Pan-2019: Brasil faz sua melhor campanha da história em Pan-Americanos

Com 171 medalhas, o Time Brasil ultrapassou o recorde de medalhas conquistadas em um única edição de Jogos Pan-Americanos estabelecido no Rio, em 2007.

Por Roger Vilela

Na noite do último domingo (11), chegou ao fim a 18ª edição dos Jogos Pan-Americanos, realizada em Lima, capital do Peru. Com um total de 171 medalhas ganhas, após 56 anos, o Brasil voltou a terminar na vice-liderança no quadro geral. Com esse número, o país bateu o seu recorde alcançado 2007, ano em que conquistou 157 medalhas no Pan do Rio de Janeiro.

Após 56 anos, Brasil termina na vice-liderança no quadro geral de medalhas. Imagem: Alexandre Loureiro/COB

Outro recorde de 2007 batido em Lima foi o número de ouros ganhos. No Rio, o Brasil subiu 52 vezes no lugar mais alto do pódio, nesta edição o hino brasileiro foi ouvido pelas arquibancadas peruanas em 55 ocasiões. 

Completando as conquistas brasileiras em Lima, nossos atletas ganharam 45 medalhas de prata e 71 de bronze. 

Com 293 medalhas ganhas, os Estados Unidos terminou em primeiro no quadro geral. O México, que levou para casa 136 medalhas, ficou com o terceiro lugar. Canadá, Cuba, Argentina, Colômbia, Chile, Peru e República Dominicana, respectivamente, completam o Top 10.

O anfitrião Peru, nono colocado, também fez sua melhor campanha da história em Pans. Com o apoio da torcida, os peruanos conquistaram 11 medalhas de ouro, sete de prata e 21 de bronze. Até o início desta edição, apenas cinco atletas do país andino tinham subido no ponto mais alto do pódio em Jogos Pan-Americanos. 

Na Cerimônia de Encerramento, a judoca Rafaela Silva, campeã olímpica em 2016 e mundial em 2013, foi a porta-bandeira do Brasil. Nos Jogos de Lima, a atleta conquistou a medalha de ouro na categoria até 57 kg ao derrotar a dominicana Ana Rosa. O título Pan-Americano era o único que faltava em sua carreira.  Com o triunfo, a judoca foi a primeira brasileira a conquistar a “tríplice coroa” dos eventos esportivos (Olímpiada, Mundial e Pan). Arthur Zanetti, da ginástica, César Cielo, da natação, e Robert Scheidt, da vela, são os brasileiros que já tinham realizado o feito.

O Jogos Pan-Americanos de Lima 2019 encerram-se com muita música e danças típicas peruanas e, também, com a valorização das culturas andinas pré-colombianas, que até hoje estão presentes no país. A festa marcou também o início da contagem para os Jogos de Santiago, capital chilena, que acontecem em 2023.

 

Handebol

O Brasil confirmou o favoritismo e garantiu, pela sexta vez seguida, a medalha de ouro no handebol feminino. A equipe treinada pelo espanhol Jorge Dueñas, venceu a competição de forma invicta, foram cinco vitórias em cinco jogos. Na final, as brasileiras derrotaram as argentinas por 30 a 21. 

No masculino, os brasileiros, que eram os atuais campeões pan-americanos, venceram os três jogos da fase inicial, mas acabaram perdendo para os chilenos por 29 a 32 na semifinal. Na disputa pelo terceiro lugar, o Brasil derrotou o México (32 a 20), e conquistou a medalha de bronze. O ouro ficou com a Argentina, que derrotou o Chile por 31 a 27 na final.

 

Basquete

O Brasil voltou a conquistar a medalha de ouro no basquete feminino.  A última vez tinha sido nos Jogos de Havana, há 28 anos, quando as brasileiras bateram as cubanas na final e fizeram Fidel Castro se curvar perante à elas. Nesta edição, as jogadoras do Brasil derrotaram as favoritas americanas na final por 79 a 73. O Pan de Lima foi a primeira competição do técnico José Neto (Ex-Flamengo) no comando da seleção feminina. Ele assumiu o cargo no fim do mês de maio deste ano.

A seleção de basquete masculino do Brasil, que conquistou o ouro em 2015, não se classificou para os Jogos de Lima.

 

Vôlei

O vôlei brasileiro, sempre considerado favorito, saiu de Lima sem medalhas de ouro, tanto no de praia, quanto no de quadra. 

