Guitarra e fado em Coimbra

Reportagem de Gabriela Schander –

Localizado na Torre de Anto, o museu revive a memória ativa da tradição coimbrense em Portugal – 

  

      A cidade de Pelotas é fortemente influenciada pela cultura portuguesa e, para quem for a Portugal, nada melhor do que conhecer um pouco mais das nossas raízes culturais. Entre construções ainda preservadas que remetem ao século XII, ruas estreitas e paisagens exuberantes, a cidade de Coimbra, localizada na região central de Portugal, é berço de uma das expressões culturais mais fortes em terras lusófonas: o fado coimbrense.

Guitarra utilizada pelo mestre Carlos Paredes

       Situado na Torre de Anto, na Sé Velha de Coimbra, o museu Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra está integrado ao programa do Museu Municipal de Coimbra, o qual tem o objetivo de promover o conhecimento e divulgação da cultura local de forma gratuita. Ali, os quatro pisos, idealizados por cantores, instrumentistas, compositores e violeiros, contam a tradição do estilo desde os primórdios até a atualidade.

       O museu conta com interações multimídia, as quais os visitantes podem acessar informações sobre artistas e músicas, além da possibilidade de assistir entrevistas e ouvir alguns fados que estão disponíveis. Além disso, o museu possui artigos raros para apreciação, como a guitarra de Carlos Paredes e a letra manuscrita de uma canção de Zeca Afonso, dois dos maiores expoentes do fado de Coimbra.

       A entrada é gratuita e além de conhecer um pouco mais sobre a história do estilo e apreciar os instrumentos, ainda proporciona ao visitante uma vista privilegiada da cidade de Coimbra.

 O fado de Coimbra: canções de protesto

     Oriundo do fado de Lisboa, o fado coimbrense, datado seu início no século XIX, é resultado da junção de diversas culturas locais das diferentes regiões do país. Com raízes populares e, quase que, em sua totalidade, ligadas ao meio acadêmico, o estilo era ensinado de geração à geração como uma tradição familiar. As primeiras escolas de fado surgem apenas em 1978.

     Os anos 20 podem ser considerados a época da “geração de Oiro” para o fado coimbrense. Isso se deu pelo fato de haver uma renovação e transformação dos temas, a forma de cantar, tocar e entoar os cantos pelas ruas da cidade.

     Após, os anos seguintes, até a década de 50, foram considerados decadentes para o estilo. A depressão econômica e a Segunda Guerra Mundial contribuíram para o declínio da produção artística. Somente então, a partir de 1950, surge a segunda “geração de Oiro”, com artistas revigorados e com novas perspectivas para o estilo musical.

     Já em 1970, o fado ganha uma nova característica: passa a ser usado como canções de intervenção e protesto no meio acadêmico. Os cantos eram entoados como forma de resistência e contestação, passando, portanto, a carregar um forte viés de aliado à luta política e social.

     Atualmente, o fado mantém sua tradição ligada à Academia, mas também ocupa outros espaços e correntes estéticas, já em formato contemporâneo. Na baixa Coimbra, é fácil encontrar locais que fazem serenatas diárias com o estilo.

     A tradição se mantém e o fado coimbrense é uma memória cultural ativa. Depois disso, que tal ouvir um fado de Coimbra?

 

Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra

Localização: Rua de Sobre Ribas (Torre de Anto), Coimbra, Portugal

Horário de funcionamento: terça a sábado 10h-13h/14h-18h

Entrada: gratuita

Site do museu.

Locais para assistir espetáculos de fado em Coimbra

À Capella (diariamente às 21h30)

Fado ao Centro (diariamente às 18h)

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Debate sobre feminismo

Texto de Alexia Ribeiro e Manoela Duarte –

Crítica – Livros

Chimamanda Adiche trata do feminismo a partir das suas próprias experiências

“O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser, em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do gênero”.

