagem). Lessa diz que sua capacidade de instigar o debate, contestar o que está estabelecido é uma característica do hip-hop que aprendeu nas suas vivências na periferia.

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COMENTÁRIOS:

Crianças descobrem os livros na Hora do Faz de Conta

Reportagem de Juliana Ramires – 

O projeto A Hora do Faz de Conta tem o objetivo de formar novos leitores e facilitar o acesso do público infantil às obras do acervo da Bibliotheca Pública Pelotense (BBP). Oferece para os alunos da educação infantil e básica atividades de leitura e imersão conduzida por pessoas especializadas em leitura infantil.

A Hora do Faz de Conta reúne as crianças em atividades lúdicas na Bibliotheca Pública de Pelotas Foto: Divulgação

Projeto  reúne as crianças em atividades lúdicas na Bibliotheca Pública de Pelotas desde 1946                   Foto: Divulgação

O projeto deve o seu início no ano de 1946, no dia 11 de maio, com o lançamento da sala infantil da BBP, destinada a atender o público jovem da cidade. O convidado na ocasião foi o escritor Erico Veríssimo, que acabou por inaugurar um dos projetos mais antigos da Bibliotheca Pública Pelotense.

 

Com o passar dos anos o programa passou por diversas fases, até obter a sua configuração atual, a partir do ano de 2010. Mantendo uma programação todas as terças e quintas-feiras.

Atualmente o programa é coordenado pela pedagoga Anelise Silva da Rosa. De acordo com o historiador, Daniel Barbieri, o número exato de crianças que já participaram do projeto é incerto. Mas estima-se que mais de 12 mil crianças já passaram pelas reuniões de leitura, entre alunos de escolas públicas, privadas e assistenciais.

O programa visa também à acessibilidade e à integração de crianças e adolescentes com deficiência. Anualmente, desde o ano de 2011, o projeto organiza peças teatrais, atividades folclóricas e integradoras para este público.

A Hora do Faz de Conta é um dos responsáveis pelo surgimento de outro projeto da BBP – Amigos da Lolô, que atua com adultos com deficiência, buscando a integração e a socialização dos participantes.

Entre os livros trabalhados no programa, estão Branca de Neve e as sete versões (de Marco Aurelius Pimenta e José Roberto Torero, com ilustrações de Bruna Assis Brasil); Bruxa, bruxa venha à minha festa (de Ardem Druce, com ilustrações de Pat Ludlow), Capitão Mariano, o rei do oceano (de Maurício Veneza, com ilustrações de  Roney Bunn) e O negrinho do pastoreio (de Simões Lopes Neto, com adaptação de Hardy Guedes).

Então o que faz o programa A Hora do Faz de Conta?

Incentiva a leitura e a imaginação;

Fortalece os laços de integração social;

Estimula a utilização do acervo da biblioteca;

Desenvolve a educação da comunidade escolar, por meio de um ambiente não-formal de ensino.

A atividade

As atividades se desenvolvem por meio de quatro etapas bem definidas, que passam pelas fases de planejamento, estruturação, execução, contato, avaliação e inovação.

Como agendar uma atividade?

As atividades podem ser agendadas por escolas e grupos estudantis pelo telefone: (53) 32223856 ou pelo e-mail: infantil@bibliotheca.org.br

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Projeto “A Filosofia e a Ficção Científica no Cinema” produz conhecimento em debates semanais

Reportagem Júlia de Andrade e Monique Heemann –

Política, religião, existencialismo, música, psicologia e a forma estética que assumem quando retratados nas telas de cinema nortearam os cinco primeiros anos do projeto A Filosofia e a Ficção Científica no Cinema. Na sexta edição, a programação trata do gênero literário que dá forma, em geral, ao medo do desconhecido inerente ao homem – como desastres advindos da inteligência artificial, mutação genética, existência de universos paralelos ou, ainda, sociedades alternativas.

O longa-metragem polonês Globo de Prata (Na Srebrnym Globie), dirigido por Andrzej Zulawski, em 1989, trata das sociedades alternativas e foi exibido pelo projeto no dia 22 de outubro, na Livraria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), instituição à qual o ciclo de cinema é vinculado. No filme, adaptação do livro homônimo escrito por Jerzy Żuławski, um pequeno grupo de exploradores deixa o planeta Terra em busca de liberdade para criar uma nova civilização.

Projeto de encontros filosóficos  analisa longa-metragens desde 2010      Foto: Monique Heemann

Coordenado pelo professor adjunto do curso de filosofia da UFPel, Luis Rubira, o projeto de extensão realiza sessões de cinema semanais abertas ao público desde 2010. Sem relação com os cursos da área de cinema da instituição, Rubira destaca que a abordagem dada às análises das produções é filosófica e reflexiva. “Profissionais de cinema se detêm mais aos detalhes técnicos, que não são nosso foco”, esclarece.

Cerca de 40 filmes são exibidos de março a dezembro nas sessões semanais. Os debates partem das análises posteriores à exibição do filme feitas pelo coordenador do projeto. A média atual de público, de acordo com Rubira, é de 30 pessoas. “Quando as sessões ocorriam no Mercosul, tínhamos um público médio de 80 pessoas por filme”, relembra, referindo-se ao Centro de Integração do Mercosul, um dos locais vinculados à universidade.

Escolha dos filmes

O processo de escolha dos filmes exibidos pelo projeto começa aproximadamente quatro meses antes do fechamento da programação, feito em dezembro. São mais de 80 filmes vistos, revistos e analisados até que a seleção seja considerada satisfatória e coerente com o propósito do projeto.

