
Figura 1: Armazenamentos em atmosfera modificada.
Com a crescente necessidade de tecnologias mais seguras e sustentáveis para o armazenamento de produtos agrícolas, a UFPel vem desenvolvendo estudos que exploram alternativas ao uso de defensivos químicos. Entre elas, destacam-se a ozonização de grãos e a aplicação de dióxido de carbono (CO₂) em sementes, duas abordagens que têm se mostrado promissoras na conservação pós-colheita.
O projeto desenvolvido no âmbito do Programa de Educação Tutorial de Engenharia Agrícola (PET-EA), tem como principal objetivo avaliar como esses tratamentos gasosos influenciam a qualidade de grãos de arroz e sementes de soja ao longo do armazenamento.
A primeira etapa, realizada no Laboratório de Água e Efluentes da UFPel, concentrou-se nos testes com grãos de arroz triturados submetidos à ozonização. Foram analisados macronutrientes como lipídios, proteínas, cinzas e umidade, além do comportamento dos grãos frente a diferentes doses de ozônio. Os resultados mostraram que concentrações mais altas reduzem lipídios e proteínas, enquanto doses moderadas preservam melhor o valor nutricional — um ponto importante para determinar limites seguros de aplicação. Esses achados reforçam o potencial do ozônio no controle de fungos e bactérias, ampliando as possibilidades de uma armazenagem mais limpa e eficiente.
Em paralelo, a segunda etapa do estudo acompanha o armazenamento de sementes de soja tratadas com 2500 ppm de CO₂ em atmosfera modificada, durante seis meses. As análises incluem germinação, vigor, condutividade elétrica, envelhecimento acelerado e outros parâmetros fisiológicos. Mesmo após três meses, as sementes apresentaram germinação elevada e vigor estável em praticamente todos os tratamentos, inclusive nos que receberam CO₂, revelando a capacidade do gás de ajudar a manter a qualidade fisiológica das sementes ao longo do tempo.

Figura 2: Sementes germinadas após um armazenamento de 3 meses.
Esses resultados, obtidos ao longo de 2025, reforçam a importância de desenvolver soluções que aliem eficiência técnica e sustentabilidade. O projeto segue em andamento, e a expectativa é que as análises finais contribuam para ampliar o conhecimento sobre tecnologias pós-colheita e apoiar o desenvolvimento de práticas mais seguras e inovadoras no setor agrícola.
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