 

     Simples. Rápido. Direto. Eficaz. “Sejamos todos feministas”, da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adiche, explora a questão de gênero exatamente desta forma. Com exemplos pessoais e de experiências próximas à autora, o livro explica questões básicas sobre gênero e é um bom ingresso ao assunto.

     Publicado no Brasil em 2015 pela Companhia das Letras e disponível gratuitamente em formato digital no site da Amazon,  a obra é a adaptação de uma palestra de Chimamanda para o TEDxEuston realizada cinco anos atrás. Atualmente, o vídeo original, disponibilizado no Youtube pelo canal do Tedx Talks  tem mais de três milhões e setecentas mil visualizações e, além de ser publicado como livro, faz parte da música Flawles, da cantora americana Beyoncé.

     Em sua segunda participação no Ted, Chimamanda aborda o feminismo começando pelo que definiu como um “diálogo necessário” – mesmo acreditando que pudesse ser um assunto não muito popular. E isto é o que vemos em seu texto. Questões sociais, culturais e econômicas são tratadas por ela e exemplificadas de maneira a deixar claras as várias formas de tratar as diferenças entre os gêneros.

     Com artefatos muitas vezes sarcásticos, o tema é explorado de diferentes maneiras e em diferentes cenários – que percorrem da criação de meninas e meninos, da escolha e do acolhimento no trabalho à problematização de fracas justificativas feitas socialmente para manutenção de uma cultura que oprime e limita o sexo feminino.

     Sem uma linguagem rebuscada demais, Chimamanda quer ser ouvida por diversos públicos e pelos diferentes gêneros. O desenvolvimento do livro não é uma narrativa ficcional nem nos exemplos trazidos. É lúcido e de fácil inserção no cotidiano de quem quer que esteja lendo. Nem por isto é superficial. Em poucas páginas e com simplicidade, temos bases suficientes para o início de uma reflexão e de um debate sobre o feminismo – do que ele trata e porque ele é fundamental para a construção da sociedade que precisamos.

     Temos na obra uma lembrança do que perdemos com a desigualdade política, social e econômica entre os sexos e um pedido para que sejamos todos feministas.

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Moana – Um mar de Aventuras

Texto de Camila Duarte Porto

Cinema – Crítica

Produção de Walt Disney inspira-se em aspectos culturais da Polinésia

     “Moana – Um mar de aventuras” é uma produção do Walt Disney Animation Studios e chegou às telinhas do cinema em janeiro deste ano. Com direção de John Musker e Ron Clements, traz a história de Moana Waialiki, uma jovem polinésia de 16 anos, vinda de uma longa linhagem de chefes de uma tribo da Oceania e tem como destino comandar seu povo. Almejando descobrir mais sobre os mistérios que envolvem seus ancestrais, ela embarca em uma aventura pelo Oceano Pacífico. Durante seu trajeto, encontra o semideus Maui que a acompanha em sua jornada. Juntos, vivem uma intensa viagem, cheia de ação, diversão e criaturas inusitadas.

     O filme infantil veio às telas cercado de polêmicas, o site Geledés julgou infeliz a forma como a Disney apropriou-se da figura mitológica de Maui, que é considerado em algumas culturas polinésias como “ancestral”. Sua forma física foi encarada com maus olhos, uma vez que na região a obesidade é um problema de saúde pública. O site ainda disse: “Na cultura da Polinésia, as tatuagens contam uma história pessoal. Reproduzir essas intimidades é considerado uma falta de respeito, e fazer isso com fins comerciais é um insulto.”

     Já outra parte do público amou o filme. Para o site da Uol, Moana é a mais interessante das princesas da Disney, a começar por ela não ser vista como uma princesa, mas sim como uma aventureira e que não segue o padrão físico das demais. Mas não é apenas a aparência de Moana que a diferencia. Para o site, o que mais destaca Moana é que ela não está à procura de um príncipe encantado: “Nada de príncipe. Nada de par romântico. Com a árdua missão de salvar sua ilha e seu povo da destruição, a jovem polinésia de Motu Nui não tem tempo para historinhas de amor.”