Outra tarefa, além da seleção das produções, desafia o professor durante a preparação da programação. Com a opção, em geral, por filmes fora dos circuitos comerciais, obter o arquivo para exibição nem sempre é fácil. “No ciclo sobre política chegamos a ter filmes em VHS”, afirma.

A iniciativa já rendeu artigos e, inclusive, um livro com depoimentos de participantes das sessões de cinema sobre a relevância da iniciativa. “O livro deixa claro o objetivo do projeto, já que temos declarações desde pós-doutores até agricultores, passando por todas as classes sociais”, comenta. Apenas dez cópias da publicação foram impressas e estão disponíveis nas bibliotecas da UFPel.

Professor de filosofia Luis Rubira analisa produções na Livraria da UFPel. Foto: Monique Heemann

Professor de filosofia Luis Rubira analisa produções na Livraria da UFPel   Foto: Monique Heemann

Perspectivas

O filósofo comenta que o interesse por cinema é anterior ao início do projeto. A produção cultural de uma sociedade sempre a reflete – seus anseios, frustações, medos, conquistas e orgulhos – e é, portanto, um material de análise capaz de revelar aspectos inconscientes. Por isso, talvez, a relação próxima com a filosofia.

Rubira afirma que o ciclo de cinema foi planejado para se estender por dez anos. Ele não esperava, no entanto, o retorno que tem visto desde a primeira edição, e destaca que já imagina formas de continuar promovendo a integração e o debate suscitados por produções cinematográficas.

Na sexta-feira, dia 22 de outubro, às 19h, com o início da apresentação de Globo de Prata, todas as vozes na sala silenciaram-se. Cerca de 166 minutos depois, Rubira discorreu sobre os paralelos entre a visão proposta por Andrzej Zulawski e a sociedade contemporânea. Apesar dos 26 corridos após o lançamento do filme, as distopias quase sempre permitem a identificação com situações que compõem a realidade moderna, metafórica ou literalmente.

Transpor o conhecimento produzido na academia à comunidade, qualidade que caracteriza projetos de extensão, é o que acontece quando os presentes, ao serem confrontados com a percepção do filósofo, concordam, discordam, expõem seus questionamentos e suas visões. É o momento mais rico da sessão – há seis anos.

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A sonoridade que cultiva e nos modifica

Reportagem de Henrique König, Geovane Matias e Marcelo Nascente – 

No Lar Assistencial São Francisco de Assis, o aniversário da instituição beneficente recebeu uma visita ilustre. Atrás de um teclado, postado com a experiência em mãos e a calibrada voz, o músico Osmar Barbosa relembrou sucessos de diferentes tempos, trazendo a essência tocante a corações de variadas idades.

São 57 anos, mais de meio século dedicado ao aprendizado da música. Vai do acordeom, na infância, às notas dos pianos e teclados até hoje. A reportagem é uma conversa com pluralidade de temas, da linha do tempo de sua trajetória, até chegar às interpretações do mundo mercadológico que afeta também à produção e ao consumo das artes.

Osmar Barbosa resgata a história de vários grupos musicais ao longo de décadas Foto: : Henrique König

Osmar Barbosa resgata a história de vários grupos musicais ao longo de décadas         Foto: : Henrique König

O início de uma trajetória

Foi na década de 1960, no bairro Fragata, em Pelotas, que Osmar deu início a um caminho recheado de histórias, daquelas que evocam interesse e nostalgia aos ouvintes. “Meus pais achavam que eu deveria fazer algo a mais além de estudar. Eles optaram por música, que eu não queria, de jeito nenhum. Mas então entrei no Conservatório, onde fiquei até me formar em acordeom. Fiquei dos 11 até os 16 anos.”

Osmar se formou e parou de praticar. Então sua mãe ameaçou jogar fora o antigo instrumento que ele mantinha guardado. Ao ouvir o ultimato, ele deu nova chance à música e voltou a tocar. No verão, quando ficava à frente de casa, as pessoas paravam para vê-lo em ação e, assim, começou a se envolver também com os jovens.

A estrada seguia com a participação em bailes, sempre acompanhado do acordeom e na parceria de um músico com bateria. Eis que, em uma saída de baile, três jovens o abordaram para falar a respeito de um novo projeto, para o qual necessitavam de um acordeonista. Estava surgindo a primeira banda com a participação de Osmar: The Katles.

O batismo é uma mistura do início do nome de uma garota do interesse de um dos músicos e o final igual ao do conjunto dos ingleses de Liverpool: The Beatles. Segundo Osmar, o fundador do nome apenas sugeriu a ideia e não seguiu mais com a banda.

Passados alguns shows pelo Cine Glória e pelo Cine Fragata, ambos localizados no maior bairro pelotense, a ideia foi alterar a nomenclatura do conjunto. O nome The Firsts (Os Primeiros) durou poucas apresentações e a mudança consecutiva pegou Osmar de surpresa. Certo dia, ao chegar para o ensaio, somente viu o novo símbolo a ser desenhado na bateria. Tratava-se da figura de um imaginário réptil e lá surgia, portanto, Os Dragões.

Com maior duração no gosto dos envolvidos, o nome e as noites de música por Pelotas se estenderam por anos dessa forma. Osmar contextualiza a respeito de outro grupo de bastante reconhecimento da época, o M.A. Band. O desempenho destes seguia uma linha de um rock mais pesado e menos habitual aos clubes da época.

