Minha querida dona

Por Graça Vignolo de Siqueira

Sinopse:

“O solitário Mathias Gold (Kevin Kline) herda do pai uma grande casa em Paris. Larga tudo e vai para a capital francesa tomar posse do imóvel. Lá, descobre que o local é habitado por Mathilde (Maggie Smith), uma senhora de mais de 90 anos de idade, que não tem pretensões de se mudar. Junto com ela mora a filha Chloé (Kristin Scott Thomas).”

Imagem: Divulgação

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Dirigido magistralmente por Israël Horovitz, que, embora roteirista experiente, faz sua primeira incursão na direção, o filme é uma comédia dramática de produção franco-americana, tendo novamente Maggie Smith como mãe de Kristin Scott Thomas.

É um filme para algumas pessoas, pois você não dará gargalhadas e nem derramará lágrimas. Suas emoções serão singelas, como a trama. Ambientado na França, no bairro chique de Marais, funciona como um filme europeu, até mesmo pelos interessantíssimos e longos diálogos sem música de fundo.

Kevin está estupendo em sua tristeza e sarcasmo. Maggie fantástica, afinal tem 80 anos e representa muito bem uma dama de 92. E Kristen é de uma beleza superior em tudo o que faz.

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Quando Mathias chega à França imagina vender o grande imóvel e comprar outro para aproveitar o dinheiro. Afinal ele não conseguiu escrever seu livro, está no terceiro divórcio, sem filhos, sem emprego e com muitas dívidas.

Então é apresentado ao estilo francês abruptamente: a existência do “viager”.

Comum no país, pessoas podem vender um imóvel e deixá-lo somente após sua morte. Enquanto vivo o vendedor recebe do comprador uma contribuição mensal, no filme um montante de 3.200 libras, o que totaliza cerca de R$15.744,00 atualmente. Vendido assim se torna uma aposta. Caso o antigo dono faleça logo, o imóvel sairá baratíssimo.

A partir do momento que se dá conta do que herdou, Mathias se vê sem saída,pois ainda tem a obrigação de pagar a mensalidade da idosa, quantia essa de que ele não dispõe.

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As partes mais engraçadas são esses momentos em que ele fotografa objetos da casa para vender ao “brik” mais próximo e quando fotografa a casa e jardins para uma possível venda.

Enquanto isso ele passeia por Paris, se encanta com uma cantora lírica que canta para o rio Sena e também segue Chloé, na tentativa de descobrir o que faz e com quem anda.

Ao tentar a venda do imóvel que herdou Mathias descobre a vida naquele país.

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Com Mathilde passa a ter uma relação de admiração, até descobrir, aos poucos o passado.

O drama inicia ao se dar conta de que será muito difícil livrar-se daquela inquilina. Ela é frágil, mas decidida. Sua filha é boa profissional, de uma tristeza profunda e que vive em função da mãe. E Mathias se revela muito mais do que um homem solitário, mas rancoroso, depressivo e com muitos sentimentos negativos.

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Com uma fotografia exemplar e roteiro muito interessante, o filme, baseado em peça do roteirista e diretor Horovitz, surpreende. Quando chega à parte mais dramática se torna o palco de Kevin e Meggie. E com o auxílio de Kristen podemos assistir a um filme agradável como há muito não se via.

Conservador sim. Com final de certa forma previsível sim, mas brilhante no fechamento. Um filme de atores, sem trilha sonora incidental, mas com toques perfeitos, sem parecer, em momento algum, uma peça teatral.

Kevin Kline está esplêndido, impecável. E embora fale francês fluentemente, a história exige que ele pouco demonstre essa habilidade.

Filme que emociona e envolve, portanto, não receie e assista.

Link para o trailer:

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