RS decreta emergência em saúde e reforça vacinação diante do aumento de doenças respiratórias

Alta de internações pressiona sistema de saúde e mobiliza campanha de imunização no Estado

Doenças respiratórias e frio acenderam o alerta de emergência no Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação/Em Pauta

 

Carolina Mattos/Em Pauta

O Rio Grande do Sul enfrenta, em 2026, um cenário de aumento das doenças respiratórias, especialmente com o avanço da síndrome respiratória aguda grave durante o outono e a aproximação do inverno. O crescimento das internações tem mobilizado o poder público e reforçado a vacinação como principal forma de proteção da população.

Dados da Secretaria Estadual da Saúde indicam que, em 2026, o Estado já registra 383 hospitalizações por complicações causadas pela influenza, número superior ao do mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizadas 308 internações. Em relação aos óbitos, houve redução, são 25 registros neste ano, contra 45 no mesmo recorte do ano passado.

Diante desse cenário, o governo estadual decretou estado de emergência em saúde pública. A medida foi formalizada pelo Decreto 58.754, publicado no Diário Oficial do Estado na quinta-feira, 30 de abril de 2026, com vigência imediata e prazo inicial de 120 dias. A decisão considera o aumento da circulação de vírus respiratórios, a pressão sobre os serviços de saúde — especialmente na rede pediátrica —, o crescimento das filas nas emergências e o risco de sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com o decreto, está prevista a habilitação, nos próximos meses, de 604 leitos estaduais e 1.277 leitos federais. As unidades hospitalares que atendem pelo SUS deverão priorizar a ampliação de leitos clínicos com suporte ventilatório e de unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes com SRAG.

Vacinação e distribuição de doses

A vacinação segue como principal estratégia de enfrentamento. Desde o início da campanha, em 28 de março de 2026, cerca de 1,5 milhão de pessoas já foram imunizadas no Estado. Entre os grupos prioritários — crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes —, a cobertura está em torno de 33%, abaixo da meta de 90%.

Até o momento, o Estado recebeu aproximadamente 1,8 milhão de doses. A última distribuição aos municípios ocorreu na quinta-feira, 30 de abril, com cerca de 51 mil vacinas. A previsão é de reforço no abastecimento: um novo lote com cerca de 404 mil doses deve chegar ao Estado na quinta-feira, 7 de maio de 2026. Ao todo, a expectativa é de que o Rio Grande do Sul receba cerca de 5,2 milhões de doses até o fim de maio.

Cenário em Pelotas

Em Pelotas, a diretora de Vigilância em Saúde, Vera Neto, afirma que a adesão à vacinação é superior à registrada em 2025. “Em comparação ao ano passado, estamos vacinando melhor. A adesão é maior”, destacou.

Para ampliar o acesso, o município adotou horários estendidos em unidades básicas de saúde e criou pontos alternativos de vacinação. “Temos horários estendidos em várias unidades, como Navegantes, Piquete Crespo, Osório e Lindóia. Algumas funcionam até as 20h e outras até as 22h. Também implantamos um ponto de vacinação no Mercado Público, com grande fluxo de pessoas, além da Casa da Vacina”, explicou.

A diretora também mencionou dificuldades pontuais no abastecimento. “Algumas unidades estão sem vacina porque o estoque se esgotou, mas a previsão é de reposição até sexta-feira (7)”, afirmou.

Sobre o cenário assistencial, Vera destacou aumento na demanda por atendimento. “Houve maior procura no pronto-socorro por casos de síndromes respiratórias agudas graves. Com as mudanças bruscas de temperatura, isso é esperado”, disse.

Segundo ela, o município já opera em situação de emergência, com decreto em vigor até o fim de maio, e a tendência é de prorrogação. “Estamos realizando levantamentos e a expectativa é de que o decreto seja prorrogado”, afirmou. Ela ressaltou ainda que, no momento, não tinha o número exato de internações por infecções respiratórias.

Situação em Rio Grande

Em Rio Grande, a cobertura vacinal entre os grupos prioritários chegou a 45%, com 24.133 pessoas imunizadas, segundo o boletim mais recente da Vigilância em Saúde. Entre os públicos, os idosos lideram a adesão, com 49% (19.886 vacinados de um total de 40.587). Gestantes atingem 37,1% (513 vacinadas) e crianças de seis meses a seis anos, 32% (3.734 imunizadas). Apesar do avanço, a meta ainda não foi alcançada. O município já registrou, em 2026, 134 casos de SRAG, com 14 óbitos. Outro indicativo da circulação viral é o aumento das notificações de síndrome gripal, que passaram de 132 casos em março para 420 em abril.

A superintendente da Vigilância em Saúde, Michele Menezes, reforçou a importância da vacinação. “A vacinação reduz a mortalidade e as complicações decorrentes da influenza. A maioria das pessoas que são internadas e que evoluem para óbito não estava vacinada”, afirmou.

Ela também orienta a população diante da chegada do período mais frio. “É fundamental que idosos, crianças e gestantes procurem uma unidade de saúde para se vacinar contra a influenza e também contra a Covid-19”, destacou.

Prevenção

Além da vacinação, as autoridades de saúde recomendam medidas como higienização frequente das mãos, evitar aglomerações, manter ambientes ventilados e utilizar máscara em caso de sintomas respiratórios. O cenário reforça o alerta para a importância da imunização e da preparação da rede de saúde diante de um período crítico para a circulação de vírus respiratórios no Estado.

Comentários

comments

Você pode gostar...