Coincidentemente ou não, um dos músicos era sargento da Brigada Militar. Desta maneira, em determinado momento, o policial recebeu um importante comunicado da Censura Federal, barreira a muitos grupos no período. A recomendação foi para fecharem a banda, pois, com o crescente encargo de fiscalizar artistas e estabelecimentos, uma hora sobraria para o M.A. Band e o ato poderia ocasionar prisões e um episódio bastante negativo na carreira do policial.

Com a saída do sargento da M.A. Band, o nome logo entrou em desuso pelos demais compositores da antiga banda. Eles seguiam a linha já com outros créditos. No cenário musical pelotense, o cruzamento com Os Dragões ocorreu quando houve uma inversão: as duas bandas trocaram de bateristas entre elas. Houve também a aparição do responsável por guitarra e voz da antiga M.A. Band para tocar juntamente com a turma de Osmar Barbosa.

Com a devida autorização do ex-companheiro de música, o policial Marco Antonio, houve uma recriação do M.A. Band. Apesar da formação completamente diferente, o nome encontrava determinada censura ao ser apresentado nas portas dos clubes para concertos noturnos. As explicações dos músicos, porém, convenciam e demonstravam se tratar de outra história a ser escrita pela nova M.A. Band.

Osmar segue a viagem no tempo com certo esforço para memorar os outros nomes de bandas com sua participação. Ao recordar, puxa da memória as diferentes casas e públicos, tais como uma cidade de Canguçu mais conservadora e uma São Lourenço do Sul mais propícia ao rock.

O pelotense recorda um episódio marcante a respeito da vinda do grupo The Platters ao Brasil, especificamente a Pelotas. Houve concerto deles, autores de singles como Smoke Gets in Your Eyes e a famosíssima Only You, no Theatro Guarany. Osmar participou. Segundo ele, o baterista porto-riquenho ainda ficou um tempo pelo Estado e tocou mais vezes nesse período.

Os Dragões, banda de Osmar (mais à direita) no início de sua trajetória. Foto: Reprodução de rede social

Os Dragões, banda de Osmar (mais à direita) no início de sua trajetória. Foto: Reprodução de rede social

As diferentes formações dos músicos e o mercado de hoje

Após uma noção de sua linha do tempo, Osmar é questionado sobre questões polêmicas ao redor da profissão. Ele defende que os instrumentistas não precisam ter formação em música para serem bons:

“Assisti num certo dia à discussão de dois velhinhos. E fiquei quieto. Um deles diz: ‘Ah, porque pra mim o Fulano não lê música, ele não é músico. Tem que ler e escrever música, do contrário não é músico’. E o outro: ‘Não tem que saber de escrever porcaria nenhuma, tem é que tocar bem’. Eu fiquei ouvindo e, daqui a pouco, esse que defendia que precisa saber ler música me traz para o assunto e pergunta: ‘O senhor não concorda?’ E eu digo: ‘Lamento, mas eu não concordo.”

“Eu conheço vários, mas muitos mesmo, músicos talentosíssimos e que nunca tiveram uma aula. Até se tu pegas um músico de conservatório, um cara que só lê partitura, ele é bitolado na partitura. Se tirar dele, ele não toca. E são exímios musicistas também, mas se tirou aquilo, acabou o músico”, completa.

Osmar ainda defende quesitos como a criatividade, presente em músicos que captam possibilidades com o ouvido, que não se rendem aos métodos tradicionais de ensino da música.

Questionado sobre o potencial artístico e musical de Pelotas, o pianista destaca três municípios no Rio Grande do Sul. Além da cidade do doce, Porto Alegre, por ser a capital e atrair diferentes pessoas e públicos, e a vizinha pelotense, Rio Grande.

Osmar também analisa a contemporaneidade do cenário para o ramo da música: “Não é que hoje não surjam coisas boas, tem muita gente nova fazendo coisas boas, mas tem também muita droga, muito lixo no meio. A mídia tem que faturar, sabemos disso. Interessa para a mídia o que é vendável, e, às vezes, a pior coisa que tem é o vendável. O que é bom, o que tem qualidade nem sempre é o vendável”. O músico pelotense ainda contesta alguns gêneros musicais por suas apologias ao crime e às drogas.

Quanto ao processo de fazer sucesso repentino e, tão logo, o fim dos 15 minutos de fama dos artistas, o pianista discorre: “Hoje, tudo é muito descartável. A música roda em um determinado tempo, surge outra e faturam em cima desta, esquecem a primeira”, analisa Osmar.

 A música e a tecnologia

Apesar disso, ele aborda a tecnologia como benéfica como auxiliar nas produções musicais. “A tecnologia que existe é uma coisa de espantar. Esses dias me mandaram na internet e eu vi um violão que se afina sozinho. As chaves dele se movimentam sozinhas até chegar à afinação. Não dá pra saber o que esses caras vão inventar mais.”

Questionado se isso é progresso ou regresso, Osmar fica pensativo, mas acredita que seja mais pelo progresso. Despertado pela pergunta, lembra o grupo Creedence Clearwater Revival, banda de grandes aparatos tecnológicos para época e que contava com a genialidade de seus músicos para avançar no tempo.

Censura durante a ditadura militar

Ao introduzir a temática da censura nos tempos ditatoriais, Osmar dialoga com os dois lados das intervenções. Primeiramente, aborda que o incômodo causado era grande, mas também destaca algum respaldo apresentado pelos fiscais. Isso porque as autoridades garantiam o pagamento de shows, por exemplo. Contar com essas vozes era essencial para impedir que os clubes negassem o cachê da noite.