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A grande tela para todos

 

Reportagem de Aléxia Tavares –

O CineUFPel é uma alternativa de programação para os cinéfilos pelotenses

     Além das salas de cinema comerciais (CineArt e CineFlix), bastante conhecidas na cidade, Pelotas possui outra opção de cinema não tão lembrada, mas com entrada franca, o CineUFPel. A Ufpel trouxe a Pelotas uma sala de cinema Digital do Programa Mercosul Audiovisual em agosto de 2015, oferecendo assim uma nova opção de cinema à população, com um diferencial para a cidade, uma programação de alta qualidade artística e totalmente gratuita, o CineUFPel. 

     O Projeto é coordenado pela professora Cintia Langie, do curso de cinema e aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, que cedeu o auditório da Agência de Desenvolvimento da Lagoa Mirim para as atividades do projeto CineUFPel. A sala tem capacidade para 88 pessoas e sofreu reformas que lhe transformaram em uma incrível sala de cinema.

     O Programa Mercosul Audiovisual tem como objetivo, além da difusão de produções regionais, a formação de pessoal através de oficinas e cursos e a pesquisa na área, por isso, a aproximação direta com universidades. Justamente por fazer parte do Programa Mercosul Audiovisual, uma rede formada por dez salas de cinema no Brasil, dez na Argentina, cinco no Uruguai e cinco no Paraguai, o CineUFPel possui foco em filmes de teor cultural prioritariamente latino-americanos, e normalmente há um espaço destinado ao debate sobre as obras logo após as exibições.

     Com variada programação e entrada franca, o CineUFPel realiza regularmente sessões às quintas e sextas-feiras, às 19h, além de cineclubes, palestras, seminários e realização de mostras e eventos ligados à atividade cinematográfica da universidade e, também, em parceria com outras instituições públicas ou privadas. O CineUFPel fica na rua Lobo da Costa 447, no Centro de Pelotas.

Programação

     Em 2017 o CineUFPel retomou suas atividades, após período de recesso, em fevereiro, a partir do dia 16. A programação do cinema é divulgada sempre em diversos veículos como o site da universidade, jornais locais, e, principalmente, na página do projeto do Facebook. A programação desta semana foi divulgada e serão três exibições:

– Quinta-feira 09/03 às 19h será exibido Olympia, de Rodrigo Mac Niven (2015), a exibição faz parte do ciclo de cinema em Redes. A obra não é recomendada para menores de 14 anos e traz um retrato aprofundado, de forma ficcional assim com documental, da cidade de Olympia, que se prepara para receber uma edição das Olimpíadas. A obra mostra que apesar dos jogos trazerem para cidade certa beleza, no fundo, Olympia é assombrada por um fenômenos de corrupção tão enraizado que abate diversos níveis institucionais da sociedade e também a coletividade dos habitantes locais. Assista o trailer.

 

 

 

 

 

– Sexta-feira 10/03 será exibida da obra de Marco Del Fiol Espaço Além (2016). A obra é um documentário , não recomentado para menores de 14 anos, onde a artista de performance Marina Abramovic viaja por lugares místicos do Brasil pesquisando comunidades espirituais, pessoas e lugares de poder. O documentário registra de forma etnográfica enquanto observa os processos de apropriação artística e humana de Marina, que entra em contato com rituais do Vale do Amanhecer, o xamanismo na Chapada Diamantina, o candomblé na Bahia, as curas do médium João de Deus e os cristais de Minas Gerais. Assista o traileir. 

 

 

 

 

– Sábado 11/03 às 16h será exibida a obra de Ousmane Sembene A Negra de … (1966). Encerrando a programação da semana, a exibição faz parte da mostra – 50 anos Cineclube Zero Quatro. A obra traz a história da jovem senegalesa que vai a França para trabalhar como empregada doméstica, na casa de um casal. E lá a jovem tem sua visão romântica do país confrontada pela dura realidade do trabalho.

