Abril Azul, campanha alerta e previne
Campanha do Abril Azul demonstra a importância da conscientização acerca do Transtorno de Espectro Autista. Data foi estabelecida pela ONU como uma forma de promover mais visibilidade e inclusão na sociedade
Por Vanessa Ferro/ Em Pauta

A campanha do Abril Azul busca propagar mais respeito e inclusão. Foto: Governo Federal/Reprodução/ Em Pauta
O Abril Azul é o mês dedicado à conscientização do Transtorno de Espectro Autista (TEA). Estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a campanha tem o objetivo de envolver a comunidade, trazer visibilidade e promover uma sociedade mais consciente. No Brasil, de acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de brasileiros têm diagnóstico de TEA.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Transtorno de Espectro Autista é um distúrbio de neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, que afeta a comunicação, a interação social e os comportamentos. O termo “espectro” indica que o autismo se manifesta de diferentes formas em cada pessoa, desde quadros leves até casos que necessitam de maior apoio no dia a dia.. Não há evidências científicas de que exista uma causa única para o autismo, mas sim a interação de fatores genéticos e ambientais.
De acordo com Aline Batista, secretária da Associação de Amigos, Mães e Pais de Autistas e Relacionados com Enfoque Holístico (AMPARHO), o Abril Azul não é só uma data simbólica, é um ato político, social e urgente. “A existência desse mês de conscientização sobre o autismo escancara uma realidade: ainda precisamos lutar para que pessoas autistas sejam vistas, respeitadas e incluídas de verdade. Ter o Abril Azul é ocupar espaço. É romper o silêncio histórico, enfrentar o capacitismo e questionar estruturas que excluem diariamente”, destaca. Para ela, a data funciona como um amplificador de vozes, principalmente das próprias pessoas autistas, que por muito tempo foram silenciadas ou representadas sem protagonismo.

Secretária da AMPARHO, Aline Batista, enfatiza a importância da data. Foto: Arquivo Pessoal/Em Pauta.
A AMPARHO é uma associação criada em 2009 que atua no acolhimento de famílias, na produção e divulgação de informação, na promoção de eventos, espaços de escuta e na incidência política. “Seu surgimento é resultado direto de uma luta coletiva que transforma indignação em ação organizada. Falar da AMPARHO é falar de movimento. É falar de pessoas que entenderam que, sozinhas, seriam silenciadas, mas juntas, se tornaram voz ativa”, realça Aline.
Em Pelotas, outro espaço dedicado a pessoas com TEA é o Centro de Atendimento ao Autista Dr. Danilo Rolin de Moura. O espaço é vinculado à Secretaria Municipal de Educação e atende diretamente cerca de 580 crianças, jovens e adultos. Para as famílias, são ofertados atendimentos em grupos conduzidos por uma psicóloga e atendimento individual, para os responsáveis, sempre que necessário. Débora Jacks, diretora do Centro, comenta sobre a importância do trabalho feito pela instituição. “O engajamento do Centro nas ações é fortemente representado, não somente no mês de abril, mas durante todo o ano. Temos as formações continuadas, utilizamos as redes sociais para levar informação, buscamos parcerias no desenvolvimento das atividades. O trabalho é desenvolvido de maneira dialógica, buscando sempre a articulação com as demais áreas”, ressalta.

Diretora do Centro, Débora Jacks, destaca o trabalho feito pela entidade. Foto: Arquivo Pessoal/ Em Pauta.
Além de ser um momento de reflexão, a campanha do Abril Azul mostra a importância de políticas inclusivas e das redes de apoio. Na cidade, além do Centro Dr. Danilo Rolin de Moura e da AMPARHO, outras formas de conseguir atendimento e assistência são por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), Centro de Reabilitação de Pelotas (Cerenepe), APAE via o programa TEAcolhe, a Escola Alfredo Dub, além de clínicas particulares.

