Dia da Vacina BCG reforça a importância da prevenção contra a tuberculose, doença que ainda mata milhares de pessoas
Comemorada em 1º de julho, data destaca o papel da imunização, do diagnóstico precoce e do tratamento gratuito oferecido pelo SUS
Por Taissa Ávila / Em Pauta
O Dia da Vacina BCG, celebrado em 1º de julho, reforça a importância da imunização como uma das principais estratégias de prevenção das formas graves da tuberculose. A data faz referência à criação da vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin), desenvolvida para proteger principalmente crianças contra complicações da doença.
A tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, conhecida também como bacilo de Koch, e afeta principalmente os pulmões, embora possa atingir outros órgãos. Desde 1976, o Ministério da Saúde tornou obrigatória a vacinação com BCG em crianças, sendo recomendada para recém-nascidos e crianças de até quatro anos de idade.
A vacina protege especialmente contra as formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa. Entretanto, existem algumas contraindicações. A aplicação não é indicada para crianças com peso inferior a dois quilos, imunodeficiências, desnutrição grave, erupções cutâneas generalizadas ou que estejam em tratamento com medicamentos corticoides. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda apenas uma dose da BCG.
Diagnóstico precoce faz a diferença
Além da vacinação, o diagnóstico precoce é fundamental para interromper a cadeia de transmissão e aumentar as chances de cura.
Segundo a bioquímica do Laboratório Municipal de Análises Clínicas de Santa Vitória do Palmar, Adriane Borges, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diferentes exames para identificar a doença: “Um deles é o Teste Rápido Molecular (TRM), realizado por meio da coleta de uma amostra de escarro. O material é encaminhado para análise laboratorial, permitindo identificar rapidamente a presença da bactéria causadora da tuberculose. Outro exame disponível é a baciloscopia, também realizada com amostras de escarro. Já o teste de Mantoux, conhecido como PPD, é considerado o exame padrão da rede pública para detectar a infecção pela bactéria.” explica.
Como ocorre a transmissão?
A tuberculose é transmitida pelo ar. Quando uma pessoa com a doença pulmonar ativa tosse, espirra ou fala, libera pequenas partículas contendo a bactéria, que podem ser inaladas por outras pessoas. O risco de transmissão aumenta em ambientes fechados, com pouca ventilação e em situações de contato prolongado.
Apesar de ainda ser um mito bastante comum, a doença não costuma ser transmitida pelo compartilhamento de objetos, como copos, pratos ou talheres.
Tratamento é gratuito e tem cura
Por ser uma doença bacteriana, a tuberculose possui tratamento eficaz e cura. Todo o acompanhamento médico, os exames e os medicamentos são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.O tratamento consiste em um esquema de antibióticos administrados diariamente durante aproximadamente seis meses.
A aposentada Margarida Siqueira (74), vivenciou essa experiência após receber o diagnóstico positivo para tuberculose. Ela conta que iniciou imediatamente o tratamento oferecido pelo SUS e, após seis meses de acompanhamento, recebeu alta. “Tomei diariamente um coquetel de medicamentos durante cerca de seis meses e fazia consultas mensais com um pneumologista do SUS. No final desse período, estava 100% curada”, relata.
Segundo Margarida, a maior dificuldade foi manter a disciplina para seguir corretamente a medicação, mas ela destaca que o acompanhamento da equipe de saúde foi essencial durante todo o processo.
Atenção aos sintomas no inverno
Com a chegada das temperaturas mais baixas, especialistas alertam que a tuberculose pode ser facilmente confundida com doenças respiratórias típicas da estação, como gripe e resfriado. Tosse persistente por três semanas ou mais, febre — geralmente no final da tarde —, suor noturno, perda de peso, cansaço e falta de apetite estão entre os principais sintomas da doença.
Por isso, a recomendação é procurar atendimento médico sempre que esses sinais persistirem, evitando atrasos no diagnóstico e reduzindo o risco de transmissão para outras pessoas. A vacinação ainda na infância, aliada ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, continua sendo uma das principais estratégias para controlar a tuberculose e reduzir o número de casos e mortes causadas pela doença


