Casa Casulo: Casa de acolhimento e abrigo para pessoas trans em Pelotas
Kailaine Quevedo/ Em Pauta
Em Pelotas, uma casa está sendo estruturada para acolher pessoas trans que perderam o apoio da família ou não têm para onde ir. A Casa Casulo é comandada por Jerci Cardoso, formada em hotelaria e mulher travesti, que hoje se dedica a transformar a própria experiência em acolhimento para outras pessoas LGBTs da cidade. O projeto, no entanto, ainda funciona inteiramente com doações da população sem qualquer apoio financeiro do poder público.
Qual o objetivo da Casa Casulo?
Jerci conta que a ideia nasceu de uma falta que ela via na cidade: um lugar preparado para receber pessoas LGBTs, principalmente pessoas trans, que enfrentam o abandono da própria família.
“As situações mais comuns são principalmente o abandono da família. E a falta de acolhimento do município para pessoas LGBTs é muito grande. Então estamos fazendo isso para que a população se sinta mais acolhida na nossa cidade”, explica.
A demanda é alta. Segundo Jerci, a casa está estruturando um protocolo próprio de recebimento, justamente para dar conta do número de pessoas que procuram ajuda. Para Jerci, a missão da Casa Casulo vai além de oferecer abrigo. A proposta é dar às pessoas acolhidas a chance de reconstruir uma perspectiva de futuro.
“Não seria simplesmente dar casa e comida a essas pessoas, e sim incentivar a voltar aos estudos, ou quem sabe fazer um curso profissionalizante, para que possa ter uma nova visão de futuro”, diz a diretora.
Ela resume o efeito que espera causar como a abertura de novos horizontes, pessoas que passam a enxergar a própria vida com mais clareza e mais chance de se garantir sozinhas. Entre as histórias que marcaram o trabalho da casa, Jerci lembra de um rapaz que voltou a estudar depois de ser acolhido pela equipe. “Nós ouvimos de um menino que disse que as nossas conversas com ele transformaram a vida dele inclusive, ele voltou a estudar e a ter uma vida mais aberta”, conta. Para Jerci, é esse tipo de resultado que sustenta o trabalho: “A casa se baseia exatamente nessa coisa de dar auxílio de todas as espécies que a gente pode dar, principalmente de acolher e conversar com as pessoas.”
Sustentada por doações, sem apoio do poder público
Hoje, a Casa Casulo se mantém basicamente com doações da população. Segundo Jerci, moradores da cidade têm procurado contribuir justamente porque esse tipo de serviço não existe em Pelotas.
A equipe também busca parcerias com empresas, que podem “adotar a casa” assumindo o custeio de uma despesa fixa, como a conta de luz, ou oferecendo cursos e outros apoios. “O que realmente está me faltando agora é apoio financeiro”, resume Jerci.
Do poder público, o retorno tem sido outro. “Procuramos apoio do poder público, mas o que nós mais recebemos são promessas”, afirma. Segundo ela, o poder público deu a respota que não se tem hoje nenhum edital disponível voltado para esse tipo de iniciativa.
Como ajudar
A Casa Casulo recebe doações de alimentos não perecíveis, roupas, roupas de cama, material de limpeza e de higiene, além de doações financeiras via Pix. No momento, a casa também busca beliches para receber quem chega.
Quem quiser contribuir pode procurar Jerci Cardoso pelo telefone (53) 98412-8492 ou pelo Instagram @coletivootjuju, onde a Casa Casulo também divulga suas necessidades mais urgentes.