Entre os artistas censurados na época, Osmar relembra o grupo brasileiro Os Mutantes, de Rita Lee, Arnaldo Baptista e tantos outros cantores de sucesso a nível nacional e internacional. Cita também a composição em francês Je T’aime Moi Non Plus, que, para passar na censura para ser executada, era tratada como se fosse outra música.

Alguns eram de fazer vista grossa, mas um dos fiscais era o terror para os músicos na região. “Às vezes, faltava uma letrinha e ele não aprovava, nos mandava a Rio Grande para corrigir. Mas espera aí, eu vou ter de ir a Rio Grande? Não, não, não. Não vou te atender mais hoje” e terminavam assim as conversas, sendo que, para arrumar uma canção, era necessário ir à cidade vizinha para consultar censores.

Passado o período ditatorial e das censuras impostas, um problema na vida de muitos músicos é a pirataria. Osmar Barbosa alavanca a responder sobre essa questão novamente enxergando os dois lados da discussão. “Acho que isso já foi um problema, hoje não é tanto. As músicas vão para Internet e os caras faturam mesmo nos shows que fazem. Conversei com o Luan Santana em uma vez em que ele estava ensaiando, porque eles vivem na estrada, então nem tem tempo para ensaiar. E ele conversou que hoje as músicas vendem muito, mas o que eles faturam é em cima dos shows. Tu imaginas quantos shows por mês faz um cara desses.”

Por fim, sobre a profissão, Osmar analisa o preço das artes no Brasil. Ele acredita que os produtos devem ser mais acessíveis e também considera que os músicos deveriam ser mais valorizados: “A gente sente isso na pele, hoje não tanto, mas já senti muito. Muitas vezes a pessoa faz uma festa, gasta muito em decoração, em tudo e quer economizar na parte musical”.

 

Osmar em apresentação no Lar Assistencial São Francisco de Assis Foto: Henrique König

Osmar em apresentação no Lar Assistencial São Francisco de Assis       Foto: Henrique König

Palestras e ações sociais

Não restrito à música, mas também com a companhia dela, Osmar se aventura como palestrante da doutrina Espírita: “Sou o único cara em Pelotas que faz palestras com música. Não só o espiritismo, mas trabalho o evangelho de uma forma geral.” A ideia de lincar com a música surgiu há alguns anos. Assistindo a um canal espírita, Osmar presenciou um maestro executando músicas para tratar o tema. A fórmula foi testada por ele próprio em uma palestra e pegou. Segundo ele, a aceitação do público é boa, mas a da direção das casas nem sempre ocorre. Existe ainda um tradicionalismo que atrasa essa questão.

Osmar Barbosa também participa há seis anos de arrecadações de alimento para pessoas carentes. As ações de solidariedade caminham junto com a trajetória do músico. “Espírito de barriga vazia vira apenas espírito”, brinca.

Após uma descontraída e plural conversa de cerca de uma hora, a última indagação disse respeito ao que seria a definição de música, que Osmar tanto comentou em meio às falas. Ele enfatiza da seguinte forma: “Música é uma arte na qual nós expressamos o sentimento da alma através do som”.

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Grupo do curso de Educação Física promove a dança

Reportagem de Endrio Chaves, Silvia de Oliveira Camargo e Wagner Leitzke – 

 

Desde 1993, a UFPel está representada no universo das coreografias artísticas. Através do Grupo Universitário de Dança, conhecido como GRUD, divulga seu nome nacionalmente por meio desta arte do movimento corporal. Coordenado pela professora Maria Helena Klee Oehlschlaeger, o Grupo é um projeto de extensão ligado à Escola Superior de Educação Física (ESEF) e tem como principal objetivo promover a expressão da dança, a cultura e o intercâmbio entre a comunidade e a universidade.

Há mais de duas décadas, o Grupo desenvolve diferentes modalidades de dança, como o jazz, dança contemporânea, sapateado americano, modalidade livre, técnicas de composição coreográfica, expressão corporal e improvisação. Atualmente, o GRUD conta com 16 integrantes e já produziu mais de 50 trabalhos.

O Grupo Universitário de Dança comemorou seus 20 anos em 2013

O Grupo Universitário de Dança comemorou seus 20 anos em 2013

Neste mês, o GRUD participou do Festival de Circo em Pelotas, apresentando um trabalho feito exclusivamente para o evento. A coreografia Você deveria ter me mandado flores foi exibida no Centro de Treinamento do Grupo Tholl. O Grupo também esteve presente na Virada Cultural, que ocorreu na esplanada do Theatro Sete de Abril.

Na sua comemoração de 15 anos, em 2008, realizou o espetáculo A Universidade da Dança, no projeto Sete ao Entardecer, apresentando sete trabalhos coreográficos, quando foi contada a trajetória do GRUD por meio de homenagens a todos os bailarinos que estiveram presentes na história do grupo. Já em 2013, ano em que o grupo comemorou seus 20 anos, o GRUD participou da programação do Dia Internacional da Dança, promovido pela ADAP (Associação de Dança de Pelotas), na sede da AABB.

Durante sua trajetória, o Grupo participou de vários festivais de dança pelo País, garantindo diversos prêmios. Em 2008, conquistou o segundo lugar na categoria contemporâneo adulto, no Porto Alegre em Dança. Quatro anos depois, no Festival Nacional de Dança Vem Dançar, também na capital gaúcha, o GRUD levou os prêmios principais com a coreografia de grupo na modalidade composição livre e com o solo de ballet, além do segundo lugar com a coreografia de conjunto e prêmios especiais, como o de melhor grupo adulto.

