Grupo de pesquisa do laboratório de Microbiologia do PPGBiotec, desenvolve uma terapia contra COVID-19 utilizando soro hiperimune equino
Em abril, quando nos deparamos com a realidade transformada pela Covid-19, nós pesquisadores, sentimo-nos desafiados a buscar, dentro de nossas linhas de expertise, uma alternativa para colaborar no enfrentamento a pandemia. Neste sentido, a equipe do Laboratório de Microbiologia do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, coordenada pelo professor Fábio Pereira Leivas Leite, formada por biólogos, biotecnologistas e veterinários, com experiência nas áreas de microbiologia, vacinologia e imunologia, reuniu esforços para trabalhar no desenvolvimento de uma terapia contra Covid-19 utilizando soro hiperimune equino.
A ideia baseia-se no fato de que a imunização passiva com plasma convalescente ou soro hiperimune produz efeito profilático e clínico sobre a infecção, especialmente se o tratamento for iniciado precocemente. O uso de anticorpos, obtidos a partir de soro hiperimune produzido através da imunização de animais, supera limitações do uso de soro convalescente, visto que os anticorpos gerados contra alvos específicos, podem ser caracterizados e produzidos em larga escala. Devido à facilidade de gerenciamento e alto rendimento de anticorpos, o modelo equino é o mais usado na produção de soros, sendo que anticorpos produzidos em equinos já são usados na terapia de infecções víricas como: Ebola, Raiva, Hepatite B, HIV e SARS-Cov-1.
Neste contexto, nosso estudo propôs estabelecer uma terapia baseada na administração de anticorpos, porção (F(ab’)2), anti-SARS-CoV-2 produzidos a partir da imunização de equinos, visando disponibilizar uma terapia capaz de atuar na profilaxia da doença, bem como no tratamento de indivíduos acometidos pelo SARS-CoV-2.
A produção de anticorpos foi realizada através da vacinação de cavalos, com diferentes antígenos derivados do vírus SARS-CoV-2. Em resposta à vacinação ocorre a produção de anticorpos específicos ao vírus. Após atingir altos níveis de anticorpos, foi realizada a coleta de sangue dos animais vacinados, a partir do qual foram obtidos os anticorpos (o processo de produção dos anticorpos pode ser visualizado no esquema). Os cavalos foram mantidos no Hospital de Clínicas e Veterinárias (HCV). Todos os protocolos foram revisados e aprovados pela Comissão de Ética em Pesquisa e Experimentação Animal – UFPel (CEEA: 0522-2020).

A primeira etapa do projeto, relacionada a obtenção dos anticorpos equinos anti-SARS-CoV-2 e sua caracterização, já foram concretizadas satisfatoriamente, visto que os anticorpos apresentaram a capacidade de neutralizar o vírus em ensaios de soroneutralização, in vitro. Os estudos de soroneutralização foram realizados em parceria com a Universidade Feevale. Os resultados obtidos até o momento sugerem que os anticorpos tem potencial para uso no tratamento de pacientes com Covid-19.
O uso dos anticorpos no tratamento de pacientes infectados com o vírus SARS-CoV-2 neutralizará a partícula viral, impedindo ou reduzindo a sua replicação e com isso impedirá a evolução dos sintomas, promovendo a remissão da doença e o restabelecimento da saúde do paciente em um menor período.
Próximas etapas
Estudos de inocuidade, visando avaliar a segurança da administração dos anticorpos, bem como análises de farmacodinâmica para verificar como serão processados pelo organismo, estão sendo realizados em três modelos animais. A avaliação em distintos modelos animais permitirá caracterizar as diferenças no processo de metabolização dos anticorpos e assim sugerir a dosagem ideal para avaliação clínica em humanos, bem como verificar algum efeito adverso.
Serão realizados ensaios de inocuidade e farmacodinâmica dos anticorpos em um grupo de voluntários saudáveis.
Potencial uso dos anticorpos / Resultados e impactos esperados
A estratégia de tratamento com imunização passiva (anticorpos) permitirá uma resposta rápida, essencial em casos graves.
O estabelecimento de um protocolo eficaz para o tratamento de Covid-19, baseado em anticorpos anti-SARS-CoV-2, diminuirá o período de interação do paciente, reduzindo os custos e a demanda por atendimento hospitalar.
Os anticorpos também poderão ser utilizados na profilaxia de Covid-19, especialmente para profissionais da saúde que estão propensos ao contato com o vírus. Além disso, anticorpos anti-SARS-CoV-2 poderão ser aplicados no desenvolvimento de testes de diagnóstico rápido da doença, contribuindo para o tratamento precoce e monitoramento da evolução dos casos em estudos epidemiológicos.
A detenção da tecnologia de produção pelo Brasil proporcionará a sua independência neste setor e diminuirá despesas relacionadas à importação.
Financiamento
Este projeto foi contemplado no edital Emergencial de Combate a Covid-19 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), o que possibilitou o desenvolvimento deste trabalho.
Equipe e colaborações
O trabalho está sendo desenvolvido pela equipe do Laboratório de Microbiologia, coordenado pelo professor Fábio Leivas Leite e pela equipe do Hospital de Clínicas Veterinárias, sob orientação do prof. Carlos Nogueira, e do Dr. Fabrício Conceição através da construção de epítopos recombinantes. O estudo envolve estudantes de doutorado e pós-doutorado do Programa de Pós Graduação em Biotecnologia e alunos do Programa de Pós Graduação em Veterinária. Ainda, o projeto conta com a colaboração do Dr. Fernando Spilki pesquisador da Feevale e do Dr. Cesar Graner da USP.
Fonte: Prof. Dr. Fábio Pereira Leivas Leite





O professor Odir Dellagostin, docente da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), assumiu a presidência do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). Dellagostin é também o atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), cargo que ocupa desde 2017, em seu segundo mandato. Como presidente do Confap, estará na liderança até março de 2021.












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