Entrevista: comediante rio-grandino fala sobre influências e planos

       Léo Oliveira em show de humor no New Pub                        Foto: Estúdio Deyver Dias/New Pub

 

Calvin Cousin

     Relacionamentos e termos que não devem ser utilizados em um texto jornalístico: estes são alguns dos aspectos que Léo Oliveira, comediante de stand up rio-grandino, utiliza em seu repertório de piadas. Após participar de eventos como o Rindo Afu – maior festival de comédia do Estado –, o Porto Verão Alegre e da 39ª Feira de Artesanato, Comércio, Indústria e Serviços do Rio Grande (Fearg), Léo foi contatado pelo Arte do Sul para que falasse sobre sua carreira e suas inspirações.

Arte no Sul – Poderias falar um pouco das tuas influências? Ao ver tuas redes sociais, nota-se que compartilhas postagens de vários comediantes de renome internacional.

Léo Oliveira – Eu conheci o stand up em 2007 através de um vídeo do Rafinha Bastos. Desde então, ele se tornou o comediante nacional que mais gosto e me identifico. Gosto das piadas que ele escreve e principalmente o modo como ele as entrega para a plateia. Nesta mesma esteira, por causa do Rafinha Bastos, eu descobri o Bill Hicks, um comediante americano que faleceu de câncer nos anos 1990. Ele era bastante polêmico para a sua época e tinha um texto que se você assistir hoje ainda está muito atual. A forma como ele enxergava a vida e conseguia por isto no palco fez eu também o considerar um espelho. Sou muito fã dele. Outro comediante que admiro muito é o Andy Kauffman, ele possuía uma comédia única que misturava o real com a fantasia, a vida particular dele com a vida de comediante. Ele tinha um poder de persuasão no palco e ideias geniais que até hoje podem não ser compreendidas. Para citar um exemplo, em seus shows a plateia queria que ele imitasse um personagem famoso que ele fazia em uma sitcom, mas ele preferia ler um livro sério em vez de fazer a graça esperada. Ainda pra citar alguns comediantes que sou fã, tem o Jerry Seinfeld, o Ricky Gervais, Sacha Baron Cohen, Louis C. K. e o Anthony Jeselnik.

AS – De onde surgiu a ideia de fazer stand up?

Léo Oliveira – Eu desde pequeno gostei de humor. Eu não lia gibis, lia livros de piadas. Sempre gostei de imitações e foi dessa forma que entrei no rádio em 2007, quando tinha 15 anos. Logo em seguida fiz teatro, participei de cursos e companhias de Rio Grande. Fiz programas de humor em canais de televisão locais. Mas o stand up seguia ali como um desejo, uma vontade. Meu primeiro show foi em 2008 no Teatro Municipal de Rio Grande. Foi bem ruim, tive duas risadas o show inteiro (dez minutos). Aí fui estudar mais, conheci comediantes do Estado e de fora pelo Orkut. Fiz um número em um bar somente em 2012, e foi quando dei um salto. Aí parei, voltei no fim de 2013, abri o show do Murilo Couto – “The Noite” – em Pelotas e, em 2014, tive minha primeira noite de Comédia em Rio Grande. Foi a primeira da zona Sul do Estado, os shows eram na Casa de Artes Mundo Moinho. Aí, nos anos seguintes, fiz shows em Porto Alegre e Caxias, vindo a conhecer o resto dos comediantes. Em 2016 produzi cerca de 10 shows no New Pub, todos com casa cheia e recebendo os melhores comediantes do Estado. Em 2017 fiz participação nos principais festivais de comédia do Rio Grande do Sul.

AS – Tu costumas seguir um roteiro fixo nos teus números ou tem muito improviso? Como te preparas?

Léo Oliveira – Eu monto no meu caderninho a ordem que vou contar meu set. Eu comecei a usar palavras-chave que vão me guiar. Por exemplo: Relacionamento. Aí coloco as piadas sobre este tema, usando também uma palavra-chave, ou seja, um tema principal e subtemas. Eu sou um comediante que usa do improviso, principalmente em shows em bar, onde existem pessoas conversando e, às vezes, não prestam atenção, atrapalham quem quer ver o show. Mas o improviso faz parte da minha persona no palco, até porque na época do teatro eu participei de um grupo de improviso. Em cada show eu tento usar as minhas melhores piadas e sempre ir encaixando alguma nova, deixando assim o texto todo costurado com as piadas e, assim, ir contando uma sucessão de fatos que aconteceram ou não na minha vida.

AS – Poderia dar um exemplo?

Léo Oliveira – Minha namorada fala que eu sou um príncipe. Quando eu ouvi a primeira vez fiquei pensando: coitado do cavalo (risos).

AS – E quais são teus planos para o futuro? Dar continuidade aos projetos que já participastes?

Léo Oliveira – Eu já participei de shows em Pelotas, Jaguarão, Caxias do Sul e Porto Alegre. Ano passado fiz muitos shows fora. Esse ano já fiz muita coisa fora de Rio Grande. O ano de 2017 tem sido muito especial, participei pela primeira vez do Porto Verão Alegre, fiz a abertura do show do Cris Pereira e participei do Rindo Afu. Além disso, participei de um festival em Caxias e outro em Sapiranga. Voltei no mês de junho a Porto Alegre para participar de mais uma edição do Rindo Afu. Aqui em Rio Grande apareceu o convite da direção da Fearg para participar da feira e realizar uma noite de Comédia. A resposta foi bastante positiva e o público foi muito bom. Estou ainda acertando detalhes para ter mais Stand Up Comedy em Rio Grande. Sobre futuro, eu tenho vontade de ir me apresentar em São Paulo, passar uma semana por lá realizando shows, até para ver como é. São Paulo hoje é o grande centro da comédia stand up no País. Em resumo, ainda tem muita coisa que eu quero e vou fazer.

AS – Muito obrigado, Léo!

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