O evento de dança mais importante do país, o Festival Internacional de Dança de Joinville, já prestigiou inúmeras coreografias apresentadas pelo GRUD. No ano passado, três das suas coreografias na modalidade jazz foram selecionadas para o encontro em Santa Catarina. Neste ano, o Grupo teve dez trabalhos coreográficos aprovados no evento competitivo de Bento Gonçalves, o Bento em Dança.

O estudante do curso de Letras da UFPel Pablo Alvez Deniz é professor de língua estrangeira e bailarino do GRUD há mais de três anos. Ele observa que a prática da dança vem transformando o seu cotidiano. Pablo conheceu o GRUD durante uma apresentação na Fenadoce, em 2011, mas foi no ano seguinte que passou a fazer parte do Grupo.

Pablo Alvez Deniz começou a dançar no GRUD em 2012

Pablo Alvez Deniz começou a dançar no GRUD em 2012

Uma das dificuldades encontradas pelos bailarinos é conciliar os ensaios com o estudo e trabalho. Além de bailarino, Pablo é estudante e professor, por isso necessita sempre encontrar tempo para se dedicar à dança. Segundo ele, “a grande maioria dos bailarinos ou pessoas que praticam dança acabam se apaixonando por essa arte”. Isso leva, de alguma forma, a reservar algum tempo na semana para os ensaios. Mas como, no GRUD, todos são acadêmicos ou formados, suas agendas não são fáceis de organizar. A solução é ensaiar aos fins de semana ou durante a semana em horários já tarde da noite. “Principalmente se temos um evento, festival ou concurso perto, aí a coisa fica mais intensa. Quando não temos nada programado se aproximando, temos uma aula semanal em que nos preparamos fisicamente e começamos a compor novos projetos”, relata o bailarino.

A dança trabalha constantemente com o movimento corporal e, como qualquer atividade física, gera benefícios à saúde de quem a pratica. Pablo afirma que através da dança, juntamente com a prática da ioga, passou a ter maior resistência física, flexibilidade, melhora na postura, tonificação muscular e, além disso, livrou-se do estresse causado pelo dia a dia. “Existe um cansaço físico sim, mas os benefícios psicológicos – ao menos pra mim – são enormes. Duvido que algum bailarino não goste da genial sensação de estar no palco, é viciante”, comenta Pablo.

Desde o seu primeiro ano no GRUD, ele esteve presente em praticamente todos os eventos em que o Grupo participou, como o Dança Bagé, o Vem Dançar, o Dança Pelotas, o Bento em Dança e o Festival Internacional de Dança de Joinville. Tais festivais reúnem grupos dos mais diferentes cantos do País, propiciando aos participantes a oportunidade de ter contado com as mais diversas formas de arte. De acordo com o estudante, “existe um intercâmbio de ideias muito bom que soma experiências”. A preparação prévia para a participação nos eventos é cansativa, mas o resultado sempre compensa. “Todas as vezes que temos algum evento chegando, nossos ensaios passam a ser mais intensivos e mais frequentes, já ficamos ensaiando até altas horas da noite para poder reunir todos os integrantes do grupo, sabendo que é algo fundamental.”

Os ensaios do Grupo Universitário de Dança são realizados nas dependências da ESEF, nas sextas-feiras à noite, e os integrantes do Grupo são estudantes da Universidade Federal de Pelotas ou demais bailarinos da comunidade. Para participar do projeto é preciso ter alguma experiência em qualquer estilo de dança.

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Locais públicos de Pelotas dão espaço para a cultura

Reportagem de Ronaldo Quadrado Gomes –

O entretenimento é uma característica importante na história da humanidade. Data da pré-história a narração “pública” de feitos e eventos como forma de divertir, preservar determinada cultura e desenvolver valores morais. Passando pela Grécia antiga, onde as apresentações artísticas e atividades políticas eram realizadas ao ar livre, os espaços públicos traduzem o conceito de democracia para várias esferas da vida em sociedade.

Temos presenciado em Pelotas, atualmente, um grande número de atividades culturais, gastronômicas, comerciais e artísticas, feitas na rua. Isso mesmo, no meio da rua, nos passeios públicos, em praças, parques, tudo de forma acessível e divulgadas majoritariamente pelas redes sociais.

O Mercado das Pulgas acontece todo sábado de sol no Largo Edmar Fetter

Alguns eventos de caráter comercial como o “No Más” e “Cerveza o muerte”, pode-se apreciar uma gastronomia eclética, simples e saborosa, juntamente com a degustação de cervejas artesanais de diversos sabores, na grande maioria feitas por mestres cervejeiros locais. Estes eventos são promovidos pelo restaurante Madre Mia, que tem aproveitado o grande apelo promovido pela cultura “gourmet”, que transforma o lanche um pouco mais elaborado, em uma iguaria de “alta cozinha”. Embora exista este elemento mercadológico, o fato de ser feito na rua traz consigo um valor simbólico muito legal, pois ali se toca boa música e as pessoas se encontram sem a formalidade de um restaurante. Na última edição do “No más!”, dia 13 de setembro, os organizadores estimam que tenham passado por lá mais de duas mil pessoas entre as 15h e 22h. Nesta edição, além das tradicionais barraquinhas de comida de rua e cerveja artesanais, rolou brechó de vestimentas, calçados e acessórios, estandes de marcas locais e nacionais, peluqueria e tatuagens.

“Embora seja um evento privado e promovido para gerar lucro é uma oportunidade interessante para apreciar uma boa comida, ver pessoas e utilizar o espaço público livre do trânsito de automóveis”, afirma Carla Aldrighi, estudante de Gastronomia da Universidade Federal de Pelotas.

