FESTIVAL FOLIA SUL E FECAPEL: Música, Samba e bastante Carnaval
Celebração antecipa o carnaval de 2027 em Pelotas. Centenas de pessoas acompanharam as apresentações durante o final de semana no Parque Dom Antônio Zattera(Foto: Adilson Pereira)
Adilson Pereira / Em Pauta
O primeiro sábado(5) e domingo(6) de setembro de 2026, antecipando o feriado da Independência do Brasil, 7 de setembro, foi marcado de celebrações ao samba e carnaval em Pelotas. A cidade recebeu o primeiro Festival Folia Sul e Feira de Carnaval de Pelotas – Fecapel, em conjunto. A Fecapel realizou sua segunda edição.
Organizado pela produtora Nosso Jeito e realizado pela Liga de Blocos e Cordões Carnavalescos de Rua, o evento celebra os festejos carnavalescos junto às entidades, com blocos, desfiles, mesas de conversas, exposição de estandartes de carnaval da região sul, oficinas, debates sobre o fortalecimento do carnaval de Pelotas,entrega dos diplomas aos apoiadores do Carnaval 2026, além de ser também uma apresentação oficial do Carnaval 2027 de Pelotas.
No primeiro dia, a abertura oficial ocorreu às 15h30 no Mercado Público de Pelotas, com um cortejo de entidades carnavalescas em direção ao Parque Dom Antônio Zattera, local permanente do Festival e Fecapel.
O artista plástico José Darci Barros Gonçalves, 65 anos, mais conhecido como Zé Darci, é natural de Arroio Grande, mas vem a Pelotas frequentemente. É a segunda vez que participa da feira expondo quadros com temática sobre os orixás e os Lanceiros Negros
“É um momento muito importante, porque envolve pessoas de várias regiões do estado do Rio Grande do Sul e do carnaval”.diz Zé Darci.
FESTIVAL FOLIA SUL
Mesmo com o frio de 7ºC, mas com a sensação térmica de 2ºC, às 20h de sábado ,o público lotou o Parque Dom Antônio Zattera e vibrou com algumas apresentações, como as bandas Kibandaço e Xavabanda, que antecederam a apresentação nacional e principal: Jessica e Nino, intérpretes da escola de Samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro.
“É um movimento maravilhoso”, diz Matheus Ximenes
Matheus Ximenes, 24 anos, é empresário do ramo de veículos em Gramado, na Serra Gaúcha, mas natural de Pelotas. Sempre que pode , visita a família. Dessa vez, veio até à cidade por conta do evento. Matheus também é um dos patrocinadores do Festival e afirma que a organização gera renda para a cidade.
“É um movimento maravilhoso. Não se vê uma população tão unida para participar de uma carnaval de rua como em Pelotas”
Jessica e Nino
Um dos destaques da programação foram a vinda de Jessica Martin e Nino do Milênio, intérpretes da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, no Rio de Janeiro,
Às 22h50min, eles subiram ao palco, deixando os foliões eufóricos. Os dois estrearam neste ano na agremiação após assumir o posto de Neguinho da Beija-Flor por cniquenta anos. Eles trouxeram a Pelotas o gostinho do carnaval carioca. Começaram a fazer o famoso “esquenta”, quando os intérpretes cantam sambas passados da escola de samba antes de dar início a um desfile na Marquês de Sapucaí, Sambódromo do Rio de Janeiro. Sacudiram o povo com sambas-enredo clássicos como “A Deusa da Passarela”(1983), “ “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”(1989), “Araxá, Lugar Alto Onde Primeiro se Avista o Sol” (1999), “Iracema – A Virgem dos Lábios de Mel”(2017), “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” (2018) e “Laíla de todos os santos, Laíla de todos os sambas” (2025), as duas últimas campeãs do carnaval.
Finalizaram com o último samba-enredo da Beija-Flor no carnaval 2026, “Bembé”, vice-campeão do Carnaval do Rio de Janeiro. O samba-enredo é uma homenagem ao Bembé do Mercado, o maior candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro, na Bahia. Jessica Martin destacou a gratidão por estar na cidade trazendo a cultura do carnaval e mostrando a representatividade negra.
“Com certeza, não poderia deixar de trazer a história do Bembé do Mercado para Pelotas. Inclusive, a história do Bembé do Mercado está rodando o Brasil inteiro e está sendo muito lindo. Uma história que precisa respeitar e trazer realmente para a cultura brasileira.”, enfatizou Jessica.

Jessica Martin e Nino do Milênio (Reprodução Em Pauta TV)
Nino do Milênio finalizou dizendo elogiando o evento e agradecendo a receptividade em Pelotas
“O nosso carnaval(Rio de Janeiro) é espelho no Brasil e no mundo. Uma honra eu e Jessica estar aqui, representando a nossa grande soberana, a Beija-Flor.”, afirma Nino.
