CRAM oferece apoio à mulheres em situação de violência
O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) integra a política municipal de enfrentamento à violência contra as mulheres
Pâmela da Silva /Em Pauta
O Centro de Referência de Atendimento à Mulher – Profª. Cláudia Pinho Hartleben (CRAM) é um espaço estratégico de cuidado, proteção e garantia de direitos das mulheres. Na cidade de Pelotas, foi criado em março de 2014, a partir da luta do movimento de mulheres. Fica localizado na rua Dom Pedro II, número 813, no centro de Pelotas. Os horários de funcionamento são de segunda a sexta-feira, das 08h às 17h.

Fachada do Centro de Referência de Atendimento à Mulher, em Pelotas. Imagens: Pâmela da Silva /Em Pauta
O Centro atende mulheres a partir de 18 anos que vivenciam ou vivenciaram situações de violência doméstica, familiar ou outras formas de violência de gênero, como física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial. “O CRAM está de portas abertas para aquela mulher que ainda está em dúvida sobre fazer a denúncia. Ela vai receber esse acolhimento e esse atendimento qualificado.”, afirma Myryam Viegas, coordenadora do CRAM.
O CRAM é composto por três assistentes sociais, três psicólogas, uma coordenadora, uma pedagoga e a equipe de apoio. No município, o CRAM está vinculado financeiramente e administrativamente à Secretaria Municipal de Política para as Mulheres, atuando com as demais secretarias, fortalecendo respostas institucionais às situações de violência de gênero. O Centro oferece acolhimento com escuta qualificada, orientações profissionais, acompanhamento psicossocial e encaminhamentos para a Rede de Proteção da Mulher (Saúde, Assistência, Justiça, Segurança). O protocolo começa com o atendimento, o qual é em torno de 16 sessões com a psicóloga. Depois, é oferecido um grupo, que são 12 encontros quinzenais. Os grupos têm caráter terapêutico e preventivo, favorecendo o fortalecimento emocional e os desenvolvimentos estratégicos para a superação das situações de violência.
As mulheres chegam ao CRAM por iniciativa pessoal da usuária, que é chamada de demanda espontânea, por encaminhamento de algum órgão da rede de proteção, através de busca ativa, que é realizada pela equipe técnica a partir dos boletins de ocorrência registrados. Esses boletins são buscados todos os meses na Delegacia da Mulher, de acordo com Myryam. Também ocorre por notificação compulsória, onde as mulheres chegam no CRAM através das equipes técnicas do Pronto Socorro, das UPAS e das UBS. O critério básico de ingresso é o relato de uma situação de violência de gênero, independente do tipo.
No acolhimento, os objetivos são construir um vínculo de confiança mútua, entregar às usuárias informações básicas sobre a rede e definir com a mulher se ela continuará sendo atendida. O principal objetivo é atender as necessidades da mulher para amenizar o seu sofrimento, seja ele físico, psíquico ou espiritual. Depois, no acompanhamento, a mulher vive um processo de conscientização, reestruturação da autoestima e de tomar novas decisões sobre a sua vida. Os objetivos são construídos juntamente com a mulher, para que ela mesma os defina. É o momento onde se executa o plano de atendimento individual.
Já o desligamento ocorre de forma planejada, responsável e respeitosa, sempre considerando a autonomia e segurança da mulher. Ocorre uma avaliação e debate tudo que a vítima já alcançou, se ela rompeu o ciclo da violência. “Esse ciclo é muito danoso, pois toda relação começa com conquista, o agressor se demonstra aquele homem cheio de boas qualidades. Mas com o decorrer vai aparecendo todos os defeitos, e assim a violência.” diz a coordenadora e psicóloga Myryam. De acordo com a coordenadora, “A violência ocorre em todas as classes sociais, em todas as idades, infelizmente. Ela abrange todas as mulheres, independente de classe, cor, raça e etnia.”
Com atuação essencial no combate à violência de gênero, o CRAM se consolida como um espaço de acolhimento e transformação, oferecendo às mulheres não apenas proteção imediata, mas também caminhos para reconstruir suas vidas com dignidade e autonomia.
Local: Rua Dom Pedro II, nº 813, bairro Centro, Pelotas / RS
Telefone: (53) 31990672
WhatsApp: (53) 991860475
Horários: 8h às 17h, de segunda a sexta-feira
Email: centrodamulherpelotas@gmail.com



