A violência contra mulher: a perspectiva de quem luta contra o desafio

Quase 30% das mulheres brasileiras sofreram alguma violência ou agressão no último ano, segundo pesquisa do DataFolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foto: Getty Images / Em Pauta

A violência contra a mulher é um problema estrutural e profundo na sociedade brasileira

Bruna Palharini / Em Pauta

A violência contra a mulher segue como desafio estrutural no Brasil, exigindo respostas cada vez mais integradas entre sociedade e Estado. Sob a perspectiva policial, o enfrentamento desses crimes envolve não apenas repressão, mas também prevenção, acolhimento e articulação com outras instituições da rede de proteção.
Segundo a Agência Patrícia Galvão, o país registrou 1492 feminicídios — assassinato de mulheres por razões de gênero — no ano de 2025, representando a forma mais extrema dessa violência. A mudança do feminicídio como crime hediondo foi estabelecida pela Lei do Feminicídio, que alterou o Código Penal e reforçou a necessidade de investigações mais rigorosas.

Gráfico de dados de feminicídio no país desde 2015, na criação da lei do Feminicídio, até o ano passado, 2025. Fonte: Instituto Patrícia Galvão

No cotidiano das forças de segurança, especialmente da Polícia Militar e da Polícia Civil, o atendimento às vítimas é uma das etapas mais sensíveis. Segundo a Policial Militar Caroline Palharini: “Acredito que os maiores desafios são os obstáculos que envolvem barreiras psicológicas (retração da vítima), estruturais (dependência emocional e financeira) e sociais que podem comprometer a eficácia da proteção para as vítimas.”
Por isso, campanhas de conscientização e canais de denúncia, como o Ligue 180, são fundamentais para ampliar o acesso à proteção e salvar a vida de muitas mulheres.

Policial Militar Caroline Palharini. Foto: Arquivo pessoal /Em Pauta

 

Problema estrutural do corpo social

A violência contra a mulher é muito complexa e estrutural da sociedade, não somente um problema individual ou casos isolados. Isso significa que suas causas estão ligadas a fatores históricos, culturais, sociais e institucionais que, ao longo do
tempo, naturalizam a desigualdade de gênero. Em sociedades marcadas por uma tradição patriarcal, a figura masculina foi historicamente associada ao poder, autoridade e controle, enquanto às mulheres foram atribuídos papéis de submissão
e dependência. Esse padrão ainda influencia comportamentos, expectativas sociais e até decisões institucionais.
No Brasil, mesmo com avanços legais importantes, como a Lei Maria da Penha, a aplicação das políticas públicas enfrenta limitações. Falhas na rede de proteção, falta de capacitação de agentes públicos e a revitimização durante os atendimentos são exemplos de como o problema se perpetua dentro das próprias estruturas que deveriam combatê-lo. Caroline Palharini complementa: “Sob as leis atuais, percebo que deveriam ser mais severas, e às vezes quando há muita demora no tempo entre a denúncia e a condenação definitiva do agressor no poder judiciário, gera uma sensação de impunidade.”

Além disso, fatores como desigualdade econômica, racismo e baixa escolaridade agravam a vulnerabilidade de muitas mulheres, tornando mais difícil romper ciclos de violência.
Então, é importante reiterar que o problema da violência de gênero é complexa e precisa de soluções urgentes e imediatas. Como concluiu Caroline:
“Acredito que atuar na origem do comportamento agressivo seria fundamental para interromper o ciclo a longo prazo. Priorizar a educação desde os primeiros anos de vida das pessoas em modo geral.”

 

 

 

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