Terror 100% pelotense

Reportagem de Matheus Garcia –

Filme de terror produzido pela J&J Filmes e TC Cidade deve estrear em breve  –

Elenco reúne estudantes de teatro e jovens que estão atuando pela primeira vez no cinema

Uma novidade aterrorizante está para ser lançada em breve na cidade. Um longa-metragem de terror está sendo produzido em Pelotas desde janeiro deste ano. “O Filme” é uma produção totalmente local da produtora J&J Filmes, dos cineastas José Mattos e Julio Furtado. “Já fazia muito tempo que o Julio e eu queríamos fazer algo na área do terror porque é um gênero que nos interessa muito e do qual não temos muitas produções aqui”, disse o produtor e diretor José.

O roteiro foi pensado entre a J&J Filmes e o escritor André Rodrigues, que já havia participado de outras produções dos cineastas. “O André fez uma novela na TV Cidade uns anos atrás conosco. E como precisávamos de alguém para por no papel o esboço da nossa ideia, resolvemos chamar ele por conta do talento e da criatividade que tem”, contou Julio.

A TV Cidade é parceira da J&J Filmes na produção do longa e, segundo a diretora executiva do canal, a jornalista Fernanda Puccinelli, além da produtora cinematográfica ter uma relação estreita com a emissora, o apoio se dá pelo fato da valorização das produções locais. “A TV Cidade, por ser um canal totalmente local, não teria por que não ser parceira deste filme que é cem por cento pelotense e que está sendo produzido com toda qualidade e profissionalismo que o Zé e o Julio têm e eu conheço de cor”, disse Fernanda.

 

Seleção do elenco

Depois do roteiro pronto, foi a hora de escolher o elenco e como não poderia deixar de ser, a preocupação era em achar um elenco composto por atores locais. O anúncio foi feito via redes sociais e várias pessoas, com experiência ou não na arte de atuar, compareceram nos testes de elenco. Foram três noites de seletivas e a partir daí foram escolhidos os nomes que integrariam o filme. “Tínhamos uma preocupação com a escolha do elenco masculino porque os homens em filmes de terror têm uma postura viril, de proteção e essa foi nossa maior dificuldade” contou José. “A gente pensou em algo para o teste que fosse despertar a parte do improviso e que não fosse nada muito forçado para vermos como seria a reação e expressão de cada um”, falou Julio.

Os testes ocorreram nos estúdios da TV Cidade, onde um quarto sombrio foi montado. Os candidatos vinham arrastados pelo corredor e eram acorrentados em uma cama toda ensanguentada. Depois, um mascarado atacava cada um com uma furadeira, sem a broca, é claro! “Nessa parte era que queríamos ver as expressões e a capacidade de cada um de reagir em uma situação de pânico porque as pessoas chegavam sem saber do que ia acontecer, era tudo no improviso”, contou José. Foram escolhidos quatro homens e oito mulheres e, destes, apenas dois já haviam tido experiências com atuação.

Com o elenco já formado, foi a hora de buscar mais parcerias para o filme e, como diretora de fotografia, foi escolhida a fotógrafa Luísa Planella. Para as locações onde aconteceriam as cenas externas, a parceria foi firmada com o C.T. Caudilho Paintball, um campo de paintball (jogo americano que utiliza marcadores de ar comprimidos com balas de tinta) localizado na antiga fábrica de papel, do Coronel Vinholes. E as sequências internas do filme foram gravadas nos estúdios da TV Cidade.

