Corridas de rua conquistam jovens e promovem saúde física e mental
Com o crescimento de grupos de corrida e a influência das redes sociais, a modalidade atrai cada vez mais adeptos e se consolida como uma prática acessível de promoção da saúde e qualidade de vida.
Por Jordana Corrêa / Em Pauta
As corridas de rua vêm ganhando cada vez mais espaço entre os brasileiros, especialmente entre os jovens. O que antes era uma atividade praticada por um público mais restrito hoje reúne participantes de diferentes idades em provas, grupos de treinamento e eventos esportivos. Além dos benefícios para a saúde física, a modalidade também se destaca pelos impactos positivos na saúde mental e na socialização.
O crescimento de assessorias esportivas, grupos de treinamento e aplicativos que monitoram distância, ritmo e desempenho dos corredores tem contribuído para tornar a prática mais acessível e atrativa. Nas redes sociais, corredores compartilham percursos, resultados e experiências, criando comunidades que incentivam novos participantes e fortalecem a popularização da modalidade. Para muitos jovens, a corrida passou a representar não apenas uma atividade física, mas também um espaço de convivência, superação pessoal e construção de hábitos saudáveis.
O estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Matheus Duarte, de 19 anos, começou a correr em 2024 durante a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Inicialmente, a atividade servia como uma forma de aliviar o estresse causado pela rotina de estudos. “A corrida de rua começou a fazer parte da minha vida como uma forma de desestressar e espairecer”, conta.
Após ingressar em uma assessoria esportiva em São Lourenço do Sul, o estudante passou a treinar regularmente. Em pouco mais de um ano, evoluiu de corridas de quatro quilômetros para completar sua primeira meia maratona, com 21 quilômetros, durante a Maratona Internacional de Porto Alegre.
Segundo ele, a conquista representa mais do que um resultado esportivo. “Tornar-me meio-maratonista foi uma conquista importante porque me mostrou que sou capaz de alcançar coisas grandes. Muitas vezes os nossos limites são criados pela própria mente”, afirma.
Além da evolução esportiva, Matheus destaca as mudanças percebidas na vida pessoal desde que começou a correr. Para ele, os benefícios vão além do condicionamento físico e estão relacionados principalmente ao bem-estar emocional e à convivência com outras pessoas. “Além da saúde física, a principal mudança foi na saúde mental. Também conheci novas pessoas, fiz amizades e aprendi a respeitar os processos e a evolução de cada etapa”, destaca.
O crescimento da modalidade também é percebido por quem acompanha o esporte há mais tempo. A biomédica, doutora em Neurociências, professora da UFPel e maratonista Joseane Jiménez Rojas, que corre desde 2017, lembra que o cenário era bastante diferente quando iniciou na prática. “Quando comecei a correr, eram poucas pessoas que treinavam com constância e praticamente todas tinham mais de 30 anos. Hoje vemos muitos jovens aderindo ao esporte”, observa.
Para a professora, as redes sociais tiveram papel fundamental nessa expansão. Além de ampliarem a divulgação de provas e informações sobre treinamento, elas ajudam a aproximar corredores e incentivar novos praticantes. “As redes sociais aumentaram a visibilidade da corrida e os grupos oferecem apoio, motivação e um ambiente de socialização que contribui para a permanência das pessoas no esporte”, explica.
Além da popularização da modalidade, a biomédica destaca os benefícios que a corrida pode proporcionar para a saúde. Embora ressalte que a área não seja sua especialidade, segundo ela, a prática contribui para a melhora do condicionamento físico, da saúde cardiovascular e da capacidade respiratória. Os impactos positivos também podem ser observados na saúde mental, auxiliando na redução do estresse, da ansiedade e dos sintomas de depressão.
A trajetória da professora inclui ainda a participação na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, uma das provas mais tradicionais e prestigiadas do mundo. Em 2025, ela realizou o sonho de disputar a competição, resultado de anos de treinamento e dedicação ao esporte.

“Foi uma experiência muito marcante. A cidade inteira respira corrida e o apoio do público durante todo o percurso cria uma energia difícil de descrever”, relata.
Apesar das diferentes trajetórias, Matheus Duarte e Joseane Jiménez Rojas compartilham a mesma mensagem para quem pensa em começar a correr. Ambos destacam que não é necessário ter experiência, equipamentos sofisticados ou grandes objetivos iniciais. Para eles, a corrida é construída aos poucos, respeitando os próprios limites, e os benefícios físicos, mentais e sociais acabam surgindo naturalmente com a prática.


