Crítica de Cinema: “Estrelas Além do Tempo”

Filme conta uma história real de mulheres com as atrizes Janelle Monáe, Taraji  Henson e Octavia Spencer 

Mariana Lealdino

     No início do ano, os amantes do cinema sempre esperam a noite do Oscar, a premiação cinematográfica mais respeitada do planeta. Quando eu vi que “Estrelas Além do Tempo” estava nas indicações da premiação, logo pensei que o destaque não era nada além de justo.

Aliás, se você procura por um filme para entretenimento, não recomendo o longa. O filme é uma obra que não deve ser abordada com leviandade. A trama é baseada em fatos reais e mostra a ignorância de uma sociedade segregacionista. Mas também mostra o outro lado, o que acontece quando deixamos os preconceitos de lado e trabalhamos juntos.

Com a dose certa de humor, “Estrelas Além do Tempo” certamente é um filme que ainda vai dar muito o que falar.

O longa-metragem, que se passa em meados da década de sessenta, conta a história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Três amigas negras, funcionárias da NASA, eram conhecidas como os “computadores”, por que eram elas que faziam os cálculos para a empresa, antes de realmente se começar a utilizar as máquinas.

Além de precisarem provar sua competência diariamente como mulheres na organização, que em sua maioria é constituída por homens, as cientistas ainda lidam com a intensa segregação racial vivida nos Estados Unidos em tempos de Guerra Fria. O país vivia na disputa da corrida espacial com a União Soviética.

Com um roteiro envolvente, o espectador se apaixona pelas personagens que protagonizam o longa-metragem. As três amigas revelam personalidades muito distintas, mas são sempre leais aos seus princípios e objetivos, e principalmente uma às outras.

Destaca-se a atuação de Octavia Spencer, conhecida por muitos de seus papéis como enfermeira (entre séries e filmes, foram dezesseis personagens de enfermeiras diferentes), e outras interpretações mais triviais em comédias românticas. Com toda certeza, interpretar Dorothy Vaughn foi o ponto alto de sua carreira.

Apesar do longa contar a história dessas três mulheres, a trajetória de Katherine Johnson ganha destaque e predomina no filme. Filha de pai carpinteiro, mãe, ex-professora, é mostrado como ela sempre teve naturalidade com os números desde a infância. Futuramente, a física, cientista espacial e matemática estadunidense, mãe solteira de três meninas, ganha seu merecido destaque na NASA.

“Estrelas Além do Tempo”, lançado nos cinemas neste ano e já disponível em DVD, mostra o conhecimento com uma arma preponderante para uma guerra silenciosa. “Estrelas Além do Tempo” é uma história de resistência.

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