Corrida Azul fortalece ações de inclusão
Com provas adaptadas, evento em Rio Grande utiliza o esporte como ferramenta de pertencimento para pessoas neurodivergentes

Corrida fez parte do calendário de atividades do mês de conscientização sobre o autismo. Fotos: Divulgação/PMRG/Em Pauta
Carolina Mattos / Em Pauta
Pela primeira vez, Rio Grande realizou a Corrida Azul, no dia 18 de abril, como parte do calendário de atividades do mês de conscientização sobre o autismo. Mais de 200 pessoas se inscreveram no evento, que reuniu pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), familiares e amigos. A programação de corrida e caminhada transformou a Praça Saraiva em um espaço de acolhimento, incentivo e sensibilização.
Com o lema “Aqui, cada passo importa. Cada pessoa importa”, a iniciativa contou com o apoio da Prefeitura do Rio Grande, por meio da Secretaria de Município de Esporte e Lazer (SMEL). O objetivo foi incentivar a prática de atividades físicas, promover convivência e bem-estar entre crianças e adultos neurodivergentes, além de seus familiares.
Com percursos adaptados, que variaram de 20 metros a 1.200 metros, a atividade possibilitou a participação de pessoas de diferentes idades, de 2 a mais de 70 anos. Todos os participantes receberam medalhas, valorizando a participação independentemente da distância percorrida. A chegada foi marcada por aplausos e incentivo, reforçando o caráter inclusivo da ação. Mais de 30 voluntários atuaram no suporte e orientação ao longo do percurso.
A Corrida Azul foi organizada pela fisioterapeuta Monique Obelar, idealizadora do projeto Run Tea, que promove treinamentos de corrida para pessoas com autismo no município. Segundo ela, a iniciativa surgiu a partir da ausência de eventos esportivos voltados a esse público. “Precisamos mostrar que a corrida é sobre pertencer e se sentir bem. É um movimento que diz: ‘nós estamos aqui e queremos um mundo mais acessível, mais informado e mais humano’”, destacou.
Monique explicou que toda a estrutura foi pensada para atender às necessidades dos participantes, desde a entrega dos kits até a definição dos trajetos, com estímulos controlados e distâncias acessíveis. “Ser a primeira corrida do autismo no município tem um valor que vai além do esporte. Marca um ponto de transformação social”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância de dar visibilidade ao TEA por meio de iniciativas como essa. “Muitas famílias ainda enfrentam falta de informação, preconceito e até isolamento. Um evento como esse coloca o tema em evidência, abre espaço para diálogo e contribui para que a sociedade compreenda melhor as necessidades e potencialidades dessas pessoas”, disse.
A organizadora acredita que a primeira edição deixa um legado. “Abre portas para novas iniciativas, inspira outros projetos e mostra que existe demanda, relevância e impacto”, avaliou. A proposta é dar continuidade à ação, tornando-a anual e ampliando sua realização para cidades vizinhas.
A Corrida Azul teve origem no projeto Run Tea, desenvolvido no Cassino, que atualmente conta com mais de 45 participantes e vem ampliando sua atuação para incluir pessoas com outras síndromes e deficiências. O lema do grupo é “Cada passo, uma conquista”.
A participação das famílias foi um dos destaques do evento. A enfermeira Patrícia Martinez Echevengua, mãe de Larissa e Gabriel, sendo Larissa diagnosticada com autismo, ressaltou o papel do esporte como ferramenta de inclusão. Voluntária do projeto, ela destacou os benefícios da prática. “O esporte é sinônimo de saúde e inclusão social. Também contribui para as questões sensoriais e de regulação. É uma forma de promover empatia, respeito às diferenças e mostrar que essas pessoas fazem parte da sociedade”, afirmou.
Ela também comentou sobre o impacto da atividade no desenvolvimento das crianças. “Eles adoram participar. A corrida ajuda na integração social, que muitas vezes é um desafio para crianças autistas. Cada criança é única, e é fundamental ampliar o olhar de cuidado, respeito e inclusão”, completou.
A economista Gabriela Alves, mãe de Arthur, também participou da atividade e destacou o caráter inclusivo da iniciativa. “Viemos participar por ser uma proposta inclusiva. É importante apoiar para que todas as crianças tenham oportunidade de participar. Foi uma experiência muito emocionante”, relatou.
Já Thyeli Bonato, formada em Administração, participou ao lado do marido e ressaltou a importância de iniciativas que ampliem o acesso ao esporte. “Somos corredores e apoiamos a causa. Isso amplia a participação das pessoas, inclusive dos adultos, e por isso é fundamental”, disse. Ela também destacou o aspecto emocional do evento, especialmente pela possibilidade de compartilhar o momento com outras famílias.