 

 

 

 

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Cena musical gaúcha

 

Reportagem de Roberta Pereira –

A cantora nascida em Dom Pedrito fala sobre o contexto artístico e seus desafios –

Laura Rossato: sonoridade pop e autoral

     Vinda do interior de Dom Pedrito, Lara Rossato subiu em um palco pela primeira vez aos 14 anos e não saiu mais deles. Em 2005, ao se mudar para Pelotas, foi que conseguiu começar a trilhar seu caminho, gravando seu primeiro álbum intitulado “Doce”. Apesar do pouco investimento, o trabalho começou a render frutos. Decidida em continuar na carreira, Lara mudou-se em 2012 para Porto Alegre, onde reside desde então.

     Em setembro de 2014, “Mesa para dois” foi lançado na web, com uma sonoridade pop e fortemente autoral. Produzido por Guilherme Almeida, em São Paulo, o disco gerou ótimas críticas na imprensa, mostrando não mais aquela menina do primeiro álbum “Doce” e, sim, uma mulher com suas metas bem definidas. Desde então sua carreira vem criando cada vez mais força. Convidada para diversos festivais importantes, é conhecida como uma das vozes femininas mais potentes do Estado.

     Entrevistamos Lara para saber um pouco mais sobre a cena músico/cultural do Rio Grande do Sul e como foi trilhar esse caminho:

     Como é viver de arte no Rio Grande do Sul?

     Pela minha experiência, posso dizer que não é nada fácil viver da arte no Estado e também no mundo. Todo o começo é árduo e devemos investir muito tempo e algum dinheiro, crescer profissionalmente e só depois pensar em colher os frutos.

     Na cena musical, há espaço para os músicos que estão começando?

     Poucos bares dão espaço para a música autoral, por isso ela é muito reduzida, mas aos poucos esse panorama está mudando. Ao contrário, os músicos que tocam sets de música cover encontram mais espaço, dependendo da qualidade e estilo da música.

     Como é a relação entre artistas? Existe uma relação de ajuda ou é mais de concorrência?

 

     Eu particularmente não me sinto competindo com ninguém e nunca senti de fato uma concorrência entre meus amigos músicos comigo ou entre eles, mas acredito que exista sim, em áreas variadas e no mundo inteiro, porém tento não pensar muito nisso.

     Em sua opinião qual é o maior problema em relação à cultura no Estado? E à maior qualidade?

     No Rio Grande e no Brasil existem artistas excelentes. O que faz mais falta é oportunidade e espaço para esses artistas mostrarem suas artes, apoiados de uma imprensa mais aberta e com interesse em divulgar a cultura, sem receber nada em troca. Faz falta também um público realmente interessado nessa “nova arte”.

     Felizmente, estão se criando coletivos de artistas que se unem para criar o seu próprio espaço e sair em busca desse público e também rádios, jornais e programas de TV que oferecem oportunidade de divulgação. Vejo que pouco a pouco também está crescendo o índice de pessoas que querem conhecer um trabalho de um artista local, isso é muito positivo! Aqui em Porto Alegre existem vários coletivos de compositores, como o Escuta – o som do compositor, o Autoral Social Clube e o Vossa Autoria, que realizam shows periódicos e fomentam a cena autoral local.

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A Lua te chama

Reportagem de Vitória Trescastro – 

Festival abre espaço para mulheres exporem seus trabalhos – 

“Hoje eu não quero falar de beleza
Ouvir você me chamar de princesa
Eu sou um monstro”    (Karina Burh)

     É com os versos da baiana radicada em Pernambuco que começa o programa Lua Sangrenta, toda sexta-feira, às 10h30, na RadioCom (104.5 FM). Produzido e apresentado por mulheres, o programa surgiu em 2015 com a Lili Rubim, Adriana Yamamoto e Carole. Hoje, as duas últimas cederam espaço para Sarasvatii Leão e Helena Oliveira. No próximo sábado e domingo, as organizadoras promovem  o Festival Lua Sangrenta, na Praça da Alfândega e na Oca, no bairro Porto.

