Pesquisadores do CDTec/UFPel desenvolvem dispositivo portátil para diagnóstico da COVID-19
Devido a situação imposta pela pandemia do novo coronavírus, vários pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) voltaram seus esforços para tentar contribuir com ações que minimizem a gravidade da doença. Neste contexto, pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTec) uniram conhecimentos para o desenvolvimento de um dispositivo biossensor portátil para diagnóstico em tempo real (Point of Care) da COVID-19.
O grupo de pesquisa Novonano, liderado pelo professor Neftalí Lenin Villareal Carreño, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM), usando sua expertise para o desenvolvimento de sensores e biossensores baseados em nanotecnologia criou o sensor. Ele é funcionalizado com antígenos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, responsável pelo projeto de desenvolvimento de testes diagnósticos para a Covid-19, financiado pela FAPERGS.
Diante da necessidade de se identificar rapidamente cidadãos infectados e do acompanhamento do perfil imune da população brasileira, o grupo de pesquisa se dedicou a desenvolver testes do tipo Point of Care. O dispositivo biossensor portátil capaz de detectar o SARS-CoV-2 está sendo desenvolvido para análises em tempo real, com rapidez, precisão e portabilidade, o qual pode contribuir de modo significativo na batalha contra o vírus. De acordo com os pesquisadores, este protótipo poderá no futuro servir para o diagnóstico de outros tipos de patologias, gerenciando doenças e antecipando condutas terapêuticas.
A plataforma desenvolvida é do tipo Diagnostic On a Chip (DoC) baseada na tecnologia inovadora de biossensor eletroquímico descartável, contendo nanocompósitos à base de grafeno, funcionalizados com os antígenos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB) e que são capazes de detectar anticorpos específicos da SARS-CoV-2 (veja na imagem ao lado). Neste imunossensor, o antígeno específico é imobilizado nas nanoestruturas dos compósitos de grafeno e, quando em contato com a amostra de sangue humano, o antígeno se liga com os anticorpos (IgG, IgA e IgM) fornecendo um sinal elétrico característico e dependente da concentração.
Próximos passos
A equipe continua se dedicando ao desenvolvimento do dispositivo e na otimização de plataforma que possibilite a detecção direta do vírus de forma menos invasiva. No momento, os responsáveis estão trabalhando na validação de diagnóstico do SARS-CoV-2 diretamente das amostras biológicas, o que vai facilitar em muito a tomada de decisão para o tratamento precoce. Os pesquisadores esperam possuir resultados mais robustos no primeiro trimestre de 2021. “Naturalmente, o sistema de saúde será o principal foco de atuação desta tecnologia, que será beneficiada por intermédio de uma futura parceria com o setor produtivo do país”, afirma o professor Carreño.
Sinergia
O dispositivo é desenvolvido por uma dedicada equipe multidisciplinar com excelência em diferentes áreas que compõe o grupo de pesquisa Novonano e parceiros colaboradores, como o Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB) do CDTec da UFPel, assim como de outras instituições nacionais e internacionais. Também é fruto de larga discussão científica no âmbito do projeto PRINT/CAPES-UFPel, Nanomed.
O grupo do PPG em Biotecnologia é liderado pelos pesquisadores Fabrício Rochedo Conceição, Luciano da Silva Pinto, Alan J. A. MacBrid e Ângela Nunes Moreira.
O trabalho é desenvolvido também em parceria com o Grupo de Pesquisa liderado pela professora Marcia Tsuyama Escote, da Universidade Federal do ABC (UFABC) e conta com o apoio do professor Fábio Pereira Leivas Leite (CDTec/PPGB) para o fornecimento dos anticorpos obtidos a partir de soro hiperimune produzido através da imunização de cavalos. Os anticorpos estão sendo usados para o desenvolvimento de outro sensor que fará o reconhecimento do vírus em fase inicial da doença.
Equipe Desenvolvedora:
Prof. Andrei Borges La Rosa (CDTec/UFPel)
Prof. Claudio Martin Pereira de Pereira (CCQFA/UFPel)
Marcely Echeverria (Mestranda PPGCEM/UFPel)
Bruno Vaconcellos Lopes (Doutorando PPGCEM/UFPel)
Betty Braga Gallo (Doutoranda PPGCEM/UFPel)
Guilherme Kurtz Maron (Doutorando PPGCEM/UFPel)
Lucas da Silva Rodrigues (Discente de Iniciação Científica do grupo Novonano do curso de Engenharia de Materiais da UFPel)
Fonte: Texto extraído de https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2020/12/15/pesquisadores-da-ufpel-desenvolvem-dispositivo-biossensor-portatil-para-combate-a-covid-19/



O professor Dr. Antônio Costa de Oliveira, da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) da UFPel, foi nomeado recentemente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para compor a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio). A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, criada através da lei número 11.105, de 24 de março de 2005, cuja finalidade é prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa a organismos geneticamente modificados (OGMs), bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam a construção, experimentação, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação e descarte de OGMs e derivados.
A ideia baseia-se no fato de que a imunização passiva com plasma convalescente ou soro hiperimune produz efeito profilático e clínico sobre a infecção, especialmente se o tratamento for iniciado precocemente. O uso de anticorpos, obtidos a partir de soro hiperimune produzido através da imunização de animais, supera limitações do uso de soro convalescente, visto que os anticorpos gerados contra alvos específicos, podem ser caracterizados e produzidos em larga escala. Devido à facilidade de gerenciamento e alto rendimento de anticorpos, o modelo equino é o mais usado na produção de soros, sendo que anticorpos produzidos em equinos já são usados na terapia de infecções víricas como: Ebola, Raiva, Hepatite B, HIV e SARS-Cov-1.



O professor Odir Dellagostin, docente da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), assumiu a presidência do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). Dellagostin é também o atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), cargo que ocupa desde 2017, em seu segundo mandato. Como presidente do Confap, estará na liderança até março de 2021.











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