Entre memórias e conquistas

CTG Carreteiros do Sul celebra 60 anos. Evento reuniu apresentações artísticas, resgate histórico e revelou conquista de terreno para construção de espaço próprio

No último sábado, dia 11 de abril, o CTG Carreteiros do Sul fez seu jantar em comemoração aos 60 anos da entidade, em Pelotas. marcado por apresentações das invernadas artísticas, homenagens e resgate da trajetória da entidade.

Fundada em 2 de abril de 1966 por alunos da antiga Escola Técnica de Pelotas (ETP), com o objetivo de preservar e valorizar a cultura gaúcha e a vida no campo. Sua sede, localizada no IFSul Campus Pelotas, começou a ser construída em 1986. Ao longo de sua trajetória, o CTG passou por períodos de inatividade, sendo reativado em 2005 por um grupo de alunos. Desde então, voltou a se destacar, participando de importantes festivais do estado, como o ENART (categoria adulta), FestMirim (categoria mirim), Juvenart (categoria juvenil) e FestXiru (categoria xirú).

Atualmente, o CTG conta com diversas invernadas artísticas e modalidades culturais, participando de eventos regionais e estaduais. Também desenvolve ações sociais, como a Campanha do Agasalho. Ao longo de sua história, conquistou importantes premiações e reconhecimento dentro e fora do Rio Grande do Sul, consolidando-se como uma entidade relevante na preservação das tradições gaúchas.

A comemoração dos 60 anos foi marcada por momentos de emoção, com apresentações de todas as invernadas artísticas e declamações do grupo de individuais. Uma das integrantes da patronagem e ex-dançarina, Andressa Nizoli, destacou o processo de organização do evento: “Nós estamos pensando e idealizando o aniversário desde 2025, e em janeiro deste ano começamos, de fato, a programar como faríamos e de que maneira colocaríamos em prática todas as ideias”.

Na entrada do evento, foi montada uma galeria com memórias do CTG, reunindo indumentárias de diferentes épocas, objetos marcantes e fotografias de famílias que fizeram e ainda fazem parte da história da entidade. “Queríamos que todos que participaram e participam do CTG se sentissem representados no nosso evento, a gente precisou correr atrás de algumas pilchas que eram mais antigas, e foi muito difícil selecionar os objetos mais importantes, queria ter escolhido todos”, completou Andressa.

A organização do evento também envolveu uma intensa mobilização nos bastidores. Integrantes da patronagem e voluntários atuaram na pré-produção, cuidando desde a definição do cardápio até a compra de alimentos e bebidas, além da logística necessária para receber o público. O trabalho incluiu planejamento de quantidades, organização do espaço, montagem da estrutura e distribuição de tarefas, exigindo dedicação coletiva para que todos os detalhes estivessem alinhados no dia da comemoração.

Com a longa história da entidade, Landa Corrêa, ao se emocionar vendo a galeria de memória, conta como é ver suas filhas crescer dentro do CTG “Eu vejo o quanto elas evoluíram, não só como dançarinas, mas como pessoas. E, como mãe, é muito gratificante saber que elas estão construindo memórias tão bonitas, fazendo parte de algo tão importante. O CTG acaba sendo uma segunda casa, e acompanhar isso de perto é um presente.” Esse sentimento, compartilhado por muitas famílias presentes, evidencia o papel do CTG como um espaço que vai além da preservação cultural, tornando-se também um ambiente de formação, pertencimento e afeto.

Para além da estrutura física, o CTG Carreteiros do Sul segue sendo um espaço de construção de vínculos, memórias e identidade cultural. Como resume uma das dançarinas e coordenadora da invernada adulta, que também atua como instrutora do grupo mirim: “A dança, pra mim, nunca foi só passos ensaiados ou coreografias decoradas, é sentimento, é história”. Ela ainda destaca que acompanhar a evolução dos dançarinos e perceber o brilho nos olhos de cada integrante reforça o valor do trabalho realizado. Assim, mesmo diante dos desafios, a entidade reafirma seu papel como guardiã das tradições e projeta o futuro com o mesmo compromisso que marcou suas seis décadas de existência.

Ao final da noite, entre aplausos, reencontros e apresentações, o jantar de 60 anos se consolidou como mais do que uma celebração: foi um momento de reafirmação da história construída coletivamente ao longo das décadas. A participação das invernadas, as homenagens e o envolvimento do público transformaram o evento em um retrato vivo da trajetória do CTG Carreteiros do Sul, marcando a data não apenas como uma comemoração, mas como a continuidade de uma tradição que segue sendo vivida e renovada por todos que fazem parte dessa história.

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