Alerta de uso em excesso de telas em Toy Story 5

Longa convida os pais a uma reflexão necessária: até que ponto os aparelhos digitais devem fazer parte do desenvolvimento infantil e quando a tecnologia deixa de ser uma ferramenta para se tornar uma substituta das experiências fundamentais da infância?

Relação entre infância e tecnologia  é o tema central da produção que utiliza brinquedos para debater o tema. Cena de Toy Story 5 com Jessie, Bala no Alvo e novos personagens em um corredor.  Divulgação Disney/Pixar/Em Pauta

Beatriz Afonso Castro / Em Pauta

Toy Story 5, lançado nos cinemas brasileiros em 18 de junho de 2026, retoma personagens já conhecidos pelo público para abordar uma pauta extremamente atual: a relação entre infância e tecnologia. Ao colocar os brinquedos diante de uma ameaça diferente das anteriores, o filme aponta para uma realidade cada vez mais presente no cotidiano das famílias: crianças que têm suas relações, brincadeiras e descobertas mediadas por dispositivos eletrônicos.

Bonnie é uma criança apegada aos brinquedos e à imaginação. Em determinado momento da infância, porém, ela passa a enfrentar dificuldades de socialização por possuir interesses considerados “infantis” pelas meninas de sua geração. Na tentativa de aproximá-la desse novo universo social, seus pais a presenteiam com o Lilypad, um tablet inteligente que promete oferecer soluções mágicas para praticamente todas as necessidades da criança.

A partir daí, o filme estabelece o seu principal conflito. Para se adaptar àquele mundo, Bonnie começa a se afastar dos brinquedos e, consequentemente, de uma forma de brincar baseada na imaginação e na criatividade. Jessie, por sua vez, vivencia novamente a sensação de abandono, mas agora, não necessariamente porque a sua dona está crescendo. O problema é ainda mais simbólico: brincar com brinquedos passa a ser visto como algo ultrapassado diante das possibilidades oferecidas pela era da tecnologia.

O aspecto mais interessante do filme está justamente no fato de que ele não transforma a tecnologia em uma vilã. Pelo contrário, Lilypad também demonstra que os recursos tecnológicos podem ser utilizados de maneira positiva e, posteriormente, se torna uma importante aliada dos brinquedos. A crítica, portanto, não está direcionada à existência dos aparelhos eletrônicos, mas à maneira como eles são utilizados na fase da infância.

Animação da Pixar alerta para a substituição de experiências essenciais para o desenvolvimento infantil. Jessie, Buzz e Woody aparecem na tela de um dispositivo, observados por duas crianças. Divulgação Disney/Pixar/ Em Pauta

É nesse ponto que o longa apresenta sua reflexão mais importante: o problema não está necessariamente em utilizar a tecnologia, mas em permitir que ela faça a substituição de experiências essenciais para o desenvolvimento infantil. Ao longo da história, as interações sociais passam a ser mediadas pelas telas, inclusive quando as crianças estão fisicamente próximas umas das outras. A brincadeira deixa de ser uma experiência sensorial para se tornar, muitas vezes, uma experiência predominantemente virtual.

O filme também abre espaço para discutir o papel dos adultos nesse cenário. Tablets, celulares e outros dispositivos podem ser ferramentas importantes, mas também podem acabar funcionando como uma espécie de “muleta” na criação dos filhos quando utilizados indiscriminadamente para entretê-los ou mantê-los ocupados. Nesse contexto, o longa provoca uma reflexão valiosa sobre o papel dos pais no acompanhamento do uso tecnológico, especialmente diante de questões como exposição excessiva às telas, cyberbullying e redução das interações físicas. Mais do que defender um retorno ao passado, Toy Story 5 parece propor um equilíbrio. A tecnologia faz parte da sociedade e não precisa ser exterminada da infância. O que o filme questiona é o que acontece quando ela passa a ocupar o espaço da imaginação, da criatividade, da convivência e das experiências reais.

Assim como os brinquedos representam uma infância baseada nas brincadeiras e na criação de mundos imaginários, Lilypad representa as inúmeras possibilidades oferecidas pelo universo digital. O conflito entre os dois, portanto, não precisa resultar na vitória de um sobre o outro. A verdadeira questão é encontrar um espaço em que tecnologia e a infância possam coexistir sem que uma substitua a outra.

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