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As Diferentes Faces da Sala de Aula: O Aluno Autista

Graduandos do curso de matemática da UFPel confeccionam jogos para alunos com TEA em parceria com o Centro de Atendimento ao Autista

Alunos do projeto na confecção de jogos. Foto: Maristel Carrilho da Rocha Tunas.

Dentre os vários projetos de extensão da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), há o Educação Matemática e Autismo, um projeto que se preocupa em estudar formas e preparar os acadêmicos para atuarem com alunos autistas no seu futuro ambiente de trabalho – a sala de aula. O projeto iniciou no ano de 2019, e têm parceria com o Centro de Atendimento ao Autista Dr. Danilo Rolim de Moura, em Pelotas. Sete alunos trabalham na confecção de jogos para autistas, respeitando as suas próprias características, além de um cuidado com a evolução do aluno na área da matemática, jogo após jogo.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou autismo é transtorno do neurodesenvolvimento infantil. Existem vários níveis de autismo, as características mais comuns são dificuldades na interação social, comunicação, comportamentos repetitivos e interesses restritos, entre outras. Pensando nisso e em uma educação inclusiva, a professora Ms. Maristel Carrilho da Rocha Tunas criou o projeto, em que é coordenadora. Em conversa, ela contou que observou uma necessidade dos graduandos de licenciatura em matemática de saber como ensinar e preparar aulas que atendessem a necessidade de alunos com TEA.

“Comecei a indagar aos alunos como eles imaginavam a sala de aula, quem é esse público que ele vai ensinar, se todos os alunos são iguais, se têm alguma dificuldade, como que eles iriam ensinar matemática para estas crianças.”

Além da construção de jogos, os alunos recebem formação junto ao Centro de Atendimento ao Autista, no qual o projeto tem uma parceria. Está parceria foi firmada no início do projeto, mas a ideia surgiu após uma visita ao Centro de Autismo. Maristel ressalta a importância dessa parceria, visto que, se a mesma não houvesse os alunos não teriam onde colocar em prática os jogos e avaliar resultados e mais ainda podendo contribuir no aprendizado dos alunos.

“A parceria foi muito bem aceita, fomos muito bem recebidos. E essa parceria não é só nossa de produção de jogos para eles, mas também deles nos fornecerem a formação sobre o autista, como ensinar, como contribuir com os jogos.”

Desde que os jogos começaram a serem produzidos, 15 já ficaram prontos e foram aplicados por pedagogas do Centro de Autismo, tendo resultados, em sua grande maioria, positivos. Os jogos são produzidos todas as sextas-feiras em reuniões, na qual existem momentos de leituras, discussões, sugestões de jogos, apresentação dos mesmos e após eles são confeccionados.

O projeto ainda carrega uma grande importância e responsabilidade para os sete alunos que participam, pois é uma oportunidade a mais de aprender a ensinar e buscar ideias para o ensino de matemática ao aluno com TEA. Tainara Porto da Silva é uma das colaboradoras e explicou que já se sente melhor preparada:

“Como nós fazemos os jogos, temos a formação necessária e podemos ver a aplicação dos mesmos, a gente já sabe melhor como ensinar. Nós temos está experiência de como fazer o jogo e como o aluno aprende através do jogo.”

Tainara contou que os jogos são uma ótima forma de ensinar matemática, não somente para alunos autistas, mas em geral.

“A matemática é muito abstrata, quando a gente usa os jogos é mais fácil de identificar o que está acontecendo.”

Além de o projeto proporcionar está rica experiência aos graduandos de licenciatura em matemática da UFPel e ao mesmo tempo proporcionar atividades em parceria com o Centro de Atendimento ao Autista, ele plantou sementes ,isto é, os alunos querem seguir estudando e pesquisando sobre o ensino a alunos autistas, percebemos que no futuro teremos os professores de matemática mais preparados para ensinar alunos com TEA. Tainara é uma das alunas que quer seguir nesta área:

“Pretendo continuar nesta área, meu mestrado quero fazer na área do autismo, então pra mim o projeto está acrescentando muito, ele tem uma grande importância na minha formação”

 

 

 

Publicado em 29/11/2019, em Sem categoria.