O roteiro conta a história de uma turma de cinema que está terminando o curso e precisa fazer um curta-metragem de terror como trabalho de conclusão. Os alunos têm três dias para entregar a tarefa e resolvem gravar todo o material em apenas uma noite no campo de treinamento de um dos colegas. Chegando lá, coisas sobrenaturais começam a ocorrer e o público terá certa dificuldade para saber o que realmente acontece ou que é encenado no filme produzido pelos universitários. “Por isso escolhemos esse título porque temos um filme sendo produzido dentro de outro filme. O que é mais legal desse longa-metragem é que os personagens foram criados em cima de características dos próprios atores e isso dá uma liberdade para eles serem mais naturais diante da câmera. E o fato de não ter um roteiro fixo para eles decorarem, as cenas são esboços e surgem no improviso, facilita ainda mais”, disse Julio. “A galerinha vem nos surpreendendo positivamente, está sendo muito legal trabalhar com eles porque dão o melhor de si e rendem bastante no vídeo, mesmo que muitos deles nunca tenham atuado nem estado diante de uma câmera”, afirmou José.

Rodagem

As gravações começaram no início de março e todas acontecem aos finais de semana e à noite, pelo fato de que muitos estudam ou trabalham e não têm muita disponibilidade para gravar durante a semana. A primeira parte do filme, filmada nos estúdios da TV Cidade, aconteceu apenas em uma noite. “Foram cenas simples que serviram como uma espécie de introdução da história e de cada personagem”, disse Julio. Para o papel do professor da turma de cinema foi escalado o ator Chico Meirelles, já bastante conhecido do público pelotense pelas aparições em peças e produções cinematográficas da cidade, além de coordenar alguns projetos artísticos em escolas do município.

Infelizmente, como em toda produção cinematográfica, vários imprevistos pegaram de surpresa os diretores. Alguns atores, por motivos pessoais, tiveram que declinar do projeto e foram substituídos no decorrer das filmagens e as condições climáticas influenciaram negativamente nas gravações. Como o inverno foi muito rigoroso este ano, uma longa pausa foi dada nas filmagens, porém, já se tem aproximadamente 55 minutos de filme pronto. “Precisamos agora de mais uns cinco dias de gravação e terminamos as filmagens do longa. Queremos fechar ele em 90 minutos mais ou menos”, disse José.

Uma última integrante do elenco foi definida no início de outubro. A estudante do sexto semestre de Teatro da Universidade Federal de Pelotas, Laís Souza, foi convidada para fazer uma participação na primeira cena do filme, que se passará no início da década de 1970. “Para mim vai ser um prazer participar desse longa pela experiência que nunca tive na telona e também porque amo filmes de terror e sempre quis participar de algo do gênero”, contou Laís que, nessa cena, vai atuar ao lado de Chico Meirelles, em uma sequência de tirar o fôlego, segundo os diretores. “Queremos ousar muito nessa cena, mostrar o que queremos com esse filme já no primeiro take”, contou José.

O clima das filmagens é bastante descontraído, segundo uma das atrizes de “O Filme”, Lizi Fonseca. “Embora a gente grave só à noite e no fim de semana, passamos horas no set e vamos madrugada adentro filmando, é uma experiência bastante divertida e vai enriquecer o meu currículo como atriz. Todo mundo é muito alto astral e se dá bem, o que influencia no clima leve de gravação. Não tem essas guerrinhas de ego porque todo mundo tem seu espaço e todos os personagens são muito importantes para a construção da história. E também não tem essa de ter medo porque estamos mexendo com o sobrenatural, falando de espíritos e nos banhamos de sangue… Gravando, a gente mais ri do que se assusta (risos)”, contou Lizi que, assim como Laís, também é aluna de Teatro da UFPel.

A previsão de lançamento é para breve. “Está sendo tudo feito com muito cuidado e queremos que seja um sucesso. Vai ser porque estamos todos colocando muito amor e dedicação em cima desse filme, é algo novo e o público já está amando desde já e está super ansioso pela estreia”, ressalta José. “Queremos fazer algo bem legal para o dia do lançamento, chamar bastante gente, até tentar parceria com os cinemas da cidade para passar nas sessões. Vamos bombar”, almeja Julio. Algumas cenas de “O Filme” podem ser vistas no YouTube.

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