     Voltado especialmente a informações do interesse feminino, o programa abre espaço para a espiritualidade, troca de conhecimentos, denúncias de assédios, e muita música de mulheres e sobre mulheres. Feminista convicta, Helena falou da importância do protagonismo feminino e de espaços serem ocupados por mulheres. “Temos que aproveitar o espaço que está disponível, e se esse não houver, precisamos criar espaços”, disse.

     O Lua Sangrenta é feito da forma mais interativa possível: com suas páginas do Facebook abertas, as apresentadoras captam material fresquinho da rede, direto para as ondas livres da RadioCom. Além disso, recebem informações e denúncias na página, na qual qualquer um pode contatar a produção do programa. “Tentamos incentivar nossas ‘ouvintas’ a participarem cada vez mais do programa, pela internet, ligando, indo no estúdio, porque queremos uma diversidade de vivências e opiniões, para desmistificar assuntos com diversas visões e vozes”, disse Helena.

Festival Lua Sangrenta

     A ideia do Festival, que acontece nos dias 11 e 12 de março, surgiu durante uma entrevista num especial de Riot Girrrl com Ariane Behling e Giana Cognato, da banda BadHoneys. O movimento Riot Girrrl surgiu nos anos 90 como resposta ao machismo do punk rock, e tinha como base uma irmandade de troca de aprendizados e materiais entre mulheres (como fanzines, partituras, letras e fitas cassete). Essa é a inspiração do Festival Lua Sangrenta. “A ideia do festival é unir diversas mulheres de diversas áreas para que elas troquem ideias, se conheçam e se reconheçam, suas semelhanças e diferenças, que ensinem o que saibam, que aprendam uma com a outra”, conta Helena.

Helena Oliveira apresenta programa radiofônico toda sexta-feira às 10h30min na RadioCom 104.5 FM

     Além do saudosismo do movimento dos anos 90, a falta de visibilidade do trabalho das mulheres de Pelotas e da região foi outro gatilho que impulsionou o evento. “Tem muita mina incrível, muita produção independente, mas pouca organização e visibilidade”, reflete Helena. O Festival serve, nesse momento, como trampolim para que mulheres talentosas possam mostrar seus trabalhos e ensinar outras (e outros, já que o evento é aberto para homens também) sobre coisas não muito convencionais.

     O evento é auto organizado e teve inscrições abertas para participação até o dia 1º de março. Para que tudo dê certo nos dias do festival, aconteceram reuniões semanais com a produção do programa e as 41 inscritas, em locais públicos, tudo organizado de forma horizontal. Além disso, o evento também é aberto para quem quiser levar seus produtos para venda, ou propor atividades na hora, “tudo que for possível fazer, vai acontecer”, disse Helena.

     Entre as atividades já programadas, tem cine debate do filme “Desaborto,” com as meninas do projeto Subjetivas, e muitas atividades lúdicas e artísticas. “Vão ter mulheres maravilhosas cantando e tocando (de Pelotas, Santa Maria, e Rio Grande), sarau feminista, rodas de conversa sobre feminismo latino-americano, agroecologia e mulher, cosméticos veganos, genecologia natural, live painting de graffite, tarot, comidinhas vegetarianas e veganas e sucos naturais”.

     O Festival da Lua Sangrenta acontece nos dias 11 e 12 de março, na Praça Domingos Rodrigues, conhecida como Praça da Alfândega, e na OCA, no Porto. A entrada é gratuita, e o evento é a partir das 14h. Mais informações no evento do Facebook.