Nas areias peruanas, a dupla feminina do Brasil Carol Horta/Ângela caíram diante da dupla americana J. Pardon/K. Cook na semifinal. Na disputa pelo terceiro lugar, as brasileiras derrotaram as cubanas Delís/Martinez por dois sets a zero e levaram o bronze. O ouro ficou com os Estados Unidos e a prata com a Argentina. No torneio masculino, os brasileiros Thiago/Oscar perderam para os mexicanos J. Virgen/L. Ontiveros (que ficaram com a prata) por dois sets a zero nas quartas de final. A dupla brasileira terminou a competição em sétimo lugar. O ouro ficou com os primos Marco e Esteban Grimalt, do Chile.

Nas quadras, os principais equipes brasileiras não estavam presentes em Lima, pois estavam disputando torneios pré-olímpicos que valiam vaga para Tóquio-2020. No Pan, os homens conquistaram o bronze ao derrotarem o Chile por 3 sets a 0, na disputa pelo terceiro lugar. Já as mulheres perderam na semifinal para as colombianas, que viraram o jogo de forma impressionante. As brasileiras, que chegaram a estar vencendo por dois sets a zero, viram a partida terminar 3 a 2 para a Colômbia. Na disputa pelo bronze, o Brasil perdeu para a Argentina por três sets a zero, e ficaram em quarto lugar. 

 

Judô

O judô brasileiro se despediu de Lima com dez medalhas. Além de Rafaela Silva, os judocas Renan Torres (60kg), Eduardo Yudi (81kg), Larissa Pimenta (52kg) e a gaúcha Mayra Aguiar (78kg) conquistaram o ouro em suas categorias. Foi o primeiro ouro de Mayra em Pans, a atleta bicampeã mundial já tinha conquistado duas pratas e um bronze em edições passadas. O gaúcho Daniel Cargnin levou a prata na categoria até 66 kg. Jeferson Santos Jr. (73kg), Davis Moura (+100kg), Aléxia Castilhos (63kg) e Beatriz Souza (+78kg) ganharam a medalha de bronze.

 

Natação

O Brasil brilhou na piscina do Centro Aquático Pan-Americano de Lima nos cinco dias da natação. Os nadadores brasileiros conquistaram 30 medalhas na capital peruana, a melhor campanha da história, quatro a mais do que nos Jogos de Toronto, em 2015. Foram 10 de ouro, nove de prata e 11 de bronze. 

No 4×100 m livre masculino, o Brasil conquistou o hexacampeonato. O quarteto formado por Bruno Fratus, Breno Correia, Marcelo Chierighini e Pedro Spajari também bateram o recorde pan-americano da prova com o tempo de 3m12s61. No revezamento 4x200m livre masculino, o Brasil também ficou com o ouro e bateu o recorde pan-americano com 7m10s66. 

Nos 1500 m livre masculino, Guilherme Costa, o “Cachorrão”, se tornou o primeiro brasileiro a ganhar o ouro na prova com o tempo de 15m09s93. No 50 livre feminino e masculino, o lugar mais alto do pódio ficou com os brasileiros Etiene Medeiros (24s88) e Bruno Fratus (21s61), respectivamente. 

 

Atletismo 

O atletismo brasileiro subiu 16 vezes no pódio no Estádio Atlético Pan-Americano de Lima. Foram seis ouros, seis pratas e quatro bronzes. 

Darlan Romani levou a medalha de ouro no arremesso de peso e de quebra, bateu o recorde pan-americano com a marca de 22,07 metros. O revezamento 4×100 m masculino e o feminino conquistaram o ouro em Lima. Alison dos Santos (400 m com barreiras masculino), Ederson Pereira (10.000 m masculino) e Altobeli Santos da Silva (3.000 m com obstáculos masculino) foram os outros atletas que fizeram o hino brasileiro ser ouvido em Lima. Além do ouro, Altobeli conquistou a prata nos 5.000 metros maculino.

No salto com vara masculino, o campeão olímpico em 2016 no Rio, o brasileiro Thiago Braz terminou a prova em quarto lugar com a marca de 5.51m. Mas o paulista Augusto Dutra conquistou a medalha de prata para o Brasil com a marca de 5.71m. O americano Christopher Nilsen ficou com o ouro saltando 5.76m.

Caio Bonfim, medalha de bronze no mundial de Londres de 2017 e no Pan de Toronto, ganhou a prata para o Brasil na marcha atlética 20 km. Na prova dos 50 km, ele passou mal, mas se recuperou e terminou em quarto.

Além de Altobeli, Caio e de Augusto Dutra, os brasileiros Paulo André Camilo de Oliveira (100 m), Andressa Oliveira de Moraes (lançamento do disco), e Vitória Rosa (200 m) conquistaram a prata. 

