Resenha | O Velho e O Mar

Por Carol Pinho/Em Pauta

Foto: Divulgação/ Editora Bertrand Brasil

Anos após os lançamentos de Por Quem os Sinos Dobram, o clássico autor americano, Ernest Hemingway, estava passando por um período de pouco sucesso literário. Há 10 anos em Cuba, o autor era considerado “acabado”. De forma paralela, Santiago, pescador por uma vida inteira, encontra-se há 84 dias sem pegar um peixe no enredo de O Velho e o Mar.

De acordo com a crítica literária, O Velho e o Mar foi baseado no então momento da vida do autor, um período de “seca”, ou pouco inspiração, sucedido por uma grande obra. Da mesma forma, ao mesmo tempo em que Santiago pesca a maior presa da sua vida, ele passa por um processo de muita dor e sofrimento.

Santiago é um homem de extrema humildade, que vive uma vida muito simples em Cuba. Após um longo período sem pegar nenhum peixe, ele vai, esperançoso, a mais uma viagem pelas águas dos mares cubanos. Nós acompanhamos os seus dias monótonos no barco, enquanto ele demonstra um imenso conhecimento do mar e dos peixes. Logo no início de sua viagem, Santiago é surpreendido por um peixe fisgando a isca. Apesar de não poder ver o peixe, logo ele percebe que é um peixe diferente, talvez muito maior do que todos que ele já viu. 

Santiago narra os seus pensamentos e fala sozinho, afastando uma possível monotonia de um livro composto por, basicamente, apenas um personagem humano, que permanece em solidão na maior parte do livro. Como um bom grande clássico da literatura, essa obra desencadeia diversos sentimentos no leitor: apreensão, curiosidade e aflição.

O livro aborda a solidão de um velho que encontra o seu auge como pescador, mas que luta constantemente com os seus próprios pensamentos e dores. Santiago, apesar de já debilitado, em momento algum se deixa levar pelos inevitáveis pensamentos ruins. O velho conversa com as aves, com o peixe, e até mesmo com a própria mão. Apesar de não ter religião, demonstra uma fé enorme na sua conquista, e mesmo em momentos de pouca esperança, demonstra muita decisão e persistência. 

Após dias de paciência e luta para conseguir pegar o peixe Marlin, logo que Santiago o prende ao lado do barco, o peixe começa a ser atacado por tubarões. Apesar de lutar bravamente até o último momento, fazendo o uso de todas as suas armas, o velho não consegue evitar que o peixe chegue apenas como uma carcaça na costa de Havana. Em pouco mais de 100 páginas, nós vemos uma intensa luta pela lucidez e contra o cansaço. 

O Velho e o Mar não é apenas uma grande obra por conta do significado que ela carrega, e Hemingway não encantou tantos leitores apenas por conta de sua escrita fenomenal. O Velho e O Mar é um livro carregado de significado, e com momentos de ação e suspense. Santiago conseguirá pegar a presa? Ele conseguirá chegar à margem com o peixe? Aguentará a tortura física e emocional que está vivendo?

O Velho e O Mar se consagrou como uma das maiores obras-primas de Hemingway, ganhando um Pulitzer em 1953, e logo em seguida, o prêmio Nobel da Literatura em 1954. O livro foi publicado em 1952, e foi a última grande obra do autor. Assim como muitas obras de Hemingway, é possível fazer muitos paralelos com a sua vida pessoal. O autor também era pescador e era apaixonado por Cuba, tendo vivido diversos momentos de solidão. É uma obra a ser lida e relida, pois carrega muitos significados e lições sobre a vida.

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