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Primeiro concurso de pandorgas

Reportagem de Shendler Siqueira – 

Evento animou o Balneário Cassino em fevereiro – 

O Festival aguçou a curiosidade do público com a criatividade dos participantes

     Um dos eventos mais esperados pelos munícipes e veranistas aconteceu em meio ao céu cinzento da praia do Cassino. O sol pode até não ter aparecido, mas as pipas e pandorgas de todos os tipos e tamanhos coloriram o Cassino em fevereiro. Pessoas de todas as idades marcaram presença na primeira edição do Festival de Pipas e Pandorgas do balneário: pais, mães, avós e até crianças de colo admiraram o contraste de cores com o cinza do céu papareia.  

     Gente como o senhor Valdir Batista, “pipeiro há mais de 30 anos”, segundo suas próprias palavras. Na ocasião, ele levou “as suas relíquias”, seis pipas minúsculas construídas com muito capricho e esmero. Guardadas em um isopor, com muito carinho, ele explicava orgulhoso a história de cada uma. Uma delas, era uma homenagem ao primeiro título brasileiro do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, construída em 1981.

     Com inscrições abertas até minutos antes da cerimônia de abertura, o Festival contou com boa participação do público e aguçou a curiosidade de cassinenses e turistas, que acompanharam um show de cores e manobras nas imediações da estátua de Iemanjá. Após a avaliação da Comissão Julgadora, ocorreu a cerimônia de premiação. Foram considerados vencedores Cauã Duarte, na categoria Maior Pipa; Valdir Batista, na categoria Menor Pipa; Castro dos Santos, na categoria Melhor Recorte; Moreci Furtado, na categoria Pipa Mais Criativa; Andrew da Silva, na categoria Maior Altura e Vinicius Rodrigues, na categoria Melhor Manobra. Os demais receberam medalhas de participação.

     Estiveram presentes o secretário de Município da Cultura, Ricardo Freitas, a superintendente de Gestão da Cultura, Goreti Butierres, o gerente da Unidade Operacional Sesc Rio Grande, André Miki, a agente de Cultura e Lazer do Sesc Rio Grande, Raquel Valério e a secretária do Gabinete de Gestão e Projetos Especiais, Darlene Pereira, dentre outras autoridades. O Festival de Pipas e Pandorgas é uma promoção da Secretaria de Município da Cultura em parceria com o Sesc Rio Grande e faz parte da programação do Verão Cultural 2017. O Verão Cultural possui o patrocínio master da Governo federal e da Caixa Econômica Federal, o patrocínio do Governo do estado do Rio Grande do Sul e da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e o apoio do Sesc Rio Grande e do Ponto de Cultura ArtEstação.

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Produção premiada em Recife

Reportagem de Ricardo Leite – 

O curta-metragem Deus ganhou o destaque de “melhor” filme em Pernambuco – 

     A produção de curta-metragem tem dado resultados positivos ao curso de Cinema da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Uma dessas produções, o curta Deus, do diretor Vinicius Silva, foi apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso, de um grupo de alunos, e virou notícia em nível nacional.

     O curta-metragem Deus, realizado em 2016 por estudantes da UFPel, está circulando o País em festivais e ganhou o prêmio de melhor filme em Pernambuco. O filme de Vinicius Silva ganhou atenção da mídia nacional, ao tratar da vida de uma mulher negra, mãe solteira e de seu filho. Representando um grupo social, muitas vezes, sem voz no País. 

     Participando de festivais desde o ano passado, o curta-metragem, híbrido entre ficção e documentário, recebeu três prêmios, incluindo o de melhor filme no Festival Internacional de Cinema Universitário de Pernambuco (MOV), em janeiro deste ano em Recife.

     Além do festival de Pernambuco, a produção ainda participou de outros dois festivais em Belém no Pará e irá para Lajeado em outra participação neste mês de março. Segundo o diretor, está inscrito em outros festivais, apenas esperando o anúncio dos selecionados.