Vitória Rosa (100 m), Erica Rocha de Sena (20 km marcha atlética), Fernanda Borges (lançamento do disco) e Eduardo de Deus (110 m com barreiras) trouxeram o bronze para o Brasil.

 

Ginástica 

Com 16 medalhas ganhas, a ginástica brasileira igualou com a campanha feita no Rio, em 2007. A ginástica artística conquistou 11 medalhas e a rítmica cinco.

Na ginástica artística, o Brasil terminou pela primeira vez na liderança geral do quadro de medalhas da modalidade. Foram quatro ouros, quatro pratas e três bronzes. O país conquistou o ouro por equipes no masculino e o bronze no feminino. Francisco Barreto Júnior ganhou três ouros (por equipe, no cavalo com alças e na barra fixa). 

No individual geral masculino tivemos uma dobradinha brasileira, Caio Souza ficou com o ouro e Arthur Nory com a prata. No feminino, Flavia Saraiva ganhou o bronze. Saraiva ainda levou o bronze no solo e por equipes, ao lado de Carolyne Pedro, Lorrane Oliveira, Thais Fidélis e Jade Barbosa.

Arthur Zanetti nas argolas, Arthur Nory na barra fixa e Caio Souza nas paralelas conquistaram a prata. 

Na ginástica rítmica, o conjunto brasileiro ganhou o ouro na prova mista e o bronze nas cinco bolas e no conjunto geral. Natalia Gáudio levou o bronze no individual geral, e Barbara Domingos a prata na fita. 

 

Vela

Nas águas da Baía de Paracas, localizada em Ica, a 250km de Lima, os velejadores brasileiros brilharam. O Brasil terminou na liderança do quadro geral da modalidade com cinco medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze. 

Após Rafaela Silva ter completado a “tríplice coroa” dos eventos esportivos, as velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze também realizaram o feito, ao conquistar o título pan-americano na classe 49er FX.

Bruno Lobo levou o ouro na fórmula Kite, e Mateus Dellagnelo foi bicampeão pan-americano na classe Sunfish. Os outros ouros brasileiros foram conquistados por Marco Grael (irmão de Martine) e Gabriel Borges na 49er, e por Patrícia Freitas na classe RS-X. 

 

Surf

Pela primeira vez o surf esteve presente em Jogos Pan-Americanos. E nessa estreia do esporte, o Brasil conquistou quatro medalhas. Na categoria longboard, a carioca Chloé Calmon ganhou o ouro ao superar a peruana Maria Fernanda Reynes na final por 15,36 a 12,76. No Stand-Up Paddle (SUP) Race, Lena Ribeiro foi campeã no feminino ao derrotar a favorita Candice Appleby, dos EUA, e Vinnicius Martins ficou com a prata no masculino. Nicole Pacelli levou o bronze no SUP Wave. 

 

Medalhas Inéditas 

O Brasil conquistou algumas medalhas inéditas nessa edição do Pan. Dois exemplos são o primeiro ouro de uma brasileira no boxe, conquistado pela baiana Beatriz Ferreira na categoria leve (até 60kg) ao bater a argentina Daiana Sanchez, e o ouro ganho pelo carioca Ygor Coelho no badminton, que venceu o canadense Brian Yang por 2 sets a 0 na final. 

O tênis de mesa brasileiro também conquistou medalhas inéditas. Uma de prata nas duplas mistas (Gustavo Tsuboi e Bruna Takahashi) e uma de bronze nas duplas femininas (Jéssica Yamada e Bruna Takahashi). O esporte trouxe para o Brasil mais dois ouros (individual masculino e duplas masculinas), outra prata (equipes femininas) e mais dois bronzes (individual feminino e equipes masculinos).

 

Vagas para Tóquio-2020

Além de medalhas, o Pan de Lima garantiu para o Brasil 29 vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. 

As vagas foram para os seguintes esportes e modalidades: Handebol feminino (14 atletas); Hipismo adestramento (3); Hipismo CCE (3); Hipismo saltos (3); Vela – classe 49er (2); Tiro com arco – masculino (1); Pentatlo moderno – Iêda Guimarães; Tênis – João Menezes; Tênis de mesa – Hugo Calderano.

Com as vagas conquistadas em Lima, o Brasil soma 104 vagas confirmadas para Tóquio, incluindo as equipes de vôlei feminino e masculino que venceram os torneios pré-olímpicos realizados neste mês de agosto.

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