Ronaldo

O CD do Piquenique Cultural foi lançado hoje no Mercado das Pulgas

O Sofá na Rua e o Piquenique Cultural têm um objetivo mais voltado para a produção cultural e artística, mas não fogem da proposta de ocupação e democratização do espaço público. O Sofá na Rua é um evento que acontece em Pelotas desde o ano de 2012, promovido pelo coletivo Casa Fora do Eixo. A ideia inicial era modesta e hoje envolve boa parte da cena cultural da cidade, com mostra de bandas locais e de fora. O evento já se tornou tão importante na agenda cultural de Pelotas que tem agregado outras atividades paralelas, como o “Camelô 2.0”, mostra de produtos oriundos da economia popular e solidária, e também o “Cinoia”, que é a transmissão de filmes em paredes de prédios, privilegiando produções cinematográficas alternativas àquelas da cultura de massa.

O Piquenique Cultural acontece desde outubro de 2010 e sempre itinerante pelos parques e praças da cidade. Mantendo um imaginário tradicional de piquenique, ele alia a isso um grande número de apresentações artísticas, cinema, literatura, esporte, artesanato e todo o tipo e formas de expressão. Através do projeto “não seja descartável”, o Piquenique estimula a utilização de utensílios reutilizáveis, como copos, canecas e talheres. Isso para que se diminua a quantidade de lixo nos locais onde é realizado. Agora o projeto está maior, pois a Mostra de Música do Piquenique Cultural resultou em uma coletânea que reúne as músicas dos artistas que estiveram ao vivo, no “palco” do Piquenique Cultural. O CD 1ª Mostra de Música do Piquenique Cultural comemora o quinto aniversário do Piquenique Cultural e foi apresentado em primeira mão por Aline Maciel no Mercado das Pulgas, hoje, dia 28 de novembro.

O CD conta com as músicas Despertar (Celso Krause), Amor Recíproco (Elvis e os Capangas), Feeling are lost (Pinheads), Luz de Cambraia (Dija Vaz), Brasileiro (Carise Santos), Comemorar a Vida (Simplesmente Nato), Eu Vejo (Orquestra Afrobeat Anjos e Querubins), Imaginando (Create), Bestas (Os baobás do fim do mundo), Cigarro Mortal (Seguidores da Palavra Rap), Quem Canta (Daniela Brizolara e Banda), Quase Morro de Saudade (Cardo Peixoto), Lord Tupiniquim (Rafael Bennett), Domingo (Ana Lima) e Passageiro da Utopia (DeGruve).

MERCADO DAS PULGAS

Aline Maciel apresentou o CD da 1ª Mostra de Música

Aline Maciel apresentou o CD da 1ª Mostra de Música

O Mercado das Pulgas é outro evento que acontece em Pelotas. Com um nível de periodicidade maior, acontece todo o sábado no largo Edmar Fetter, ao lado do Mercado Público Municipal. O projeto é baseado no seu homônimo que ocorre no bairro parisiense de Saint-Ouen e no Brique da Redenção, feira que acontece em Porto Alegre, no tradicional bairro do Bom Fim. A principal atração é a comercialização de artesanatos, antiguidades e livros, discos, roupas e uma série de utensílios usados, mas de grande valia para colecionadores e apreciadores da cultura retrô. Segundo Aline Ferreira, que é frequentadora assídua, o evento torna-se cada vez mais uma referência não só na agenda cultural da cidade, mas também é reconhecido nacionalmente.

A ideia do Mercado das Pulgas de Pelotas surgiu a partir dos expositores da “Feira da Princesa”, antiga feira de antiquários que acontecia na Avenida Bento Gonçalves. A proposta original era voltar a fazer na Bento, mas a possibilidade de ser realizada no largo do Mercado agradou ainda mais os idealizadores. Ao todo são 55 bancas que comercializam e expõem seus produtos apenas nos sábados em que não chove, pois a feira não conta com qualquer tipo de cobertura. Segundo o representante dos expositores, Ramão Costa, mais do que um espaço comercial, o Mercado das Pulgas está se tornando um referencial turístico da cidade. “Vários visitantes da feira são de cidades vizinhas ou até de fora do Estado”, afirma Costa.

Todos esses eventos têm de uma forma ou outra o apoio do poder público, seja através de projetos de incentivo à cultura, seja com o auxílio na logística ou autorização para a utilização do espaço público. O Sofá na Rua e o Piquenique Cultural são eventos financiados pelo Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, o Procultura.

Pelotas tem uma característica cosmopolita, pois vivem e estudam em torno de 13 mil jovens de várias regiões do País, de duas universidades e um instituto de educação tecnológica. Este público faz com que as atividades culturais propostas na cidade adquiram uma riqueza no seu formato e conteúdo. A diversidade de culturas que circula nesses eventos faz com que cada participante enriqueça o seu repertório e conheça as mais variadas manifestações. Junto com as instituições de ensino, os eventos de rua formam uma rede de educação pública muito importante para a construção da cidadania. No Brasil existem várias outras iniciativas importantes e de relativo sucesso como: o “Teatro de Rua”, em Porto Alegre; “Projeto Vira Lata”, em Belo Horizonte, Minas Gerais; mostra de hip-hop e grafite, em Bauru, no interior de São Paulo; e o movimento “Batuque da Cidade”, de São Paulo, capital.