O filme Deus mostra a rotina diária de Roseli Izabel                                 Foto: Divulgação

 

A história

     O filme conta a rotina diária de Roseli (Roseli Izabel) e seu filho Breno na região periférica de São Paulo. Como informa o diretor, o filme mostra “uma mulher negra, mãe solteira, de periferia, com uma vida dura, mas que também tem uma vida alegre e positiva”. Devido a essa escolha de mostrar a vida diária, porém com algumas questões ficcionais, o filme é classificado como híbrido entre ficção e documentário.

     Chamando atenção por essa mensagem, a vida da mulher negra brasileira e a influência dela em seu filho, Silva considera que não há sofrimento no seu filme. “Aquelas pessoas têm uma vida difícil, mas que é recheada de momentos alegres e reflexivos. O que tentei passar foi uma certa dose de emoção com reflexão e quis que o público não saísse o mesmo depois da sessão”, completa o diretor.

     Na pré-estreia na cidade de Pelotas, em setembro do ano passado, o curta-metragem emocionou o público presente. Após a apresentação do filme, Vinicius Silva lembra que não esperava uma recepção tão calorosa do público. “Ocorreu uma identificação com os personagens”, diz o diretor, indicando que a maior parte dos comentários após a apresentação não tratou das questões técnicas, comum nesse tipo de apresentação, mas sim dos sentimentos que o filme passou ao público presente.

Sala lotada para a pré-estreia do curta-metragem no mês de setembro em Pelotas                                     Foto: Jacob Mattos

 

 

     Foram usados poucos recursos para a realização do projeto, que teve como custos, além da filmagem, equipamentos e o gasto de pós-produção, também a viagem até São Paulo para parte da equipe. Os realizadores utilizaram o processo de financiamento coletivo através do site Kickante. “Foi como juntamos um dinheiro para produção, e tivemos uma certa midiatização do projeto”, relata o diretor que saiu em reportagem no site de notícias Vice.

Futuro e novos projetos

     O diretor e a equipe estão com novos projetos em diversas áreas. Vinicius criou uma produtora, a Planetário Filmes. Porém, Deus ainda participará de alguns festivais e, segundo o idealizador, ele e a equipe estão “com boa expectativa para futuros festivais”. “O MOV em Recife foi muito bacana, além dos prêmios, cineastas que admiramos e alguns que tivemos até como referência para o filme nos elogiaram e estamos esperançosos para o futuro do curta”, relata.

     Após a participação em festivais o filme será lançado em parceria com a Taturana Mobilização Social, que “tem uma plataforma em que há um catálogo de filmes, na qual as pessoas podem agendar filmes para sessões públicas”, completa Vinicius Silva. O teaser de “Deus” está disponível no Youtube e a produção também tem uma página no Facebook.

Equipe de produção

Vinicius Silva, direção

Débora Mitie, diretora de fotografia e roteirista

Huli Balász, montadora

Rodrigo Acedo, Produção

Gabriela Montezi, também na produção

Julio Sperling na correção de cor

Kevin Miranda na rotoscopia

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Terror para dar risadas

Texto de Roberta Pereira –

Televisão – Crítica – 

 

Drew Barrymore e Timothy Olyphant protagonizam a nova história de zumbis que estreou  dia 3 de fevereiro

       A nova comédia da Netflix, Santa Clarita Diet, estreou dia 3 de fevereiro e vem trilhando um caminho que vem motivando o público. Aclamada pelos espectadores e crítica especializada a série original da Netflix foi anunciada poucos meses antes de sua estreia, mas sem causar muitas especulações em torno de sua história. Sabíamos que se travaria de uma comédia zumbi estrelada pelos atores Drew Barrymore e Timothy Olyphant.

