Arte e memória: MALG celebra quatro décadas de história em Pelotas

Aniversário do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo teve exposição comemorativa do artista Pellegrin

Luis Garcez/ Em Pauta

Na última terça feira, dia 11 de novembro, o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, celebrou seu quadragésimo aniversário com um evento especial em sua sede, o prédio Lyceu Rio-Grandense. A comemoração começou às cinco horas da tarde com um discurso feito pela coordenação do museu, seguido pela inauguração da exposição “Eros Purificado: Do Sensual ao Sublime” do artista Pellegrin, que ficará aberta, com entrada gratuita, até o dia 7 de março de 2026. A visitação pode ser feita de terça à sábado, das 13h às 18h30.

Equipe responsável pelo evento. Da esquerda para a direita: Nadia Leschko e Liz de Oliveira (Suldesign), Thaís Cristina Sehn (coordenadora de comunicação e design do MALG), Roberta Barros (diretora do Centro de Artes da UFPel), Úrsula Silva (Reitora da UFPel), Raquel Santos (diretora adjunta do Centro de Artes da UFpel), Lizângela Torres (diretora do MALG) e Pellegrin (artista da Vernissage e ex-diretor adjunto do MALG.

O Museu, carinhosamente chamado pela equipe e pela comunidade por sua sigla “MALG”, foi inaugurado em 1986. O MALG abraça gerações de artistas locais e nacionais, reunindo mais de cinco mil itens de arte, incluindo o acervo da Escola de Belas Artes de Pelotas e grande parte do acervo do pintor pelotense Leopoldo Gotuzzo, o patrono do MALG, que doou muitas obras em vida e deixou outras em testamento para o museu.

Desde sua inauguração o museu ocupou vários espaços e diversas sedes, por 20 anos ele esteve em imóveis alugados, até que em 2018 ele começou a funcionar com sua sede própria, o prédio histórico de pelotas Lyceu Rio-grandense, construído entre 1881 e 1883 e tombado como patrimônio. O prédio, administrado pelo Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas, também atua em pesquisa, ensino e extensão, conectando os estudantes com a arte.

Thaís Cristina Sehn e Lizângela Torres revelam a nova marca do MALG

Durante a celebração do quadragésimo aniversário do museu, Lizângela Torres, diretora, e Thaís Cristina Sehn, coordenadora de comunicação e design, revelaram a nova marca para o MALG e, junto de Pellegrin, antigo diretor adjunto do museu e artista por trás da exposição que atualmente adorna as paredes do prédio, fizeram um breve discurso de homenagem e agradecimento à equipe do museu e aos convidados ali presentes. Pellegrin contou que fez a exposição com ideia de homenagear seus alunos, disse que foram eles que o formaram todos esses anos e que o grande orgulho de sua vida é ter convivido com todas aquelas pessoas nas salas de aula. O artista, natural de Morro da Fumaça em Santa Catarina, também agradeceu a cidade de Pelotas, pois a primeira exposição que presenciou foi na biblioteca pública da cidade, o que foi um estímulo importante para sua vida.

A exposição criada por Pellegrin, denominada “Eros Purificado: do Sensual ao Sublime” contem pinturas e fotografias do artista, com curadoria e expografia da Doutora em História, Teoria e Crítica das Artes Visuais Neiva Bohns. “Eros Purificado” é dividida em uma primeira parte, com imagens fotográficas, feitas originalmente com polaroides, a partir de fragmentos corporais sugestivos, porém abstratos, e uma segunda parte, que integra um conjunto de pinturas abstratas, que exploram formas e cores.

Durante o evento, conversei com Nicole Almeida, estudante do sétimo semestre do curso de Design Gráfico da UFPel e membra da Agência Marte, projeto de extensão do Jornalismo da UFPel que trabalha com assessoria de imprensa. Nicole atua como designer de conteúdo para mídias sociais na Marte, mas estava presente lá no MALG como consultora de arte para o resto da equipe, que coordenava a cobertura audiovisual do evento.

Mesmo estando ali a trabalho, Nicole afirmou estar feliz por ter tido a oportunidade de estar presente ali. “Tem muitas pessoas de vários tipos, estilos, cores, idades aqui. Uma diversidade gigantesca, e arte é para ser assim, acessível para todos, independente de quem seja. Eu fiquei muito contente em ver as pessoas interessadas no museu, principalmente os mais jovens. Teve um decaimento muito grande no interesse em divulgação artística para as novas gerações, então ver isso me alegra. O evento está incrível, nada mais, nada menos.”

Parte do público presente durante o evento de 40 anos do MALG

Em outro momento, consegui capturar, brevemente, a atenção de Thaís Cristina Sehn, a coordenadora de comunicação e design do MALG, e conversamos sobre o evento. Thaís comentou que a realidade excedeu as expectativas para aquela tarde, e que foi gratificante receber todo aquele público e receber o carinho não só da comunidade acadêmica, mas da comunidade pelotense em geral. Também demonstrou muita gratidão pelo próprio Pellegrin, afirmou que ele é um professor muito querido pela UFPel, mas lastimou nunca ter sido sua aluna. A coordenadora considera que parte do sucesso daquela tarde se deve pela escolha de Pellegrin para ser o artista da exposição que acompanharia a celebração, devido a tamanha gratidão por tudo que ele já fez tanto pelo museu quanto pela cidade de Pelotas.

Questionei Thaís sobre o que podemos esperar do MALG para 2026 e além, ela estava com a resposta na ponta da língua. “Nós vamos trazer cada vez mais a comunidade para o museu, vamos fazer as pessoas entenderem que aqui em pelotas também tem arte, arte de qualidade, arte clássica, arte contemporânea, arte de todos os estilos, e que o museu propicia isso. Já temos eventos periódicos que organizamos, o Conversa no Museu e o Música no Museu, provavelmente ainda esse ano vai acontecer o Conversa no Museu com o Pellegrin sobre essa exposição de hoje. […] Também estamos planejando, para o ano que vem, realizar cursos voltados para as artes aqui no museu. Vamos movimentar e envolver cada vez mais a comunidade com o MALG”.

Ao encerrar a tarde comemorativa, entre conversas, conexões e olhares admirados diante das obras, o sentimento predominante era de orgulho. Quarenta anos depois de sua fundação, o MALG reafirma seu papel como catalizador de divulgação artística na cidade de Pelotas e também se consolida como ponte entre gerações, onde arte, ensino e comunidade se entrelaçam e fortalecem a instituição, tornando-a preparada para os próximos 40 anos.

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