A Feira junto ao Mercado segue a tradição dos briques

A rua é a manifestação máxima daquilo que podemos chamar de esfera pública, desde criança ouvimos dizer que “a rua não tem dono”, mas sim, a rua tem dono. A rua é propriedade de todo cidadão, por isso, ela não deve ser única e exclusivamente lugar de passagem, de trânsito. A rua deve ser um ambiente de convívio, de trocas, de descobertas. Só podemos ter uma sociedade justa e democrática quando o espaço público tenha de fato uma utilização de interesse coletivo e não privatizado por automóveis e outros tipos de empecilhos físicos.

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“O Piquenique Cultural representa a promoção da diversidade e elevação da arte ao seu mais alto grau e plenitude”. (Aline Ferreira, servidora pública.)

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Construir alternativas para o acesso à cultura e a boa utilização dos espaços públicos, num mesmo evento, é a combinação perfeita daquilo que se pode chamar de entretenimento.

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Os teatros na Grécia antiga eram na rua, sendo escolhidos aqueles lugares mais espaçosos e com melhor acústica. A palavra teatro vem de “theatron”, “local onde se vê”.

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Ágora do grego “lugar de reunião”, era o espaço onde a comunidade grega se reunia para atividades de qualquer natureza, destinada principalmente à prática das assembleias populares, tinha também a função de estabelecer a convivência cotidiana, muito próximo do que hoje, no mundo ocidental, chamamos de praças.

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O Procultura financia em Pelotas 17 projetos culturais, totalizando uma verba de R$ 340 mil.

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Porque Mercado das Pulgas? O nome surge do citado mercado de Paris, que por vender algumas roupas usadas, não raras vezes eram infestadas pelo inseto.

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Okupar com K: Desconstruir e Construir

O movimento promove amanhã uma feira independente com apresentações de dança, circo, teatro e música

O movimento promove amanhã uma feira independente com apresentações de dança, circo, teatro e música

Reportagem de Eliane Rubim –

A liberdade é conceito abstrato, utopia sonhada por pensadores desde que se tem registro da filosofia. E se em algum momento da vida você não se perguntou sobre se você é completamente livre, certamente algum dia o fará.

E na busca de serem “totalmente” livres, alguns seres humanos tiveram destaque e reconhecimento na história da “audácia”, tais como os artistas, os intelectuais, os insurgentes. Vou me ater a falar sobre uma “leva” dessa última geração que reivindica a desescolarização para a descolonização cultural imposta, e que dentro desse processo político de “auto-descobrimento” de si cria e recria cotidianos e formas de comportamento “livres”.

Parece complexo tentar traduzir o que significa confrontar os anseios individuais transformando-os em práticas e construções coletivas, tanto que trago o exemplo do Espaço “Okupa 171” para ilustrar. Gerido pelo Coletivo Tranca Rua, o coletivo desenvolve há mais de seis anos práticas e vivências anarquistas e libertárias em uma casa ocupada no centro da cidade de Pelotas-RS.

Um Squatt, ou uma Okupa se caracteriza, dentre tantas outras coisas, pela ideia de ocupação como união de moradia e espaço social. Também estão presentes os princípios de autonomia e autogestão, livre de hierarquias e relações opressoras.

Outra característica forte dentro da cultura libertária, é o nomadismo. Nos seis anos da Okupa 171, várias pessoas já passaram pelo espaço, e dentro dessas temporadas cada indivíduo demonstra sua intensidade que fica marcada na transformação do espaço, do coletivo e de si mesmo. Serena (nome fictício a pedido dx entrevistadx), que entre indas e vindas, convive com o espaço desde a sua ocupação, diz que “a estrutura do espaço só se transforma com a intervenção das pessoas que nela estão, e essas mesmas pessoas também buscam rever suas próprias estruturas quando estão em espaços anarquistas”.

Entre os espaços coletivos da casa estão as salas de ensaio, ateliê  e  para as oficinas de circo

E como processo de liberar-se, no passar dos anos várias atividades foram compondo esse mosaico que compõem o universo da Okupa 171. Desde momentos mais abertos como Conversas, ciclos de cine, oficinas de circo, capoeira, fotografia, serigrafia, feiras e eventos mais artísticos, quanto em momentos mais “fechados” e internos, como as reuniões, a manutenção dos espaços coletivos, assim como nos processos de criação nesses mesmos espaços.

A casa atualmente possui uma biblioteca com cerca de 350 exemplares, que leva o nome do anarquista pelotense José Saul e que está aberta para visitação de terça à sexta, das 14h às 20h. O Herbário 171 é o espaço onde são compartilhadas práticas de medicina natural e alternativa, e onde também se mantém uma farmacinha comunitária com plantas extraídas da “horta suspensa” no telhado vivo construído em 2013. Outros espaços coletivos da casa são a Sala de Ensaio, o Ateliê de Costura/Pintura/Serigrafia/Tatoo, e o salão onde está as estruturas para as oficinas de circo, e é o palco das atividades para públicos maiores, como as Varietés (Show de Variedades) e a Noite das Pizzas, que é o evento que gera recursos para a autogestão do espaço.

As paredes da casa ocupada servem como suporte para diversas manifestações poéticas e políticas

As paredes servem como suporte para manifestações poéticas

Mas, nas palavras de Punk, “casa velha tem sempre uma goteira pra arrumar”, e tanto estruturalmente, quanto em termos legais, a casa está em constantemente em risco. Por se tratar de um espaço que esteve abandonado por muito tempo, e mesmo com todas as “remediações” feitas no passar do tempo, sempre há reparos a serem feitos. Ademais o coletivo vem passado por várias situações que também põem em risco a manutenção desse espaço de prática libertária: ameaças de despejo, dificuldade em regularizar a água, a ameaça de grupos intolerantes.