Logo, terminou o segundo dia com a apresentação da escola Império da Baixada. O segundo dia foi marcado por exposições de estandartes, almoço, debate sobre políticas públicas e economia criativa e uma reflexão sobre os desafios e experiências do carnaval dos três estados da Região Sul do Brasil – Rio Grande do Sul,Santa Catarina e Paraná, estendendo durante a tarde de domingo.
Durante a tarde de domingo, por volta das 15h, a vice-prefeita de Pelotas Daniela Brizolara compareceu ao evento. Ela disse que a cidade mostra o potencial que tem para o carnaval. Segundo a Daniela, o carnaval é uma festa de manifestação popular e importante para a cidade, pois gera empregos e, consequentemente, a geração de renda.
Daniela acredita que o carnaval seja benéfico para a população, porque traz qualidade de vida. Ela, que também é cantora, subiu ao palco do Festival para cantar a canção “É d’Oxum”, de Gal Costa, minutos antes de participar da oficina da Batucantada, bloco na qual já integrou.
“É uma questão de saúde. Quando a população consegue participar de eventos culturais, isso é qualidade de vida”.
Organização

Kitanji Nogueira, presidente da Liga dos Blocos de Rua e Cordões Carnavalescos de Pelotas(Foto: Adilson Pereira) Kitanji Nogueira, presidente da Liga dos Blocos de Rua e Cordões Carnavalescos de Pelotas
Para Kitanji Nogueira, presidente da Liga dos Blocos de Rua e Cordões Carnavalescos de Pelotas, o evento é uma forma de lançar e promover o carnaval de 2027 em Pelotas e na região sul.
O Festival Folia Sul surgiu de uma parceria com A Federação Nacional das Escolas de Samba(FENASAMBA), durante uma visita ao Congresso Nacional das Escolas de Samba(Conasamba) – maior congresso de carnaval do mundo, na qual a Federação é realizadora – com o objetivo de dar espaço de diálogo e construção às entidades da região sul.
“O Folia Sul é uma produção da Liga, neste momento. A ideia é que ele seja um encontro de entidades carnavalescas da região sul para que todos e todas possam participar e dialogar.”, afirma a presidente.
Ela acrescenta que o Festival Folia Sul e Fecapel antecipam a grandiosidade das ligas dos blocos carnavalescos, com 61 blocos filiados, e um calendário extenso entre janeiro e março de 2027, com mais de 40 datas.
“A gente antecipa a alegria e leveza do carnaval de Pelotas para região e para cidade.”, salienta Kitanji Nogueira.
Diversas bandas e blocos participaram no segundo e último dia, como Grupo Samba de Terreiro, Bateria Raiz, Escola Ramirinho, Grupo Axé para Todos os Cantos, Bateria Velha Guarda, Bloco B Loukos, de Porto Alegre e Bateria Minions, de Arroio Grande.
Participantes de diversas regiões
Juarez Gutierres é presidente da União das Escolas de Samba de Porto Alegre (UESPA) e estava em Pelotas como vice-presidente nacional da FENASAMBA. Ele alerta a importância de se ter políticas públicas permanentes que estimulem o crescimento e formação intelectual das pessoas através da cultura.
“É muito interessante quando se vê um governo preocupado em fomentar a cultura popular tão desprestigiada”, diz Juarez.
Pai Ribeiro é secretário da União de Blocos de Carnaval(UBC), em Porto Alegre, e pertencente ao Colegiado Setorial do Carnaval, onde é responsável por representar os blocos no Rio Grande do Sul. Ele diz que a Secretaria da Cultura(SEDAC) abriu edital neste ano, onde 40 entidades foram contempladas com uma quantia de R$40 mil no Rio Grande do Sul, algo inédito.
“Isso nunca houve no Estado todo. O carnaval 2027 será inusitado: um carnaval bonito, com dinheiro do estado, do município e federal”, afirma Pai Ribeiro.
Segundo Juarez Gutierres, o Rio Grande do Sul é o Estado com maior número desfiles oficiais de escolas de samba no Brasil.
A gente precisa cada vez mais desses tipos de eventos”
Adriana Correa é presidente da Escola de Samba Mirim Aprendizes do Samba, em Arroio Grande. Veio acompanhada da Bateria Minions Folia, da escola de samba. Ela diz que o Festival é importante para a região, pois engrandece principalmente a população
“Esse evento de valorização é muito necessário para a nossa cultura. A gente precisa cada vez mais desse tipo de evento., afirma Adriana.
Fundada em 2019, a Escola de Samba Mirim Aprendizes do Samba é um projeto social que trabalha com crianças e adolescentes em Arroio Grande, por meio de oficinas de danças, percussão e participação em carnavais da cidade e região. Em fevereiro deste ano, a escola foi certificada pelo Ministério da Cultura como um ponto de cultura.






