Ando nos braços do mundo mas sempre volto pra ti

Rodrigo Tavares na Praça Coronel Pedro Osório – Foto Gustavo Vara / Especial Em Pauta

Rodrigo Tavares volta à região sul do estado para celebrar carreira com o projeto Esteban

Revisão e Reportagem: Adriana Cunha / Em Pauta
Redação: Inácio Amorim / Em Pauta

Por que você não espera lá fora?
Enquanto eu arrumo a casa mais uma vez
Pra você desarrumar
Se o que você quer eu tenho nas mãos
Nas cordas de aço no braço do violão
Que não para de chorar
Não, eu não quero lembrar
Não, eu não quero lembrar

  • trecho da música “As Terças Podem se Inverter”, de 2015

Rodrigo Tavares tem 44 anos, um nome artístico acidental, e quase duas décadas de músicas nascidas de feridas. Nesta semana, o artista conhecido como Esteban faz shows em Rio Grande (15 de maio) e em Pelotas (16 de maio). O retorno tem peso para o artista: é a celebração dos 17 anos de carreira solo. Tendo crescido ouvindo gaita e Guns N’ Roses, Esteban transformou suas vivências em uma identidade musical que o RS reconhece como sua.

A primeira memória musical de Rodrigo não vem de uma guitarra. Vem de uma sanfona. Com quatro anos, o pai o levou ao show de Renato Borghetti — na época ainda um jovem acordeonista — e veio junto uma gaitinha de presente. Ele nunca aprendeu a tocar. Mas o instrumento voltaria, décadas depois, como marca registrada do seu som.

Entre Camaquã, onde nasceu, e Pelotas, onde cresceu, Rodrigo foi montando sua “cabeça musical” entre o que chegava pelas antenas parabólicas e o que tocava nas rádios locais. Queen, Dire Straits, Michael Jackson. Aos onze anos, numa segunda-feira à noite, a Globo passou La Bamba, a cinebiografia do músico Ritchie Valens, e algo se definiu. “Criei um foco de que eu queria ser músico, de que eu ia viver daquilo”, conta.

Antes do projeto solo, Rodrigo foi o baixista da Fresno, banda que se tornaria uma das mais importantes do rock brasileiro dos anos 2000. Foi por aí que chegou aos ouvidos de João Madeira, estudante de jornalismo e músico em Pelotas. “Achei legal que eles eram gaúchos, rola essa identificação”, lembra João, que começou a seguir o trabalho por volta de 2010. A parceria com Humberto Gessinger, ex-Engenheiros do Hawaii, aprofundou ainda mais essa relação. João, fã declarado dos Engenheiros, assistiu a dois shows de Humberto com Rodrigo no Guarani. Relata também uma coincidência: João nasceu em Pelotas e morou em Camaquã. Rodrigo nasceu em Camaquã e morou em Pelotas. Os dois estudaram no mesmo colégio.

Tavares na comemoração dos 100 anos do colégio São José, Pelotas/RS. 20/03/10 – Foto: Letícia Schneider/ Especial Em Pauta. @leeschneiderf

O som que Rodrigo construiu ao longo dos anos é uma mistura que só faz sentido quando se conhece de onde ele vem: acordeon da infância gaúcha, guitarra moldada pelo rock britânico e americano, e a influência do rock argentino (Fito Páez, Charly García, Gustavo Cerati) que chegava pelas rádios do RS quando mal cruzava o restante do Brasil. “A mistura de tudo isso virou o que hoje as pessoas conhecem como o trabalho Esteban”, define o artista.

Imagem de divulgação da agenda de shows no sul do estado esse final de semana postada no Instagram do artista.

Sobre o processo criativo, Rodrigo é direto: “As minhas músicas são muito baseadas no blog da minha vida… Geralmente histórias que não me fizeram tão bem, mas que funcionam como uma sessão de psicologia gratuita.” É nesse espírito que vivem versos da música “As Terças Podem se Inverter”, parte do repertório atual. E no refrão repetido como quem tenta convencer a si mesmo “Não, eu não quero lembrar” a canção faz o que Rodrigo descreve: tenta deixar para trás o que ainda dói, mas é necessário nomear.

Em novembro de 2026, completam 18 anos desde a primeira música solo lançada. “A gente atinge a maioridade aos 18 anos, a gente parte pra vida com 18 anos”, reflete. “É uma festa. embora minhas músicas sejam muito sobre tristeza e coisas que passaram, é um jeito de celebrar que isso também passou e de celebrar que as pessoas se emocionam, e às vezes, me param e me dizem que aquilo foi importante em algum momento para elas. E se foi importante é porque aquela ferida já se curou. Então essa é a grande coisa de celebrar.”

Escute mais:

Playlist Para Conhecer o Esteban Tavares: https://open.spotify.com/playlist/1QlWKBPZERgOKMISEPNspW?si=w3rDP4rBSIiKN8bVHSsPSg&pi=R5HVD0v8SgeaB

Serviço:

Rodrigo “Esteban” Tavares se apresenta nesta Sexta-feira (15/05) em Rio Grande e Sábado (16/05) em Pelotas.

Link para os ingressos:

Rio Grande / Cassino

https://cheers.com.br/evento/sexta-nao-era-uma-fase-apresenta-esteban-1505-31831?utm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio&fbclid=PAb21jcAR0G4VleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA81NjcwNjczNDMzNTI0MjcAAafsT428FSP1LyF1-iSNrjmtw7ac7VPrsFUn19PwuRZsHKh170GG4-RxxnSxuw_aem_d_Opx_JagPO2xPBNdp1Fqw

Pelotas

https://www.sympla.com.br/evento/esteban-no-galpao-pelotas-rs/3391233?referrer=beacons.ai&utm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio&fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQPNTY3MDY3MzQzMzUyNDI3AAGnmUKUTmfrtl_VOli2C_CmyK8b9P3w1aKHUbuc_L81rjVtIpkPStx-MYV51hg_aem_-kX-LBtFgw3GRuo0HahoqA

Comentários

comments

Você pode gostar...