Você sabe o que é a Doença Celíaca?

A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten, a principal fração protéica presente em alguns cereais, e se expressa por inflamação das células intestinais em indivíduos geneticamente predispostos

Pâmela Beiersdorf /Em Pauta

O glúten é um conjunto de proteínas naturalmente presente principalmente no trigo, na cevada e no centeio. Ele é responsável por dar elasticidade às massas e está presente em alimentos como pães, massas, pizzas, biscoitos, cerveja e diversos produtos industrializados que utilizam esses ingredientes. A doença celíaca pode se manifestar de formas diferentes, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico. Algumas pessoas apresentam sintomas digestivos, como diarreia, dor abdominal, inchaço, gases e perda de peso. Outras apresentam sintomas fora do intestino, como anemia, osteoporose, fadiga, infertilidade e dermatite herpetiforme, uma manifestação cutânea da doença. Existem também pacientes que praticamente não apresentam sintomas, mas ainda assim sofrem lesão intestinal.

O diagnóstico deve ser realizado enquanto o indivíduo ainda está consumindo glúten. Geralmente, inicia-se com exames de sangue para pesquisa de anticorpos específicos, principalmente o anti-transglutaminase IgA e anti-endomísio IgA, associado à dosagem da IgA total. Quando esses exames sugerem doença celíaca, o diagnóstico costuma ser confirmado por meio de endoscopia digestiva alta com biópsias do intestino delgado. Um dos maiores mitos é que o glúten faz mal para todas as pessoas. Para a grande maioria da população, ele pode ser consumido normalmente. A exclusão do glúten só é necessária em condições específicas, como na doença celíaca, na alergia ao trigo e em alguns casos de sensibilidade ao glúten não celíaca, sempre com avaliação profissional.

Fernanda Weber, nutricionista e referência em nutrição celíaca, afirma que o acompanhamento nutricional após o diagnóstico é fundamental. O nutricionista orienta como montar uma dieta equilibrada, identificar fontes ocultas de glúten, prevenir a contaminação cruzada, corrigir possíveis deficiências nutricionais e garantir que a alimentação continue saudável e variada. A profissional da saúde relata que ainda não existe a cura para a doença celíaca. “O único tratamento eficaz é uma dieta totalmente isenta de glúten, eliminando completamente o trigo, a cevada, o centeio e evitar qualquer contaminação cruzada. Quando a dieta é seguida corretamente, o intestino volta ao normal, os sintomas melhoram e o risco de complicações diminui significativamente.”, garante Fernanda.

Ester Schweickardt, celíaca e, foi diagnosticada em 2016 por meio de exames de sangue e endoscopia. Enxaqueca, dificuldade de concentrar-se na escola e refluxo eram alguns dos sintomas que Ester sentia antes de receber o diagnóstico. “Eu tive que aprender a ouvir meu corpo, entender que tenho uma doença autoimune, muitas vezes silenciosa, mas que se não tratada pode acarretar em problemas futuros. Tudo que eu aprendo, busco e faço hoje, é pela minha saúde, ser uma pessoa saudável hoje e futuramente.”, afirma a internacionalista. Ester reitera que, infelizmente, muitas pessoas sofrem com restrições alimentares, pois a nossa cultura social está diretamente ligada aos momentos à mesa, e isso pode ser um problema quando não entendemos quais são os riscos que o glúten pode trazer.

Ainda ocorre falta de informação, tanto para a população quanto para parte dos profissionais de saúde. Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas sem receber o diagnóstico correto. A nutricionista Fernanda aponta que um dos desafios é ampliar a oferta de alimentos seguros e capacitar restaurantes e serviços de alimentação para atender esse público de forma adequada. “A doença celíaca é uma condição autoimune séria, que exige diagnóstico precoce e tratamento adequado. Ao mesmo tempo, é importante reforçar que o glúten não deve ser tratado como um “vilão” para toda a população.”, reafirma Fernanda. A informação baseada em evidências é a ferramenta eficácia para combater tanto o subdiagnóstico da doença celíaca quanto a desinformação sobre o glúten. Com orientação adequada, a pessoa com doença celíaca pode ter uma vida saudável, segura e com excelente qualidade de vida.

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