Os escritos nas paredes propagam o lema “faça você mesmo”, e está impresso no espaço a “eterna reforma”. Algumas foram feitas a partir de “vaquinhas” entre anarquistas solidários à casa, mas predominam reformas feitas através da reutilização de materiais reciclados. A permacultura pensa o ato de reciclar, no âmbito bastante amplo, provocando pensar o bom aproveitamento das energias, desde o desperdício de comida, até a terra que se faz na composteira e que agora aduba a horta. Os “recicles” são a comida coletada das sobras das feiras de rua, a madeira que vai abastecer o fogão a lenha, os materiais que servirão para uma construção ou criação. Enfim, é a busca de transformar o “lixo em luxo”, liberando-se do ato de consumir e extrair ainda mais da natureza.

Perguntando aos atuais e antigos moradores do espaço, nenhum soube me dar exata precisão sobre o nascimento da 171. O primeiro fanzine da casa (que conta a sua ocupação) tem publicação do dia 9 de novembro de 2010. E desde então o coletivo Tranca Rua festeja o aniversário do espaço durante o mês de novembro.

O coletivo tem feito diversas manifestações pela liberdade de expressão Fotos: Camila Hein

O coletivo tem feito diversas manifestações pela liberdade de expressão          Fotos: Camila Hein

Nas comemorações dos seis anos, no dia 13 de novembro, foi realizada a Noite das Pizzas, e no último final de semana do mês o coletivo tranca a rua e abre as portas da casa em dois dias de atividades abertas. Amanhã, dia 28 de novembro, a partir das 16h, haverá feira de material autônomo e independente, com apresentações de dança, circo, teatro e música. No domingo 29, a partir das 11h30, a casa oferece diversas oficinas, compartilha um “sopão” comunitário e fecha com a exibição de cine.

A Okupa 171 fica na Rua 15 de Novembro, 171.

 

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Vocal Esperança dá show e lição de vida na Bienal

O Grupo Vocal Esperança participou do evento promovido pela UFPel para a valorização da arte e da cidadania

O Grupo Vocal Esperança participou do evento promovido pela UFPel para a valorização da arte e da cidadania

Reportagem de Edna Souza Machado – 

Na semana passada, de 15 a 22 de novembro, a cidade de Pelotas foi palco de um grande evento organizado pela Universidade Federal de Pelotas. A Bienal Internacional de Arte e Cidadania é um conjunto de ações artísticas e acadêmicas a partir da temática e das identidades latinas. Dentre as diversas atividades, mostras culturais, oficinas, recitais, shows, entre outros, destacaram-se as apresentações que trouxeram à tona discussões e reflexões sobre a cidadania e a inclusão social.

Na tarde de quarta-feira (18), subiu ao palco do Espaço Cultural da UFPel, o grupo de cantores Vocal Esperança, formado por usuários de Centros de Atenção Psico-social (CAPS), sob a coordenação do professor Mario Maia (IAD). O grupo é um dos projetos de reabilitação psicossocial na cidade de Pelotas e existe há quase 15 anos por iniciativa da professora Ana Beatriz Argoud, hoje aposentada.

O coral, acompanhado por alunos da UFPel, animou o público com músicas populares que falavam de amizade, afetividade e superação. Interagiu com a plateia dançando e cantando. O maestro Isamir Fernande, que acompanha o projeto desde seu início, em 1990, antes como aluno da UFPel e hoje como profissional, contou um pouco dessa história. Enfatizou que as técnicas de beleza, estética e afinação não são seus objetivos principais, mas, sim, a promoção do diálogo, da afetividade e da aceitação mútua. Neste projeto, os usuários dos CAPS são convidados a sair do ambiente rotineiro destas instituições para realizarem atividades voltadas à arte, principalmente à música.

A professora Ana Beatriz, presente no evento para prestigiar o grupo pelo qual sente muito carinho, conta que a intenção do projeto é promover integração desses usuários fora do ambiente dos CAPS a fim de promover a reintegração destes à sociedade.

Uma das cantoras do Vocal Esperança contou como o projeto a ajudou a se restabelecer como pessoa e voltar ao convívio social. Ela conta que, frequentando o CAPS, ficou sabendo da existência deste projeto e, tomando coragem, decidiu participar.

“Nas festas que me convidavam eu sempre via esse grupo e eu tinha uma vontade muito grande de participar. Então dei o primeiro passo e fui até a Universidade Federal. Lá encontrei uma amiga que me convidou para fazer o curso pré-vestibular Desafio. Segui participando dos grupos, comecei a participar das apresentações cantando… Eu era bem diferente do que eu sou hoje em dia, com a arte, com a expressão corporal, a gente ‘vai botando pra fora’ as raivas, os traumas do passado… vai se expressando através da música. Passei no vestibular e comecei a cursar Artes. Me empenhei bastante, e era difícil, mas ao mesmo tempo fascinante! E cada desafio que ia aparecendo, eu ia desvendando e ia conseguindo.”

Glória conta que teve apoio incondicional dos professores do Curso de Artes, principalmente da professora Ana Beatriz e do Grupo Vocal Esperança.

“Eu era um papel amassado, jogado no lixo… Saí de um mundo que não era real… Com o tempo eu fui me encontrando, enxergando a minha própria doença e fui cantando, fui viajando… A arte me deu um equilíbrio,” admite Glória.

A cantora Glória Maria descobriu a música como um caminho em busca do equilíbrio

A cantora Glória Maria descobriu a música como um caminho em busca do equilíbrio

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