      A trama é simples, Sheila (Barrymore) e sua família, composta também por Joel (Olyphant) e Abby (Liv Hewson), passam em um complicado período em suas vidas. Sheila e Joel vivem na pacata Santa Clarita, cidade do subúrbio de Los Angeles, ambos são corretores de imóveis e vivem vidas tranquilas, até que um dia muda tudo. Depois de passar mal pela manhã, Sheila vomita tudo, inclusive seu coração, e morre, virando uma morta-viva. Ela se sente melhor, mais ativa, com mais energia e disposição. O problema é que tudo isso vem da sua nova alimentação: carne humana. Inicialmente, ninguém sabe ao certo o que está acontecendo e a palavra zumbi é usada com muita cautela, até porque a situação é muito nova para todos os envolvidos e a transformação de Sheila não se encaixa exatamente nos moldes da mitologia zumbi que conhecemos.

     Talvez este seja um dos fatores do sucesso da série, pois o mercado vem saturando a imagem do zumbi tradicional em suas produções. Em Santa Clarita Diet, essa figura é tratada diferente. Uma mulher que vira zumbi tenta conviver com isso. Vive em meio aos humanos, tentando se adaptar com sua nova vida. A série possui uma pegada realista o que a deixa ainda mais engraçada pelo fato de assimilar coisas tão habituais do cotidiano com a total fuga da realidade.

     A quantidade de sangue é proporcional à quantidade de humor negro presente na série, apesar de sua trama simples, ela acaba surpreendendo. Não pense que é apenas uma série superficial, Sheila e sua família enfrentam dilemas diários, diante de sua nova realidade. Pena de suas vítimas, valores e vida familiar são algumas das temáticas que deixam a série com mais cara de realidade.

     Ainda é cedo para falar de uma continuação. Nesta primeira temporada, a série vem com apenas dez episódios, deixando um gostinho de quero mais. Mas, devido ao grande sucesso, podemos esperar sua segunda temporada.

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Show reúne três talentos

Reportagem de Fernanda Winck Moraes e Caroline Lemos –

Espetáculo fez parte do projeto Acústicos RS que finalizou em Pelotas –

A segunda edição do projeto Acústicos RS reuniu em Pelotas, dia 15 de fevereiro, os músicos Ian Ramil e Duca Leindecker, no Theatro Guarany. O projeto contou com o financiamento do governo do estado do Rio Grande do Sul e patrocínio de Net Claro. Nas redes sociais, Ian Ramil declarou que este foi o seu primeiro show no Theatro Guarany, o que definiu como um “show da vida”, já que Pelotas é sua cidade natal. Além disso, contou com a participação do seu pai, o também cantor e compositor Vitor Ramil.

Ian tem ganhado grande destaque, já que ganhou o Grammy Latino 2016 de melhor disco de rock em língua portuguesa, com o CD “Derivacivilização”, segundo álbum de sua carreira, que está disponibilizado para download.

Vitor e Ian Ramil, pai e filho, estiveram juntos no palco do Theatro Guarany (Foto de Claudio Meneghett/2010)

Já o compositor, instrumentista e cantor Duca Leindecker, apresentou no Acústicos RS seu novo trabalho chamado “Plano Aberto”, que foi gravado ao vivo e lançado em DVD e CD, bem como, grandes sucessos de sua carreira. O show contou com a presença do baterista Claudio Mattos e no baixo e vocal o músico Mauricio Chaise. Duca liderou a banda Cidadão Quem, que gravou sete CDs e um DVD, e fez mais de mil apresentações pelo Brasil. Também foi um grande sucesso da sua carreira o duo Pouca Vogal, com Humberto Gessinger, da banda Engenheiros do Hawaii.

Duca Leindecker lançou seu novo CD e DVD “Plano Aberto”

A edição de 2017 do projeto Acústicos RS iniciou no dia 2 de fevereiro com as apresentações de Rock de Galpão e Antonio Villeroy na cidade de Santa Cruz o Sul e no dia 9, com o show do Papas da Língua e Jéf e banda em Bento Gonçalves, finalizando em Pelotas. O projeto tem como objetivo promover apresentações de renomados artistas gaúchos pelo interior do Estado.

 

 

 

 

 

 

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